
Olivia Harrison, a viúva do ex-membro dos Beatles, o guitarrista, compositor e cantor George Harrison, informou que o documentário sobre o músico, realizado pelo aclamado diretor Martin Scorsese, será lançado ainda este ano, embora não se tenha uma data fechada.
A viúva do ex-beatle deu a notícia ao Los Angeles Times durante a cerimônia de comemoração dos cinco anos de apresentação do espetáculo do Cirque Du Soleil, Love, inteiramente baseado na música dos Beatles. Também compareceram à cerimônia o ex-beatle Paul McCartney, o ex-produtor musical da banda, George Martin, seu filho Giles Martin, responsável pela produção musical do espetáculo e a viúva de John Lennon, Yoko Ono.
O documentário se chamará George Harrison – Live in the Material World, remetendo a uma canção que é a faixa-título de um álbum do músico de 1973. Scorsese é um grande fã de rock e, embora mais conhecido por obras-primas cinematográficas como Taxi Driver e Os Infiltrados, já produziu vários filmes musicais, como The Last Waltz, sobre o último concerto da banda norteamericana The Band, em 1976; o videoclipe Bad de Michael Jackson, em 1987; o documentário No Direction Home, sobre Bob Dylan, em 2005; e The Rolling Stones – Shine a Light, sobre um concerto da banda em Nova York, em 2008.
George Harrison nasceu em um bairro operário da cidade de Liverpool, em 1943, filho de uma dona de casa e de um motorista de ônibus, mas se tornou uma das pessoas mais famosas do mundo como membro dos Beatles, que fizeram sua carreira entre 1962 e 1970. Como membro da banda, o guitarrista sempre foi discreto e nunca gostou dos holofotes, mas ainda assim, foi uma figura seminal na divulgação dos ideais mítico-religiosos-espirituais das religiões do Oriente ao qual aderiu nos meados dos anos 1960 e que influenciaram sobremaneira àquela geração.

Dentro da banda, Harrison teve que lutar arduamente contra os egos da dupla de compositores John Lennon e Paul McCartney, de modo que tinha grandes dificuldades em incluir suas próprias composições nos álbuns da banda, o que foi um dos pontos determinantes para o término do grupo. Ainda assim, Harrison é o responsável por alguns dos maiores clássicos dos Beatles, como While my guitar gently weeps, Something e Here comes the sun.
Após o fim da banda, ele surpreendeu o mundo ao lançar um álbum triplo com todas as composições que fez durante os Beatles, mas não pôde gravar e o disco All Things Must Pass, de 1970, foi um enorme sucesso, rendendo hits como My sweet Lord e What’s life. Aproveitando a publicidade, ele organizou, no ano seguinte, o Concert for Bangladesh, o primeiro dos grandes concertos beneficentes de rock, reunindo amigos e astros como Bob Dylan, Eric Clapton, Billy Preston e Leon Russell. O evento virou filme e outro álbum tríplo, lançados em 1972. A sequência ininterrupta de sucessos continuou, em 1973, com o álbum Living in the Material World, que além da faixa-título rendeu a balada Give me love.

Mas, um grande revés ocorreu em 1974, quando após o lançamento do álbum Dark Horse, Harrison saiu numa desastrosa turnê pelos Estados Unidos. Apesar do alto calibre de seus músicos e de seu repertório, ele foi atingido por um crise aguda de rouquidão que prejudicou demais sua performance. O trauma da pressão e do estresse da turnê terminaram por tirar Harrison dos holofotes totalmente, ajudado, ainda, pelo processo judicial de plágio movido por seu ex-empresário.
Harrison saiu da gravadora EMI e abriu seu próprio selo, o Dark Horse, e embora tenha continuado a lançar discos de qualidade razoável, deixou de frequentar as paradas de sucesso e o mundo do showbiss. Nos anos 1980, viu sua homenagem ao companheiro de Beatles, John Lennon (assassinado em 1980), All those years ago fazer sucesso no mundo todo, mas o fracasso retubante do álbum seguinte o afastou da carreira musical por cinco anos.
A volta triunfal se deu com Cloud Nine, de 1987, que faz bastante sucesso de público e crítica, mas Harrison se recusou a ocupar o papel de “rock star” e permaneceu isolado em sua casa. Nem mesmo o sucesso estrondoso de seu novo grupo, o Travelling Wilburys (com Bob Dylan, Roy Orbison, Tom Pretty e Jeff Lyne), que lançou dois discos em 1988 e 1990, o fez voltar à ativa. Em 1991, acompanhado do amigo Eric Clapton, Harrison fez sua segunda (e última) turnê solo, agora no Japão, e muito mais bem sucedido, gerando até um álbum ao vivo.

O sucesso que os Beatles atingiram com o projeto multimídia Anthology (discos, filmes, livros), em meados da década de 1990, criou a expectativa de que Harrison retomasse a carreira, mas isso não aconteceu. Em 1999, ele anunciou uma batalha contra o câncer e ainda sofreu um atentado, quando um fã maluco invadiu sua casa e o esfaqueou. O músico sobreviveu, mas seu estado de saúde piorou.
A proximidade da morte o fez voltar a trabalhar em novas canções, mas Harrison morreu aos 59 anos, em novembro de 2001. Seu último álbum, Brainwash, foi lançado no ano seguinte e foi bem recebido, ganhando inclusive um Grammy.

