R.E.M.: banda anuncia seu fim.

Um notícia pegou os fãs de música de surpresa ontem: o fim do R.E.M., uma das bandas de rock mais importantes dos Estados Unidos dos últimos 30 anos. Em comunicado oficial à imprensa, os três membros remanescentes – o vocalista Michael Stipe, o guitarrista Peter Buck e o baixista Mike Mills – afirmaram que o término das atividades não é causado por discordâncias, brigas ou tensões, mas porque parece ser o momento certo de fazer isso. Grande parte da surpresa está no fato de que o grupo acabou de lançar um novo álbum, Collapse Into Now, e se esperava que fizessem uma turnê mundial para divulgá-lo.

O R.E.M. se formou em 1979 na cidade de Athens, no Estado da Georgia, no sul dos Estados Unidos. Stipe, Buck, Mills e o baterista Bill Berry logo chamaram a atenção e lançaram seu primeiro single, Radio Free Europe, em 1981, que foi bem aceito no circuito alternativo de rock e seguiu-se a contratação pela gravadora I.R.S. Em 1982, o EP (compacto duplo) Chronic Town foi ainda mais bem-sucedido e gerou o lançamento do primeiro álbum, Murmur, em 1983, trazendo sucessos alternativos como Talk about the passion e Perfect circle.

O R.E.M. bem no começo, quando Michael Stipe tinha cabelos.

Nos anos seguintes, o R.E.M. se tornou a principal banda do circuito alternativo dos EUA e, por causa da grande difusão nas rádios universitárias do país, foi o propulsor de um pequeno movimento chamado college rock. Mas a banda começou a, lentamente, flertar com o mainstream, na medida em que faixas como South Central Rain (I’m sorry) tiveram difusão um pouco maior. Isso culminou no álbum Lifes Rich Pageant, de 1986, que chamou a atenção da grande mídia pela primeira vez, com a canção Fall on me até entrando no Top10 da revista Billboard.

Tal evento abriu espaço para que o álbum Document, de 1987, chamasse ainda mais a atenção, inclusive com o primeiro grande hit da banda no mainstream: The one I love., além de outros sucessos, como Finnest worksong e It’s the end of the world as we know it (and I feel fine). O álbum seguinte, Green, de 1988, foi igualmente bem sucedido e trouxe Stand! e Pop song 89, além de ser o primeiro realizado sob o teto da gravadora Warner Records, após uma contratação milionária.

Capa de "Out of Time", de 1991: sucesso internacional e entrada para o rock alternativo dominar o mundo.

A fama, contudo, era um elemento estranho para a banda, então, o quarteto decidiu dar uma pausa nas atividades após a grande turnê de Green. Mas quando o R.E.M. se reagrupou e lançou o álbum Out of Time, em 1991, se transformou em um fenômeno mundial com o sucesso esmagador de Losing my religion, sua canção mais famosa até hoje. A audiência massiça da banda abriu os olhos do mercado mainstream para o circuito alternativo e, provavelmente, contribuiu para que o rock alternativo tenha se tornado, logo em seguida, o subgênero mais bem-sucedido do rock, com a eclosão do movimento grunge a partir do lançamento do álbum Nervemind do Nirvana ainda naquele mesmo ano. (Leia um post do HQRock sobre este disco aqui).

Consagrado como uma banda de nível internacional, o R.E.M. continuou sua carreira de sucessos nos anos 1990, com os álbuns Authomatic for the People (1992) e Monster (1994), mas novamente a fama pagou seu preço: na gigantesca turnê mundial do último disco, a banda se viu envolvida em problemas, como uma hérnia para Michael Stipe, um tratamento estomacal para Mike Mills e um aneurisma para Bill Berry.

"Reveal", de 2001: útlimo bom momento comercial.

Talvez como resultado, antes do lançamento de Up, de 1998, foi anunciada a saída de Bill Berry da banda, que não foi substituído. O R.E.M. ampliou sua banda de apoio e voltou a um bom momento comercial com Reveal, de 2001, que trouxe o grande sucesso Imitation of life, mas o álbum seguinte, Around the Sun, de 2004, não foi bem recebido. Accelerate, de 2008, foi um álbum melhor, mas também não foi um campeão de vendas.

O anúncio do lançamento de Collapse Into Now, ainda em 2010, gerou uma boa espectativa por parte de fãs e críticos, mas este deverá ser o último trabalho de uma banda que soube, como poucos, administrar sua independência dentro do esquema das grandes gravadoras e marcará a história do rock com seu som leve, belas melodias e letras inteligentes de Michael Stipe.