X-Men – Fênix Negra saiu dos cinemas e gerou um fracasso retumbante para seus investidores. Segundo o Mojo Box Office, o último filme da franquia mutante da Marvel Comics sob os domínios da 20th Century Fox (agora vendida à The Walt Disney Company), arrecadou apenas US$ 249 milhões nas bilheterias mundiais para um custo estimado de 200 milhões.

O longa que pretendia adaptar A Saga da Fênix Negra, mais conhecida e melhor história dos X-Men nos quadrinhos, falhou miseravelmente na missão e não conseguiu agradar ao público e nem convencê-los a ir ao cinema conferir o último episódio da franquia que iniciou em 2000. O fato da Fox já ter tentado adaptar a saga antes, em X-Men – O Confronto Final (de 2006), com resultado igualmente ruim, não ajudou nada.

A Forbes também fez uma análise sobre o caso, relacionando a má recepção do capítulo anterior, X-Men – Apocalipse (2016), como primeiro passo ao naufrágio total de Fênix Negra; identificando uma tendência que pode ser rastreada em vários outros casos, como entre Batman vs. Superman – A Origem da Justiça (2016) e Liga da Justiça (2017), por exemplo, e várias outras franquias.

Fênix Negra coroa uma regra que Hollywood insiste em não aprender: não há segunda chance. Se vai fazer, faça direito!

Em 2006, a Fox cometeu o pecado imperdoável de escantear A Saga da Fênix Negra como uma subtrama de outra bem menos interessante – uma cura para o gene mutante – em O Confronto Final, deixando uma superpoderosa Jean Grey simplesmente sem ter o que fazer durante duas horas de um filme de 130 minutos; ao contrário do que a trama de X-Men – O Filme e X-Men 2 pareciam sugerir. Como se isso não fosse o bastante, por motivos vários, O Confronto Final ainda matou Ciclope e Charles Xavier com poucos minutos de cena, investindo toda a ligação emocional de Jean Grey em Wolverine, que virou o protagonista máximo da franquia.

Todas essas (más) escolhas levaram O Confronto Final a não gozar das qualidades humanas de A Saga da Fênix Negra nos quadrinhos, escrita por Chris Claremont e John Byrne, e desenhada por este último, que tem uma trama de tirar o fôlego: após se transformar na Fênix em uma saga anterior, Jean Grey decide se afastar dos X-Men e começa a ser assombrada pelo o que parecem ser lembranças de uma vida passada. Esta Jean do passado ia se revelando uma mulher má à medida em que ia se associando a Sir Jason Wyndgard. De início como sonhos, essas visões começaram a afetar e corromper a psiquê da heroína, culminando com ela se tornando a Fênix Negra, um ser de poder incomensurável e totalmente amoral.

Seu namorado, Ciclope, e os X-Men terminam descobrindo depois que aquelas visões eram, na verdade, manipulações do Mestre Mental, um antigo oponente da equipe, agora renovado. Associado ao Círculo Interno do Clube do Inferno (um grupo secreto de mutantes superpoderosos infiltrados num clube de ricaços com planos de domínio mundial), Wyndgard quer usar a Fênix para seus objetivos, mas nem eles conseguem controlá-la. Por puro exibicionismo, totalmente maligna, Jean vai ao espaço e absorve a energia de um planeta, matando 5 bilhões de seres inteligentes.

Isso gera o capítulo final da Saga da Fênix Negra: aterrados com o ato, os alienígenas do Império S’hiar (velhos aliados dos X-Men) vêm à Terra para caçar a Fênix e eliminá-la. Jean Grey consegue restabelecer o autocontrole e é protegida por seus amigos, mas os S’hiar não querem correr o risco. No fim, quando percebe que está sucumbindo ao poder da Fênix, Jean usa a tecnologia alienígena para cometer suicídio.

Claro que NADA disso está em O Confronto Final e muito pouco, muito pouco, permanece em Fênix Negra. Sem dúvidas, este último guarda bem mais qualidades do que a versão anterior, e mantém pelo menos o dilema de descontrole de Jean e uma ameaça alienígena que quer se aproveitar dos poderes da Fênix. Mas ainda assim, é um pálido reflexo da saga original nas HQs.

DF-10689_R2_CROP – Sophie Turner and Jessica Chastain in Twentieth Century Fox’s X-MEN: DARK PHOENIX. Photo Credit: Doane Gregory.

Em nossa opinião – leia aqui a Resenha do HQRock para X-Men – Fênix Negra – o filme nem é tão ruim quanto se pinta, desde que se possa aceitar que não é uma adaptação fiel da saga nos quadrinhos. Mas dentro da franquia dos mutantes da Fox, é um capítulo melhor do que o anterior X-Men – Apocalipse e traz alguns atributos (na ausência de tanta ação, há espaço para desenvolver alguns personagens), embora ainda sofra de algumas escolhas esquisitas, como a necessidade de extremar alguns personagens (particularmente o Fera) para fazer a trama girar.

Com a compra da Fox pela Disney, os X-Men devem sofrer um grande reboot nos cinemas nas mãos do Marvel Studios, que deve integrá-los ao universo dos Vingadores.

Mas mesmo o inabalável Marvel Studios vai ter que rebolar para restituir a moral dos X-Men nos cinemas. E enquanto Hollywood não aprende aquela lição, deverão esperar alguns anos até retornar à tela grande.

Segundo depoimentos do presidente do Marvel Studios, Kevin Feige, deve demorar pelo menos 5 anos até os planos para os mutantes começarem a se mover dentro do estúdio. Com isso, Ciclope, Wolverine e Jean Grey só devem retornar lá para 2024 ou 2025.

Talvez seja o mais acertado do ponto de vista comercial.