
O escritor Mark Millar é uma das maiores eminências dos quadrinhos dos anos 2000. De sua mente agitada – e um pouco louca – saíram obras fundamentais do período, como suas passagens em The Authority pela Wildstorm Comics; na DC Comics, a graphic novel Superman: A Foice e o Martelo; na Marvel, os arcos Wolverine: Inimigo de Estado; The Ultimates (Os Supremos, versão “adulta” dos Vingadores que inspira o filme da equipe); os X-Men em sua versão Ultimate; o megaevento Guerra Civil e as obras autorais O Procurado e Kick-Ass, ambas já devidamente adaptadas ao cinema.
Em uma convenção de quadrinhos em Glasgow, na Escócia, cidade natal do escritor, ele falou sobre as recentes mudanças da DC Comics. E não falou de bem. Segundo o site Comic Book Movies, o autor considerou que a editora está simplesmente tentando aumentar as vendas, sem querer, de fato, promover grandes mudanças. Quer apenas criar um evento. Ele disse:

A DC parece estar em um grande desespero: eles estão relançando toda a sua linha agora em setembro, tudo em apenas um mês. E eu disse: “por que vocês não fazem isso ao longo de um ano, de modo que todo mundo tenha uma chance de comprar e experimentar as primeiras edições”? E eles disseram: “na verdade, nós estamos sendo bem mais pressionados pela Warner Bros. agora do que jamais antes; nós precisamos mostrar lucros significativos”.
Em outra parte da conversa, agora transcrita pelo site Omelete, Millar diz que o que está ocorrendo é uma volta à política de publicação dos anos 1990, quando a tônica das editoras de quadrinhos eram publicar “grandes eventos” que interligavam todas as revistas. Mas como o autor lembra, essa política quebrou o mercado de quadrinhos, que até hoje não se recuperou e, hoje, tem vendas menores do que há 20 anos. “Um evento não é um evento se acontence o tempo todo“, disse o escritor.
Millar, inclusive, fala da sua própria Guerra Civil, uma minissérie em sete capítulos que mudou o status quo do Universo Marvel. Mas segundo ele, as vendas foram três vezes maiores do que a Marvel esperava, então, a editora quis fazer de novo e de novo. De fato, anualmente, a Marvel vem lançando Invasão Secreta, Reinado Sombrio, O Cerco etc.
Do lado da editora, o contagotas de informações continua, embora menos acelerado e menos bombástico. Esses dias, a DC revelou em detalhes o novo visual do Flash (só com detalhes a mais do que original) e alguns pontos que esclarecem questões cronológicas.

Como já se tinha dado a entender, Action Comics escrita por Grant Morrison e desenhada por Rags Morales será ambientada no passado, tal qual Justice League mostrará uma nova origem para a Liga da Justiça, por Geoff Johns nos textos e Jim Lee na arte. Os dois autores comentaram, em entrevistas, que nunca a equipe teve uma boa história de origem e que o momento chegou. Já Action Comics, a julgar pela imagem divulgada pela editora, irá tratar de Clark Kent antes de virar o Superman. Ou quem sabe é mais um conto de origem.
Por fim, outra informação surpreendente é que as revistas de Batman, Lanterna Verde e Legião dos Super-Heróis não sofrerão reboot. Não é coincidências estas serem as revistas de maior sucesso da editora, portanto, “em time que se está ganhando, não se mexe”. Mas se não é um reboot, porque elas também terão a numeração zerada?

