Foi com bastante alarde anunciado um novo Festival de Woodstock para celebrar os 50 anos do evento original, um dos maiores marcos culturais do século XX, ápice símbolo (e efetivo) da revolução cultural que marcou a década de 1960. E segundo a Variety, dois nomes especiais estarão entre os headliners do festival: Robert Plant e Greta Van Fleet.

Ambos são associados porque a banda norteamericana é sempre retratada como um tipo de herdeira da sonoridade do Led Zeppelin, da qual Plant era o vocalista.

Além disso, as fontes da revista garantem outros nomes de importância no cenário musical atual: Jay-Z, Dead & Co., Black Keys, Chance the Rapper, The Raconteurs, Imagine Dragons, Run the Jewels, Gary Clark Jr., Cage the Elephant, the Killers, Margo Price, Sturgill Simpson, Portugal the Man, Dawes, the Lumineers, Bishop Briggs, Pussy Riot, Courtney Barnett e Dorothy.

Também Halsey, Miley Cyrus, Janelle Monae e Brandi Carlile
estariam finalizando os contratos.

O organizador do festival, Michael Lang, o mesmo do original de 1969, contudo, se nega a confirmar qualquer nome, dizendo que o line-up do Evento – que terá três palcos – o Peace Stage, o Love Stage e o Music Stage, em alusão ao lema do primeiro festival – será divulgado em algumas semanas.

Em uma declaração anterior, Lang dizia que queria reunir alguns dos astros do Woodstock de 1969 combinados a reuniões de grandes artistas, nomes atuais e um pouco de pop e RAP para agradar plateias mais jovens.

Caso se confirme o line-up apontado pela Variety (e também reproduzido pelo Loudwire), se percebe que a última parte da ideia está ok, mas faltam nomes clássicos que criem alguma conexão com o Woodstock original.

Afinal, mesmo Led Zeppelin – a despeito de sua importância – não tocou em Woodstock. Iniciando a carreira na época, o grupo até estava em turnê pelos Estados Unidos naqueles mesmos dias, mas esnobou o festival em prol de manter seus próprios shows.

De fato, grande parte dos nomes de Woodstock não está mais aqui: Jimi Hendrix, Janis Joplin, Joe Cocker… Mas alguns estão: metade do The Who ainda toca por aí usando esse nome; o Creedence Clearwater Revival já se separou, mas o líder, o guitarrista e vocalista John Forgety ainda está aí; assim como todo o Crosby, Stills, Nash & Young, embora seja difícil em vista da séria briga entre David Crosby e Neil Young.

O Grateful Dead está mesmo morto, depois da perda do líder Jerry Garcia, mas há uma encarnação de remanescentes sob a alcunha de Dead & Co., trazendo ainda John Mayer. E eles vão tocar no novo Festival.

Se é para abrir a artistas que não tocaram em Woodstock, mas estão essencialmente relacionados à sua época, Michael Lang e seu pessoal ainda possuem boas opções, como Paul McCartney (o último da linha de frente dos Beatles ainda vivo), os Rolling Stones (que vão fazer uma turnê nos EUA este ano e estão à toda), Bob Dylan (que morava ao lado da fazenda onde Woodstock ocorreu e não tocou justamente por isso, com raiva daqueles hippies chatos invadindo seu quintal), Eric Clapton (cujo Cream também esnobou o festival original pelo mesmo motivo do Led Zeppelin), Jeff Beck (que ia tocar no festival – seu nome até está nos cartazes – mas sua banda, o The Jeff Beck Group, se separou suas semanas antes) e talvez até Roger Waters ou David Gilmour (cujo Pink Floyd não foi convidado à época, porque a banda ainda era desconhecida dos americanos), que terminaram turnês mundiais há pouco tempo. Quem sabe os dois se juntam e reúnem o Pink Floyd uma última vez?

A dupla só fez isso uma única vez, justamente em um grande festival: o Live 8, em protesto contra a reunião do G8 e a favor do perdão à dívida dos países pobres. Com a morte do tecladista Richard Wright depois daquilo, a possibilidade é quase inexistente. Mas já que falamos de Woodstock, não custa sonhar.

Se é para trazer nomes contemporâneos do rock – e há bons nomes na lista divulgada – faz falta alguns mais de arena, como Foo Fighters ou Green Day, dos EUA, e Arctic Monkeys da Inglaterra.

Para terminar, é importante frisar que, enquanto o Festival de 50 Anos de Woodstock irá ocorrer em Watkins Glen, uma cidade vizinha da locação original, um outro festival “apócrifo” irá ocorrer na mesma cidade de Bethel em que o festival aconteceu, embora não no ponto exato.

Este outro festival será menor e já anunciou alguns nomes, como o guitarrista Carlos Santana (que foi lançado ao estrelato em Woodstock) e o ex-Beatles Ringo Starr.

Já o Woodstock oficial de 50 anos é assombrado por alguns problemas. Primeiro a má reputação das outras vezes em que se tentou mimetizar a festa original: em 1994 (25 anos) um evento ordinário e 1999 (30 anos) um caos completo, que terminou em um grande distúrbio de violência e obrigou à equipe da MTV que cobria o festival a sair correndo temendo por suas vidas.

Em segundo lugar, rumores na imprensa especializada apontam dificuldades nos negócios e na adesão de patrocinadores, o que faz com que as expectativas de público variem entre 75 e 150 mil pessoas, o que é uma pequena fração do público original, que virou um marco cultural e histórico ao reunir 500 mil pessoas em “três dias de paz, amor e música”, num evento sem grandes distúrbios e sem violência.