Atualmente, o Batman é o personagem mais popular dos quadrinhos da DC Comics, sendo um fenômeno em outras mídias, também, especialmente no cinema. Uma parte importante do cânone do cavaleiro das trevas é seu parceiro de combate ao crime, o Robin, personagem que completou 80 anos de publicação em 2020. Neste post, iremos detalhar a trajetória cronológica e editorial do menino prodígio em suas várias encarnações, mas especialmente, ao ocupante original do título, Dick Grayson. E sem esquecer que, já há algum tempo, o rapaz cresceu, deixou o manto vermelho para trás e assumiu um novo nome: Asa Noturna (ou Nightwing, no original em inglês).

Dick Greyson foi o primeiro Robin…

É preciso esclarecer, ainda, aos novatos que Robin é uma espécie de “cargo” que, na cronologia padrão do Batman nas HQs, já foi ocupado por vários postulantes. Dick Grayson foi o primeiro – é o mais clássico, o mais conhecido e o que ficou mais tempo (pelo menos em termos editoriais) -, mas depois, querendo seu próprio espaço, abandonou o uniforme e adotou a identidade de Asa Noturna; de modo que cedeu espaço para Jason Todd, que terminou sendo morto pelo Coringa (e mais tarde, terminaria voltando dos mortos sob a identidade de Capuz Vermelho); a vaga foi ocupada, então, por Tim Drake; a namorada deste, Stephannie Brown, também usou a identidade por um curto período de tempo; e Drake migrou mais tarde para o nome de Red Robin (ou Robin Vermelho) quando surgiu Damian Wayne, o filho de Bruce Wayne, que é o ocupante oficial no nome atualmente. Há ainda Carrie Kelly, outra menina, que usou a identidade de Robin na clássica história Batman: O Cavaleiro das Trevas, mas que não faz parte da cronologia oficial.

Os Robins em sentido horário: Dick Greyson, Jason Todd, Tim Drake, Damian Wayne, Stephannie Brown e Carrie Kelley.

Vamos conhecer mais da história do primeiro dos parceiros mirins dos quadrinhos e um dos mais populares personagens da DC Comics. Por isso, viste sua máscara, ponha sua capa amarela e tente não ser morto pelo Coringa em uma surra de pé de cabra (!) e venha com o HQRock nessa aventura octogenária.

De Robin a Asa Noturna.

Criando uma Lenda

A indústria de HQs de super-heróis surgiu com o lançamento do Superman em Action Comics 01, de junho de 1938, das mãos de Jerry Siegel e Joe Shuster, publicada pela editora National Periodicals, que mais tarde ficaria conhecida como DC Comics. O sucesso do homem de aço foi avassalador e criou uma indústria própria. Assim, a própria DC procurou rapidamente capitanear as altíssimas vendagens de seu popular herói.

Então, o cartunista Bob Kane, que já contribuía com histórias de detetive para a editora, foi convidado a criar um super-herói no estilo do Superman. Com a ajuda do escritor Bill Finger, Kane criou o Batman, que estreou em Detective Comics 27, de maio de 1939, e tal qual o outro, foi um grande sucesso.

Bob Kane, o manda-chuva.

Kane e Finger criaram não um super-herói no sentido exato do termo – o homem-morcego não tem superpoderes – mas um vigilante implacável, que age à noite, é brutal contra os criminosos e os assusta em sua aparência demoníaca de morcego. Suas histórias pareciam mais contos de detetive ou policiais, e o mostravam lutando contra gangsteres, bandidos, assassinos em série, e só ocasionalmente, vilões mais fantasiosos, como vampiros e monstros.

Bill Finger, o escritor.

Em suas primeiras aventuras, Batman era uma criatura violenta, assustadora e solitária, e apesar do sucesso, deixava uma nota de preocupação em seus editores, que pensavam as HQs como um produto voltado às crianças. E o tom do cavaleiro das trevas era obviamente bastante distinto das aventuras heroicas, brilhantes e motivadoras do Superman.

Mas ele vendia bem e as coisas seguiram por um tempo.

Imagem típica do Batman pelas mãos de Bob Kane.

Bob Kane era um homem de ideias, mas não era um bom desenhista. Seu traço era duro, rígido, de pouco movimento e tendia à caricatura e à repetição. Ele sabia disso. O sucesso do Batman motivou uma grande produção de histórias mensais publicadas em Detective Comics, mas logo, a National/DC começou a planejar uma revista especial chamada Batman, com tiragem maior e periodicidade trimestral, trazendo 64 páginas e 4 histórias. Igual ao que fizeram com a Superman, lançada em 1939.

Era um volume muito grande de trabalho para Kane dar conta e ele criou um estúdio, que era a prática comum da época, embora aos olhos de hoje seja antiético. Era o seguinte: Kane era o detentor do contrato com a editora, mas como não dava conta do trabalho, usava seu pagamento para criar uma empresa, um estúdio, no qual terceirizava a criação das histórias. No começo, Kane realmente desenhava as histórias e, muitas vezes, dava a diretriz do que as tramas deveriam ser; mas o roteiro era designado a Bill Finger, enquanto o artista Jerry Robinson vinha para polir a arte de Kane, criar cenário e fazer a arte-final, que consistia em cobrir os traços feitos à lápis com tinta nanquim. Outros artistas colaboravam de vez em quando, de acordo com a necessidade, como no famoso caso do escritor Gardner Fox, que criou o texto de algumas edições enquanto Finger trabalhava no material mais à frente.

A versão original de Bruce Wayne por Bob Kane.

A ideia do Robin surgiu como um artifício pensado por Finger para que o Batman não ficasse sempre sozinho e tivesse alguém a quem se reportar, a conversar, a não ser obrigado a escrever balões de pensamento o tempo todo.

Bill Finger: herói não celebrado.

Finger disse em uma famosa entrevista reproduzida depois em vários livros:

Robin foi o resultado de uma conversa que tive com Bob [Kane]. Como eu disse, Batman era uma combinação de Douglas Fairbanks [ator de aventuras da Hollywood da década de 1930] e Sherlock Holmes [o maior dos detetives nos livros de Arthur Conan Doyle]. Holmes tem o seu Watson [o parceiro com quem conversa e explica seus planos e descobertas]. A coisa que me chateava era que Batman não tinha ninguém com quem conversar, e ficou um pouco cansativo ter sempre ele pensando. Eu percebi que, na medida em que se desenvolvia, Batman precisava de um Watson com quem conversar. Isto é como Robin veio a acontecer. Bob me chamou depois e disse que iria colocar um garoto na tira de quadrinhos para se identificar com o Batman. Eu achei que era uma grande ideia!

Não é claro como a ideia de uma parceiro – Holmes e Watson têm a mesma idade, ainda que o primeiro mantenha sempre a vantagem intelectual em relação ao segundo – se consolidou enquanto um parceiro mirim, um mero garoto. O fato de ser um pré-adolescente com quem os jovens leitores pudessem se identificar de modo mais direto (do que com o adulto Bruce Wayne) foi uma grande sacada, e pode ter vindo do editor responsável pelas aventuras do cavaleiro das trevas Whitney Ellsworth. Mas pode ter sido uma ideia de Kane, também.

Jerry Robinson nos anos 1940 e o Coringa desenhado por ele.

E há outro jogador na trama: o então desenhista assistente de Kane, Jerry Robinson, sempre reivindicou a criação visual do personagem. Robinson disse ao Comics Journal:

Eu cheguei ao Robin por causa das aventuras do Robin Hood, que era as minhas favoritas na infância. Eu ganhei de presente um livro de Robin Hood ilustrado por N.C. Wyeth… e aquilo veio rapidamente à minha mente quando eu sugeri o nome Robin Hood, o que eles pareceram gostar, então, mostrei a eles o uniforme. E se você olhar, é o uniforme de Wyeth, de minha memória, porque eu não tinha mais o livro para conferir.

Perceba que Robinson afirma que ele teve a ideia do nome e do uniforme.

A ilustração de Robin Hood por N.C. Wyeth: inspiração para o uniforme do Robin.

Sem dúvidas, a roupa do Robin tem elementos medievais muito similares à gravura de Wyeth, mas seu nome também é derivado da ave Tordo-Americano ou American Robin, um pássaro típico dos Estados Unidos; e um parceiro curioso para um morcego.

O Robin da vida real.
DEtective Comics 38 traz a estreia do Robin.

A Origem de Dick Grayson

Enquanto personagem, o Robin estreou nas mãos de Kane, Finger e Robinson em Detective Comics 38, de abril de 1940, portanto, publicada praticamente um ano após a estreia do Batman. Na trama, vemos sua origem: Dick Grayson é um habilidoso acrobata no Circo Haly, cujos pais (John e Mary) – os trapezistas Grayson Voadores – são assassinados a mando de um chefão criminoso chamado Zucco, porque o circo se recusou a pagar por “proteção”.

Bruce Wayne presencia o acidente e leva o jovem Dick consigo e se apresenta como Batman para ele, se dispondo a treiná-lo como um combatente do crime. O cruzado encapuçado o avisa a ter cuidado, já que Zucco manda na cidade e informa ao jovem que os pais dele também foram mortos em um crime, o que cria uma ligação imediata entre os dois. Dick pede para ser treinado e, apesar de alguma hesitação, Batman concorda.

A história sugere um intenso e longo período de treinamento, mas antes disso, Batman submete Dick a um juramento:

Jure que nós dois iremos combater juntos o crime e a corrupção e nunca sair do caminho do bem.

Após algum tempo, a dupla dinâmica sai em busca da quadrilha de Zucko, que agora tenta sabotar a construção de um edifício. Alguns capangas são mortos no confronto, mas Zucko é preso pelo assassinato e Dick jura que será o parceiro de combate ao crime do Batman.

O conto criado por Kane, Finger e Robinson trouxe a origem definitiva de Richard “Dick” Grayson, que assim como a do Batman, praticamente não sofreu alteração alguma ao longo das 8 décadas desde que foi contada. Inclusive, tal origem também se manteve na maioria das adaptações do Robin a outras mídias, como filmes e desenhos animados, conforme abordaremos mais tarde, e pode ser vista de modo explícito em produções como Batman – A Série Animada (1992), o filme Batman Eternamente (1995) e a série de TV Titans (2018).

O que foi feito posteriormente foram ser acrescidos alguns detalhes à origem.

Bruce diz a Dick que Robin teria apenas a missão de vingar seus pais, e Batman 32. Arte de Dick Sprang.

A primeira vez que isso ocorreu já foi em Batman 32, de dezembro de 1945, na segunda das quatro histórias da revista, Dick Grayson, Boy Wonder, na qual Bill Finger e Dick Sprang detalham a origem do Robin, mostrando que, de início, não era intensão de Bruce Wayne transformar o rapaz em um combatente ao crime, mas apenas ajudá-lo a conseguir justiça no caso de seus pais contra a quadrilha de Zucco. A história mostra que Dick insistiu para continuar como Robin; e que teria havido uma segunda aventura nunca mostrada em que, enquanto Batman sai atrás de ajudar a polícia de Gotham contra uma onda de crimes, mas o cavaleiro das trevas é capturado pelos bandidos, e cabe a Dick salvar sozinho o homem-morcego.

À direita, a splash page (página de abertura) de Detective Comics 39.

Essa ação convence Batman de que Dick pode mesmo ser o Robin e o garoto ganha o direito de ser seu parceiro no combate ao crime, ocorrendo, em seguida, o caso de Chinatown e a quadrilha contrabandista de ópio que é mostrada em Detective Comics 39, na qual o rapaz fica para trás na Mansão Wayne, e usa de suas próprias habilidades de investigação para encontrá-los.

O Primeiro dos Sidekicks

Robin apareceu de novo em Detective Comics 39 antes de estrelar a nova revista Batman 01, na qual a dupla dinâmica aparece unida balançando-se numa corda prestes a entrar em ação. Batman era – ao modo de Superman – uma revista especial, com periodicidade trimestral e trazia 64 páginas com 4 histórias. A edição 01 foi bombástica: traz a estreia do Coringa (em duas histórias!) e da Mulher-Gato.

Sem dúvidas, a presença de um pré-adolescente nas aventuras sombrias do cavaleiro das trevas ajudaram a aumentar as vendas, porque era um movimento pioneiro. Dick Grayson parecia ter uns 12 anos de idade, exatamente a idade de parcela significativa dos leitores de HQs dos EUA na época e as vendas do Batman simplesmente explodiram depois de sua introdução.

Capitão América e Bucky.

Foi algo tão forte que os editores da DC Comics logo se mobilizaram para copiar o fenômeno e, sempre que possível, passaram a incluir parceiros mirins nas aventuras de seus heróis. O Arqueiro Verde, por exemplo, ganharia Speedy (Ricardito, no Brasil). O efeito se estendeu às outras editoras: a nascente Marvel Comics (ainda se chamando Timely) introduziu o Tocha Humana em 1939 que tinha ao seu lado Toro (Centelha, no Brasil) com a mesma aparência e poderes, apenas mais jovem; enquanto em 1941, o Capitão América estrearia ao lado de Bucky, inclusive, com um uniforme que deixava várias “homenagens” ao traje do Robin.

O Kid Flash e o Flash.

Com o passar do tempo, o parceiro mirim se tornaria uma febre nas HQs e a DC Comics manteria a tradição até os anos 1960, fazendo com que muitos de seus principais heróis adotassem sidekicks, com Flash e Kid Flash, Mulher-Maravilha e Moça-Maravilha, Aquaman e Aqualad, sem falar no Superboy e na Legião dos Super-Heróis e até Jimmy Olsen servindo como um tipo de parceiro informal do Superman.

O sucesso de Batman e Robin ampliou a demanda por novas histórias, então, logo o estúdio de Bob Kane se ampliou bastante: além de Bill Finger, outros escritores passaram a colaborar, como Gardner Fox e Edmond Hamilton; mas principalmente, muitos desenhistas, além de Jerry Robinson (que deixou o trabalho em 1947 para se tornar um cartunista político famoso), como Jack Burnley, Sheldon Moldoff, Charles Paris, Dick Sprang, George Roussos, e muitos outros.

Um Alívio à Violência

Como já escrito, as histórias originais do Batman eram extremamente violentas e sombrias, marcadas por criminosos malignos e macabros, banhos de sangue e mortes. Os editores da DC queriam que o personagem se tornasse mais brando para não enfrentarem problemas com as autoridades, pois já em 1940, movimentos organizados se colocavam contra a violência extrema das HQs. Tanto que a DC Comics criou um comitê de assessores educacionais para auxiliar os editores e criadores em como criar material adequado às crianças. William Moulton Marsterson, um dos psicólogos mais reconhecidos nos EUA na época (ele havia criado o detector de mentiras!) foi um dos membros desse comitê e a experiência o motivou a criar a Mulher-Maravilha.

A amenização das histórias do Batman não chegou com o Robin: em sua estreia, quando enfrenta a gangue de Zucco no prédio em construção, em Detective Comics 38, o Boy Wonder (menino prodígio, no Brasil) simplesmente derruba dois bandidos lá de cima sem pestanejar.

Mas gradualmente, Bob Kane, Bill Finger e Jerry Robinson foram pressionados a diminuir a violência e tornar as histórias do Batman mais “família” e isso foi acontecendo aos poucos. Por volta de 1943, as histórias já eram bastante amenas – com o Coringa virando um palhaço peralta em vez de um assassino psicótico como no início – e tudo pioraria após o início dos anos 1950, quando uma nova onda de críticos às HQs elevaram o tom da crítica.

Batman 38 já mostra uma abordagem mais amena dos personagens.

O principal deles foi Fredric Wertham, um psiquiatra, cujo livro A Sedução do Inocente, lançado em 1954, acusava Batman e Robin de serem um casal homossexual e culpava as histórias em quadrinhos pela delinquência juvenil nos EUA. O impacto do livro foi tão grande que o Congresso dos EUA montou uma comissão de investigação sobre o tema. Como resultado, as editoras de HQs se uniram e criaram o Comics Code Authority (CCA), um órgão de autocensura que proibia violência, mortes explícitas, sexo, imagens muito fortes, monstros assustadores e uma infinidade de coisas “inapropriadas”.

