

Embora a própria DC Comics não tenha anunciado nada nem feito celebrações, os sites de fãs lembram que esta semana dois heróis da editora estão fazendo aniversário: Arqueiro Verde e Aquaman completam 70 anos de publicação. A estreia de ambos se deu na mesma revista, More Fun Comics 73, de setembro de 1941, e ambos também tiveram o mesmo criador: o escritor Mort Weisinger, com desenhos de George Papp para o primeiro e Paul Norris para o segundo.
O Arqueiro Verde foi inteiramente baseado no Batman, publicado pela mesma DC Comics e criado por Bob Kane dois anos antes. Assim, como o homem-morcego, o milionário Oliver Queen usa sua fortuna para combater o crime, criando armas especiais, tendo um esconderijo em uma caverna e até um parceiro mirim, Speedy, chamado no Brasil de Ricardito. Mas as lendas de Robin Hood também foram uma influência óbvia, inclusive no visual do herói, bastante medieval.
Já o Aquaman era uma imitação de Namor, o Príncipe Submarino, criado por Bill Everett para a concorrente Timely Comics (mais tarde Marvel Comics), também dois anos antes. Como seu antecessor, era um ser híbrido com força sobrehumana e capacidade de respirar debaixo d’água, mas o personagem da DC podia, ainda, se comunicar os seres aquáticos por meio de telepatia.
Nenhuma das duas criações de Mort Weisinger fez muito sucesso comercial e, ao contrário de seus pares de editora, jamais ganharam revistas próprias nos primeiros anos. Porém, logo Weisinger se tornou um dos editores mais poderosos da DC e usou sua influencia para que ambos os personagens continuassem a ser publicados em histórias secundárias na própria More Fun Comics e mais tarde na Adventure Comics, que nos anos 1950 se tornou uma das revistas de maior sucesso da editora ao trazer as aventuras do Superboy, a versão adolescente do Superman.

A insistência de Weisinger impediu que Arqueiro Verde e Aquaman caíssem no esquecimento das novas gerações, ao contrário de vários outros personagens da editora que foram sendo cancelados ao longo dos anos 1940 e 50. Assim, quando se iniciou a Era de Prata, com novas versões de Flash e Lanterna Verde, tudo o que os escritores tiveram que fazer foi produzir histórias mais “modernas” de Arqueiro Verde e Aquaman.
Para os fãs dos quadrinhos, o Arqueiro Verde ainda ganhou um pequeno destaque em 1958 quando foi temporariamente desenhado por Jack Kirby, pouco antes dele sair da DC e ir criar o novo Universo Marvel junto com Stan Lee.
Pouco depois, ambos foram incluídos na Liga da Justiça, com o Aquaman primeiro, como um dos membros originais; e depois o Arqueiro Verde, que entra no número 04 da revista da equipe.

O Arqueiro Verde protagonizou uma fase cult entre 1970 e 1971 quando o escritor Dennis O’Neil e o desenhista Neal Adams assumiram a revista Green Lantern, do Lanterna Verde, e trouxeram o policial espacial para aventuras na Terra ao lado de seu amigo, Arqueiro Verde, agora um ex-milionário e dedicado defensor dos pobres e oprimidos, cheio de ideias esquerdistas. Essas histórias são consideradas clássicos absolutos dos quadrinhos e chamam a atenção por abordar temas relevantes socialmente, como drogas, violência, corrupção etc., tudo com o menor grau possível de fantasia.
Inclusive, o adolescente Speedy/Ricardito é retratado como um usário de drogas, o que foi uma ousadia grande na época, embora pouco tempo antes Stan Lee tenha mostrado Harry Osborn usando drogas na revista do Homem-Aranha. Mas ainda assim, era algo bem radical. (Speedy se limpou e depois se tornou conhecido por outros nomes, como Arsenal e Arqueiro Vermelho).
Mesmo assim, ao longo dos anos, as duas criações de Mort Weisinger não se tornaram muito populares fora do círculo de leitores de quadrinhos. Isso só mudou nos anos 1970 por causa do desenho animado Super-Amigos, que trouxe Aquaman como um dos membros fixos do programa, enquanto o Arqueiro Verde só apareceu em um único episódio (mas mesmo assim, ganhou um boneco da série Super-Powers, a mais popular linha de brinquedos de heróis até então).

Os dois tiveram mais destaque nos quadrinhos após a Crise nas Infinitas Terras, que reformulou a cronologia dos heróis da DC em 1985. O Arqueiro Verde se tornou um vigilante urbano mais durão na excelente fase de Mike Grell, que foi publicada inclusive no Brasil por meio da revista Os Caçadores. Mas Oliver Queen foi dado como morto no meio dos anos 1990 e substituído por seu filho, Connor Hawke, por um tempo. Ele voltou à ativa em 2001 e teve boas fases escritas por Matt Wagner e por Kevin Smith.

Duas ações ajudaram a aumentar sua popularidade nos últimos anos: primeiramente, sua participação como um dos protagonistas da série de TV Smallville, que mostrava as aventuras de Clark Kent antes de se tornar o Superman. Na sexta temporada, Oliver Queen passa a agir como Arqueiro Verde inspirado nos atos do misterioso e desconhecido Borrão, que é o próprio Clark Kent usando seus poderes e usando sua velocidade para não ser visto por ninguém. Da amizade dos dois, nasce o protótipo da Liga da Justiça no seriado, reunindo outros heróis que já haviam aparecido no programa. Interpretado por Justin Hartley, o Arqueiro Verde seguiu como um dos destaques de Smallville até o fim da série em maio deste ano, após 10 temporadas. (Veja mais sobre Smallville e sua versão do personagem aqui).
Outro fator que ajudou sua popularidade foi a divulgação do projeto de um filme, Green Arrow – Escape from Super-Max, na qual o herói seria preso na mesma cadeia para onde havia mandado seus inimigos e precisava sair vivo dali. O roteiro foi desenvolvido por David S. Goyer (o mesmo dos filmes do Batman e do novo Superman), mas não se concretizou até hoje.
No reboot da DC, que começou em agosto, o Arqueiro Verde coube ao roteirista J.K. Tull e ao desenhista/roteirista Dan Jurgens, que vão dar uma repaginada no personagem.

O Aquaman ganhou destaque nos quadrinhos dos anos 1990, principalmente nas mãos do ótimo escritor Peter David, que deu um aporte mais sombrio e raivoso ao personagem. O personagem também apareceu em Smallville e fez tanto sucesso que a Warner capitaneou a produção de um episódio piloto para uma série solo, mas a série não foi aprovada. Mesmo assim, o episódio piloto saiu como extra no Box-Set com todas as temporadas de Smallville. (veja detalhes aqui).

Por um tempo, circulou o boato de que o Aquaman ganharia um filme dirigido por James Cameron (de Exterminador do Futuro e Avatar), mas nada se concretizou.
No reboot da DC, o Diretor Criativo Geoff Johns se encarregou pessoalmente de Aquaman, com a missão de torná-lo um personagem relevante dentro do panorama da editora. Para os desenhos, convidou seu parceiro nas revistas do Lanterna Verde, o desenhista brasileiro Ivan Reis, junto com o também brasileiro Joe Prado.
Veja um preview de cinco páginas da nova Aquaman 01, por Johns, Reis e Prado. (clique nas imagens para ampliá-las).
O Aquaman também está na nova Liga da Justiça, escrita por Geoff Johns e desenhada por Jim Lee.





