
Em 2012 a banda britânica The Rolling Stones completará 50 anos de vida. É um recorde imbatível: nenhum outro grupo de rock permaneceu tanto tempo na ativa, mantendo interesse do público e da crítica em todo esse tempo. Ninguém chegou nem mesmo perto…
Agora, os Stones têm um desafio pela frente: comemorar o aniversário. Nada foi fácil na longa, louca e conturbada história da banda e não o será agora. O guitarrista Keith Richards anunciou ao jornal Spinner que quer comemorar com um show ou uma turnê, mas tem o desafio de organizar a agenda de todos os envolvidos, cada um em meio aos seus projetos individuais: o vocalista Mick Jagger acabou de lançar um álbum com uma nova banda, um supergrupo chamado Super Heavy; o guitarrista Ron Wood se dedica à pintura e à carreira solo; e o baterista Charlie Watts toca com músicos de jazz.
Ainda assim, Richards já garantiu que em dezembro começarão os ensaios entre ele, Wood e Watts, já que a banda não toca há alguns anos, desde o fim da The Bigger Bang Tour, em 2007. Além disso, Richards não vê problema algum em convidar ex-membros do grupo para se juntarem pelo menos em um show especial. O guitarrista afirma:
Todos são benvindos. Não vejo por que todo mundo que já foi um Stone não poderia estar envolvido. Eu ia convidar Bill Wyman para aparecer, e Mick Taylor. Toda a galera. São todos Stones, sabe? (…) A ideia é começar [os ensaios] em dezembro.

Contudo, Mick Jagger não é citado e esse pode ser o maior desafio a enfrentar: conseguir a adesão de Jagger. Segundo o próprio livro autobiográfico de Richards – o fantástico Life/Vida (leia sobre ele no HQRock, clicando aqui e aqui) – o momento em que os Rolling Stones mais chegaram perto do seu fim foi nos meados dos anos 1980, quando Jagger decidiu emplacar uma carreira solo e deixou a banda em segundo plano. Richards chama o evento de “a Terceira Guerra Mundial”, na qual o vocalista tentava tratar a banda como se fossem meros acompanhantes dele.
Para sorte do rock, da música e dos fãs, Jagger e Richards acertaram os ponteiros e a banda “retornou” com álbum e turnê em 1989.

Por isso, é bem provável que os velhos Stones acertem sua agenda e brindem 2012 pelo menos com um grande show para comemorar suas cinco décadas de serviços prestados ao rock and roll.
Os Rolling Stones se formaram na periferia de Londres em 1962 a partir da união dos amigos de infância Mick Jagger e Keith Richards, que sonhavam em montar uma banda de R&B, com o guitarrista Brian Jones, que já era um músico profissional, tocando com a aclamada banda de blues, The Blues Incorporated, a primeira do tipo na Inglaterra. Agregando o baixista Bill Wyman e o baterista Charlie Watts (que também tocou na Blues Incorporated), os Rolling Stones logo se tornaram uma banda sensação no circuito de clubes.
Fazendo residência no Crawdaddy Club, em Richmond, a banda conseguiu um contrato com a gravadora Decca e lançaram um primeiro compacto, que não foi tão bem nas paradas. Mas a segunda tentativa, com uma composição dada de presente pela dupla de compositores John Lennon e Paul McCartney (dos Beatles), chegou ao Top20 das paradas britânicas, resultado consolidado pelo terceiro single, Not fade away, que estourou em todo o país.

Basicamente uma banda de R&B em seus primeiros álbuns, os Rolling Stones começaram a mudar a partir de 1965, quando Mick Jagger e Keith Richards se consolidaram também como uma dupla de compositores e o grupo se tornou uma banda autoral. Isso desequilibrou a balança de poder dentro do conjunto, estabelecendo uma “guerra fria” com Brian Jones, que até então tinha certa eminência. Jagger e Richards embarcaram com peso no Movimento Psicodélico da época e Jones praticamente encostou sua guitarra para se dedicar a instrumentos inusitados, enchendo a música dos Stones de texturas intrigantes com harpas, cítaras, marimbas, salterios, flautas, saxofone, mellotrons etc.

Porém, em meio ao auge do Movimento Psicodélico, em 1967, Jagger, Richards e Jones foram presos por porte de drogas e impedidos de sair da Inglaterra, o que causou uma grave crise na banda. No ano seguinte, decidiram dar um “retorno às origens”, abraçando novamente uma sonoridade mais voltada ao blues, ao folk e ao R&B, dando início à sonoridade pela qual a banda é conhecida até hoje. Entretanto, Brian Jones já estava deveras envolvido com as drogas e começou a se afastar do grupo, resultando em sua demissão e consequente morte em 1969.

Seu lugar foi ocupado pelo excelente guitarrista Mick Taylor, com o qual os Rolling Stones gravaram sua sequência mais memorável de álbuns, como Sticky Fingers e Exile on Main Street, em 1971 e 1972, respectivamente. Porém, problemas com o fisco da Inglaterra “obrigaram” a banda a se exilar do próprio país, passando a morar em outros países da Europa, como França ou Suíça. Os anos 1970 foram de muitos excessos, principalmente de drogas, mas o sucesso continuou, particularmente com suas turnês mundiais e pelos Estados Unidos.

Em 1975, Mick Taylor deixou a banda sem grandes explicações e foi substituído por Ron Wood, mas o final da década não foi generoso para a banda, que sentiu o peso das drogas e dos excessos e não conseguiu manter o nível de qualidade anterior. O disco Some Girls, de 1978, fez bastante sucesso, mas também causou muita polêmica e mal-estar por se aproximar de outros ritmos musicais, como a disco music. Apesar do grande sucesso de Tattoo You, em 1981, os Stones viveram um período de baixa naquela década, culminando na quase separação pós-1985.
Com o retorno em 1989, a banda adotou um esquema de trabalho “mais leve”, no qual lança discos com grandes intervalos de tempo (mais de quatro ou cinco anos) e sempre sai em uma grande turnê mundial em seguida. O baixista Bill Wyman deixou a banda em 1993 e não foi substituído, com os Stones passando a usar um músico contratado para a função de baixista.

Em 2002, a banda comemorou os 40 anos de atividades com uma coletânea dupla chamada Fourty Licks, que foi seguida por uma grande turnê mundial chamada Licks Tour. Em 2005, lançaram seu mais recente álbum de estúdio, A Bigger Bang, que também rendeu a turnê A Bigger Bang Tour, até 2007, que passou pelo Brasil em 18 de fevereiro de 2006, com um gigantesco show gratuito na Praia de Copacabana, no Rio de Janeiro, para um público estimado em 1,5 milhão de pessoas.

A banda está em pausa desde 2007, mas lançou o filme Shine A Light, com um concerto nos Estados Unidos, dirigido pelo celebrado Martin Scorsese, naquele ano, e em 2011, comemorou os 30 anos do álbum Exile On Main Street, com o lançamento de dois filmes, um documentário sobre as gravações e um concerto da época. Atualmente, trabalham no relançamento do álbum Some Girls (com material extra) e no Stones Archives, um site que vai coletar (e vender) material da banda, como cartazes, filmes e shows.

