Dando prosseguimento à série História Recente da Marvel Comics que já teve publicada a Introdução e a Parte I.

Spider-Man Marvels by Alex Ross
A maravilhosa arte pintada de Alex Ross em "Marvels" de 1994

No fim dos anos 1990, após a maior crise de sua história, a Marvel Comics se esforçou para melhorar a imagem perante os fãs, promoveu grandes mudanças e arriscou novos direcionamentos.

Em meio às barbaridades cometidas em nome do “estilo muscular” e às histórias sem pé nem cabeça que às acompanhavam, começaram as reações. E elas partiram, inicialmente, de dentro da própria editora. Em 1994, foi lançada uma bela minissérie chamada Marvels dedicada a recontar a história do Universo Marvel pela ótica de uma pessoa comum: o fotógrafo Phil Sheldon que, morando em Nova York, pôde acompanhar desde o surgimento dos primeiros vigilantes uniformizados (Tocha Humana, Namor) nos anos 1930 até a explosão de superseres, décadas depois, com Homem-Aranha, Hulk, Thor, X-Men, Vingadores e a volta do Capitão América.

Classic Avengers by George Perez
A retomada dos Vingadores clássicos por Kurt Busiek, com traço de George Pérez

Além de uma história de cunho saudosista com temas profundos tratados seriamente, Marvels – escrita por Kurt Busiek e ilustrada (como pinturas a óleo) pelo fantástico Alex Ross – era um verdadeiro manifesto contra o clima sombrio dos quadrinhos da época, com seus heróis violentos e amorais. E, também, o resgate de uma estética mais clássica, completamente oposta ao “estilo muscular”.

Outra expressão de reação foi o arco de histórias do Capitão América produzido por Mark Waid e Ron Gardney, pautado por histórias leves e boas e que, ironicamente, foi interrompido para que o personagem fosse repassado ao pior dos representantes do “estilo muscular”: Rob Liefeld (ver Capítulo anterior). Aquelas histórias da dupla foram recentemente encadernadas pela Panini em Capitão América: Operação Renascimento.

Entretanto, somente após 1997, na gestão de Bob Harras, a Marvel realmente deu espaço para histórias de maior qualidade, que terminaram por, literalmente, tirar a editora do buraco. Devido ao estrondoso sucesso de Marvels, Kurt Busiek foi convidado a assumir a revista dos Vingadores, trabalhando com o clássico desenhista George Pérez, numa tentativa de reconstruir o espírito da equipe.

Busiek também assumiu a revista do Homem de Ferro, juntamente com o desenhista Sean Chen, num arco de histórias que pavimentou o caminho do “vingador dourado” para o ponto central do Universo Marvel que ocupa nos dias de hoje.

Iron Man by Sean Chen
Com arte de Sean Chen, o Homem de Ferro de Busiek ganhou tramas que davam destaque à tecnologia e à espionagem industrial

O Thor não conseguiu tanto sucesso de vendas, mas ganhou dois belos arcos no período, produzidos pelo renomado Warren Ellis e o brasileiro Mike Deodato Jr. e por Dan Jurgens (o principal escritor da Morte do Superman) e o superstar John Romita Jr.

E o Homem-Aranha lutou para se desvenciliar da malfada Saga do Clone (esta foi tão ruim que merece um post só para ela, o que pode ser feito no futuro), por meio dos trabalhos de Howard Mackie e do brasileiro Luke Ross, bem como do escritor Roger Stern e do escritor/desenhista John Byrne, que tentaram realavancar a carreira do “cavaleiro das teias” nos últimos anos da década de 1990.

O suprassumo dessa “retomada” da Marvel foi o selo Marvel Knights, com histórias mais adultas, que passou a incluir personagens como o violento Justiceiro de Garth Ennis e Steve Dillon. O maior sucesso do selo foi o arco de histórias do Demolidor chamado Demônio da Guarda, escrito pelo diretor de cinema Kevin Smith e desenhado por Joe Quesada. Foi recentemente lançado como encadernado para as livrarias.

Daredevil by Joe Quesada
O Demolidor no traço de Joe Quesada: grande sucesso em 1998

Com os bons rumos, Quesada, que era o editor-assistente de Marvel Knights, foi promovido a Editor-Chefe da Marvel em 2000 e, de fato, revolucionou ainda mais a editora nos anos seguintes.

Continua no próximo capítulo