O jornal britânico The Sun noticiou que a indicação do Oasis ao Rock and Roll Hall of Fame pode vir das mãos de ninguém mais, ninguém menos do que o ex-Beatles, Paul McCartney. Sem dúvidas, seria uma grande honra para a banda de Manchester liderada pelos irmãos Noel e Liam Gallagher, já que a dupla nunca escondeu a verdadeira devoção que sentem pelo quarteto de Liverpool, o que expressam não apenas em declarações, mas em diversas referências musicais em suas canções, tanto por melodias, como por letras.

Após ter sido uma das bandas de maior sucesso nos anos 1990 e ter encerrado as atividades em uma tenebrosa briga entre os Gallagher em 2009, o Oasis conseguiu deixar a mágoa para trás e anunciou a retomada das atividades em 2024, realizando uma vitoriosa turnê mundial entre julho e novembro de 2025, que começou em Cardiff no Reino Unido e terminou em São Paulo, aqui no Brasil. O reencontro com os fãs e a aclamação que o grupo recebeu de público e crítica nessa excursão sensacional parece ter motivado os membros e votantes do Hall da Fama, e depois de já ter sido indicado outras vezes ao longo dos anos recentes, o Oasis foi aceito na “turma” de 2026 do célebre museu de Cleveland.
O Hall da Fama é um museu e organização filantrópica dedicada a preservar e reverenciar a produção musical de caráter relevante e elege um restrito número de beneficiados em turmas a cada ano, que passam por um complexo processo de votação popular e escolha por meio de um conselho formado por membros da Diretoria e indicados de anos anteriores. Os principais critérios para a indicação é ter lançado sua primeira gravação há mais de 25 anos e ter comprovada relevância ao cenário musical. Apesar de ostentar o nome Rock em seu título, já há muitos anos a organização se abriu a outros gêneros musicais e não restringe indicados por isso, o que também gerou críticas pelo excesso de agraciados advindos do pop em anos últimos.
A turma de 2026, contém, dentre outros nomes:
- Oasis
- Phil Collins
- Iron Maiden
- Joy Division e New Order
- Billy Idol
- Gram Parsons
A turma 2026 também inclui os produtores Rick Rubin (que trabalhou com inúmeros dos mais célebres artistas contemporâneos) e Jimmy Miller (lendário produtor da fase áurea dos Rolling Stones, mas também da banda Traffic), e outros artistas fora da linha do rock também estão agraciados, como a cantora Queen Lifitah, Celia Cruz e Fela Kuti.
A escolha dos artistas revela alguns elementos interessantes da dinâmica do Hall da Fama… Phil Collins, por exemplo, já tinha sido indicado antes como membro da banda Genesis, porém, agora ingressa os homenageados por sua carreira solo, que foi um avassalador sucesso entre os anos 1980 e 90. A banda de heavy metal Iron Maiden já tinha sido candidatada pelo público inúmera vezes, pois seu primeiro álbum é de 1980, contudo, somente agora a trupe de Bruce Dickson e companhia conseguiu sua eleição à galeria dos imortais. As bandas Joy Division e New Order, por sua vez, ingressam à galeria juntos, pois são uma a continuação da outra: o Joy Division foi uma das mais marcantes bandas do cenário pós-punk de Manchester na Inglaterra na virada dos anos 1970 para 80, porém, o suicídio do vocalista Ian Curtis findou a banda, que mudou de proposta e sonoridade e continuou a carreira com uma pegada mais eletrônica sob a alcunha de New Order, e fez bastante sucesso nos anos 1980. Revelado no movimento punk do início dos anos 1980, Billy Idol também ingressa no time.
E vale dar um pequeno destaque a Gram Parsons, um músico pouco conhecido, mas que foi essencial para a criação do country rock e do southern rock, que chamou a atenção na cena alternativa de Los Angeles nos meados dos anos 1960 com a banda The International Submarine Band, antes de ingressar na já famosa The Byrds, em 1967, e lançar com eles o icônico álbum Sweetheart of the Rodeo, de 1968, quando a banda de LA então famosa por seu folk rock abraçou o country rock e lançou o gênero à popularidade. Um conflito de egos terminou fazendo Parsons sair do grupo naquele mesmo ano e fundou o The Flying Burrito Brothers, uma banda alternativa que fez bastante sucesso no circuito musical da Costa Oeste dos EUA e tocou em grandes festivais. Quando essa banda acabou, Parsons lançou dois álbuns solo antes de morrer em 1973, vítima de uma overdose de morfina com tequila. Apesar de nunca ter sido um imenso sucesso em vida, Parsons teve uma influência musical indisputável no cenário musical americano e foi referência para bandas de muito sucesso, como The Band, Creedence Clearwater Revival, Lynyrd Skynyrd e The Allman Brothers Band.