O resultado foi catastrófico e as HQs dali em diante se tornaram não apenas amenas, mas infantis à beira da imbecilidade. As histórias do Batman passaram a ser marcadas por humor e na impossibilidade de explorar o mundo do crime de Gotham City com muita desenvoltura, restou a Bob Kane e seu estúdio contarem histórias que não casavam com o personagem, com ficção científica, viagens no tempo e outras coisas mais apelativas.

The Boy Wonder

Mas não há como negar que a estratégia da DC Comics rendeu frutos e enquanto o mercado de quadrinhos nos EUA ia a bancarrota quase completa pós-1954, as revistas de Superman, Batman e Mulher-Maravilha resistiram e continuaram a fazer sucesso e serem populares. Batman e Robin apareciam não apenas em Detective Comics e em Batman (que depois de alguns anos deixou de ser uma revista “especial” e passou a ser também mensal), mas também World’s Finest, revista que a partir de 1943 passou a publicar histórias de Superman e da dupla dinâmica separadamente. A partir de 1954, finalmente, World’s Finest passaria a trazer, todos os meses, aventuras conjuntas de Superman, Batman e Robin, em sua maioria nas mãos do escritor Edmond Hamilton e do desenhista Dick Sprang, cujo estilo foi adotado pela DC Comics como o padrão para o homem-morcego.

O Robin chegou a ter uma série de histórias solo, publicadas na revista Star-Spangled Comics, entre 1947 e 1952, entre as edições 65 e 130, começando com textos de Win Mortimer e desenhos de Charles Paris, com o menino prodígio sendo a principal estrela da revista e aparecendo em quase todas as capas. Com o passar do tempo, a revista trouxe artistas como Curt Swan, Jack Burnley, Joe Kubert, Jim Money, Dick Sprang, e muitos outros.

A Dupla Dinâmica

Ao longo das décadas de 1940, 50 e 60, Batman & Robin atuaram como a dupla dinâmica em centenas de aventuras juntos em Detective Comics, Batman e World’s Finest e se tornaram bastante populares, sendo adaptados em outras mídias também, como nos seriados de cinema de 1943 e 1949.

A Era de Ouro dos Quadrinhos terminou em meados dos anos 1950, quando os editores da DC Comics tentaram modernizar seus personagens, criando novas versões de Flash, Lanterna Verde, Gavião Negro e vários outros heróis antigos, assim como modificando o Superman, Mulher-Maravilha e Batman para os novos tempos.

No caso do cavaleiro das trevas, a DC aproveitou que o contrato com o estúdio de Bob Kane se encerrou em 1963 e promoveu uma reforma editorial, atraindo novos escritores e desenhistas para a dupla dinâmica, numa nova equipe liderada pelo editor Julius Schwartz, pelo roteirista John Broome e o desenhista Carmine Infantino, auxiliados por textos de Gardner Fox, Ed Herron, Mike Friedrich; e artes de Gil Kane, Murphy Anderson e Chic Stone. Bob Kane, Dick Sprang e Sheldon Moldoff se aposentaram dos quadrinhos e Bill Finger colaborou apenas esporadicamente dali em diante.

Infantino mudou o visual do Batman em 1964, criando a elipse amarela.

Carmine Infantino modernizou o visual de Batman e Robin, com um traço menos cartunesco do que o modelo de Kane-Sprang: mais delgado e bonito. As histórias se tornaram um pouco mais sérias, porém, quando a série cômica do Batman da TV na CBS se tornou um grande sucesso, com Adam West e Burt Ward como Batman e Robin, em 1966, as tramas se voltaram de novo para o humor, o que gerou indignação dos fãs, que queriam ver histórias sérias e sombrias do cavaleiro das trevas, ainda mais depois do sucesso dos heróis problemáticos e realistas da Marvel Comics a partir de 1963.

Robin e os Jovens Titãs

A DC Comics possuía uma revista chamada The Brave and the Bold que usava para promover encontros especiais entre seus personagens. Fora nessa revista, em 1960, por exemplo, que surgira a Liga da Justiça, da qual Batman viria a fazer parte em 1961.

Então, em 1964, o editor Julius Schwartz teve a ideia de promover uma Liga da Justiça juvenil com os parceiros mirins. Assim, The Brave and the Bold 54 trouxe uma história de teste em que Robin, Aqualad e Kid Flash se unem contra o vilão Mr. Twist, com roteiro de Bob Haney e desenhos de Bruno Premiani. A edição foi bem recebida pelos leitores e os editores decidiram dar um passo adiante.

Com a adesão da Moça-Maravilha, o grupo foi oficialmente batizado e constituído como The Teen Titans (os Jovens Titãs) em The Brave and the Bold 60, de julho de 1965, novamente por Haney e Premiani; e dali migrou para Showcase 59, de dezembro do mesmo ano, agora com roteiro de Haney e arte de Nick Cardy.

A dupla Haney e Cardy ficou encarregada das aventuras da nova equipe-mirim, que ganhou uma revista própria, The Teen Titans 01, em fevereiro de 1966, que permaneceu sendo publicada de modo bimestral até o número 43 de fevereiro de 1973, quando foi cancelada por vendas baixas. Além de Robin, Moça-Maravilha, Kid Flash e Aqualad, o time ainda seria reforçado por Ricardito (Speedy, o parceiro mirim do Arqueiro Verde), enquanto Aqualad deixou o grupo na reta final.

Haney escreveu a maioria das edições e Cardy deixou a arte interna, mas permaneceu fazendo as capas, fazendo valer a fama de um dos melhores capistas da era clássica da DC Comics, como fez nas revistas de Flash e Aquaman, também.

De Volta às Trevas

A série de TV do Batman fez muito sucesso, mas foi efêmera. A audiência baixou na segunda temporada, em 1967, e foi abaixo na terceira, em 1968, levando ao cancelamento.

A estreia da Batgirl Barbara Gordon em “Detective Comics 359”, de 1967.

Mas deixou vários frutos nas HQs, dentre eles, a criação da Batgirl, que foi idealizada para o programa na terceira temporada, então, a DC se apressou para criar uma versão em papel e estreá-la antes. Daí que Barbara Gordon fez seu debute de 1 milhão de dólares em Detective Comics 359, de 1967, por Gardner Fox e Carmine Infantino, uma personagem que teria bastante importância para Dick Grayson no futuro.

Enquanto isso, o clima de humor pastelão contaminou as revistas, também, como foi dito, embora não de modo tão explícito como na série.

Página de “Detective Comics 371” de 1968: Gil Kane imprime os ângulos ousados que usaria logo em seguida no Homem-Aranha e lhe daria fama mundial.

Como resultado, as vendas do Batman começaram a despencar de modo virtuoso a partir de 1967 de forma que os sinais de alerta foram todos ativados! A possibilidade de ver o homem-morcego ter sua revista cancelada aterrorizava os editores.

Então, Julius Schwartz, que não estava feliz com a situação finalmente cedeu para que uma série de artistas mais jovens e mais antenados às mudanças culturais dos anos 1960 passassem a cuidar das revistas do Batman, como Dennis O’Neil, que tinha 28 anos em 1968; Elliot S. Maggin, 18 anos; Mike Friedrich, 19 anos.

“The Brave and the Bold 85”, de 1968: início de uma das melhores fases do Batman.

Mas não totalmente: Frank Robbins tinha 51 anos em 1968; e Bob Haney, tinha 40 anos. Haney vinha escrevendo as histórias do homem-morcego em The Brave and the Bold, que com o sucesso da série de TV, virou uma revista na qual o Batman sempre encontrava um outro herói da DC. Ao lado dele, um desenhista sensacional que tinha um traço delgado, adulto e fotográfico, totalmente diferente das padronizações da editora: Neal Adams.

O Batman de O’Neil e Adams: fase áurea.

O sucesso dessa abordagem mais adulta, séria e sombria cativou os leitores, de modo que Schwartz comissionou para que o escritor Dennis O’Neil e Neal Adams se tornassem os principais artistas tanto de Batman quanto de Detective Comics, com histórias sérias e adultas. Uma pequena revolução no homem-morcego, iniciada em fins de 1969.

Mas uma das consequências disso foi o fim da Dupla Dinâmica em sua abordagem clássica. Para manter o caráter sombrio – e também solitário – do Batman, O’Neil e Adams afastaram Robin das histórias.

Batman 217, de dezembro de 1969, com texto de Frank Robbins e arte de Irv Novick mostra Dick Grayson terminando o Ensino Médio (o que coloca sua idade como algo em torno de 18 anos, não mais uma “criança”) e com alguns problemas na relação com Bruce Wayne, então, Dick prefere deixar a Batcaverna para trás e vai cursar a Universidade de Hudson, na fictícia cidade de New Carthage, que fica ao norte de Nova York; enquanto Bruce deixa a mansão e vai viver na cobertura da Wayne Tower e cria lá uma versão compacta da caverna.

O primeiro fim da Dupla Dinâmica. Arte de Bob Brown.

A despedida oficial da Dupla Dinâmica é mostrada em Detective Comics 393, de novembro de 1969 (um mês antes da anterior), na qual Frank Robbins e Bob Brown mostram Bruce, Alfred e Dick indo viajando para uma casa na praia como um tipo de despedida; mas claro, sendo quem são, envolvem-se numa investigação de assassinato em série sabendo que aquela é a última vez que Batman e Robin atuam juntos.

The Teen Wonder

Até o fim dos anos 1960, o Robin era conhecido pelo apelido The Boy Wonder, o menino prodígio como foi traduzido no Brasil, mas na medida em que a abordagem a Dick Grayson migrou para a representação de um jovem mais velho, no fim da adolescência, a DC Comics passou a usar o termo The Teen Wonder, embora essa nomenclatura nunca tenha pegado no Brasil.

Dick Greyson na arte de Gil Kane.

Enquanto Robin participava das aventuras dos Jovens Titãs em paralelo, o fim da Dupla Dinâmica não resultou em uma menor presença do Adolescente Prodígio nas bancas. A revista Detective Comics já vinha há algum tempo apresentando back-ups stories (histórias secundárias) da Batgirl em cada edição, e a partir da edição 394, de janeiro de 1970, a alternar as edições entre a menina-morcego e o Robin, com as histórias deste inicialmente sob as mãos de Frank Robbins no texto e Gil Kane na arte.

O caráter diferencial dessas histórias do Robin é que elas se passavam no ambiente universitário, portanto, muito marcadas por um contexto juvenil. Diferente do que era comum à DC Comics – que normalmente não dava muita importância à vida pessoal de seus heróis (diferentemente de sua concorrente Marvel Comics) – Dick Grayson realmente foi envolto desse contexto específico, com as tramas mostrando suas aulas, seus colegas de classe, os problemas dos estudantes, protestos, questões políticas etc., numa ambientação mais à cara da Marvel do que da DC em alguma medida.

Arte de Gil Kane para o Dick Greyson universitário.

Não deve ter sido coincidência terem usado inicialmente o desenhista Gil Kane, que embora trabalhasse com destaque na DC desde o fim da década de 1950 – ele foi o cocriador do Lanterna Verde Hal Jordan – e desenhasse histórias do Batman desde 1964; nos anos mais recentes acumulava uma experiência desenhando os heróis da Marvel, especialmente o Homem-Aranha, que também tinha uma ambientação universitária.

Tanto que a primeira dessas aventuras solo do Robin nessa fase, mostrada em Detective Comics 394, chamava-se Strike… While the campus is hot e mostrava Dick fazendo sua matrícula na Universidade de Hudson e enfrentando uma rebelião estudantil.

Além de uma vida pessoal separada do Batman, as histórias dessa fase começaram a desenvolver um estreitamento na relação entre o Robin e a Batgirl, começando em Detective Comics 400, de junho de 1970, na qual Dennis O’Neil e Gil Kane mostram Barbara Gordon indo à Universidade de Hudson entregar livros raros de Edgar Allan Poe para um festival e se envolvendo na investigação de um crime com o Robin.

Capa de Batman 229, por Neal Adams.

A empreitada das histórias solo deu certo e, a partir de fevereiro de 1971, Robin migrou suas aventuras para Batman, na edição 229, com histórias de Mike Friedrick e Irv Novick; enquanto Batgirl permaneceu em Detective Comics. Continuando suas aventuras universitárias, essas histórias mostravam Dick Grayson namorando Terri Bergstrom, que descobria depois ter poderes psíquicos.

Depois de um tempo, as aventuras de Robin voltaram para Detective Comics, a partir da edição 450, de agosto de 1975, começando uma nova fase na qual Dick Grayson se envolve com Lori Elton, em histórias escritas por Bob Rozakis e desenhadas por Al Migrom.

Várias cenas de Lori Elton.

Seria uma longa fase em que Dick Grayson namorou Lori Elton, sua colega da Universidade de Hudson, mas ela o trocou por Dave Corby, que terminou se revelando como o vilão The Raven, o principal inimigo do Robin nessa fase. O criminoso foi preso e Dick terminou com Lori definitivamente, em Detective Comics 483, de maio de 1979, por Bob Rozakis e Kurt Schaffenberg.

Batman Family 01. Arte de Mike Grell.

Com as aventuras de Batman expressavam uma visão mais solitária do homem-morcego, cresceu a demanda por aventuras solo de seus personagens coadjuvantes. Então, Julius Schwartz comissionou uma nova revista para os personagens coadjuvantes como Batgirl, Alfred Pennyworth, Comissário Gordon, Morcego Humano e o Robin. Aliás, o carro-chefe da nova revista eram aventuras conjuntas de Robin e Batgirl, que a DC Comics apresentava como a Nova Dupla Dinâmica.

Em outubro de 1975, chegou Batman Family 01, cuja atração principal era uma aventura com a dupla Robin e Batgirl, escrita por Elliot S. Maggin e com desenho de Mike Grell. A trama desenvolvia uma ligação mais forte entre o duo, e claro, se tratando de dois jovens combatentes do crime, um clima de romance foi logo estabelecido.

O primeiro beijo de Robin e Batgirl.
Arte de Ernie Chan.

Em Batman Family 03, enquanto Robin e Batgirl lutam contra um dinossauro (mais tarde revelado como uma ilusão), o romance entre eles esquenta e os dois terminam revelando as identidades secretas um para o outro, num história de Elliot S. Maggin e José Luís Garcia-Lopes.

Isso é importante, porque na época, a DC Comics levava as identidades secretas muito a sério, tanto que os membros da Liga da Justiça não sabiam das identidades um do outro.

A revista combinava histórias novas e republicações. Os primeiros números apresentavam Robin e Batgirl como a nova Dupla Dinâmica, mas a partir da edição 04 os heróis ganharam aventuras solo também. A de Robin contou com roteiro de Bob Rozakis e arte do argentino Jose Delbo.

Em Batman Family 06, de 1976, Rozakis e Irv Novick trouxeram a estreia da primeira Arlequina, uma versão feminina do Coringa, que alegava ser sua filha, e passaria a ser uma presença constante nas aventuras do Robin nos anos seguintes, virando uma heroína e ingressando nos Jovens Titãs, e sendo uma coadjuvante constante nas aventuras solo do Robin em Detective Comics. Ela adotaria o nome de Duela Dent.

Robin chegou a confessar seus sentimentos por Batgirl em Batman Family 13, mas ela estava tão cansada que dormiu antes de ouvir. Em Batman Family 20, Batgirl é manipulada por um cientista maligno que apaga suas memórias. Robin a ajuda a recuperar a maior parte, mas ela não lembra que ele é Dick Grayson (e Bruce Wayne é o Batman). Sabendo disso, Barbara escolhe permanecer sem saber.

Batman Family durou 20 edições até novembro de 1978, fulminada por vendas baixas e por uma crise editorial sem precedentes na DC Comics, que enxugou sua linha de revistas para sobreviver. Assim, as aventuras solo de Robin e outros membros do universo do Batman migraram para Detective Comics, que voltou a ser uma revista do time antologia como nos primeiros tempos (com várias histórias de personagens diferentes).

