Em outra notícia relacionada à New York Comic Con (NYCC), a editora Marvel Comics anunciou um novo formato para suas HQs: o Marvel Brick, literalmente, “tijolo”! São quadrinhos com grande volume de páginas, destinados a cobrir arcos de histórias completas ou mesmo fases de determinados autores, mas sem o acabamento de luxo dos omnibus, que têm papel couché e capa dura dupla. O novo estilo é mais econômico, destinado a um público mais amplo, não necessariamente colecionador, e mantém papel simples e capa cartão.

A Marvel, inclusive, revelou as quatro primeiras edições que irão abrir a coleção, que deve chegar às comic shops no ano que vem:
- Uncanny X-Men: All New, All Diferent: para quebrar a banca, reúne a fase classicíssima dos mutantes da Marvel, começando com o especial Giant-Size X-Men, que relançou o time após alguns anos afastados dos quadrinhos, em 1975, com Len Wein e Dave Crockum, seguindo a retomada da publicação mensal da equipe, agora, com Chris Claremont nos roteiros (iniciando sua longuíssima fase de 16 anos!) e coletando a íntegra da sensacional fase dele com o corroteirista e desenhista John Byrne, que trouxe historias como A Saga da Fênix Negra e Dias de Um Futuro Esquecido, na melhor entre todas as eras dos mutantes, encerrada em 1981.
- Uncanny X-Force: The Apocalypse Solution: trazendo a fase liderada pelo escritor Rick Remender, com arte de Jerome Opeña, na qual a X-Force se torna um time tático de ataque dos mutantes, numa abordagem mais sombria, publicada a partir de 2011.
- Superior Spider-Man: Hero or Menace? Traz a aclamada, mas controversa, temporada na qual o vilão Dr. Octopus assume o controle do corpo de Peter Parker e tenta se reinventar como o Homem-Aranha, uma fase que terminou fazendo bastante sucesso. Os roteiros são de Dan Slott, o principal escritor aracnídeo da segunda década do novo século, acompanhado pela arte de gente como Ryan Stegman, Humberto Ramos e Giuseppe Camuncoli, iniciada em 2013.
- The Unbeatable Squirrel Girl: apresenta histórias da inusitada heroína cult da Marvel, a Garota-Esquilo, que criada como uma paródia, terminou se tornando o veículo de histórias muito interessantes e inteligentes, aqui na fase aclamada de Ryan North e com arte de Erica Henderson, publicada a partir de 2015.
Como se vê a Casa das Ideias priorizou arcos mais recentes, já do século atual, com apenas o medalhão dos X-Men para representar o período áureo das Eras de Prata e Bronze. O bom slogan da empreitada é Build your House of Ideas brick by brick, ou Construa sua Casa das Ideias tijolo por tijolo.
O novo formato Brick, um tijolo mesmo, pelo grande tamanho dos volumes, é muito similar na proposta ao antigo Essencial Marvel, que foi publicado entre os anos 1990 e 2000, que trazia longas fases e muitas páginas, mas em papel jornal e preto e branco.
O investimento da Marvel em um material mais barato do que o acabamento de luxo dos omninus mostra a necessidade de atrair mais público e facilitar o acesso do público consumidor a obras de preço mais acessível. Mas ao mesmo tempo, a Casa das Ideias ainda não adotou o formato de bolso que a Distinta Concorrente abraçou com enorme sucesso. Pelo menos não nos EUA. Hoje as HQs da DC de Bolso fazem sucesso no mundo todo, inclusive, no Brasil, ao popularizem em formatos mais baratos algumas das grandes sagas imortais da editora, como Watchmen ou O Reino do Amanhã.
A Marvel adotou o modelo por meio da Panini Itália que lançou por lá o formato para o mercado europeu, também como a Brick, focado nas histórias mais modernas. A Panini Comics do Brasil também lançou a Marvel de Bolso, porém, com um foco maior em histórias clássicas consagradas dos anos 1980 e 90, ao contrário da matriz italiana.
A Marvel Comics dos EUA, aparentemente, ainda está resistente a adotar o modelo de bolso para o seu público original. Mas em vista das grandes mudanças na editora, com a troca de presidência e editoria-chefe dos meses recentes, já é um direcionamento novo em busca de mais público.

