George Harrison no Concert for Bangladesh, em 1971.

Olivia Harrison, a viúva do ex-membro dos Beatles, o guitarrista, compositor e cantor George Harrison, informou que o documentário sobre o músico, realizado pelo aclamado diretor Martin Scorsese, será lançado ainda este ano, embora não se tenha uma data fechada.

A viúva do ex-beatle deu a notícia ao Los Angeles Times durante a cerimônia de comemoração dos cinco anos de apresentação do espetáculo do Cirque Du Soleil, Love, inteiramente baseado na música dos Beatles. Também compareceram à cerimônia o ex-beatle Paul McCartney, o ex-produtor musical da banda, George Martin, seu filho Giles Martin, responsável pela produção musical do espetáculo e a viúva de John Lennon, Yoko Ono.

O documentário se chamará George Harrison – Live in the Material World, remetendo a uma canção que é a faixa-título de um álbum do músico de 1973. Scorsese é um grande fã de rock e, embora mais conhecido por obras-primas cinematográficas como Taxi Driver e Os Infiltrados, já produziu vários filmes musicais, como The Last Waltz, sobre o último concerto da banda norteamericana The Band, em 1976; o videoclipe Bad de Michael Jackson, em 1987; o documentário No Direction Home, sobre Bob Dylan, em 2005; e The Rolling Stones – Shine a Light, sobre um concerto da banda em Nova York, em 2008.

George Harrison nasceu em um bairro operário da cidade de Liverpool, em 1943, filho de uma dona de casa e de um motorista de ônibus, mas se tornou uma das pessoas mais famosas do mundo como membro dos Beatles, que fizeram sua carreira entre 1962 e 1970. Como membro da banda, o guitarrista sempre foi discreto e nunca gostou dos holofotes, mas ainda assim, foi uma figura seminal na divulgação dos ideais mítico-religiosos-espirituais das religiões do Oriente ao qual aderiu nos meados dos anos 1960 e que influenciaram sobremaneira àquela geração.

Harrison (dir.) com os Beatles no concerto no telhado da gravadora Apple, em 1969.

Dentro da banda, Harrison teve que lutar arduamente contra os egos da dupla de compositores John Lennon e Paul McCartney, de modo que tinha grandes dificuldades em incluir suas próprias composições nos álbuns da banda, o que foi um dos pontos determinantes para o término do grupo. Ainda assim, Harrison é o responsável por alguns dos maiores clássicos dos Beatles, como While my guitar gently weeps, Something e Here comes the sun.

Após o fim da banda, ele surpreendeu o mundo ao lançar um álbum triplo com todas as composições que fez durante os Beatles, mas não pôde gravar e o disco All Things Must Pass, de 1970, foi um enorme sucesso, rendendo hits como My sweet Lord e What’s life. Aproveitando a publicidade, ele organizou, no ano seguinte, o Concert for Bangladesh, o primeiro dos grandes concertos beneficentes de rock, reunindo amigos e astros como Bob Dylan, Eric Clapton, Billy Preston e Leon Russell. O evento virou filme e outro álbum tríplo, lançados em 1972. A sequência ininterrupta de sucessos continuou, em 1973, com o álbum Living in the Material World, que além da faixa-título rendeu a balada Give me love.

Harrison próximo de sua morte, em 2001.

Mas, um grande revés ocorreu em 1974, quando após o lançamento do álbum Dark Horse, Harrison saiu numa desastrosa turnê pelos Estados Unidos. Apesar do alto calibre de seus músicos e de seu repertório, ele foi atingido por um crise aguda de rouquidão que prejudicou demais sua performance. O trauma da pressão e do estresse da turnê terminaram por tirar Harrison dos holofotes totalmente, ajudado, ainda, pelo processo judicial de plágio movido por seu ex-empresário.

Harrison saiu da gravadora EMI e abriu seu próprio selo, o Dark Horse, e embora tenha continuado a lançar discos de qualidade razoável, deixou de frequentar as paradas de sucesso e o mundo do showbiss. Nos anos 1980, viu sua homenagem ao companheiro de Beatles, John Lennon (assassinado em 1980), All those years ago fazer sucesso no mundo todo, mas o fracasso retubante do álbum seguinte o afastou da carreira musical por cinco anos.

A volta triunfal se deu com Cloud Nine, de 1987, que faz bastante sucesso de público e crítica, mas Harrison se recusou a ocupar o papel de “rock star” e permaneceu isolado em sua casa. Nem mesmo o sucesso estrondoso de seu novo grupo, o Travelling Wilburys (com Bob Dylan, Roy Orbison, Tom Pretty e Jeff Lyne), que lançou dois discos em 1988 e 1990, o fez voltar à ativa. Em 1991, acompanhado do amigo Eric Clapton, Harrison fez sua segunda (e última) turnê solo, agora no Japão, e muito mais bem sucedido, gerando até um álbum ao vivo.

Embora não fosse um virtuose da guitarra, Harrison é lembrado pela sensibilidade e beleza de seus solos.

O sucesso que os Beatles atingiram com o projeto multimídia Anthology (discos, filmes, livros), em meados da década de 1990, criou a expectativa de que Harrison retomasse a carreira, mas isso não aconteceu. Em 1999, ele anunciou uma batalha contra o câncer e ainda sofreu um atentado, quando um fã maluco invadiu sua casa e o esfaqueou. O músico sobreviveu, mas seu estado de saúde piorou.

A proximidade da morte o fez voltar a trabalhar em novas canções, mas Harrison morreu aos 59 anos, em novembro de 2001. Seu último álbum, Brainwash, foi lançado no ano seguinte e foi bem recebido, ganhando inclusive um Grammy.