De volta às histórias solo do Robin, após o capítulo final da saga com The Raven e Lori Elton, em Detective Comics 483, de 1979, seguiram as aventuras na qual Dick namora Jennifer Ann, mas tal qual a outra, a relação não deu certo, por causas das ausências e sumiços do jovem para atuar contra o crime, numa sequência de aventuras escrita por Jack C. Harris e desenhada por Alex Saviuk e depois por Charles Nicholas.

Robin enfrentava tanto inimigos novos quanto alguns velhos conhecidos, como o Espantalho, entre Detective Comics 486 a 491.

O fato de ter 5 histórias publicadas por edição faziam Detective Comics custar 80 centavos de dólar na época, parte de um pacote especial da DC Comics, mas como a crise nas vendas persistia, editora decidiu reformular a revista, diminuir seu tamanho e seu custo.

Assim, as aventuras solo do Robin terminaram em Detective Comics 495, de outubro de 1980, quando Dick Grayson percebe que está prestes a ser reprovado por faltas por causa de sua carreira contra o crime. Por causa disso, o jovem decide abandonar a Universidade de Hudson e voltar para Gotham City, encerrando o namoro com Jennifer Ann também.

A partir do número 496, Detective Comics voltou a ser uma revista normal, com uma história principal do Batman e uma segunda, mais curta, da Batgirl.

A Volta dos Titãs… Por Pouco Tempo

Com o sucesso momentâneo das aventuras solo do Robin em Detective Comics e suas aventuras com a Batgirl em Batman Family, a DC Comics se animou para movimentar de novo seu cast juvenil. Assim, a revista The Teen Titans foi revivida a partir de novembro de 1976, retomando a numeração a partir de 44, e com periodicidade mensal pela primeira vez. A estreia foi escrita por Paul Levitz, mas depois, os roteiros passaram a Bob Rozakis; enquanto a arte contou com Pablo Marcos, Irv Novik, Juan Ortis e vários outros.

Nessa curta etapa, os Titãs ganharam novos membros, com o novo Guardião, Bumblebee (uma inovação, já que eram um casal de jovens afrodescendentes, embora ela fosse um tipo de imitação da Vespa da Marvel Comics) e a antiga Arlequina/ Duela Dent (não a namorada do Coringa que todos conhecem).

Contudo, as histórias não emplacaram e a revista seria logo cancelada, em Teen Titans 53 de fevereiro de 1978.

Parceiro Ocasional do Batman

Apesar da Dupla Dinâmica ter sido oficialmente encerrada nas histórias de 1969, claro que ao longo da década de 1970 Batman e Robin agiram juntos várias vezes. Os roteiristas usavam como desculpa as férias de verão, quando Dick deixava New Carthage e voltava a Gotham City, como desculpa para reuniões mais ou menos anuais entre os velhos parceiros, como em Batman 222, de junho de 1970: a famosa história em que investigam a morte de um músico famoso, fazendo uma referência ao boato de que Paul McCartney havia morrido, tão popular na época e na qual a banda da história é retratada como os Beatles de 1967.

Outro recurso bastante utilizado no período era o Robin terminar sendo sequestrado por algum vilão – como em Detective Comics 408 pelo Dr. Tzin-Tzin e na clássica aventura que introduziu Rãs Al Ghul em Batman 232; e também pelo Juiz em Detective Comics 441 – e precisar do Batman para salvá-lo, o que era uma situação curiosa, já que depunha contra a habilidade do adolescente prodígio.

Outra famosa reunião foi em Detective Comics 472 quando a dupla dinâmica luta contra os homens-monstros do Dr. Hugo Strange, dentro da aclamada fase de Steve Englehart e Marshall Rogers.

O Robin da Terra 2

A Era de Prata dos Quadrinhos é marcada a partir do momento em que a DC Comics criou uma nova geração de heróis baseados em outros mais antigos, na segunda metade da década de 1950, como Flash, Lanterna Verde e Gavião Negro. Mas a memória dos heróis antigos permaneceu e não demorou para que voltassem a ser usados.

As histórias do Flash mostraram que o herói dos anos 1940 (Jay Garrick) vivia em uma dimensão paralela. Logo se consolidou a visão de que esta era a Terra 2, enquanto os heróis principais da DC viviam na Terra-1 e, então, as aventuras da Liga da Justiça começaram a mostrar viagens extradimensionais nas quais os heróis das duas Terras começavam a se encontrar.

Mas se as antigas versões de Flash e Lanterna Verde – juntamente com heróis mais antigos que não foram modernizados, como Homem-Hora, Doutor Meia-Noite e Senhor Destino – estavam na Terra 2 e atuavam na época da II Guerra Mundial, o que dizer de Batman, Superman e Mulher-Maravilha que também tiveram histórias no mesmo período e continuavam em ação juntos aos heróis contemporâneos?

Então, se criou a noção de que a Terra 2 também tinha versões de Superman, Mulher-Maravilha e Batman e Robin que eram mais velhos, porque tinham iniciado suas carreiras na época da Guerra.

O Robin da Terra 2 estreou em Justice League of America 55, a revista da Liga da Justiça, ostentando um uniforme que era uma combinação das roupas dele e do Batman. Mas o Robin da Terra 2 continuaria a aparecer em aventuras futuras, criando-se um universo no qual Bruce Wayne tinha morrido e Dick Grayson adulto era um advogado formado usando um uniforme mais sério do Robin.

As histórias da Sociedade da Justiça, situadas na Terra 2, foram mostradas nos anos 1970 na revista Adventure Comics (antiga casa do Superboy), em tramas escritas por Paul Levitz, e legaram uma série de personagens que começaram a ganhar aventuras próprias, como a Poderosa e a Caçadora, que era Helena Wayne, a filha de Bruce Wayne com Selina Kyle, a Mulher-Gato.

Por exemplo, o Robin da Terra 2 teve uma aventura conjunta com o Batman da Terra 1 em The Brave and the Bold 182, de 1982.

O Fim da Dupla Dinâmica

Dando continuidade ao fim das histórias solo do Robin publicadas em Batman Family e depois em Detective Comics, a comemorativa Batman 330, de dezembro de 1980, trazia a ruptura final entre Batman e Robin. Numa história escrita por Marv Wolfman e desenhada por Irv Novick, Robin volta a Gotham City depois de ter abandonado a universidade apenas para enfrentar uma grande onda de crimes, já que um chefão do crime condenado à morte oferece uma recompensa de 1 milhão de dólares a quem matar Batman e Robin.

A Dupla Dinâmica se reúne outra vez para enfrentar os bandidos que querem matá-los – também ao filho de Lucius Fox, Tim, que está envolvido com uma gangue de punks que querem explodir a Wayne Tower – mas é notório que as coisas não estão bem entre os dois: Dick não aceita ser comandado como se fosse um menino; e Bruce não aceita que ele tenha abandonado a universidade. A chegada de Talia Head (filha do vilão Rã’s Al Ghul e ocasional namorada do homem-morcego) para auxiliá-los apenas piora as coisas, pois Robin suspeita que ela tem intensões escusas.

No fim, de volta à Batcaverna, Bruce e Dick têm uma grande discussão, que aponta que o fim da Dupla Dinâmica está próximo. A fim de investigar Talia, Robin pede a ajuda da Mulher-Gato, que vem tentando se regenerar de seu passado de crimes, como se vê em Batman 332.

A aliança entre Robin e Mulher-Gato é apenas a deixa para que a dupla estrelasse uma pequena história secundária em Batman 333, (e também por Wolfman e Novick) quando vão à Shangai, na China, ajudar o espião Kingsley “King” Faraday em um caso especial relacionado à aventura anterior; que resulta na dupla reencontrando Batman e Talia na edição seguinte e culminando numa batalha “final” contra Rã’s Al Ghul em Batman 335, de maio de 1981.

Os Novos Titãs

A saída da Universidade de Hudson e sua ruptura gradual com o Batman era apenas a deixa para um novo momento na vida de Dick Grayson: a reformulação de seu antigo grupo, agora os Novos Titãs. O público recebeu um pequeno teaser do que seria o novo grupo em DC Comics Present 26, de outubro de 1980, na qual Robin vai a Nova York e ajuda a polícia a combater um terrorista que invadiu os Laboratórios STAR, mas tem uma visão (do futuro) dele agindo junto aos Novos Titãs, trazendo novo heróis que ele não conhece, como Ciborgue, Ravena e Estrelar ao lado de rostos conhecidos, como Kid Flash, Moça-Maravilha e Mutano (Beast Boy que mudou para Changeling).

The New Teen Titans 01 chegou em novembro de 1980 com roteiro de Marv Wolfman e arte de George Perez, quando os velhos amigos Robin, Kid Flash e Moça-Maravilha se unem aos novatos Ciborgue, Ravena, Estrelar e Mutano, dando origem aos Novos Titãs.

Era a tentativa de oxigenar a DC Comics com coisa nova em vista da persistente crise que a editora vivia. Novos Titãs era uma revista jovem, dinâmica e ousada, espelhada nos X-Men de Chris Claremont e John Byrne que faziam imenso sucesso na Marvel na mesma época. E deu super-certo. The New Teen Titans não foi apenas um grande sucesso, mas se tornou a revista mais vendida da DC Comics na primeira metade dos anos 1980.

Os Jovens Titãs dão lugar aos Novos Titãs.

Wolfman já tinha plena experiência escrevendo histórias do Batman e do Robin e tinha um passado longo com a Marvel (na qual foi editor-chefe e escritor do Homem-Aranha), enquanto Perez também vinha da Casa das Ideias, onde passara os últimos seis anos desenhando os Vingadores. A dupla imprimiu uma série de ação ininterrupta, com grande caracterização dos personagens, o desenvolvimento de dilemas juvenis e grandes histórias, introduzindo uma série de novos personagens, como o vilão Exterminador (Deathstroke), que se tornaria um dos mais importantes da DC.

Nas tramas, vemos Dick procurando seu próprio espaço ao mesmo tempo em que se dá conta de seu amadurecimento – afinal, ele é representado como alguém entre 19 ou 20 anos de idade. Também é ressaltada a grande capacidade dele como líder dos Novos Titãs e o protagonista absoluto do título em uma sequência de histórias que marcou profundamente aquela geração e constitui um dos grandes momentos da editora nas últimas décadas.

Amadurecimento

Apesar de estar nos Novos Titãs e em geral afastado e com as relações estremecidas com o Batman, Robin ainda continuou aparecendo de vez em quando para dar o ar da graça – o que significa dizer que chegou o ponto (curioso se visto nos dias de hoje) em que colocar o adolescente prodígio na capa de uma história do cavaleiro das trevas aumentava as vendagens por causa do sucesso de seu grupo paralelo.

Por exemplo, Detective Comics 503, de julho de 1981, por Gerry Conway (outro escritor vindo da Marvel) e Don Newton, mostra Alfred pedindo a ajuda do Robin para desintoxicar o Batman da toxina do Espantalho.

Era apenas o gancho para Robin voltar a ter aventuras solo em histórias secundárias a partir de Batman 337, também por Conway e Newton, na qual Dick Grayson é convidado por um antigo amigo palhaço a ir se apresentar como trapezista no Circo Hill apenas para se deparar com uma investigação de homicídio que, na edição seguinte, descobre ter sido um suicídio. E na edição 339, Conway e Irv Novick recontam a origem do Robin enquanto Dick se apresenta no trapézio e relembra sua história.

As histórias solo de Robin continuaram em Batman 341, por Conway e Trevor Von Eeden com o rapaz prodígio retornando a Gotham City após sua experiência no Circo Hill e vivendo algumas aventuras contra criminosos, demônios e traficantes de drogas; mas ele retoma a parceria com Batman em Batman 344, por Gerry Conway e Gene Colan (estreando na revista) de fevereiro de 1982, quando ajuda o homem-morcego a sair das garras da Hera Venenosa e seu capanga monstro-árvore, numa trama que mostra uma disputa pela diretoria da Wayne Enterprises e traz o retorno da fotógrafa Vicki Valle (que havia aparecido pela última vez em Detective Comics 320, de 1963).

Batman e Robin na bela arte de Gene Colan.

Na aventura, Dick diz a Bruce que após suas aventuras solo percebeu que precisava de um parceiro e propõe que a Dupla Dinâmica regresse, o que seu tutor acata feliz. Era um estratagema da DC para tentar alavancar as vendas das revistas do Batman que, por sinal, a partir deste ponto, começaram a se tornarem continuadas, ou seja, as tramas de Batman migravam para Detective Comics e desta de volta para a outra continuamente; equivalendo ao homem-morcego ter “uma” revista quinzenal. Para isso, ambas eram escritas por Gerry Conway, mas com Gene Colan na arte de Batman e Don Newton na de Detective Comics.

Detective Comics 511 mostra Dick decidindo retomar os estudos, mas indo agora para a Universidade de Gotham, de modo a tornar o trabalho com o Batman mais fácil, e na faculdade conhece e se apaixona por Dala, uma mulher extremamente atraente. Mas ela era uma vampira a serviço do Monge e a dupla dinâmica precisa combatê-los, numa trama que se desenvolve pelas duas revistas e vai terminar em Detective Comics 518. Era um prato cheio para Gene Colan, que fez fama nos anos 1970 desenhando as sombrias histórias de Drácula para a Marvel.

O curioso dessa trama é que era um remake da história publicada em Detective Comics 33, de 1939. Nesse intermédio, Bruce e Dick retornam à Mansão Wayne em Batman 348, após o herói viver na Wayne Tower por 12 anos, desde 1969.

Gestando um Substituto

Após a dupla dinâmica enfrentar as voltas de Rã’s Al Ghul (Batman Annual 8) e Hugo Strange (Batman 356), um evento importante mudaria o rumo de Dick e do Robin: a aparição de Jason Todd, aquele que seria o Segundo Robin.

Em meio à ascensão de um novo chefe do crime chamado Crocodilo, em Batman 357, de março de 1983, por Conway e Newton, Dick Grayson atende ao convite de um amigo de ir ao Circo Sloan em Nova Jersey na qual conhece a família de trapezistas Todd, os pais Joseph e Tina e o filho Jason Todd, que são bastante habilidosos. Dick descobre que o circo está sendo chantageado pelo Crocodilo e vê a sua história se repetir, então, se oferece para ajudar os Todds e o circo.

Mas em Detective Comics 526, de maio de 1983 – que celebrava os 50 anos de publicação do Batman – Dick leva Jason para a Mansão Wayne como forma de protegê-lo, mas os pais dele tentam ajudar contra a chantagem. Ao mesmo tempo, ocorre uma fuga em massa do Asilo de Arkham e todos os inimigos do Batman, incluindo o Coringa, estão soltos. Então, a Batgirl vai à Mansão e pede a ajuda de Dick, revelando que ela (de novo) sabe a identidade secreta deles (afinal, ela é uma detetive). Robin e Batgirl vão em busca dos bandidos e descobrem o esconderijo do Crocodilo no Gotham Zoo, mas quando chegam lá, descobrem que o criminoso matou Joseph e Tina Todd. Enquanto isso, Jason, sozinho na Mansão procura a cozinha para fazer um lanche, mas sem querer encontra a entrada secreta da Batcaverna e deduz que Bruce Wayne é o Batman e pega um uniforme de Dick dos tempos dos Grayson Voadores.

Jason Todd com o uniforme dos Greyson Voadores.

Depois, Batman, Mulher-Gato e Talia chegam à caverna e saem no Batmóvel para a ação e Jason vai pendurado escondido pelo lado de fora. Quando os heróis confrontam os bandidos, o Coringa e o Crocodilo, Robin revela aos demais que o Crocodilo matou os Todd e um enfurecido Jason uniformizado sai enlouquecido contra o vilão, ajudando Batman a vencê-lo. De volta à caverna, Dick se sente culpado pela morte dos Todds e se oferece para adotar Jason, mas Bruce intervém e assume ele próprio a custódia do garoto, como tinha feito com Dick anos antes.

Era a deixa para que viesse a surgir um novo Robin.

De Robin a Asa Noturna por George Perez.

