Os Beatles na capa do álbum "Let it Be", de 1970, último lançado pela banda.

A banda britânica The Beatles tem um tipo de unanimidade no meio musical como a mais importante do século XX: a maior banda de rock do mundo. O grupo tem vários feitos no currículo e sua importância e influência em outras bandas sequer pode ser medida. Mas também é dona de um feito único inusitado: ao contrário de praticamente todas as outras grandes bandas do rock clássico, os Beatles jamais uniram suas forças novamente após a dissolução do grupo em 1970.

Em várias ocasiões até três membros se reuniram, seja em shows ou em gravações, mas o quarteto inteiro – e principalmente, a dupla de compositores John Lennon e Paul McCartney – jamais se reuniu. E isso se tornou impossível depois que John Lennon foi assassinado por um fã com problemas mentais, em 1980.

A única “reunião” da banda foi virtual: em 1995, os membros remanescentes dos Beatles – Paul McCartney, George Harrison e Ringo Starr – acrescentaram suas vozes e instrumentos a duas canções que Lennon havia gravado de maneira caseira em uma fita K7. As duas canções estrelaram um grande projeto multimídia chamado Anthology, que reuniu discos com gravações inéditas, trechos de shows, um filme-documentário sobre a banda e um livro autobiográfico.

À época de Anthology, quando ainda não se sabia muito bem o que aquilo seria, se cogitou que os três membros remanescentes poderiam se unir ao filho de John Lennon, o também cantor Julian Lennon. Desde então, a ideia de que os filhos dos Beatles poderiam montar uma banda começou a circular entre os fãs – e, aparentemente, entre eles também!

Filhinho de peixe, peixinho é. E filhinho de beatle, é o que? Na ordem: James McCartney, Sean Lennon, Dhani Harrison e Zack Starkey.

Hoje, o jornal The Sun trouxe uma entrevista com o guitarrista James McCartney, filho de Paul McCartney, que garante que um projeto musical que reunirá os filhos dos Beatles está em curso. Segundo ele, estão envolvidos, além do próprio, Sean Lennon, Dhani Harrison e Zack Starkey. Cada um é músico profissional e estão na faixa etária entre 35 e 45 anos. Os três primeiros estão 100% comprometidos, mas o último está relutante com a ideia, confirma McCartney.

Curiosamente, dos quatro, é justamente Zack Starkey, filho de Ringo Starr e que é baterista como o pai, o único com alguma relevância para o cenário musical atual. Desde os anos 1990, Zack Starkey é um dos mais requisitados bateristas de rock e já tocou como membro efetivo de grandes bandas, como The Who e Oasis, tocando nos dois últimos álbuns desta última.

Sean Lennon, filho de John Lennon com a artista plástica Yoko Ono, já se aventura há tempos na música, mas seu estilo experimental e eletrônico o mantém na vanguarda e longe do público. James McCartney e Dhani Harrison, ambos guitarristas, só foram vistos, até agora, em projetos musicais dos próprios pais.

O outro filho de ex-beatle que teve alguma relevância musical foi Julian Lennon, que emplacou dois álbuns de sucesso nos anos 1980, mas até agora, pelo menos, não está vinculado ao projeto. Aproveitando a deixa, uma das filhas de Paul McCartney, Stella McCartney, é uma estilista famosa na Europa. Ela bem que poderia compor o figurino da nova banda.

Ninguém tem ideia ainda do que poderá ser este projeto musical dos filhos dos Beatles. É de esperar que eles não sejam mais uma banda cover dos próprios pais. Mas será que Sean, James, Dhani e Zack tem algo para contribuir à música mundial e honrar o legado de seus pais? Quem viver, verá…

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Os Beatles surgiram em 1962, advindos da cidade britânica de Liverpool, e alçaram sucesso imediato na Inglaterra, que rapidamente se espalhou para a Europa, para os Estados Unidos e daí para o resto do mundo. Formado por John Lennon, Paul McCartney, George Harrison e Ringo Starr, foram a banda pioneira do movimento da Invasão Britânica que fundou o rock clássico e criou as bases modernas do gênero. Lançaram 13 álbuns e são recordistas até hoje em canções de sucesso. Encerraram as atividades em 1970, quando cada um dos membros saiu em carreira individual, todos com sucesso em níveis variados.