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Quadrinhos, música e afins

Álbum Luz e Sombra


Lançamento: 22 de setembro de 2016

Tracklist:

  1. Ainda vejo o mesmo em você
  2. Aprenda a voar
  3. Um lugar para ficar
  4. Minha doce ferida
  5. Lutas
  6. Sinta o ar queimar
  7. Paralisados pelo medo
  8. Eu não sei mais quem eu sou
  9. Cansado de viver nesse estado

Produzido por Alencar Júnior.

Músicos:

  • Irapuan Peixoto: vocais, guitarras, violão, piano, teclados
  • Alencar Júnior: guitarra solo, teclados, sintetizadores, programação de bateria
  • Nilton Freitas: piano, teclados

Texto de Apresentação

O que significa ter uma carreira musical? No mundo de hoje, não tenho certeza. Nunca fui um profissional da música, mas toco em bandas e componho desde a adolescência. Nunca fiz uma turnê e nem devo ter saído em nenhuma reportagem de jornal; contudo, já toquei ao vivo em shows, bares, festas e universidades…

A vida profissional como sociólogo e professor, no entanto, me afastou da música por um tempo até que decidi olhar para trás, resgatar e registrar essa história incompleta.

O fato é que ao longo dessa trajetória musical de 20 anos, nunca havia me dedicado seriamente ao registro de minhas composições (não porque não quisesse, mas pela ausência de condições objetivas). Apesar de alguma experiência em estúdios de gravação com uma banda anterior, não tinha tomado a atitude de gravar meu material original.

LUZ E SOMBRA é o resultado de um compilado de composições criadas ao longo desse tempo. Estão aqui selecionadas por critérios de qualidade, porém, sem preocupação excessiva em um alinhamento estético muito preciso; afinal, a primeira delas foi escrita em 1996 e a última em 2002. O objetivo não é uma unidade, mas a costura de fazeres diferentes, sonoridades distintas, propostas divergentes, múltiplas identidades.

Em meus planos, LUZ E SOMBRA é a primeira parte de uma série em que irei apresentar outras composições daqueles tempos em soma com o material que tenho criado recentemente.

Até lá, espero que curta a viagem.

Ficha Técnica

Gravado entre 10 de fevereiro de 2015 e 30 de junho de 2016 em Abel Produções Audiovisuais e Quarto Branco Estúdios, em Fortaleza-CE.

Produção, engenharia de som, mixagem e masterização por Alencar Jr.

Engenharia de som auxiliar em “Eu não sei mais quem eu sou” por Márcio Benevides.

Design Gráfico: Elanne Cristina.

Fotos: Irapuan Peixoto (texturas), Danyelle Nilin Gonçalves e Alencar Jr. (estúdio).

Agradecimentos Especiais:

A Dany, a maior incentivadora, sem a qual isso não seria possível.

A Alencar, pela paciência, ensinamentos e tornar este sonho realidade.

Obrigado também a:

Márcio Benevides, Nilton Freitas, Alice, à banda Suaves na Máquina (Bruno Muriatto, P.H. Rodrigues, Thiago Ayres), Stefen Oriá, Fábio Freitas, à minha família, aos meus amigos, a todos aqueles que incentivaram este projeto, e claro, a Sávio Rebouças, Leonardo Aires, Tarso Ayala e José Carlos Vitoriano.

Detalhes das Canções:

AINDA VEJO O MESMO EM VOCÊ

Autoria: (Irapuan Peixoto)

  • Gravada entre 17 de abril e 23 de junho de 2015.
  • Irapuan Peixoto: Vocais, guitarra base, teclado;
  • Alencar Jr.: guitarras, guitarra solo, baixo, teclados, programação de bateria, pratos;
  • Nilton Freitas: piano, órgão.

Composta nos tempos de Jeannie Gen, acho que era uma canção bastante forte, embora, aparentemente, o resto da banda não desse muita bola. Quando gravamos um EP em 2002, era meu desejo que esta fosse uma das quatro canções, mas fui voto vencido, o que me frustrou muito. Gravei-a agora de um modo diferente do que era antes: a versão original tinha três partes (e não duas) e era ainda mais pesada. Mas Alencar e eu optamos por uma abordagem mais elegante e gostei muito desse arranjo, um pouco mais lento e com uma pegada mais Deep Purple.