Surge o Asa Noturna

Embora Robin fosse um ótimo líder para os Novos Titãs, sempre pesava para ele o fato de ser conhecido por todos como o parceiro mirim do Batman, por isso, Dick decidiu que deveria ter uma nova identidade para si. Então, depois de completar uma missão bem sucedida com os Titãs em The New Teen Titans 39, de fevereiro de 1984, sempre pela dupla explosiva de Marv Wolfman e George Perez, Dick anuncia aos colegas que está deixando o time para ir em busca de sua nova identidade.

Enquanto a revista mudava o nome para Tales of Teen Titans no número 41, a edição 42 dá início ao arco Contrato de Judas, na qual enquanto os Titãs enfrentam a Igreja do Sangue, descobrem que seu maior inimigo, o Exterminador, sabe de todos os segredos deles, pois infiltrara uma espiã na equipe: Terra, sem que eles soubessem. Na edição 43, Dick está em seu apartamento quando é atacado pelo Exterminador, que vem decidido a matá-lo. Mesmo em roupas civis, ele consegue escapar em meio à multidão de Nova York, mas precisa descobrir como o vilão sabe quem ele é.

Encontrando uma aliada que lhe conta toda a origem de Slade Wilson, o Exterminador, Dick volta à Torre Titã e assume um novo nome e uniforme: Asa Noturna (Nightwing) em Tales of Teen Titans 44. O uniforme criado por George Perez, sem dúvidas, envelheceu mal, com sua combinação de circo e discoteca, mas era um passo importante de Grayson assumindo um papel totalmente diferente dentro do Universo DC.

A primeiríssima aparição do Asa Noturna.

Na conclusão de O Contrato de Judas, em Tales of Teen Titans Annual 03, Terra se sente desprezada pelo Exterminador e decide matar todo mundo – os Titãs e ele também – mas enlouquecida de raiva, termina matando a si própria ao fazer desabar uma montanha de terra sobre si mesma. Em seu funeral, os Renegados – um grupo de jovens heróis que fora treinado pelo Batman – comparecem, pois Terra era irmã de Geoforça, mas os Titãs o deixam acreditar que ela morreu heroicamente.

A origem do nome Asa Noturna vinha de bem longe, nas antigas histórias do Superman. Em Superman 158, de 1963, o homem de aço e seu amigo, Jimmy Olsen, vão parar dentro de Kandor, a cidade kryptoniana que foi encolhida e colocada dentro de uma garrafa por Brainiac. Sem ter poderes lá, o Superman termina perseguido como um fora da lei, então, inspirado em Batman e Robin, assume a identidade de Asa Noturna para si e Pássaro Flamejante para Jimmy (Nightwing & Flamebird). A dupla regressou em Superman’s Pal: Jimmy Olsen 69, publicada seis meses depois; e em World’s Finest 143, de 1964, Batman e Robin vão parar em Kandor ao lado de Asa Noturna e Pássaro Flamejante.

O Asa Noturna “original”, o Superman disfarçado, ao lado de Jimmy Olsen como Pássaro Flamejante.

Dick lembrava com carinho dessa aventura e decidiu usar o nome de Asa Noturna, deixando o Robin para trás.

As histórias dos Titãs prosseguiram ao longo de toda a década de 1980 em vendas altas e a fase original de Wolfman e Perez manteve Asa Noturna como o centro e o coração da revista.

O Novo Robin, Jason Todd

Como Dick Grayson se tornou o Asa Noturna, tornou-se natural que Jason Todd se tornasse o novo Robin. As histórias já vinham preparando para isso e Jason estava ansioso em ocupar o lugar de parceiro do Batman, tanto que quando Batman precisa ir à Guatemala enfrentar o Coringa, Jason o segue e, usando o uniforme de Dick, surpreende a todos – Batman, Coringa e Vicki Valle – com a volta do Robin.

Jason veste o uniforme de Robin pela primeira vez na Guatemala.

Mas Batman fica possesso de raiva, condenando que Jason tenha “roubado” a identidade de outra pessoa. Então, Jason volta a usar a roupa dos Greyson Voadores por um tempo e, enquanto pensam num novo nome para ele usar, derrotam a Hera Venenosa, em Detective Comics 534. Inclusive, Batman acha que Jason a nocauteou com brutalidade demais, iniciando a abordagem que se seguiria nos anos seguintes de Todd ser mais violento e brutal e com um temperamento mais volátil do que seu antecessor.

Mas antes de chegarem a decisão sobre que nome usar, em Batman 368, de fevereiro de 1984, ao mesmo tempo em que O Contrato de Judas era publicado, e trazendo roteiro de Doug Moench e arte de Don Newton, Dick Grayson aparece na Batcaverna, alegando que viu as notícias de que Batman e “Robin” haviam prendido o Coringa, e entrega oficialmente o uniforme e a permissão para que Jason Todd se torne o novo Robin.

Dick diz para Bruce: “Eu aprecio sua preocupação, Bruce, mas ele não está roubando minha identidade. Eu estou lhe dando a permissão para isso”, passando oficialmente a tocha para Jason se tornar o novo Robin.

Importante para o futuro, enquanto Jason sai para vestir o uniforme, Bruce e Dick trocam palavras gentis entre si, destacando a importância de um para a vida do outro. Jason Todd aparece com a roupa e, a partir de então, é o Segundo Robin ou Robin II. Bom, para os fãs. As histórias deixam implícito que o público não percebeu que é um novo Robin. Isso é interessante porque deixava a entender que Jason fosse apenas um pouco mais jovem do que Dick, o que refletia a forma como ele era desenhado. Ainda assim, a capa de Batman 368 (por Ed Hannigan) o faz parecer um menino e a chamada da capa ressalta que o “Boy Wonder” está de volta, não o Teen Wonder, colocando Robin de volta a uma idade mais no início da adolescência, a despeito das aventuras anteriores mostrarem Jason aparentando uns 16 anos.

Apesar das grandes coincidências nas origens de Dick Greyson e Jason Todd, os roteiristas de Batman – Doug Moench em particular – foram suficientemente hábeis em garantir alguma especificidade ao segundo, como um jovem mais impulsivo, mais questionador e até problemático. Em Batman 368, por exemplo, quando assume o uniforme de Robin, Jason percebe que não terá uma identidade própria, mas Bruce o convence mostrando que ele estava herdando um incrível legado.

Rapidamente, o Robin II estaria ocupando o lugar do antigo em suas aventuras, como em Batman 390, quando age ao lado da Mulher-Gato e Nocturna, mas numa situação mais conflitiva.

As tramas seguintes desenvolvem Jason Todd como personagem, inclusive, lhe dando uma vida pessoal e uma namorada, Rena, porém, diferente da Era de Ouro e da de Prata, Robin não aparecerá em todas as edições, vindo a estrelar de modo alternado ou quando é conveniente. Isso inclusive foi usado nas próprias histórias com Bruce e Jason chegando a discutir o tema.

A Mulher-Gato também cumpre um papel mais presente, como outra parceira do Batman no combate ao crime, em histórias escritas por Doug Moench e desenhadas por Gene Colan (Detective Comics) e por Don Newton (que faleceu nessa época), Rick Hoberg, Paul Gulacy e Tom Mandrake (em Batman).

Outra característica dessa fase é mostrar Bruce Wayne como uma figura mais paternal para Jason do que fora com Dick no passado, inclusive, com brincadeiras infantis – o que chega a ser bizarro, ver uma “criança” que sai à noite combatendo criminosos, brincando como uma criança.

Essa fase se encerra em Batman 400, de outubro de 1986, numa edição comemorativa com vários desenhistas convidados.

A Robin Carrie Kelly

Quando Dennis O’Neil voltou à DC Comics, agora como editor dos títulos do Batman, decidiu criar coisas mais ousadas. Daí trouxe seu grande amigo Frank Miller para escrever uma grande história. Miller começou a carreira como desenhista e ganhou os holofotes na Marvel, onde desenhou uma história do Homem-Aranha substituindo o artista oficial e agradou ao público. Logo, ele foi para a revista Daredevil do Demolidor, que vivia uma fase difícil, mas ao assumir também os roteiros da revista em 1979 criou uma incrível revolução nos quadrinhos, com sua abordagem adulta, sombria, violenta e impressionante, tornando a revista do Demolidor uma das mais vendidas da editora. Quando saiu, em 1983, Miller era o nome mais quente da indústria.

“O Cavaleiro das Trevas”: para muitos a melhor história do Batman.

Na DC, Miller criou a minissérie The Dark Knight’s Returns (Batman: O Cavaleiro das Trevas, no Brasil), publicada em quatro capítulos, a partir de junho de 1986. A trama mostrava um Bruce Wayne de 55 anos de idade, que deixou de ser o homem-morcego há 10 anos “por causa do que aconteceu com Jason” (ficando subtendido que o Robin II morreu em ação). Mas uma nova onda de violência obriga o idoso Wayne a regressar como Batman numa luta ensandecida para garantir a ordem. Para piorar, o cavaleiro das trevas é considerado um criminoso e o Governo dos EUA coloca todos em seu encalço, inclusive, o Superman.

No meio disso tudo, Batman conhece Carrie Kelly uma garota esperta que insiste para ser a nova Robin. Mas como se passa no futuro, a história não é canônica para a cronologia do Batman.

A minissérie fez um enorme sucesso e foi aclamada como uma obra de altíssima literatura, sendo a primeira vez que uma HQ foi levada à sério mesmo nos elevados circuitos literários. A HQ também causou uma verdadeira revolução, dando início à Era Sombria dos Quadrinhos.

A Crise

A partir da segunda metade dos anos 1970, o mercado de quadrinhos entrou em sua maior crise até então. As vendas baixaram e a mudança do sistema de vendas em bancas para a venda exclusiva nas comic shops só piorou as coisas. Entre 1976 e 1978, a DC Comics foi obrigada a reduzir drasticamente sua linha de revistas, de modo que o momento ficou conhecido como DC Implosion, como visto nos cancelamentos de Batman Family e The Teen Titans. O nível chegou ao ponto da Warner Bros. – dona da editora desde 1969 – cogitou vender a editora para a Marvel em 1984, movimento que foi impedido pelo sistema de proteção anti-truste dos EUA. Embora The New Teen Titans ou Tales of New Titans vendesse muito bem, sendo o maior sucesso da editora, não era o suficiente para sustentar o demais, com Superman e Batman com vendas em declínio acelerado e personagens como Mulher-Maravilha, Flash, Lanterna Verde à beira do cancelamento.

Então, era preciso mexer as coisas. Nas pesquisas que realizaram, os editores da DC perceberam que um dos grandes problemas da DC era o Multiverso, com heróis repetidos em várias versões, na Terra 1, na Terra 2, na Terra 3 etc. em tempos diferentes e se encontrando muitas vezes sem grandes explicações. Daí nasceu a saga Crise nas Infinitas Terras, não por coincidência criada por Marv Wolfman e George Perez, a dupla dos Titãs, na qual os heróis enfrentam a ameaça cósmica do Anti-Monitor, que quer destruir a realidade, o que era a desculpa para que emergisse uma nova DC com um único universo. Ou seja, apenas um Superman, apenas um Robin, tudo organizado de modo coerente. O que não fosse, seria descartado.

Supergirl é morta em “Crise das Infinitas Terras”, na bela arte de George Perez.

Crise nas Infinitas Terras foi publicada como uma maxissérie em 12 capítulos entre 1985 e 1986, e ao fim, cabia aos editores, escritores e desenhistas reconstruir a cronologia dos heróis da DC. Daí, John Byrne (uma das maiores estrelas dos quadrinhos da época) sair da Marvel e ir para a DC para construir a nova cronologia do Superman; e George Perez (assumindo também os roteiros) reformulando a Mulher-Maravilha.

Para o Batman, o escritor Dennis O’Neil – que também estava na Marvel, onde escreveu Homem-Aranha, Demolidor e Homem de Ferro – foi trazido de volta à DC, mas agora, com o cargo de editor das revistas do Batman e responsável de reconfigurar o homem-morcego na nova fase. O’Neil se sentou em uma mesa com um time de escritores como Jim Starlin (também vindo da Marvel), Mike W. Barr, Frank Miller (outro da Marvel, que fez fama ao revolucionar o Demolidor) e Marv Wolfman (que também era editor das revistas do Superman) para realinhar a cronologia do Batman. O time definiu alguns elementos básicos do que seria o personagem pós-Crise:

  • Batman devia ter uma abordagem séria, sombria e urbana, com poucas “saídas” mais fantasiosas.
  • O cavaleiro das trevas agiu sozinho no início de sua carreira (os Anos Um e Dois) e a parceria com o Robin só se formou no Ano 3.
  • Não houve significativas mudanças à origem do Batman e de Robin tal qual mostradas nos anos 1930.
  • Dick Grayson teria 12 anos quando se tornou o Robin e a dupla teria agido por 6 anos.
  • Portanto, Batman estava no Ano 10 mais ou menos.

Essas mudanças seriam contadas gradualmente nas revistas. Os efeitos dos eventos da saga Crise nas Infinitas Terras começaram a aparecer na revista Batman 339, mas de modo quase subliminar. Batman 392, de fevereiro de 1986, já se passa após o fim da saga, mas os efeitos da mudança da cronologia só viriam um pouco mais tarde, a partir de Batman 401, escrita por Barbara Kessel e desenhada por Trevor Von Eeden, que vincula pela primeira vez as tramas do cavaleiro das trevas com o universo pós-Crise, a minissérie Lendas, que introduz o vilão Darkseid à esta realidade e em consequência a nova Liga da Justiça.

Arte de Jim Starlin.

Mas essa nova fase começa mesmo em Batman 402, escrita por Max Allan Collins e desenhada por Jim Starlin. A partir de então, percebe-se que as histórias do cavaleiro das trevas tendem mais a temas adultos e sombrios, mostrando o Comissário Gordon sofrendo uma concorrência no Departamento de Polícia; Batman sendo perseguido pela polícia, que pensa que ele matou um criminoso; e Bruce e Jason discutindo a ética de matar ou não um criminoso. Jason questiona qual é o problema em matar um criminoso; e Bruce insiste que ele não é um matador e Jason diz: “mas você já matou antes”, e Bruce responde que apenas em autodefesa e que essa é uma linha que não devem cruzar.

Conheça a Cronologia do Batman pós-Crise nas Infinitas Terras em detalhes neste post especial do HQRock.

O Retcon da Origem de Jason Todd

A cronologia da DC Comics foi alterada pela Crise nas Infinitas Terras e trouxe novas origens e diversas alterações aos personagens da editora, como fica patente na minissérie Superman: O Homem de Aço, escrita e desenhada por John Byrne. No caso do Batman, as mudanças foram menos radicais, realizando mais uma organização da cronologia do herói, como já dito, porém, algumas coisas foram mudadas, como a eliminação da existência da Batwoman e da primeira Batgirl (que não era Barbara Gordon), que foram publicadas no final da década de 1950. Também foram esquecidas as aventuras mais extravagantes, recheadas de ficção científica, da década de 1950.

Cena de Ano Um por Miller e Mazzucchelli: origem definitiva.

Para dar um clima à essa nova contextualidade, a revista Batman foi temporariamente interrompida em seu fluxo, passando a publicar histórias situadas no passado para refirmar a nova cronologia. Daí, entre Batman 404 e 407, de fevereiro a maio de 1987, foi publicada a história Batman: Ano Um, escrita por Frank Miller e desenhada por David Mazzucchelli, que mostra o primeiro ano de Bruce Wayne como Batman, em uma Gotham poluída, decadente e corrupta. Mas apesar de mostrar a Mulher-Gato como uma ex-prostituta e James Gordon como um policial incorruptível de Chicago que chega em Gotham como tenente e detetive entrando em choque com a corrupção; a história não é uma ruptura radical com as histórias do personagem e nem com a origem criada por Bob Kane e Bill Finger no fim dos anos 1930.

Porém, uma coisa que foi alterada de modo algo radical foi a origem de Jason Todd.

Batman 408 e 409, com textos de Max Allen Collins e arte de Chris Warner e Ross Andru, respectivamente, trazem a nova origem de Jason Todd, que é totalmente diferente: agora, ele parece mais jovem (de novo na casa dos 12 anos), e não é de uma família de trapezistas; mas um jovem órfão de mãe, cujo o pai é um criminoso (na gangue do Duas Caras), e que vive meio que sozinho na região do Beco do Crime (uma parte de Gotham, velha e decadente, em cujo beco morreram Thomas e Martha Kent, mas que terminou por nomear toda a região do entorno) e rouba pneus de carros e os vende como forma de sobreviver.

