
O escritor escocês Grant Morrison vai assumir a revista Action Comics, casa do Superman, a partir do início do reboot da DC em agosto e setembro próximos. Ao jornal London’s Metro, o polêmico artista deu uma entrevista explicando qual será a sua abordagem do homem de aço. Promete uma abordagem nova:
Uma das coisas que quero fazer com esta revista é mostrar quem ele é, como ele é, por que ele usa o uniforme. Além de tocar num lado do herói que ninguém viu antes.

Obviamente, ninguém sabe que “lado” é esse, mas quanto ao uniforme, o escritor vai mostrar porque ele usa a roupa especial a partir do fato dele não usá-la. Isso mesmo, o Superman de Action Comics não terá um uniforme.
O que vamos fazer é colocar ele de jeans e camiseta – uma versão Bruce Springsteen do Superman, essa é nossa abordagem. A capa ainda é indestrutível, mas o resto ele compra em qualquer loja.
(Para quem não sabe: se diz Bruce Springsteen, porque o roqueiro norteamericano costumeiramente aparece apenas de jeans e camiseta em suas aparições públicas, capas de discos e shows. Não coincidentemente, o apelido de Springsteen – cuja canção mais conhecida no Brasil é Born in the USA – é The Boss, o chefão).
Morrison prossegue:
Quero resolver alguns dos problemas que surgiram em torno do personagem. As pessoas perguntam: “Por que diabos ele se veste assim?”. Quero tornar o Superman mais contemporâneo. Vamos mudar sua aparência, suas roupas e seu comportamento. Ele vai ser mais o Superman que apareceu em 1938 – mais ativo socialmente e campeão dos oprimidos.

Nas primeiras histórias do Superman, publicadas na mesma revista Action Comics em 1938, escritas pelos criadores do personagem, o escritor Jerry Siegel e o desenhista Joe Shuster, o homem de aço não era tão poderoso quanto hoje e sua atuação era eminentemente voltada para ajudar as populações mais pobres e sem direitos, como imigrantes, operários, sem-teto e condenados injustamente na Justiça. Para Morrison, essa essência do homem de aço se perdeu um pouco nos dias de hoje, com seu envolvimento quase exclusivamente voltado para “sagas cósmicas” e eventos que não dizem respeito às pessoas comuns. Aparentemente, é esse elemento que ele quer resgatar.

Vale lembrar que Morrison escreveu a aclamada maxissérie All-Star Superman, em 12 capítulos (e desenhada por Frank Quitely), que muitos críticos consideram a melhor história do homem de aço nas últimas décadas. Nessa saga, vemos o último filho de Krypton não apenas combatendo ameaças cósmicas, mas, ao saber de sua morte próxima, decide colocar uma série de tarefas em prática para deixar um legado maior para o mundo. Isso inclui desde despertar o “lado bom” de Lex Luthor até resolver os assuntos com sua amada Lois Lane. No percurso, há cenas antológicas, como aquela em que o herói impede uma garota emo de se suicidar.
(All-Star Superman foi recentemente adaptada para um longametragem em desenho animado, lançado pela DC, que prima pela fidedignidade ao original. Um bom filme).

Uma coisa não está clara sobre a participação de Morrison no reboot da DC e do Superman. Antes se havia comentado que as histórias de Action Comics, assim como o primeiro arco da nova Liga da Justiça, seria ambientado no passado. Tendo em vista que na revista Superman, por George Perez (textos) e Jesus Merino (arte), o último filho de Krypton aparecerá com o novo uniforme criado por Jim Lee, o Superman sem uniforme de Morrison e Rags Morales deve mesmo estar ambientado no período anterior a Clark Kent assumir sua essência fundamental.