APRENDA A VOAR

Autoria: (Irapuan Peixoto)

  • Gravada entre 29 de outubro de 2015 e 30 de junho de 2016.
  • Irapuan Peixoto: Vocais, guitarra, órgão, teclados, programação de bateria;
  • Alencar Jr.: backing vocals, guitarras, guitarra solo, baixo, programação de bateria.

Às vezes caímos, mas precisamos nos reerguer. É sobre isso que fala Aprenda a voar, embora tomada de uma visão cínica e pessimista. A ideia sempre foi fazê-la como um rock bem direto, no estilo hardcore. Há uma coisa curiosa sobre esta canção: sempre gostei dela e achava que tinha potencial para ser um destaque, mas tentei incorporá-la ao repertório tanto da Jeannie Gen quanto da Suaves na Máquina sem sucesso, sem que causasse interesse. Durante a gravação deste disco, Aprenda a voar emergiu como a melhor candidata a um single de apresentação. O que isso quer dizer?

UM LUGAR PARA FICAR

Autoria: (Irapuan Peixoto)

  • Gravada entre 12 de agosto e 13 de outubro de 2015.
  • Irapuan Peixoto: Vocais, piano, órgão;
  • Alencar Jr.: guitarras, baixo, piano, teclados, programação de bateria.

Embora geralmente tenham climas sombrios e entristecidos, minhas canções por vezes são um pouco mais luminares, e este é um desses casos. Na aurora do relacionamento com minha esposa Danyelle Nilin, fui iluminado com esta canção, que nasceu como de encanto, numa sentada só. A letra fala sobre encontrar o seu lugar na vida, apesar dos obstáculos e é uma mensagem positiva que mantenho comigo. Acho esta uma das melhores faixas do disco e é um filhote muito, muito querido.

MINHA DOCE FERIDA

Autoria: (Sávio Rebouças, Irapuan Peixoto)

  • Gravada entre 29 de maio e 16 de setembro de 2015.
  • Irapuan Peixoto: Vocais, piano;
  • Alencar Jr.: guitarras, guitarra solo, baixo, teclados, sintetizadores, programação de bateria.

Outra canção da época da Jeannie Gen, esta é a parceria que mais gosto das que escrevi com Sávio Rebouças, o guitarrista do grupo. Ainda tenho vívida a memória de quando a canção nasceu, durante um ensaio em que os outros caras tiveram que sair mais cedo e eu e Sávio ficamos para escrever alguma coisa. Minha doce ferida nasceu ali, numa casa de praia, com guitarra e teclado lado a lado e o pôr do sol ao fundo. Sempre fui muito orgulhoso dela porque é mais elaborada do ponto de vista harmônico e melódico, o que foi proposital. Também foi uma das poucas canções que escrevi com o Sávio que não nasceram de uma jam session, mas de um esforço orientado. Minha doce ferida chegou a ser gravada pela Jeannie Gen, no EP produzido por Moisés Veloso, em 2002, mas gosto mais da versão atual, onde pude pôr em prática ideias que já tinha para ela, inclusive, o arranjo de piano. 

LUTAS

Autoria: (Irapuan Peixoto, Tarso Ayala, Zé Carlos Vitoriano)

  • Gravada entre 10 de fevereiro e 18 de março de 2015.
  • Irapuan Peixoto: Vocais, violão, guitarras;
  • Alencar Jr.: baixo, teclados, sintetizadores, programação de bateria, pratos;
  • Nilton Freitas: piano.

Embora eu já tivesse composto algumas canções antes, considero Lutas meu “marco zero” de composições profissionais, quando eu tinha 16 anos. Ela nasceu de um desafio juvenil: eu e meu colega de colégio, Tarso Ayala, nos desafiamos a cada um ir para casa e trazer uma música no dia seguinte, que serviria ao repertório da banda que queríamos montar. Minha contribuição foi Lutas. Escrevi a letra como uma crítica ao consumismo inspirada nas leituras de Karl Marx e criei uma harmonia simples, porque ainda estava aprendendo a tocar teclado (e eram acordes que eu também sabia no violão). O Tarso deu um acabamento mais polido à melodia e o Zé Carlos, outro membro da banda, teve a ideia da variação que surge no segundo estrofe e que deu mais dinâmica à canção. Nunca tive dúvidas de que esta canção estaria no primeiro álbum que gravasse. O Alencar Jr. pensa a letra como a angústia da saída da adolescência e os dilemas do início da vida adulta, o que faz todo o sentido, olhando em retrospecto.