Nesse contexto, Jason rouba os pneus do Batmóvel e Batman vai atrás dele, mas termina se solidarizando com a situação do garoto e o adota, mas o percebe rebelde e sem rumo, e pensa que transformá-lo em um novo Robin seria uma boa ideia, o que ocorre em Batman 410, agora com desenhos de Dave Cockrum.

Era um movimento ousado da DC em desconsiderar toda uma série de histórias que haviam sido publicadas há pouquíssimo tempo. Um detalhe é que, nas aventuras originais, Jason era ruivo e pintava o cabelo de preto para ser o novo Robin, mas na nova versão o jovem passa a ostentar o cabelo preto desde o início.

O arco mostra Batman e o Robin II enfrentando o Duas Caras, numa sequência em que Jason, descobre que o vilão matou seu pai. O evento preocupa o Batman, em vista que Jason é mais “enérgico” do que fora Dick, mas em Batman 411, quando capturam Harvey Dent, Jason está furioso e querendo vingança, mas se contém.

O Retcon da Origem do Asa Noturna

Uma nova e sensacional fase nas revistas do Batman começa em Batman 414, de dezembro de 1987, com o roteiro de Jim Starlin (que havia desenhado a revista há pouco tempo) e arte de Jim Aparo, o veterano artista que desenhara o homem-morcego na revista The Brave and the Bold e depois em The Outsiders (Os Renegados). Starlin era uma estrela na época: começara a carreira na Marvel Comics e logo se mostrou que era um desenhista que também escrevia; criando o vilão Thanos e toda a saga ao seu redor, nas aventuras do Capitão Marvel e de Adam Warlock, mas agora migrava para a DC para produzir uma profícua fase do cavaleiro das trevas.

Bela capa de Jim Aparo para Batman 415.

A estrela de nosso post é Dick Grayson, não é mesmo? Batman 416 traz a nova origem de Asa Noturna na realidade pós-Crise. Claro, tendo em vista que foi a dupla de Novos Titãs, Marv Wolfman e George Perez, quem criou a Crise nas Infinitas Terras, o evento mudou muito pouco os Titãs, mas o background da ruptura entre Dick e Bruce Wayne (que condizia às revistas do cavaleiro das trevas) foi alterado significativamente.

Um detalhe é que, com a Crise, todos os outros elementos kryptonianos do universo do Superman foram eliminados – o Superboy, a Supergirl, a cidade engarrafada de Kandor… – e, dessa forma, se tornava impossível que Dick Grayson adotasse o nome Asa Noturna a partir de sua aventura com Batman e Superman em Kandor. Então, ficou estabelecido que Nightwing – um vigilante que combatia o crime – era uma lenda urbana de Krypton, uma história que o Superman contara para Dick quando ele era o Robin.

Na realidade pós-Crise, a saída de Dick Grayson da identidade de Robin foi totalmente alterada. Desconsiderando os eventos narrados acima, Batman 408 – além da citada nova origem de Jason Todd – também recontou como Dick deixou de ser o Robin: Num confronto contra o Coringa, o Robin é baleado e cai de um prédio. Batman não vai em seu socorro, ao contrário, captura o Coringa e só depois vai verificar como Robin está: ele caiu em cima de uma pilha de lixo que salvou sua vida. Mas a imprensa, que testemunhou o fato, noticia que o rapaz prodígio está morto, e na Batcaverna, Bruce diz ao seu pupilo que vai se aproveitar da notícia para encerrar sua carreira como Robin. Dick fica furioso e vai embora, ficando subtendido que dali irá se tornar o Asa Noturna.

O fato de Robin atuar nos primeiros tempos dos Novos Titãs antes de se tornar o Asa Noturna não é explicado de imediato.

Assim, em Batman 416, os caminhos dos dois Robins se cruzam para delimitar essa nova origem. Na trama, o Robin II ataca uma gangue de traficantes de drogas em seu esconderijo, e o Asa Noturna aparece na cena: mostrando que como o carregamento das drogas não havia chegado, a ação precipitada de Jason fizera com que os bandidos não pudessem ser presos, pois não havia provas. Nessa nova realidade, Jason não reconhece Dick e conta a história de modo confuso para Bruce Wayne, que lhe diz que o Asa Noturna é seu antecessor no papel do Robin, o que enche Jason de insegurança, com medo de que Dick tenha vindo tomar o seu lugar.

O difícil diálogo entre Bruce e Dick pós-Crise, por Jim Starlin e Jim Aparo.

Mais tarde, o Asa Noturna aparece na Batcaverna para uma conversa com Bruce. Essa é a primeira vez que Dick aparece na revista desde a edição 368 (que introduziu o Robin II na realidade pré-Crise), portanto, sua primeira aparição nas revistas do Batman na nova realidade. A história de Starlin e Aparo mostra que Bruce não quer papo, mas Dick insiste.

As relações entre os dois está bem abalada e o diálogo também deixa claro que Dick tinha 12 anos de idade quando se tornou o Robin e que a Dupla Dinâmica durou 6 anos. Bruce diz que “demitiu” Dick para que ele tivesse uma vida própria, mas o rapaz o acusa de insensível, pois a vida que tinha era aquela e não tinha lugar para ir; e afirma que esse é o modus operandi do Batman: afastar todo mundo que chega perto demais para machucá-los antes que eles o machuquem. Sem dúvidas um exemplo da seriedade e maturidade dos quadrinhos pós-Crise.

Mas a conversa traz uma questão: se Dick foi demitido porque Batman não admitia que um “garoto” combatesse o crime (Dick teria, portanto, quase 20 anos de idade); como agora teria recrutado um menino de 12 anos para ser o novo Robin? Isso deixa claro que, diferente da pré-Crise, não havia agora nenhuma relação prévia entre Dick e Jason, e os dois eram dois estranhos, com Jason surgindo quase como um artifício de Bruce para atingir Dick de algum modo.

No final da conversa, Bruce tenta dar várias explicações para o fato, mas termina que admitir que recrutou Jason porque sentia a falta de Dick, mas ao fazer isso, pede que Dick vá embora. A história deixa claro que as relações entre Bruce e Dick são bastante tensas e assim permanecem.

A Morte de Jason Todd

O editor Dennis O’Neil e os roteiristas Jim Starlin e Jo Duff (que escrevia Detective Comics) se esforçaram para dar uma personalidade diferente para Jason Todd, tornando-o um garoto mais “esquentado”, mas no fim das contas, o público terminou criando um tipo de antipatia pelo Robin II. E a espiral do jovem continuaria.

Batman 417 a 420, ainda por Jim Starlin e Jim Aparo, de março a junho de 1988, apresentaram uma das histórias mais lembradas dessa época, As 10 Noites da Besta, na qual um misterioso superespião soviético aterroriza Gotham e Batman precisa enfrentar o KGBesta, um inimigo quase invencível.

Robin II surra um criminoso quase até a morte e é impedido pelo Batman. Arte de Mark D. Bright.

Mas em seguida, um momento de virada: com o Robin II ficando cada vez mais nervoso e descontrolado. Em Batman 422, por Starlin e com desenho de Mark D. Bright, quando a dupla dinâmica põe as mãos em uma quadrilha que perseguiam há algum tempo, Robin surra um dos criminosos e Batman precisa pará-lo para que não o mate. “Não seria uma grande perda, não é?”, Jason responde.

A cena da queda: Robin II empurrou ou não? Arte de Mark D. Bright.

Batman 424, por Starlin e Bright, vai mais longe: enquanto investigam um caso de violência doméstica com o filho de um diplomata também envolvido no tráfico de drogas, um impulsivo Robin vai ao encontro do jovem Felipe Garzonas, mas a cena mostra apenas o segundo menino prodígio aterrissando em uma escada de incêndio e, em seguida, Felipe caindo para morte. Batman chega em seguida: o jovem foi empurrado ou caiu? Jason diz que ele escorregou, mas a dúvida paira no ar na cabeça de Bruce e na do leitor.

A consequência vem na edição seguinte, ainda por Starlin e Bright, quando Jose Garzonas, embaixador do fictício país de Bogatoga, é revelado mesmo como um traficante de drogas e usa sua quadrilha para se vingar de Batman e Robin, sequestrando o Comissário Gordon. Os heróis confrontam os criminosos em um ferro-velho, e Garzonas é morto esmagado por uma pilha de carros que desaba. Batman tenta mostrar para Robin que sempre há consequências, mas Jason vira as costas e sai.

Robin II se precipita. Arte de Jim Aparo.

Então, tudo culmina em Morte em Família, o arco que transcorre entre Batman 426 e 429, de dezembro de 1988 a março de 1989, por Jim Starlin e Jim Aparo. Na primeira edição, Robin está descontrolado e – tal qual na aventura com o Asa Noturna meses antes – ataca uma quadrilha de bandidos e destrói semanas de investigação do Batman, pois não havia provas para condená-los.

A ação é a gota d’água e Bruce decide “demitir” Jason da condição de Robin. Triste e sem rumo, Jason vai mexer nas próprias coisas e termina encontrando seus velhos documentos, quando percebe que sua Certidão de Nascimento traz o nome de sua mãe borrado, mas começando com a letra “S”, não podendo ser Catherine Todd como ele pensava. (O pai, Willis morrera nas mãos do Duas Caras na realidade pós-Crise). Jason encontrou um sentido na vida: investigar quem é sua verdadeira mãe.

Enquanto isso, Batman está atrás do Coringa, que fugiu do Asilo de Arkham e as pistas o levam ao Oriente Médio, mesmo local no qual leva a investigação de Jason: culminando com a dupla dinâmica se reencontrando no Líbano e percebendo que estão no mesmo caso. Na Etiópia, encontra a verdadeira mãe: a Dra. Sheila Heywood, uma médica que está sendo chantageada pelo Coringa para auxiliar no contrabando de medicamentos. Mas no fim, quando encurralada, Sheila trai o filho que desconhecia e o Robin é capturado pelo Coringa.

A cena brutal da morte de Robin na arte de Jim Aparo.

O Coringa dá uma surra em Jason com um pé de cabra e o deixa praticamente morto no chão, mas ainda deixa Sheila amarrada e uma bomba relógio. Batman corre para resgatá-los, mas não chega há tempo… a bomba explode e Sheila e Jason são mortos. Batman encontra Robin já falecido em meio aos escombros.

Sedento de vingança, Batman quer pegar o Coringa a qualquer custo, porém, numa manobra impressionante, o Aiatolá Khomeini, o líder do Irã, transforma o vilão no embaixador do país para a reunião das Nações Unidas que ocorrerá em Nova York. Batman quer se vingar, mas o Superman tenta lhe manter na linha da lei. Mas na reunião da ONU, o Coringa tenta matar todos com seu gás do riso, algo que é impedido pelo Superman. Na perseguição, o Coringa aparentemente morre na queda de um helicóptero.

Jason Todd não se deu muito bem como Robin. Arte de Jim Aparo.

A morte de Jason Todd foi fruto de uma jogada de marketing da DC Comics: foi promovida uma campanha na qual os fãs podiam ligar para dois números de telefone e escolher se o Robin iria viver ou não. Conforme explicou o editor Dennis O’Neil na última edição da saga, até 15 minutos antes do fim do prazo, os votos a favor do Robin superavam em 38, mas ao fim, a morte venceu por 72 votos de diferença. Desde então, surgiu um rumor de que um único fã programou o dial de seu computador para ligar para o número da morte a cada 90 segundos por 8 horas, o que teria garantido o destino final de Todd. Isso nunca foi confirmado, claro. Na sua coluna mensal, O’Neil disse que ele era o único na redação da DC que acreditava que os votos pela morte iriam ganhar. Starlin e Aparo tiveram que preparar duas versões da história e a DC publicou a vencedora.

Tim Drake, o Robin III.

Tim Drake, o terceiro Robin

Com a morte de Jason Todd, Batman voltou a ser um vigilante solitário, mas embora a DC Comics até gostasse de retratá-lo dessa maneira, nunca foi a intenção deixá-lo sem o Robin por muito tempo. Por isso, enquanto as histórias mostravam o homem-morcego agindo de modo mais violento e impulsivo para justificar seu luto, após uma pequena pausa, já se começou a gestar a aparição do terceiro Robin, Timothy Drake.

Tim Drake e o uniforme de Robin na arte de Jim Aparo.

O jovem, retratado como se tivesse uns 14 anos, apareceu pela primeira vez em Batman 440, outubro de 1989, escrita por Marv Wolfman e George Perez e desenhada por Jim Aparo, compondo o início do arco Um Lugar para Morrer, que alternou Batman 441 e 442 e The New Titans 60 e 61, por Wolfman e Perez. Na trama, o jovem Tim Drake é um hacker de computador e detetive amador que foi um grande fã dos Graysons Voadores após vê-los no Circo Haly quando era apenas uma criança pequena. Com o passar do tempo, Tim foi deduzindo que o Robin era Dick Grayson, e com isso, chegou à identidade do Batman também. Tim se apresenta dizendo que o Batman precisa do Robin – o que vem a calhar quando Alfred, e depois Dick, percebem que Bruce anda mais descuidado e displicente em sua ação por causa do luto por Jason.

Tim diz: “o Batman precisa de um Robin”. E Alfred concorda. Arte de Jim Aparo.

Naquele tempo afastado dos Titãs por um período, Dick se dispõe a fazer um treinamento básico com Tim, mas Bruce se recusa aceitar. Por fim, em meio a um confronto com o Duas Caras, Batman e Asa Noturna precisam da ajuda de Tim para salvá-los, que aparece usando uma roupa de Robin. No fim, Bruce cede e acolhe o rapaz para um longo período de treinamento.

Diferente dos dois Robins anteriores, Tim Drake não veste o uniforme imediatamente, já que os editores e escritores preferiram contar a história “no tempo real” dessa vez, ou seja, o treinamento de Tim foi mostrado ao vivo em cada edição ao longo de um período de vários meses. Tim também tinha um background diferenciado dos demais: vinha de uma família rica, não era órfão, mas filho de de Jack e Janet Drake, era praticamente um vizinho de Bruce Wayne.

O passo decisivo se deu no arco Rito de Passagem, em Detective Comics 618 a 621, de junho a setembro de 1990, por Alan Grant (texto) e Norm Breyfogle (arte), na qual os pais de Tim desaparecem no Haiti e são vítimas de um ritual macabro do Obeah-man. Investigando o caso, Batman os localiza, mas Janet Drake é morta e Jack fica bastante ferido, o que termina por deixá-lo em uma cadeira de rodas. A dor da perda é um estímulo para que Tim queira vestir o uniforme, mas Bruce ainda não permite.

A edição 620 ainda introduziu Lonnie Machin, que teria importância nesse processo: na trama ele é um hacker anarquista que quer realizar um golpe e Tim mostra suas habilidades computacionais para impedi-lo, ajudando Batman apenas pelo computador. Meses depois, Machin se tornaria um anti-herói, o Anarquia.

A temporada sensacional de Grant e Breyfogle migrou em seguida para Batman, a partir da edição 455, onde o amadurecimento de Tim Drake prossegue, quando Gotham sofre um ataque do Espantalho que resultará em Batman sendo capturado e Tim vestindo o uniforme de Robin para salvá-lo em Batman 557, de dezembro de 1990.

A introdução do novo Robin, em Batman 457.

A ação prova a Bruce que Tim está pronto e ele lhe dá um novo uniforme repaginado do menino prodígio, cheio de apetrechos tecnológicos para casar com os novos tempos. O uniforme do Robin III foi designado por Neal Adams, com alguns pequenos ajustes por Breyfogle.

A trama de Drake seguiu, então, para a minissérie Robin, escrita por Chuck Dixon e desenhada por Tom Lyle, começando em janeiro de 1991, na qual Bruce envia Tim para ser treinado com um mestre tibetano em Paris, mas o rapaz termina se envolvendo na luta contra uma gangue e entrando radar de Lady Shiva, a maior lutadora do mundo. A minissérie em 5 edições seria um sucesso.

