Faleceu nessa segunda-feira, dia 11 de março, o baterista Hal Blaine, o mais requisitado baterista de estúdio dos anos 1960 e que marcou a história da música com seu estilo elegante e vigoroso. Trabalhando como músico de estúdio em Los Angeles, meca da indústria musical dos EUA, Blaine tocou com um número infinito de artistas e marcou sua bateria nas canções de Beach Boys, The Byrds, Simon & Garfunkel, The Ronettes, The Carpenters, The Mamas & the Papas, além de Elvis Presley, Frank Sinatra, Barbra Straisand e Cher, e muitos outros.

A família do músico fez o anúncio do falecimento na página oficial do Facebook e solicitou privacidade para vivenciar o luto do artista, acrescentando que não dará mais informações.

Hal Blaine nasceu em Harold Simon Belsky em 05 de fevereiro de 1929 em Holyoke, em Massachussetts, e aprendeu a tocar bateria com 8 anos de idade, se mudando com a família para a Califórnia em 1943 e se tornando baterista profissional nos anos 1940, primeiro, tocando em orquestras de Big Bands e jazz, e depois, se tornando músico de estúdio em Los Angeles, se especializando em rock and roll, mas tocando de tudo, de trilhas sonoras de cinema a jazz e canções populares.

Na primeira parte da carreira, passou um tempo em Chicago, tocando jazz em clubes de strip tease, o que o levou a acompanhar nomes famosos como Count Basie, Patti Page e Tommy Sands. Depois dessa temporada, voltou a Los Angeles há tempo de embarcar no boom inicial do rock and roll. Inclusive, Blaine gostou do gênero, ao contrário dos jazzistas tradicionais, o que o levou a firmar seu estilo bonito e preciso nas gravações do gênero, que começou a realizar freneticamente.

Hal Blaine (dir.) ao lado do Beatle George Harrison (esq.).

A grande virada da carreira de Blaine se deu em 1958, quando se tornou o baterista residente do produtor Phil Spector, que conseguiu inúmeros sucessos dali em diante. Ele se tornou parte da elite de músicos de LA, que posteriormente se tornou conhecido como The Wrecking Crew, um time não tão grande de instrumentistas – algo como 30 no máximo – que tocou na maioria dos hits que os EUA produziram ao longo dos anos 1960.

Entre as canções nas quais Hal Blaine toca bateria estão:

  • Can’t help falling in love, Elvis Presley, 1961;
  • Return to sender, 1962;
  • He’s a rebel, The Crystals, 1962;
  • Surf’s City, Jan & Dean, 1962;
  • Be my baby, The Ronettes, 1963;
  • I get around, The Beach Boys, 1964;
  • Everybody loves somebody, Dean Martin, 1964;
  • Help me, Rhonda, The Beach Boys, 1964;
  • Mr. Tambourine man, The Byrds, 1965;
  • California dreamin’, The Mamas & the Papas, 1965;
  • This boots are made for walkin’, Nancy Sinatra, 1965;
  • I got you, babe, Sonny & Cher, 1965;
  • Monday, monday, The Mamas & the Papas, 1966;
  • The Batman Theme (trilha sonora da série de TV), 1966;
  • God only knows, The Beach Boys, 1966;
  • Strangers in the night, Frank Sinatra, 1967;
  • Good vibration, The Beach Boys, 1967;
  • San Francisco, Scott McKensie/ The Mamas & the Papas, 1967;
  • The Boxer, Simon & Garfunkel, 1968;
  • Something stupid, Frank & Nancy Sinatra, 1968;
  • Mrs. Robinson, Simon & Garfunkel, 1969;
  • Aquarius/ Let’s the sunshine in, The 5th Dimension (trilha sonora do musical Hair), 1969;
  • Love Theme from Romeo and Juliet, Henry Mancine, 1969;
  • Bridge over trouble waters, Simon & Garfunkel, 1970;
  • (They long to be) Close to you, The Carpenters, 1971.

Nos anos 1960 foram os de glória para Hal Blaine e o Wrecking Crew, mas a ascensão do rock pautado por autores começou a diminuir o espaço dos músicos de estúdio superestrelados.

Tommy Tedesco e Hal Blaine, dois dos maiores nomes do The Wrecking Crew.

Nos EUA, diferente da Inglaterra, tinham uma postura muito rígida quanto ao material que era gravado nos estúdios. Por isso, mesmo bandas autorais, como os Beach Boys, quando iam gravar eram normalmente substituídos por músicos de estúdio profissionais e mais gabaritados. No caso da banda liderada por Brian Wilson, seus irmãos e outros membros cantavam nas canções e até tocavam seus instrumentos ocasionalmente, porém, o grosso do material instrumental era produzido pelo Wrecking Crew.

Hal Blaine (esq.) ao lado de Brian Wilson, líder dos Beach Boys.

Hal Blaine, por exemplo, começou a tocar a bateria nos discos dos Beach Boys a partir de All Summer Long, de 1964, e continuaria a fazê-lo por praticamente toda a década, sendo dele a bateria de clássicos como I get around, Help me, Rhonda, Good vibration e o álbum Pet Sounds, que traz canções como God only knows e Wouldn’t it be nice.

Embora os The Byrds tocassem seus próprios instrumentos nos discos – o que nos EUA já era um luxo – a primeiríssima canção gravada pela banda, Mr Tambourine man, trouxe apenas os vocais do grupo, e Hal Blaine toca a bateria.

Porém, na virada para os anos 1970, os salários pagos aos músicos de estúdio do Wrecking Crew – que eram tão ricos quanto as estrelas do rock – começaram a declinar rapidamente, com a ascensão de artistas mais dispostos a tocar seus próprios instrumentos. Assim, Blaine e os outros músicos viveram um período de decadência da qual praticamente nunca se recuperaram, embora ele tenha se mantido ativo.

Blaine, por exemplo, toca em algumas faixas do álbum Rock and Roll de John Lennon, em 1975.

Hal Blaine tocou em mais de 35 mil gravações e esteve em 6 mil singles. Sua biografia apresentada no Hall da Fama diz que nenhum outro baterista da história tocou em mais hits do que ele: calcula-se que Blaine tocou em 40 canções que chegaram ao 1º lugar das paradas.

Somente nos últimos anos é que a indústria musical vem reconhecendo o valor desses grandes músicos que estão por trás de parte significativa das canções que marcaram o século XX. Blaine, por exemplo, foi incluído no Hall da Fama do Rock em 2000.

O músico tinha 90 anos de idade e a causa da morte não foi divulgada.