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Quadrinhos, música e afins

EP Experiência Urbana


Data de lançamento: 08 de março de 2021.

Tracklist:

  1. Notícias de hoje
  2. O que posso fazer pra sair daqui?
  3. Pelas ruas da cidade
  4. Desviante de caminhos
  5. No fim do túnel (instrumental)
  6. Não acenda as luzes

Produção: Alencar Júnior.

Texto de Apresentação

Os temas da cidade e do urbano sempre me encantaram. A visão do skyline de uma grande cidade… Na minha carreira acadêmica também estudo o aspecto urbano. Então, foi o caso de reunir algumas canções falando de questões urbanas, tanto relacionados à vida na cidade quanto aos efeitos emocionais da experiência.

Esse disco envolveu um árduo caminho por motivos pessoais: as gravações começaram em 2017 no Estúdio Quarto Branco, com os planos de adiantar teclados e bateria para finalizar guitarras e vocais no Abel Produções Audiovisuais. O início do trabalho era a sequência do single Vamos à Luta, porém, o tempo passou e não fazia mais sentido ser mantida no álbum. E passou por quê? Eu e Alencar só podemos gravar nas horas vagas… O plano era nos reunirmos no Abel para a finalização a partir de agosto de 2018.

Porém, fui diagnosticado com artrite psoriásica, doença autoimune, comprometendo os movimentos. Ainda tentamos, mas por volta de novembro daquele ano o quadro se tornou impossível. Só pudemos retomar em maio de 2020, mas agora, tínhamos a pandemia mundial de Covid-19. Estabelecemos um novo método com gravações simultâneas no Quarto Branco e no Abel, cada um fazendo suas partes, e enviando por nuvens para as finalizações. Demorou um pouco para esse método engrenar, mas a partir de agosto as coisas já estavam fluindo muito bem, e finalizamos em fevereiro de 2021.

Experiência Urbana traz um tema muito caro a um mundo ao qual, desde 2008, concentra mais da metade de sua população vivendo em grandes cidades. A experiência traz aspectos positivos, mas também desafios, e é disso de que o disco trata. Ganha novas conotações, também, em tempos de pandemia, particularmente nas canções melancólicas, e a paradoxal solidão imposta sobre a vida ao lado de muita gente.

Ficha Técnica:

  • Produção, mixagem e masterização: Alencar Júnior, em Abel Produções Audiovisuais
  • Gravado em Abel Produções Audiovisuais e Estúdio Quarto Branco, em Fortaleza-CE, em sessões esparsas entre 2017 e 2018 e entre 2020 e 2021.
  • Design Gráfico: Irapuan Peixoto
  • Fotografias: Irapuan Peixoto (skylines) e Danyelle Nilin (poses).
  • Agradecimentos: a todos que contribuíram para este disco; ao Alencar pela parceria; ao Bruce pela companhia e fofura; e, acima de tudo, a Dany, pelo apoio incondicional, incentivo imenso, cuidado perene e amor sem limites.

Detalhes das canções

Todas as canções de autoria de Irapuan Peixoto.

NOTÍCIAS DE HOJE

  • Gravada de 18 de julho de 2017 a 05 de outubro de 2018.
  • Irapuan Peixoto: Vocais, órgão, bateria.
  • Alencar Jr.: backing vocals, guitarras, baixo, sintetizador.

Esta canção não é nova, mas sua letra continua funcionando, o que é um mau sinal para o Brasil. O fato de ser sociólogo me impeliu a escrever letras com críticas sociais de vez em quando e o fiz nesta. Embora tenha sido escrita num teclado, sempre foi pensada como uma faixa de guitarra na linha punk-hardcore. O uso de passagens simples nos acordes dos versos é proposital para criar tensão com a mudança seguinte, na qual a harmonia flutua em limites tênues em acordes mais elaborados. Inspirado no rock clássico decidi experimentar a estrutura verso, refrão, verso, meio, refrão; algo que não é muito comum nas minhas composições.

Para a gravação não havia muito mistério sobre como deveria ser o arranjo: guitarras com um órgão para dar clima. Mas a ideia da batida contínua na bateria da introdução só surgiu na hora da gravação e como funcionou, o Alencar sugeriu repetir a abordagem nos refrãos. Outra curiosidade é que, apesar tê-la composto no teclado, nunca houve um arranjo definitivo para o instrumento, já que sempre a toquei na guitarra. Por isso, decidi fazer o arranjo de teclado improvisado na gravação. E é o que está no disco. As versões em single e no álbum são as mesmas, mas com mixagens distintas.

O QUE POSSO FAZER PRA SAIR DAQUI?

  • Gravada de 22 de outubro de 2017 a 19 de agosto de 2018; e de 09 de abril a 17 de novembro de 2020.
  • Irapuan Peixoto: Vocais, pianos, teclados, bateria.
  • Alencar Jr.: backing vocals, guitarras, piano, baixo, teclados.