O Robin de Tim Drake, com sua abordagem de um jovem menos problemático do que fora Jason Todd e uma boa caracterização, fizeram com que se tornasse muito popular. Por isso, em meio à saga A Queda do Morcego (mais abaixo), o Robin III ganhou uma revista solo apenas sua: Robin 01 foi lançada em novembro de 1993, com texto de Chuck Dixon e arte de Tom Grummett, que produziram uma longa e profícua parceria criando o mundo próprio do personagem, no qual combatia vilões como o Mestre das Pistas e conhecia a filha dele, Stephanie Brown, que se tornava a heroína Salteadora, estudando no Gotham Height’s High School e pilotando o Redbird (Pássaro Vermelho), seu próprio “Batmóvel”.

A Queda do Morcego

A saga A Queda do Morcego (Knightfall em inglês) mudou complemente a história do Batman, quando lançada no início dos anos 1990. A DC Comics havia feito um enorme sucesso com a megassaga A Morte do Superman, de 1992, e decidiu seguir essa linha, criando o relativo ao cavaleiro das trevas. Diferente dos arcos de histórias tradicionais, essas sagas transcorriam por períodos de tempo mais largos e envolviam todas as revistas relativas ao universo específico do personagem, que na época se espalhava por Batman, Detective Comics e Batman: Legends of the Dark Knight; mas em médio prazo, o sucesso da empreitada fez nascer novas revistas de personagens coadjuvantes, como a citada Robin e mais Catwoman e Nightwing. Por isso, A Queda do Morcego envolveria, portanto, uma grande miríade de criadores, como os escritores Alan Grant, Doug Moench, Chuck Dixon, Dennis O’Neil; desenhistas como Norm Breyfogle, Jim Aparo, Jim Ballett, Graham Nolan, Kelly Jones, Tom Grummett, Scott McDaniel, Barry Kitson; e muitos outros.

Bane quebra o Batman em A Queda do Morcego. Arte de Jim Aparo.

Knightfall começou em Batman 492, de maio de 1993, e contou a seguinte trama: um novo vilão chamado Bane chega a Gotham City com um único propósito – destruir o Batman moralmente. Combinando astúcia e força bruta sobrehumana, Bane articula um plano ousado que envolve esgotar o homem-morcego (usando uma bomba para libertar todos os criminosos do Asilo de Arkham, obrigando o vigilante a caçar todos os seus piores inimigos, como Coringa, Espantalho, Duas Caras etc.) para pegá-lo cansado o suficiente para derrotá-lo. Quando Batman e Bane finalmente se encontram, o cavaleiro das trevas está tão exaurido que mal pode se defender, então, Bane quebra a coluna do herói, deixando-o paralítico e à beira da morte.

A Queda do Morcego: texto de Chuck Dixon e arte de Graham Nolan.

Os esforços de Alfred Pennyworth, Robin e do novo aliado Azrael, o jovem vigilante Jean-Paul Valley (que havia aparecido pouco tempo antes na minissérie A Espada de Azrael, por Dennis O’Neil e arte de Joe Quesada), Bruce Wayne consegue sobreviver, mas está paralisado. Para que Gotham não fica fragilizada, Bruce tem a ideia de manter o mito do homem-morcego vivo, então, Jean-Paul Valley se torna o novo Batman, para que todos pensem que o herói está vivo e bem. Porém, Valley foi treinado de modo brutal a vida inteira por uma ordem religiosa extrema – a Ordem de São Dumas – que fez uma severa lavagem cerebral nele, então, apesar de ser uma boa pessoa, na medida em que se torna o Batman, sua psique começa a desmoronar e ele vai se tornando cada vez mais instável e violento, ao ponto de virar uma ameaça.

Jean-Paul Valley se torna um Batman violento e assassino. Arte de Kelley Jones.

Mas antes disso acontecer, mesmo em uma cadeira de rodas, Bruce Wayne parte de Gotham em uma missão pessoal para resgatar sua namorada, Shondra Kinsolving, a médica que estava tratando de sua coluna. Sem a presença de Bruce, Valley adota uma armadura que remete à seu uniforme de Azrael e se torna um vigilante sanguinário, afastando todos ao seu redor. Quando Robin é expulso da Batcaverna, em Detective Comics 668, é o estopim para começar sua revista solo, por exemplo.

Asa Noturna contra Jean-Paul Valley.

No fim, Bruce Wayne consegue se curar de seu ferimento e retorna a Gotham para impedir Jean-Paul Valley, no que conta com o auxílio de Robin e Asa Noturna. Note que nessa época Asa Noturna usava seu segundo uniforme, com destaques nas cores amarelas, com uma faixa cruzando o peito e um tipo de asa embaixo dos braços (similares aquelas usadas pelo Homem-Aranha no início da carreira), sem as golas altas e duas tonalidades de azul, no típico exagero dos anos 1990. Também usava os infames cabelos longos que viraram uma febre entre os personagens de HQs, em especial os mais infames ainda mullets.

Batman versus Jean-Paul Valley.

Usando os punhos e o cérebro, Batman termina mostrando a Valley como ele está errado e o jovem se rende, o que ocorre em Batman: Legends of the Dark Knight 63, de agosto de 1994, com roteiro de Dennis O’Neil e arte de Berry Kitson. (Depois de um tempo, Valley se recupera totalmente e vira um aliado de novo, estrelando também sua própria revista, Azrael).

Dick Grayson, o Batman

Terminada A Queda do Morcego, Bruce Wayne decide que ainda não está pronto para continuar como o Batman: ter passado quase um ano em uma cadeira de rodas tirou seu corpo da condição ideal que é necessária para ser o cavaleiro das trevas. Então, vem a saga Pródigo, no qual Bruce convida Dick Grayson para que assuma seu papel como Batman enquanto ele tomará alguns meses para treinar e voltar à velha forma.

A passagem de bastão não é livre das tensões que marcavam a relação entre Bruce e Dick desde o início da fase pós-Crise, porém, é uma nota mais honrada e emocional entre os dois, sendo um primeiro passo para uma quase reconciliação. Dick assumiu a missão com um misto de apreensão e honra.

Dick Grayson se torna o Batman pela primeira vez,

Assim, Dick Grayson passa alguns meses patrulhando Gotham City como o novo Batman, nas revistas Batman 512 a 514; Detective Comics 679 a 681; Batman: Shadow of the Bat 32 a 34; Robin 12 a 13; publicadas durante novembro de 1994 a janeiro de 1995. Nessa fase, o novo Batman enfrentou Crocodilo, Duas Caras, Caça-Ratos, Talião e outros e agiu ao lado do Robin Tim Drake, compondo uma nova dupla dinâmica.

Em Robin 13, Bruce Wayne retorna e há uma discussão com Dick. Ao longo de 6 páginas (!) a velha dupla dinâmica põe “os pingos nos is” sobre sua relação, com Dick reclamando de Bruce voltar a ser o Batman e sair de novo; querendo uma conversa que estava sendo adiada desde quando a dupla dinâmica se desfez (na realidade pós-Crise); Bruce tenta expor seu sofrimento em ser o Batman; Dick reclama porque ele não foi o escolhido para ser o Batman em vez de Jean-Paul Valley; Bruce justifica que ele crescera, que ultrapassou a identidade de Robin, que precisava ter o seu próprio lugar, e que não sabia se Dick ia querer tomar o seu lugar como Batman; e no fim, os dois chegam a um acordo, com Bruce dizendo que a relação deles era complicada como são as relações entre pais e filhos.

Essa é a primeira vez que Dick Grayson é realmente tratado como filho de Bruce Wayne a despeito das décadas em que as histórias de Batman e Robin eram contadas. A DC Comics sempre preferiu as palavras “protegido” ou “tutelado”, mas os tempos eram outros, e essa edição trouxe finalmente Bruce assumindo Dick como seu filho (adotivo), inclusive, lhe dando a condição de herdeiro de sua fortuna e tudo mais. Era uma abordagem há muito esperada, ainda mais depois de que Jason Todd era tratado abertamente como filho (adotivo) de Bruce Wayne.

Asa Noturna à Solo

A Queda do Morcego impulsionou a venda dos títulos das revistas do Batman ao ponto de que o herói passou a ter nada menos do que quatro (!) revistas mensais: Detective Comics, Batman, Legends of the Dark Knight e Shadow of the Bat; mas também se multiplicaram as revistas derivadas. Além do Robin, Asa Noturna e Mulher-Gato logo ganhariam suas próprias revistas, e a coisa estava tão boa que Azrael também teria seu próprio título e até o Anarquia (convertido em anti-herói), ainda que sem uma ligação tão direta ao homem-morcego. Também surgiria a revista Birds of Prey (Aves de Rapina) como uma equipe feminina liderada por Barbara Gordon, como Oráculo, contando com a Canário Negro e outras heroínas.

Cada passo desses foi dado com algum planejamento, especialmente os primeiros. Assim como Robin foi testado na sua minissérie, o mesmo foi feito com Asa Noturna. Primeiro, a DC lançou um one-shot (edição única) Nightwing: Alfred’s Returns 01, em julho de 1995, com roteiro de Alan Grant e arte de Dick Giordano, na qual Dick Grayson vai à Inglaterra tentar convencer o mordomo a voltar à Mansão Wayne, depois de ter ido embora durante os eventos d’A Queda. Claro, que uma vez lá, a dupla se envolve em uma grande aventura e ameaça.

Teste aprovado, Asa Noturna ganhou uma minissérie em 4 capítulos, Nightwing 01 a 04, de setembro a dezembro de 1995, com texto de Dennis O’Neil e arte de Greg Land, na qual trabalhando com Alfred, descobre evidências de que o príncipe Balsik da Krávia poderia ter envolvimento com a morte de seus pais. A dupla vai de novo investigar o ocorrido, numa aventura que termina por esclarecer muitos elementos da origem de Dick Grayson: a trama diz que seus pais morreram no dia 27 de junho e que a queda dos Grayson Voadores ocorreu 15 anos no passado. Isso colocava a idade de Dick como sendo 27 anos! (Por tabela, Batman estaria no ano 17 e Bruce Wayne teria 42 anos! – mas depois, a DC Comics atrasou um pouco essa janela para não envelhecer seus personagens). No fim, Asa Noturna descobre que as suspeitas eram infundadas.

A história seria importante para Dick Grayson por dois motivos, além dos editoriais. Primeiro, as tramas de Alfred’s Returns e desta mini mostravam que o jovem estava disposto a abandonar a carreira de vigilante e procurar fazer outra coisa, mas ao enfrentar uma série de inimigos na Krávia e ajudar a derrubar o tirânico Balsik, lembrou-se da importância de ser um herói. Segundo, a história reforçou a origem romani, ou seja, cigana de Dick, algo que já havia sido mencionado em outras histórias, mas nunca fora aprofundado.

Ao longo do ano de 1996, Asa Noturna foi um personagem constante nas diversas revistas do Batman, em meio às sagas Contágio (na qual Rã’s Al Ghul libera uma variante do vírus Ebola em Gotham City) e Legado (no qual Batman e seus aliados – Asa Noturna, Robin, Mulher-Gato, Salteadora, o Batsquad como seria chamado informalmente pelos fãs – iam atrás da cura. Então, com o sucesso, a DC Comics finalmente criou uma revista solo para Dick Grayson.

Nightwing 01 (contada como volume 2, porque a minissérie é considerada o volume 1 para fins editoriais), saiu em outubro de 1996, com roteiro de Chuck Dixon (então, o principal nome dos bat-títulos) e a bela arte estilizada de Scott McDaniel. Na trama, em busca de seu próprio espaço, Dick vai para Blüdhaven, uma cidade vizinha de Gotham e dentro de sua região metropolitana, tão decrépita e corrupta quanto sua “mãe”, e se desenvolve um universo próprio para o personagem, com coadjuvantes e vilões. Uma curiosidade é que a partir desta edição Dick deixa de usar os cabelos longos que ostentou por bastante tempo. Também era a estreia de seu terceiro uniforme, basicamente cinza com uma faixa peitoral azul que se estende até às luvas, sendo meio que o visual definitivo do herói, base para todos os que se seguiriam.

Seria uma longuíssima fase na qual Asa Noturna patrulhou as ruas de Bludhaven e descobriu que a cidade era controlada pelo vilão Arrasa-Quarteirão (Blockbuster), que tal qual Bane, combina força bruta e inteligência. Inicialmente, Dick trabalha como bartender em um bar para conseguir ouvir “a voz das ruas”; mas depois, ele termina se transformando em um policial na cidade.

Entre seus desafios, Asa Noturna precisou enfrentar um imitador (Nite-Wing), que terminou se mostrando um vigilante desequilibrado; e contou com a ajuda da Oráculo, na época em que Barbara Gordon fornecia suporte logístico e informacional ao Batsquad.

Batman e Asa Noturna na arte de Jim Lee em Silêncio.

O fato de estar patrulhando Bludhaven não impediu, também, de Asa Noturna eventualmente ir até Gotham e auxiliar Batman em algum caso mais complicado, como ocorreu na saga Silêncio (Hush), contra o vilão homônimo, numa série de histórias escritas por Jeph Loeb e desenhadas por Jim Lee, entre 2002 e 2003.

O Fim dos Titãs e os novos Renegados

Tudo chega ao fim e após anos de sucesso, os Titãs perderam força no início dos anos 1990. A revista continuou em circulação, mas sem o brilho de outrora até que foi cancelada em 2003, na saga Jovens Titãs & Justiça Jovem: Dia de Graduação, que procurava mostrar que os velhos jovens heróis estavam mais amadurecidos. Com a morte de Donna Troy, Asa Noturna decide encerrar as atividades do grupo.

Mas era apenas uma jogada para a DC Comics tentar algo novo. Nas histórias, após um tempo, Asa Noturna aceita o convite de Arsenal (a versão crescida de Ricardito/Speedy, o parceiro mirim do Arqueiro Verde) e ingressar na nova versão dos Renegados (Outsiders). Originalmente, um grupo fundado pelo Batman com jovens heróis nos anos 1980, agora, reunia de novo heróis mais jovens (oriundos dos Titãs e da Liga da Justiça) em histórias mais sérias e sombrias, escritas por Judd Winick, um dos principais escritores do universo do Batman naqueles tempos. Os novos Renegados tiveram como base a cidade de Nova York (tal qual os Titãs) e tiveram entre seus inimigos o Irmão Sangue (tal qual os Titãs), mas a empreitada não encontrou eco nas bancas e The Outsiders (volume 3) só teve 7 edições publicadas.

Stephanie Brown, a Robin

Ainda durante a estada de Tim Drake como Robin III surgiu o Robin IV, ou melhor, a Robin IV: Stephanie Brown. Aí precisamos voltar um pouco atrás… De volta à 1992, um arco de histórias publicadas em Detective Comics 647 a 649, por Chuck Dixon e Tom Lyle, pouco tempo depois de Drake se tornar o menino prodígio, a heroína foi introduzida. Na trama, ela é apresentada como a filha adolescente do criminoso Mestre das Pistas que está fora da cadeia depois de muitos anos (era um velho vilão reformulado que aparecera poucas vezes). Insatisfeita com a “carreira” do pai, Stephanie assume uma identidade de super-heroína, a Salteadora (Spoiler).

Quando Tim Drake ganhou sua própria revista, por Chuck Dixon e Tom Grummett, Stephanie Brown se tornou uma personagem recorrente a partir de Robin 03 e 04, de 1994, servindo como um interesse amoroso de Tim. Inclusive, o casal protagonizou uma das mais elogiadas histórias do fim dos anos 1990: na trama, quando finalmente Robin e Salteadora se tornam namorados (sem ela conhecer sua identidade secreta, ainda), Stephanie descobre que está grávida de seu ex-namorado, que foi embora de Gotham após o Cataclisma que se abateu na cidade (a pandemia de Ebola e o terremoto). Entre Robin 59 e 65, de 1999, Tim a ajuda a lidar com a gravidez na adolescência, e quando dá à luz ao filho, decide doá-lo à adoção para que tenha uma vida melhor.

