
A Revista Isto É fez uma resenha sobre o filme Thor, produção do Marvel Studios que estreia na próxima sexta-feira, 29 de abril, nos cinemas brasileiros.
Falando menos do filme – parece que o escritor Rafael Teixeira sequer assistiu ao longametragem, pois não faz nem uma única menção à qualidade do mesmo, da trama, dos atores ou dos personagens, nem o que ele acrescenta à cronologia da Marvel nos cinemas – e mais da ascensão da Marvel nessa mídia.
Antes um parêntese: setores da imprensa já assistiram ao filme e já fazem suas críticas. O HQRock já fez um post a respeito, vejam em https://hqrock.wordpress.com/2011/04/19/thor-primeiras-criticas-do-filme-comecam-a-sair/.

A matéria da revista acerta ao comentar a arrancada da Marvel nos cinemas, afirmando que a dobradinha editora/estúdios de cinema já colocou seis filmes de super-heróis entre as 100 maiores bilheterias da história do cinema, em apenas 10 anos, pois o marco inicial da Era Moderna da Marvel no Cinema é X-Men – O Filme de 2000.
Também diz que a Marvel leva frente à concorrente DC Comics, casa de Superman, Batman, Mulher-Maravilha, Lanterna Verde e Liga da Justiça: um levantamento feito em 2007 (portanto, atrasado, pois não considera nem Batman – O Cavaleiro das Trevas nem Homem de Ferro, da DC e da Marvel, respectivamente) afirmava a Marvel ficar com 57% dos ganhos com a bilheteria. Mas uma leitura atualizada dos dados pode apontar diferenças, pois além do arrasa-quarteirão do Batman, que arrecadou mais de US$ 1 Bilhão em 2008, houveram muitos outros filmes, inclusive os dois de Tony Stark e outros “menores”, como Kick Ass – Quebrando Tudo (da Marvel) e Watchmen (da DC).
Este ano, a Marvel realmente sai na frente: Thor, Capitão América – O Primeiro Vingador e X-Men – Primeira Classe, enquanto a DC só tem Lanterna Verde. Na TV, a segunda se saí melhor: Smallville, as aventuras de Clark Kent antes de se tornar o Superman encerra 10 anos de histórias em maio próximo; e uma nova série da Mulher-Maravilha deve estrear no segundo semestre.

Mas o cinema é que conta, de fato, e a hegemonia da Marvel vai se manter em médio prazo. A Isto É chega ao âmago da questão: apesar de possuir o Marvel Studios desde 1993, a Marvel Comics só produz por si própria as franquias ligadas ao Universo dos Vingadores, ou seja, as produções Homem de Ferro 1 e 2, O Incrível Hulk, Thor, Capitão América – O Primeiro Vingador e o vindouro Os Vingadores que vai ser o clímax desse processo e um feito único – unir quatro franquias de cinema em um único filme.
Os outros filmes da Marvel são terceirizados por outros estúdios: a 20th Century Fox detém os mutantes (X-Men – O Filme, X-Men 2, X-Men – O Confronto Final, x-Men Origens – Wolverine, X-Men – Primeira Classe), além das franquias do Quarteto Fantástico (Quarteto Fantástico e Quarteto Fantástico e o Surfista Prateado) e do Demolidor (Demolidor – O Homem Sem Medo e Elektra); a Sony produziu O Motoqueiro Fantasma e sua sequência que já está em gravação; a Columbia (uma divisão da Sony) detém a franquia do Homem-Aranha (Homem-Aranha, Homem-Aranha 2, Homem-Aranha 3); a Universal produziu Hulk (o primeiro, de 2003). Isso sem contar os “independentes” – produções autorais (quer dizer, sem fazer parte do Universo Marvel padrão) publicadas pela Marvel, como O Procurado (com James McAvoy e Angelina Jolie) e o citado Kick Ass – Quebrando Tudo.

Somando todos esses filmes citados no parágrafo anterior, temos 17 filmes realizados somente desde 2000.
No mesmo período, a DC produziu Batman Begins, Batman – O Cavaleiro das Trevas, Superman – O Retorno, Mulher-Gato, Watchmen, Constantine e o estreante Lanterna Verde, apenas sete filmes. Por quê? Porque a DC Comics e a recém-fundada DC Entertaintment (que cuida do desenvolvimento para outras mídias) pertencem ao conglomerado AOL-Time-Warner. Desse modo, todos os longametragens dos super-heróis da DC são produzidos exclusivamente pela Warner, o que inviabiliza uma produção mais volumosa como a da Marvel.
Além disso, a Marvel foi mais – digamos – viva do que a DC em se tratando de adaptações ao cinema. Os personagens da DC são mais icônicos – Superman, Batman e Mulher-Maravilha são ícones, símbolos da humanidade, reconhecíveis em qualquer lugar do planeta – mas o estúdio parece que nunca soube direito o que fazer com eles na tela grande.
A Marvel, quando iniciou no mercado de adaptações live action se deu muito mal – lembre das séries e/ou filmes para a TV de Hulk, Homem-Aranha e Capitão América produzidas na virada dos anos 1970 para 1980. Quando tentou migrar para o cinema também não foi melhor: o Capitão América de 1992 é um desastre thrash (há um post sobre ele aqui no HQRock) e o Quarteto Fantástico de 1994 foi tão ruim que a editora proibiu sua veinculação!