SINTA O AR QUEIMAR

Autoria: (Irapuan Peixoto, Sávio Rebouças, Leonardo Aires)

  • Gravada entre 10 de julho de 2015 e 26 de fevereiro de 2016.
  • Irapuan Peixoto: Vocais, piano.
  • Alencar Jr.: backing vocals, guitarras, guitarra solo, baixo, teclados, sintetizadores, programação de bateria, pratos.

Sinta o ar queimar era uma das peças de assinatura que eu tinha ainda antes de entrar para a Jeannie Gen. Compus a parte instrumental primeiro, em 1999, utilizando o timbre de um cravo, o que dava a ela um tom renascentista. Só mais tarde a converti ao piano, quando adquiriu o aspecto atual de marcha. Embora seja um movimento simples em termos harmônicos, acho que sua progressão e repetição criam um efeito triste e sombrio muito interessante. A letra veio depois, retomando o tema da chuva (que tinha usado em outras canções), desta vez em sua versão “madrugada com relâmpagos”. Quando levei a canção para a Jeannie Gen, os outros caras trouxeram contribuições: daí o Sávio Rebouças ajudou a reestruturar alguns versos, juntamente com o Leonardo Aires. Essa música foi executada ao vivo e era um momento legal dos shows, porque causava um tipo de transe na plateia. Eu e o Alencar ainda brincamos em criar um arranjo renascentista nela – essa gravação está por aí em algum lugar – mas a gravamos como o rock em marcha que ela é. Passado algum tempo, tenho que admitir: os vocais foram prejudicados por uma laringite e isso deixou uma marca na gravação.

PARALISADOS PELO MEDO

Autoria: (Irapuan Peixoto)

  • Gravada entre 12 de agosto e 10 de dezembro de 2015.
  • Irapuan Peixoto: Vocais, piano, órgão, teclados, pratos;
  • Alencar Jr.: guitarras, baixo, teclados, programação de bateria, pratos.

Foi uma das últimas composições para a Jeannie Gen. A ideia era um rock baseado no piano, mas com um solo de órgão à la Deep Purple. A letra é sobre as pessoas que não fazem nada na vida com medo das mudanças. A intenção era unir um pouco os dois estilos da banda: canções cantadas de rock direto e outras instrumentais e experimentais, combinando as peças do início e do fim com o enxerto do meio.

EU NÃO SEI MAIS QUEM EU SOU

Autoria: (Irapuan Peixoto)

  • Gravada entre 12 de fevereiro e 24 de abril de 2015.
  • Irapuan Peixoto: Vocais, violão base;
  • Alencar Jr.: violão solo, baixo, teclados, sintetizadores, programação de bateria;
  • Nilton Freitas: piano.

Uma das mais reflexivas letras que já compus, a ideia básica dela me veio durante o banho. A música veio primeiro e compus a melodia no piano. A letra veio em seguida, falando de uma temática muito cara à maioria das pessoas: a falsa ilusão de que o passado foi melhor do que é o presente. Uma vez pronta, esta canção sempre me remeteu à melancolia do Roger Waters na obra do Pink Floyd nos anos 1970. Anos depois de escrita, “converti” Eu não sei mais quem eu sou em uma canção de violão, com uma pegada de Neil Young (que tinha até uma gaita). Para a gravação, optei por uma mescla das duas.

CANSADO DE VIVER NESSE ESTADO

Autoria: (Irapuan Peixoto)

  • Gravada entre 25 de março e 01 de junho de 2016.
  • Irapuan Peixoto: Vocais, piano, órgão;
  • Alencar Jr.: guitarras, guitarra solo, baixo, programação de bateria.

Esta canção foi escrita com o firme propósito de ser um número punk. Daí, a urgência da letra e da harmonia. Embora algo despretensiosa, sempre gostei da fúria e da letra simples, mas que expressa de modo muito claro o estado de estafa mental que a depressão deixa em alguns momentos. A gravação foi a mais rápida de todo o disco, com os vocais gravados de uma vez só para preservar o clima.

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