Mais tarde, quando Robin se ausentou de Gotham (por ir estudar em uma escola distante), Batman se aproximou da Salteadora para treiná-la, inclusive, colocando-a para ser tutoreada pelas Aves de Rapina, o grupo de heroínas lideradas por Barbara Gordon como Oráculo, ocasião em que Stephanie se tornou bastante próxima de Cassandra Cain, a nova Batgirl. Mas a aliança durou pouco, porque Batman não a julgou uma heroína confiável (ela desobedecia suas ordens e se metia em enrascadas).

Quando o pai de Tim Drake descobriu que ele era o Robin, o obrigou a abandonar a capa. O desaparecimento do Robin deixou a Salteadora bastante triste, então, num raro gesto de solidariedade, Batman aparece para ela e revela a identidade secreta de Tim e explica a situação. Em consequência, Stephanie apareceu depois na Batcaverna exigindo que o homem-morcego a transforme na nova Robin. E Batman aceita! Ela estreia como a nova Robin em Robin 126, de julho de 2004, por Bill Willingham e Damion Scott; e em seguida, age ao lado de seu mentor em Detective Comics 796.

Stephanie Brown morre em Batman 633.

Durante um curto período, Batman e Robin agem em conjunto, mas de novo o cavaleiro das trevas a julga imprudente e a demite em Robin 128. Então, para tentar provar seu valor, Stephanie dá início a um jogo de computador que Batman havia criado como plano de contingência. Ao colocá-lo em prática, a Salteadora, sem querer dá início aos Jogos de Guerra, uma colossal guerra de gangues em Gotham; na qual o Máscara Negra emerge como o principal chefão do crime. Na tentativa de desfazer seu erro, a Salteadora é capturada pelo vilão que a tortura até à quase morte. Batman consegue resgatá-la, mas ela está muito debilitada no hospital e morre em Batman 633, de dezembro de 2004, por Bill Willingham e Kinsun Loh.

A volta da Salteadora em 2007.

Mas claro, ninguém morre nos quadrinhos, e anos depois, a Salteadora reapareceu viva, dizendo que fingiu a própria morte com a ajuda da Dra. Leslie Thompkins (uma médica amiga do Batman) e foi viver como missionária na África enquanto se recuperava.

A Morte de Blockbuster

Um dos eventos mais importantes na cronologia recente de Dick Grayson foi a morte do vilão Blockbuster ou Arrasa-Quarteirão. O chefão do crime de Bludhaven pensava erroneamente que Asa Noturna era o responsável pela morte de sua mãe e não mediu esforços em tornar a vida do herói um inferno: descobrindo sua identidade secreta, explodindo seu apartamento e desgraçando sua vida pessoal.

No meio disso, Arrasa-Quarteirão contratou uma nova assassina chamada Catalina Flores, a Tarântula, que estreou em Nightwing 71, de setembro de 2002, com roteiro da escritora Devin K. Grayson e arte de Rick Leonardi. Mas a jovem, desde o início, se interessou por Asa Noturna e Dick se viu na mesma dinâmica herói-vilã apaixonados que Batman tivera com a Mulher-Gato anos antes. Tarântula chegou a ser presa, mas depois voltou às ruas e a relação de tensão-tesão com Asa Noturna continuou ao ponto que não passou despercebida por Barbara Gordon, então, Oráculo terminou o namoro com ele.

Mas a relação – ainda que platônica – entre Asa Noturna e Tarântula serviu para ir gradativamente mudando a personalidade de Catalina e ela começou a ser um tipo de anti-heroína relutante. No fim das contas, ela também se voltou contra o Arrasa-Quarteirão, disposta a matá-lo. Levado ao limite da sanidade pelas artimanhas do chefão do crime, Dick presenciou a cena e deixou que Tarântula matasse o Blockbuster, em Nightwing (volume 2) 93, de julho de 2004, ainda com texto de Devin K. Grayson e arte de Patrick Zicher.

A polêmica cena de sexo não consensual na qual Tarântula “estupra” Asa Noturna, pela escritora Devin Grayson.

O horror de ter deixado o assassinato ocorrer debaixo de seu nariz deixou Dick em estado catatônico e – numa ação polêmica para além das revistas – Catalina se aproveitou da situação, tirou a roupa dele e transou com ele. O estuprou, melhor dizendo. O fato também deixou Dick desconfortável, mas não o suficiente para romper totalmente a relação – agora consumida – com Tarântula. A cena causou desconforto na indústria e iniciou um grande debate sobre estupro e sexo não consensual, mas a escritora Grayson usou a palavra estupro no texto.

Asa Noturna regressa a Gotham.

Asa Noturna derrubou boa parte do crime organizado de Bludhaven, mas a culpa pela morte de Arrasa-Quarteirão o consumia. Ao mesmo tempo, estourou uma grande guerra de gangues em Gotham, e Dick foi para lá auxiliar Batman e tentar impedir que o Máscara Negra tomasse controle do crime organizado da cidade, na saga Jogos de Guerra. Tarântula o seguiu e, a despeito do desgosto de Batman para com ela, Asa Noturna assumiu a responsabilidade pelos atos dela e terminou deixando-a que os ajudasse. Mas no fim, ela terminou se tornando a chefe de uma nova gangue, Las Arañas.

Asa Noturna contra o Vagalume em Nightwing 98.

A zona de guerra na qual Gotham é levada pelo levante criminoso faz com que o novo Comissário Atkins declare Batman e seus amigos criminosos e a polícia recebe ordens de atirar em qualquer um uniformizado. Enquanto luta contra o Vagalume, Asa Noturna é baleado na perna pela polícia em Nightwing (vol. 2) 98, por Devin Grayson e Sean Phillips, e embora Batman e seus aliados consigam parar a guerra de gangues, não conseguem impedir o Máscara Negra de se tornar o criminoso mais poderoso do submundo de Gotham.

A Volta de Jason Todd

Estar de volta a Gotham colocava Dick mais próximo de Bruce e os dois realmente atuaram juntos de novo algumas vezes. Em meio ao arco Sob o Capuz, em Batman 636, de março de 2005, por Judd Winick e Doug Mahnke, Batman e Ro… ops… e Asa Noturna vão no encalço de uma trilha de radiação de Kyrptonita que os leva ao Sr. Frio e, depois, a ter que lutar contra Amazo (um poderoso androide suficientemente forte para ser um dos grandes inimigos da Liga da Justiça), mas percebem que tudo está relacionado ao novo vigilante que vem atacando à cidade, Capuz Vermelho – uma velha identidade criminoso que já fora assumida por vários bandidos diferentes, inclusive, pelo Coringa antes de ser o Coringa.

Jason Todd está de volta… e agora como o novo Capuz Vermelho.

As edições seguintes, Batman 637 e 638, na qual Batman e Asa Noturna investigam o Capuz Vermelho, impressionados com sua agilidade, terminarão descobrindo que ele é ninguém menos do que Jason Todd, que voltou dos mortos! Agora, Todd é um quase vilão que mata criminosos, mas também assume o controle de quadrilhas como uma forma manter o crime “sob controle”, indo contra os ensinamentos de Bruce.

A volta dos mortos de Todd tem uma história tenebrosa, relacionada à megassaga Crise Infinita (um replay da velha Crise nas Infinitas Terras), na qual (é melhor sentar…) o Superboy-Prime (a versão juvenil, raivosa e louca do Superman em outra dimensão) fica tão estarrecido ao ver como os heróis da DC se corromperam aos apelos sombrios (vivíamos a Era Sombria dos Quadrinhos, lembram?) que começa a esmurrar as “paredes da realidade” (é, é isso mesmo o que você leu. Não pergunte para mim, pergunte para o Dan Didio que era o Editor Executivo da DC), que ao se fragmentarem alteraram a realidade tal qual ocorrera durante a Crise original. Dentre os vários efeitos dessas mudanças de realidade estava a volta de Jason Todd dos mortos.

Mas como? A DC Comics nunca se deu o trabalho de explicar. Também, quem poderia?

O Capuz Vermelho em seu filme: velho aliado.

Anos depois, Sob o Capuz foi adaptado como um desenho animado em longametragem – um dos melhores já feitos do Batman – com o título de Contra o Capuz Vermelho, e teve o roteiro escrito pelo mesmo Judd Winick que criara o arco nas HQs. No filme é contada uma versão melhorada e explicada de como Jason Todd teria voltado dos mortos: o vilão Rã’s Al Ghul, que apesar de mau possui um enorme respeito pelo Batman, fica pesaroso quando o Coringa mata o Robin II porque ele teve culpa no cartório, então, sequestra o corpo de Todd e o deposita em um dos Poços de Lázaro, aqueles que possuem um composto especial e misterioso que permitem que Al Ghul viva há mais de 700 anos. Mas apesar de seu nome, os Poços de Lázaro não são usados para ressuscitar as pessoas, mas para rejuvenescê-las. Ao fazer o procedimento em Todd, o jovem desperta completamente louco da experiência.

Isso serviria para explicar porque Todd retornou mais vilanesco.

Mas na verdade, a abordagem de Winick (nos quadrinhos) para com Todd fazia todo o sentido tendo em vista a maneira como o jovem estava quando morreu. Se o Robin II, que devia ter algo em torno de 16 ou 17 anos quando morreu (na cronologia pós-Crise), agora, tantos anos depois, não era de se estranhar que andasse por aí armado de metralhadoras e matasse criminosos.

O Capuz Vermelho continuaria a ser um coadjuvante nas revistas do Batman dali em diante, ora como oponente, ora como um aliado relutante. Ao longo dos anos, apesar de manter sua postura mais aberta a “cruzar a linha”, Todd foi se tornando mais heroico e passou a ser um membro não oficial do Batsquad.

O Fim de Blüdhaven

Outro episódio importante na vida de Dick Grayson ocorreu durante a megassaga Crise Infinita, em 2005 e 2006. Além dos problemas causados pelo Superboy-Prime, outro plot paralelo se construiu na saga: a ameaça de Alexander Luthor, uma versão jovial de Lex Luthor vindo de outra realidade. Mas isso não passou despercebido pelo Luthor real, que criou a Sociedade Secreta dos Super-Vilões, reunindo alguns dos maiores vilões da DC Comics.

Ao longo de Nightwing (vol. 2) 112 a 117, a partir de novembro de 2005, com roteiro de Devin Grayson e arte de Phil Hesler, ainda atormentado pela culpa no caso do Blockbuster, Asa Noturna elabora o ousado plano de se infiltrar na Sociedade assumindo a identidade do Renegado, um novo vilão. Aceito pelo grupo, seu velho inimigo Exterminador (Deathstroke) o encarrega de treinar sua filha, Rose Wilson, a Ravenger. Dick aproveita a oportunidade para tentar despertar o lado bom da moça, conseguindo alguns frutos. Quando descobre o plano, um furioso Slade Wilson arma, junto com Luthor, para que o vilão Quimo (uma bomba radioativa viva) caia sobre Bludhaven, na edição 116, de modo que a cidade é inteiramente destruída, resultando na morte de 100 mil pessoas!

Asa Noturna tenta quase que inutilmente salvar algumas pessoas da tragédia, mas termina desmaiando e alucinando por causa da radiação, quando Batman vem em seu encalço para salvá-lo. Na edição 117 (com arte de Brad Walker), Dick acorda na Batcaverna, medicado e em recuperação. Ele confessa seu crime em relação ao Blockbuster para Bruce, procurando seu perdão, mas seu pai adotivo diz que o perdão não importa, que ele precisa se perdoar e seguir em frente. Dick aceita o conselho e assim que se recupera vai ao encontro do Exterminador e sua filha, Ravanger, alertando a moça que o olho de Kryptonita que o pai dela implantou nela, irá envenená-la e matá-la, lembrando o que ocorreu com Lex Luthor quando usou um anel de Kryptonita e perdeu a mão para um câncer, mas terminou morrendo depois, bem no início dos anos 1990, nas histórias do Superman (claro, o vilão voltou depois, já que ninguém morre mesmo nos quadrinhos).

Começando sua recuperação, Dick encontra Barbara Gordon em um aeroporto e a pede em casamento. Ela aceita! Nightwing 117, de abril de 2006, encerrou a primeira fase do título do herói e também a longuíssima fase da escritora Devin Grayson.

Crise Infinita

Asa Noturna foi um personagem destacado na saga Crise Infinita, publicada em todas as revistas da DC Comics ao longo de quase 20 meses e culminando na minissérie Infinitive Crisis 01 a 07, com texto de Geoff Johns e arte de George Perez, Phil Jimenez e alguns outros. No fim, Asa Noturna vai à Torre Titã em busca de recrutar heróis para a ação final, mas só consegue a adesão do novo Superboy Connor Kent. A dupla parte destruir a Torre de Alexander Luthor que pretende destruir a realidade e a dupla consegue salvar o universo, ainda que quase ao custo da vida de Dick e ao sacrifício de Connor.

Crise Infinita.

Muito se comenta na imprensa quadrinística que a intenção de alguns dos editores da DC Comics era matar Dick Grayson na saga, mas a ala salvacionista interviu e conseguiu manter o personagem vivo.

Em consequência à Crise Infinita, Batman convida Asa Noturna e o Robin III (Tim Drake) a segui-los numa jornada para recriar seu treinamento para ser o Batman, uma missão que os deixaria um ano inteiro fora do radar. Embora as edições mensais regressassem logo em seguida – Nightwing (vol. 2) 118 por exemplo – mas elas agora se passavam 1 anos depois do fim de Crise Infinita. O gap de 12 meses foi preenchido por uma ousada empreitada editorial: a saga 52, uma maxissérie semanal em 52 episódios focados nos heróis secundários da DC, já que além de Batman e sua trupe, Superman e Mulher-Maravilha também ficaram 1 ano fora.

Ao regressar, Dick decide se fixar em Nova York, a cidade na qual agia ao lado dos Titãs e dos Renegados. Mas descobre que em sua ausência um novo Asa Noturna está patrulhando as ruas da cidade e matando criminosos. Ao intervir, descobre que o impostor é ninguém menos do que Jason Todd. Após um confronto, Todd volta a ser o Capuz Vermelho e Dick prossegue como Asa Noturna, numa nova fase criada por Bruce Jones e Joe Dodd, a partir de Nightwing 118, de maio de 2006.

Em paralelo, Dick retornou aos Renegados em The Outsiders 34, por Judd Winick e Matthew Clark, na qual o grupo assume uma outra função: em vez de reagir à ação dos criminosos, se adiantar e caçá-los, algo bem mais sombrio e adulto.

Em Busca de um Lugar

Após ter sido quase cancelado pela DC Comics (via sua possível morte em Crise Infinita), seguiu-se uma fase de uma certa indefinição sobre o personagem, com vários cenários sendo testados. Se por um lado, seu título solo prosseguiu em uma boa fase, foram tentadas novas empreitadas tanto com os Renegados (a qual ele abdica da liderança em favor do próprio Batman) quanto com os Titãs.

Em sua revista, deve-se destaque ao arco Amor e Guerra, entre Nightwing (vol. 2) 125 a 132, a partir de dezembro de 2006, com texto de Marv Wolfman e arte de Dan Jurgens, na qual, ainda em Nova York, Asa Noturna precisa lidar com a ameaça do Raptor, a quem suspeita que é o autor de uma série de assassinatos, até que o próprio Raptor é morto, e ele descobre que a real ameaça é uma casal chamado Noiva e Groom.

Naquela época, havia se formado dois grupos diferentes de Titãs: por um lado, havia os Jovens Titãs, que contava com o Robin III (Tim Drake), Supergirl, Poderosa, o novo Besouro Azul etc., que tinham sua base em San Francisco, na Califórnia; e existia os Titãs do Leste, liderados por Ciborgue, com Grande Barda, Rapina, Colúmbia e outros. Em Titans East Special 01, vemos que os dois grupos sofreram um grande ataque com vários feridos graves, então, a velha turma dos Titãs dos anos 1980 se reúne para enfrentá-los, em Titans (vol. 2) 01, de junho de 2008, com texto de Judd Winick e arte de Ian Churchill (na primeira edição) e Joe Benitez (nas seguintes).