Esta canção reflete o desespero que a ausência de sociabilidade pode causar em uma pessoa solitária. Dentro do contexto do disco, este tema é interessante, pois a cidade ao mesmo tempo em que nos coloca para viver literalmente ao lado de milhões de pessoas; por outro lado, também é um empreendimento bastante solitário, carregado de isolamento. Georg Simmel teorizava que a vida nas metrópoles destruía o espírito humano, pois como uma forma de nos proteger da sobrecarga de emoções causadas pela intensidade da vida urbana, nossa mente busca o distanciamento, levando à indiferença um com os outros; algo que chamou de atitude blasé. O eu lírico, contudo, não chega a esse ponto; ao contrário, sofre pela solidão.

A canção foi composta ao piano, por meio dos maneirismos com as sequências de acordes, que está expressa na introdução da faixa. Originalmente, era um pouco mais arrastada, mas o Alencar teve a ideia de gerar um ritmo mais rápido, pontuado pelo piano e baixo. Testamos vários estilos de vocais para a versão final e usamos registros tanto do Estúdio Quarto Branco quanto outros feitos no Abel Produções Audiovisuais.

PELAS RUAS DA CIDADE

  • Gravada de 10 de outubro de 2017 a 15 de agosto de 2018; e de 01 de agosto a 21 de novembro de 2020.
  • Irapuan Peixoto: Vocais, teclados, bateria.
  • Alencar Jr.: backing vocals, guitarras, baixo.

É a composição mais jovem do EP, criada pouco antes das gravações, refletindo os meus estudos em Sociologia Urbana, especialmente sobre os usos dos espaços nas cidades e a mobilidade urbana. A estrutura dos versos e do refrão é inspirada no estilo folk, com alguma elegância. A gravação dela foi um pouco trabalhosa, porque tínhamos duas abordagens distintas: uma roupagem mais folk, mais calma, com gaita; contudo, minha gravação da bateria elevou a potência e a encaminhou para algo mais enérgico, ainda mais quando Alencar adicionou as guitarras de ritmo. O peso dos instrumentos fez com que gaita e pandeiro tivessem que sair. Chega a ser uma pena, porque a gaita dava um tom legal, mas quem sabe, resgatamos isso no futuro?

Uma curiosidade é que os vocais foram gravados no Estúdio Quarto Branco e não no ambiente mais profissional da Abel Produções. São frutos da pandemia e do trabalho remoto.

DESVIANTE DE CAMINHOS

  • Gravada de 28 de setembro de 2017 a 12 de setembro de 2018; e de 14 a 16 de novembro de 2020.
  • Irapuan Peixoto: Vocais, piano, teclados, bateria.
  • Alencar Jr.: guitarras, baixo, sintetizadores.

Esta canção também traz a carga emocional da vida urbana, sem desespero, mas com negação. Há uma tensão entre os elementos individuais e os estruturais na letra. A canção era uma peça de piano, mas depois, passei a tocá-la na guitarra distorcida, e apreciei o contraste de cantar algo tão triste e lento com um acompanhamento mais pesado. Por isso, para a gravação, optei por uma bateria bem reta para dar ênfase ao efeito. O bacana é que o Alencar criou essas guitarras maravilhosas e o solo que remete a David Gilmour. É dele também a ideia do sintetizador que fica modulando de modo mais nítido no início.

NO FIM DO TÚNEL (instrumental)

  • Gravada de 30 de setembro de 2017 a 15 de agosto de 2018; e de 10 de outubro de 2020 a 21 de fevereiro de 2021.
  • Irapuan Peixoto: Piano, teclado, baixo, bateria.
  • Alencar Jr.: guitarras, sintetizador.

Esta canção foi composta como um tipo de R&B no piano e incorpora o compasso 6/8, mas como não é rápida, isso lhe dá uma batida de valsa. Foi escrita com letra, porém, sempre achei que funcionava melhor como instrumental. Sempre compus peças instrumentais, mas por algum motivo, nenhuma delas tinha aparecido no álbum anterior, o Luz e Sombra, então, era hora.

Foi uma gravação relativamente simples. Montei a estrutura básica no Quarto Branco e tinha até ideias para guitarras que deveriam ser registradas no Abel Produções Audiovisuais, contudo, com a pandemia ficou difícil. Daí, ela foi a última faixa do disco a ser finalizada, tomando um caminho alternativo ao original: algo mais simples, mas efetivo.

NÃO ACENDA AS LUZES

  • Gravada de 15 de julho de 2017 a 26 de setembro de 2018; e de 15 de março a 17 de novembro de 2020.
  • Irapuan Peixoto: Vocais, órgão, teclados, bateria.
  • Alencar Jr.: backing vocals, guitarras, baixo.

Cada canção é um filho, mas existem algumas com as quais desenvolvemos relações mais sentimentais e este é um caso. Não acenda as luzes foi uma das canções nas quais compus a letra primeiro e depois criei a música para desenvolvê-la. Em termos temáticos, se conecta com outras faixas do disco acerca da solidão dentro da multidão.

Em termos musicais, a missão dela era ser influenciada pela melancolia de The Doors ou Joy Division, mas manter uma pegada agressiva de fundo, expressa na bateria e na guitarra. O solo de órgão no fim serve a fins catárticos e sempre foi pensado para ser o fim do disco.

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