Mas a editora aprendeu com os próprios erros: fundou uma seção da empresa especializada na mídia e procurou trabalhar com estúdios consolidados, bons atores, diretores e produtores. O teste veio com Blade, de 1998, filme sobre um personagem desconhecido até dos fãs de quadrinhos: um caçador de vampiros que é meio homem, meio chupador de sangue que foi interpretado por Wesley Snipes, que surpreendeu e fez sucesso. Daí para X-Men foi um pulo…

Porém, a fórmula adotada pela Marvel não era exatamente nova. Unir um diretor de talento, elenco afiado, uma boa história e tratamento respeitoso à obra e/ou personagem original (sem, no entanto, ser fidelíssimo ao material dos quadrinhos) foi o que fez a fama de Superman – O Filme, o clássico absoluto de Richard Donner, que apesar dos desconhecidos Christopher Reeve e Margot Kidder como o casal protagonista, contava com astros de primeira grandeza no elenco coadjuvante, como Marlon Brando, Gene Hackman, Terence Stamp e Glen Ford. A história para o filme foi desenvolvida por Mario Puzzo, o autor de O Poderoso Chefão.
O problema é que a própria Warner/DC esqueceu da fórmula que criou e, apesar de ter acertado em Batman e Batman – O Retorno (podem não concordar com a visão do diretor Tim Burton, mas é inegável ser um bom material cinematográfico), errou feio em Superman III e Superman IV – A Questão da Paz (este, ótima premissa, péssimo filme) e mais ainda em Batman Eternamente e Batman & Robin.
A Marvel teve mais acertos do que erros, mesmo que alguns dos acertos não sejam exatamente obras-primas. Mas os filmes da editora mostraram claramente que quanto mais próxima for a adaptação do original, melhor o resultado, como mostram as obras do próprio Marvel Studios.
A Warner parece não ter prestado atenção à consolidação da regra: mesmo acertando bonito em Batman Begins (de 2005), errou magistralmente no ano seguinte com o horrendo (e não fiel à obra original) Mulher-Gato.

Centralizando a produção em um estúdio só – o que pode até ser uma vantagem em alguns casos – a Warner/DC irá produzir os filmes de modo mais lento: 2012 trará o terceiro capítulo da nova franquia do Batman e o reinício da do Superman; em 2013, virá a Liga da Justiça. No intermédio, talvez (apenas talvez) possam ser produzidos filmes do Lanterna Verde, do Flash e da Mulher-Maravilha (mesmo com a série de TV).
Enquanto isso, todas as franquias da Marvel citadas terão sequências nos próximos dois anos.
Além disso, pelo menos nas obras que dizem respeito ao seu próprio estúdio, a Marvel os unirá em um único filme, Os Vingadores, tal qual como fazem nos quadrinhos. Como é uma editora, a lógica é: se funciona reunir personagens diferentes em uma revista por que não em um filme? Eles devem estar certos, pela expectativa que o longametragem da equipe causa nos bate-papos e fóruns da internet.

A Warner, apesar de ter todos os personagens da DC sob seu guarda-chuva (e não precisar dividi-los com a Fox ou a Sony, por exemplo) jamais pensou em uni-los. Durante anos, a Warner/DC negou tal possibilidade. (O fez de modo tímido em Smallville, que apresentou uma versão da Liga da Justiça para a TV). Filmes de Batman e Superman foram lançados com apenas um ano de diferença, mas nada, absolutamente nada foi aviltado para mostrar que faziam parte do mesmo universo fictício.
Em 2008, meio às pressas, a Warner/DC decidiu reagir à Marvel e anunciou um filme da Liga da Justiça, mas feito como um aparte das franquias então existentes de Batman e Superman. Outros atores os interpretariam na produção e não Christian Bale e Brandon Routh, os astros recentes. Da mesma maneira abrupta que foi anunciado, a produção foi cancelada quando o estúdio percebeu o imenso sucesso do segundo filme do homem-morcego e ficou com medo de “estragá-lo” mostrando um outro Batman em paralelo.
A Marvel seguiu em frente e personagens, tramas, referências e detalhes pequenos ligam Homem de Ferro, Hulk, Thor e Capitão América em um mesmo mundo. E todos se unirão em Os Vingadores.

A Warner anunciou um filme da Liga da Justiça para 2013, mas aparentemente, não será em universo compartilhado como o da concorrente. O Batman e o Superman da Liga, ao que tudo indica, não serão os mesmos (nem como atores, nem como personagens) daqueles das franquias individuais.
Acompanharemos a guerra Marvel x DC pela bilheteria no decorrer dos decisivos próximos dois anos.
A primeira batalha inicia na próxima sexta, com a estreia do filme do deus do trovão. Deuses nórdicos, supersoldados e jovens mutantes baterão o policial galático?


Parabéns pelo post. Não estou apostando muito na Liga… Afinal, é em 2013! Vai que acontece alguma coisinha antes, no dia 21 de dezembro de 2012?
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Obrigado, Rodrigo! Essa história da Liga é mesmo estranha… começam filme, desistem, anunciam novo para daqui há dois anos (é pouco tempo)…
Mas vamos torcer!
Apareça sempre no blog! Um abraço!
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Muito bom seu post cara, fizemos um podcast especial que será lançado hoje bem cedinho e o tema foi “Filmes de Nossas Vida: Parte I – HQs” e linkamos seu texto, muito bem produzido e informativo além de linkar perfeitamente com o tema! Parabéns! Querendo parcerias , estamos dispostos! Abraços!
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