O Oasis, por sua vez, já era elegível desde 2019 e ainda assim, jamais conseguira uma indicação para compor o Hall da Fama até agora. Os irmãos Gallagher lançaram seu primeiro álbum em 1994, Definitely Maybe e ele foi um sucesso absoluto, tirando a banda rapidamente do circuito indie para as grandes massas e detendo o recorde de álbum de estreia mais vendido da história da música britânica até hoje, ao passo que o segundo disco, (What’s the Story)Morning Glory?, de 1995, foi um sucesso ainda maior, batendo aos 20 milhões de cópias vendidas por meio de sucessos como Wonderwall e Don’t look back in anger. Os excessos (de sucesso, de fama, de drogas) fizeram o grupo se desmontar ao longo do fim dos anos 1990, e uma fase de pequena decadência veio na virada para o novo século, mas com a banda conseguindo se reerguer artisticamente em seus trabalhos tardios, entregando outros bons álbuns no fim, ao mesmo tempo em que seus discos continuavam a chegar sem parcimônia nos primeiros lugares das paradas. Com o fim da banda em 2009, o guitarrista lançou seu projeto solo, Noel Gallagher’s High Flying Birds, e o vocalista Liam formou o Beady Eye com os demais membros do grupo, que lançou dois discos de sucesso e participou do encerramento das Olimpíadas de Londres em 2016, e depois, saiu em uma bem sucedida carreira solo, com muito sucesso que já rendeu cinco álbuns.

A reunião da banda em 2025 rendeu a citada aclamada turnê, mas não rendeu música nova ainda. Um documentário sobre a excursão, roteirizado por Stephen Knight (criador de Peaky Blinders), chamado Don’t Look Back in Anger será lançado nos cinemas este ano, com estreias em IMAX em 11 de setembro, de logo depois, estará disponível no streaming do Disney+. Notícias recentes, contudo, mostraram que a banda deve realizar outra turnê em 2027 e tocar no Festival de Knebworth, reprisando o feito de 1996 que virou um marco na carreira do grupo.

Além da introdução – um discurso de apresentação – a ser realizado por Paul McCartney, como noticia o The Sun, é esperado que o Oasis suba ao palco do Peacock Theater, em Los Angeles, no dia 08 de novembro próximo, e faça sua primeira apresentação desde o fim da turnê. O jornal diz que não somente a banda da excursão estará presente – com Liam nos vocais, Noel nas guitarras e vocais, o membro original Paul “Bonohead” Arthurs e seu substituto Gem Archer nas guitarras, Andy Bell no baixo, parte da última formação do grupo, e o totalmente novo a esse ambiente Joey Waronker – mas é esperado que outros ex-membros da banda que não estiveram na turnê, como o baixista original Paul McGuigan, o baterista original Tony McCarroll e seu substituto Alan White, também participem.
Normalmente, os agraciados da noite fazem uma apresentação curta de duas ou três músicas, e é bem provável que o Oasis seja a “grande atração” da noite, encerrando a festa, o que é comum gerar a reunião de várias celebridades no palco para tocar as canções do artista em questão.