O “novo” grupo reúne Asa Noturna, Donna Troy (a antiga Moça-Maravilha), Estrelar, Arqueiro Vermelho (o antigo Ricardito e Arsenal), Mutano, Flash (Wally West, o antigo Kid Flash, que ocupava o cargo “principal” desde a morte de Barry Allen em Crise nas Infinitas Terras), e Ravena, mais tarde, ganhando a adesão do Ciborgue também. Era a primeira vez que o time principal dos Novos Titãs se reunia em muitos e muitos anos e o inimigo por trás dos ataques era o demônio Trigon, um de seus maiores inimigos.

A revista teria 38 edições até outubro de 2011.

Damian Wayne tem alguns problemas de temperamento.

Damian Wayne, o filho de Batman

Nos anos 1980, foram publicadas muitas e muitas histórias importantes do Batman, e uma delas foi Batman: Filho do Demônio, de 1987, por Mike W. Barr e Jerry Bingham, na qual um inimigo comum obriga Batman a se aliar a Rã’s Al Ghul. Na ocasião, Bruce se reaproxima de Talia Head, a filha do vilão, e os dois ficam juntos por um tempo, no que resulta nela ficando grávida. Percebendo que Batman se tornou mais cuidado e reticente com a namorada grávida, Rã’s e Talia fingem que ela sofreu um aborto. Batman ajuda a vencer a ameaça e vai embora. A história termina com o filho de Bruce e Talia entregue a um lar para a adoção.

Apesar de funcionar como uma sequência das histórias contra Rã’s Al Ghul por Dennis O’Neil e Neal Adams, e ter sido publicada já na realidade pós-Crise nas Infinitas Terras, os editores da DC Comics definiram que Filho do Demônio não era canônica. Ainda assim, a semente da ideia foi plantada e várias histórias em realidades alternativas exploraram quem seria esse filho, inclusive, O Reino do Amanhã, a magistral história de Mark Waid e Alex Ross que se passa no futuro do Universo DC.

Batman e Filho: introduzindo Damian Wayne.

Mas quando o renomado escritor escocês Grant Morrison assumiu os roteiros da revista Batman ele decidiu tornar o filho de Bruce e Talia canônico. Então, Batman 655, de setembro de 2006, por Morrison e Andy Kubert, inicia o arco Batman e Filho, no qual Talia aparece contra o homem-morcego armada de um exército de Morcegos-Humanos e lhe apresenta seu filho, Damian, de 10 anos de idade. Após ter sido uma aliada do Batman desde sempre, Talia havia se transformado em uma verdadeira vilã após sofrer uma lavagem cerebral de sua irmã Nyssa após a morte de Rã’s Al Ghul em uma história anterior. No fim das contas, Talia e o rapaz desaparecem em uma explosão.

Robin (Tim Drake), Batman e Damian Wayne, o filho de Bruce com Talia. Arte de Andy Kubert.

Eles regressam alguns meses depois, quando há um plano para ressuscitar Rã’s Al Ghul e, como uma forma de proteger Damian, Talia deixa o garoto sob custódia de Bruce para que cuide dele e o treine. O garoto é violento e egoísta e fora treinado para ser um assassino a vida toda. Mas apesar disso, ele tem uma admiração profunda e real pelo pai e realmente quer ajudá-lo em sua luta contra o crime em Gotham City como o novo Robin. (Apenas quer matar Tim Drake para isso).

Achando que pode fazer um bem ao garoto e tirar sua sanha assassina – como aliás fizera com outra de suas pupilas, Cassandra Cain, a segunda Batgirl, que era filha do assassino de aluguel David Cain e fora treinada como uma máquina de matar, mas a convivência e o treinamento do Batman a tornaram uma boa menina – Bruce decide assumir a criação do garoto e treiná-lo, em Batman 675, no que conta com a ajuda de Alfred e Asa Noturna.

A decisão preocupa Tim Drake, que depois da morte dos pais fora adotado por Bruce Wayne como seu filho adotivo. Ele chega a dizer: “o filho de Satã é meu irmão!”.

A Morte do Batman

Em seguida, porém, vem a saga Batman R.I.P. (Descanse em Paz), entre Batman 676 e 681, a partir de junho de 2008, por Grant Morrison e Tony S. Daniel, na qual se dá a batalha final entre o Batman e o grande inimigo que combateu em toda a temporada de Morrison, a organização Luva Negra e seu líder, Dr. Hurt. Apesar de vencer a organização, Batman aparentemente é morto em um acidente de helicóptero.

Luva Negra: outra conspiração.

Mas essa seria apenas a primeira morte do Batman. Adepto de multilinguagens em suas histórias, Morrison criou uma segunda morte para o personagem ao mesmo tempo! Na saga Crise Final, escrita por ele, e que se passa após os eventos de RIP, o homem-morcego está vivo (é mostrado que ele sobreviveu ao acidente) e os heróis da DC lutam contra Darkseid, que em busca da Equação Anti-Vida pode destroçar toda a realidade. Na batalha final, Darkseid atinge Batman com seus poderosos raios ômega e o cavaleiro das trevas é aparentemente morto. (Não, claro que não. Mais disso adiante…).

Com a “morte” de Bruce Wayne, vem a minissérie A Batalha pelo Manto, uma minissérie em 3 edições na qual alguns membros do Batsquad sugerem que Dick Grayson se torne o novo Batman, mas ele não quer. Em resultado, Jason Todd passa a usar a roupa do Batman e segue-se uma disputa pelo título. No fim das contas, cabe mesmo a Dick usar o capuz do Batman outra vez.

Isso leva ao encerramento da revista Nightwing, que teve o último número, a edição 153, publicada em abril de 2009, após 13 anos de publicação. O texto foi de Peter Tomasi e arte de Don Kramer.

Dick Grayson, o Batman (de novo). E Damian Wayne como Robin

Tal qual na época de Pródigo, Dick Grayson foi o Batman por um período após os eventos de RIP. Nessa fase, além de ocupar ambas as revistas Batman e Detective Comics, Grant Morrison e Frank Quitely lançaram um novo título: Batman and Robin, focado na dupla Dick Grayson (Batman) e Damian Wayne estreando como o novo Robin (o fato dele ser o 4º ou 5º Robin é discutido por causa da breve temporada de Stephannie Brown).

Damian Wayne como Robin: criação de Morrison.

A revista de Morrison e Quitely foi o grande destaque dessa nova fase, um grande sucesso de público e crítica, com um Batman menos carrancudo e mais jovial por causa da personalidade mais iluminada de Dick e sua relação paternal, de irmão mais velho, com Damian, agora mais dentro da linha, mas ainda raivoso e impulsivo.

Como Damian se tornou o Robin, Tim Drake assumiu uma nova identidade: Red Robin ou Robin Vermelho.

Enquanto Jason Todd continuava por aí como Capuz Vermelho, Tommy Elliot, o Silêncio (Hush), passou a incorporar a persona de Bruce Wayne, vivendo sua vida. Apesar da oposição do Batsquad, eles não conseguiram impedir.

Dick Grayson como Batman encontra Donna Troy.

Quanto a Bruce Wayne, claro, ele não morreu. Ao longo da saga Renascimento ficamos sabendo que o raio ômega de Darkseid lançou o cavaleiro das trevas em uma jornada pelo tempo, com ele deixando pistas em cada época para ser resgatado, culminando com sua volta.

Quando Bruce Wayne finalmente retorna, ele toma a estranha decisão de deixar Dick permanecer como o Batman, enquanto ele mesmo também voltava à ativa e, durante algum período, dois Batmen estiveram em ação, com Bruce estrelando a revista Batman e Dick na Detective Comics.

Mas um novo reboot pôs fim à cronologia da DC Comics vigente desde Crise nas Infinitas Terras. Assim, Detective Comics encerrou sua longa jornada na edição 881; e a Batman no número 713, ambas de outubro de 2011.

Os Novos 52

Em 2011, a cúpula criativa da DC Comics era então formada por Geoff Johns (Diretor Criativo da DC Entertainment – empresa guarda-chuva da marca) mais Dan Didio e Jim Lee (Copublishers) e decidiram que era o momento de fazer um reboot total da editora. A cronologia da DC havia sido totalmente reformulada em Crise nas Infinitas Terras, em 1985, e desde então, houveram alguns remendos em sagas como Zero Hora, Crise Infinita, 52, Crise Final. Mas ainda assim, os editores julgavam que existiam problemas, o principal, a queda nas vendas que faziam com que as HQs mais vendidas ficassem na casa das 100 mil unidades e mesmo títulos importantes como Superman só atingissem 40 mil cópias, números que eram 10 vezes menores do que em meados dos anos 1990.

A cúpula da DC achou que fazer um reboot seria uma maneira de atrair novos leitores, trazendo Bob Harras como editor chefe, criaram um plano no qual os heróis seriam rejuvenescidos e incorporariam características que se relacionassem melhor com os tempos atuais, como Superman sendo menos bonzinho e mais durão. As linhas principais eram:

  • Só faziam 5 anos que os heróis da DC haviam surgido.
  • A exceção era o Batman que tinha começado a agir um pouco antes e era tido como uma lenda urbana no começo.
  • Os metahumanos eram inicialmente temidos pela população até que a Liga da Justiça se formou no Ano 1, e impediu a invasão de Darkseid à Terra.
  • A Liga da Justiça original era: Superman, Batman, Mulher-Maravilha, Aquaman, Flash, Lanterna Verde e Ciborgue.

A abertura de Os Novos 52 se deu em Justice League (vol. 3) 01, de agosto de 2011, com texto de Geoff Johns e arte de Jim Lee. Depois, todos as revistas foram zeradas e tiveram novos números 01. “Todas” em parte, porque a editora diminuiu seu leque de publicações e apenas 52 revistas foram relançadas, o que resultou em muitos cancelamentos.

Dick, Bruce, Damian e Tim na arte de Greg Capullo para Batman (vol. 2) 01, de 2011, estreando Os Novos 52.

Batman sofreu poucas transformações radicais de início, já que era o personagem mais bem resolvido dentro da cronologia pós-Crise, bem diferente do Superman, por exemplo, que sofreu uma transformação radical. Mas com o passar do tempo, algumas mudanças cronológicas de maior peso, inclusive, para ajustar sua cronologia ao novo status quo. Seguindo a lógica da cronologia pós-Crise, Batman estava, por exemplo, no Ano 18 em ação e toda essa cronologia precisou ser enxugada para caber dentro do pouco mais de 5 anos estabelecidos em Os Novos 52.

A Nova Origem de Dick Grayson

Dentro da cronologia dos Novos 52, não houve uma alteração radical nos fundamentos da origem de Dick Grayson, porém, a reformulação eliminou o uniforme clássico do Robin, para lhe dar ares mais modernos, ficou estabelecido que ele usou um uniforme mais parecido com aquele ostentado originalmente por Tim Drake. Nessa cronologia, prossegue-se o padrão da morte dos Grayson Voadores nas mãos do chefão Zucco e Bruce Wayne adotando Dick Grayson e lhe dando a oportunidade de vingar seus pais, mas transforma o processo de se tornar o Robin um pouco mais tortuoso, com um precipitado Dick saindo contra a Lady Shiva e sendo derrotado, o que quase leva Batman a destituí-lo da função; mas no fim das contas, após 6 meses de treinamento intensivo, Dick se torna o Robin.

O visual do Robin Dick Grayson em Os Novos 52.

Ele passa apenas um ano como parceiro do Batman até que termina se desvencilhando de seu tutor, mas ainda regressando a Gotham para ajudar no treinamento de Barbara Gordon (Batgirl), do Robin (Jason Todd) e do Red Robin (Tim Drake) – ficou mais ou menos subtendido que Tim não foi o Robin, apenas o Red Robin.

A relação entre Dick e Barbara ficou mais platônica nessa realidade, ao contrário da anterior, na qual Dick chegou a pedi-la em casamento.

Os Jovens Titãs em Os Novos 52.

A inclusão de Ciborgue como um dos membros originais da Liga da Justiça na nova realidade, também afetou a continuidade dos Titãs, mudando o que seria o time originalmente. Agora, os Jovens Titãs originais eram: Robin, Donna Troy, Aqualad, Kid Flash e Ricardito (mais ou menos como foi na era pré-Crise) e em algum momento eles evoluíram para o grupo com Asa Noturna, Estrelar e Ravena, mas sem o Ciborgue.

Nessa realidade, o Exterminador também foi um dos principais vilões do grupo e após algum tempo, Slade Wilson fez um acordo com Asa Noturna: ele treinar sua filha, Rose (Ravenger) a se tornar uma boa pessoa, em troca dele parar de persegui-lo.

…e hoje é o Asa Noturna. Arte do brasileiro Eddy Barrows.

A nova revista Nightwing (vol. 3) iniciou o novo número 01, em novembro de de 2011, com um arco escrito por Kyle Higgins e desenhada pelo brasileiro Eddy Barrows, trazendo o Asa Noturna usando um novo uniforme, com as cores preto e vermelho. A trama revisitava as origens de Dick: o Circo Haly volta a Gotham pela primeira vez após a morte dos Grayson Voadores e Dick se vê envolvido na busca por um assassino, que resulta explodindo o circo.

Após o ataque brutal do Coringa ao Batman e seus aliados na saga Morte da Família, Asa Noturna se muda para Chicago a partir de Nightwing (vol. 3) 19, de junho de 2013, ainda por Kyle Higgins e arte de Brett Booth, onde Dick age por um tempo.

Identidade Revelada

Durante a saga Forever Evil, publicada em uma minissérie de 7 partes, a partir de novembro de 2013, com roteiro de Geoff Johns e arte de David Finch, uma versão maligna dos heróis da Liga da Justiça vinda de outra dimensão (a Terra 3, tal qual na era pré-Crise) vêm à Terra e traz uma série de problemas, um deles, é desmascarar o Asa Noturna ao vivo na TV, tornando a identidade de Dick Grayson pública.

Isso resultou no fim da revista Nightwing, que se encerrou no número 30, de julho de 2014; e Dick Grayson assumiu uma nova missão: Batman o convoca a se infiltrar em uma organização de agentes secretos chamada Spyral e ele o faz, fingindo a própria morte e se tornando o Agente 37 e dando início à revista Grayson que foi publicada por 20 edições, de setembro de 2014 a agosto de 2016, começando com roteiros de Tim Seeley e Tom King e arte de Mikel Janín.

No fim das contas, como é comum nas HQs, um evento sensacional em Grayson 20 faz com que o mundo inteiro esqueça que Dick Grayson era o Asa Noturna e tendo uma identidade secreta de novo, ele retorna a Gotham e retoma sua carreira como Asa Noturna, usando um novo uniforme, mais parecido com o anterior, azul, e dando início ao Volume 4 de Nightwing, em setembro de 2016.

Renascimento

Passados 5 anos de Os Novos 52, a DC avaliou o que funcionou e o que não funcionou em seu reboot e, acredite se quiser, fez um novo reboot, ainda que mais de leve, chamado Rebirth (Renascimento), em 2016. Na trama, Wally West – que tinha sido apagado da nova realidade – reaparece no mundo de Os Novos 52, alegando que tinha ficado preso dentro da Força da Aceleração (a energia cósmica que dá poderes ao Flash e congêneres) e que 10 anos da realidade haviam sido roubados – numa referência à cronologia de Novos 52 ter feito os heróis terem apenas 5 anos de existência. Assim, Renascimento parece restituir 10 anos da cronologia para trazer os heróis de volta a um status similar ao pré-Novos 52.

Com isso, Wally West vai atrás de seus “velhos” companheiros dos Titãs e Asa Noturna é o primeiro a ser procurado.

Enquanto isso, sua carreira prosseguiu, enfrentando a Corte das Corujas e se infiltrando nela e enfrentando grandes desafios como o mais eficiente e confiável dos parceiros do Batman.

É mais ou menos nesse ponto em que estão suas aventuras. Ao longo das décadas, Dick Grayson foi muitas coisas, mas sem dúvidas, além de um dos personagens de quadrinhos mais famosos do mundo, é sem dúvidas, um dos mais amados entre os fãs da DC Comics.