O diretor Christopher Nolan vem falando bastante sobre o filme.

Ainda esteira da mostra  para a imprensa do Prólogo de seis minutos de Batman – O Cavaleiro das Trevas Ressurge, o último capítulo da trilogia do homem-morcego comandada por Christopher Nolan, o diretor do filme continua dando entrevistas e falando bastante sobre a produção, embora com o cuidado de não revelar muito, pois os detalhes da trama são marcados por segredos. Em conversa exclusiva com o site IGN, o cineasta comentou a escolha de Bane (Tom Hardy) e sua história de origem explorada no filme:

Bem, quando você pensa em fazer uma abertura para o filme, quer fazê-lo de uma maneira chocante com um número chocante direcionado aos personagens. Então, procurando por uma sequência que mostrasse isso – no caso de Bane – sua fisicalidade e sua agressão e devoção ao seu orgulho e esse tipo de coisa. Essas coisas estão enterradas ali.

Há uma liberdade em usar um vilão menos conhecido, você sente mais liberdade criativa para trazer elementos do personagem que você acha que podem servir à história e ignorar outros que não. Mas ao mesmo tempo, nós escolhemos Bane porque ele tem alguns elementos muito únicos sobre quem ele é. Até agora, esta é a ênfase do filme, estou editanto o filme exatamente agora, então, nunca se sabe até estar feito. Mas certamente faremos justiça a isso, ao personagem que escrevemos e aos quadrinhos. E eu penso que a importância de Bane, em nossos olhos, é sua força como antagonista ao Batman. Tudo serve a isso, incluindo a natureza do seu passado e como isso aparecerá na história.

O site questionou sobre o Harvey Dent Act, ou seja, a Lei Harvey Dent, que não se sabe exatamente o que é, mas já surgiu como rumor há alguns dias. Nolan se vê ligeiramente surpreso pelo informação, mas não se nega a comentá-la:

Bem, é engraçado, eu não li sobre isso. Mas há um tipo de legislação e estamos lidando com uma Gotham que segiu em frente. Nos últimos oito anos, houve uma reverência a Harvey Dent do jeito que o Batman intencionava no fim do último filme.

A herança de Harvey Dent será algo importante dentro do novo filme.

O site então questionou se veríamos um momento no filme em que se abre mão dessa mentira – afinal, Harvey Dent (Aaron Eckhart) se corrompe ao final de Batman – O Cavaleiro das Trevas e se torna o Duas Caras, matando policiais corruptos, membros da máfia e atacando a família do Comissário Gordon (Gary Oldman) – e o cineasta simplesmente ri:

(risos) Eu acho que não quero responder essa pergunta.

Pelas imagens de Bane (Tom Hardy) segurando uma fotografia de Harvey Dent e um velho rumor – já comentado no HQRock anteriormente, leia aqui – sobre uma cena na prisão em que o vilão usaria a fragilidade da imagem do ex-Promotor Público de Gotham City para desestabilizar o espírito da cidade. Por isso, como já foi comentado outras vezes aqui, um dos temas centrais do filme será a herança de Harvey Dent e o que significa pautar essa esperança em cima de uma mentira.

Bane exibe uma fotografia de Harvey Dent: profanação da imagem?

Dá para fazer um paralelo muito claro disso com a temática dos outros filmes. O lema de Batman Begins é “por que caímos? Para aprendermos a levantar!”, e o primeiro filme lida com a ideia de que Bruce Wayne (Christian Bale) sozinho seria apenas um homem, poderia ser morto, corrompido, mas como um símbolo, seria imortal, incorruptível, algo a ser seguido, frase esta quase que literalmente pronunciada pelo personagem na cena do jatinho, quando está com Alfred (Michael Caine) a caminho de Gotham.

"Batman Begins" trabalha com a ideia de um símbolo poder inspirar e assustar as pessoas. E a imagem da queda é onipresente.

Em Batman – O Cavaleiro das Trevas, Bruce Wayne sente o peso desse fardo e ele começa a cobrar um preço: seu desgaste emocional e físico; a impossibilidade de manter um relacionamento com a amada Rachel Dawes (Maggie Gyllenhaal) etc. O fato de ser um mascarado desconhecido agindo à margem da lei também é usado pelo Coringa (Heath Ledger) para abalar a fé da população nele. Nesse contexto, Batman começa a pensar que talvez fosse melhor que os gothamitas se guiassem por uma figura “real”, como o novo Promotor Público, Harvey Dent. Ele chega a vislumbrar abandonar a carreira de vigilante para permitir a Gotham seguir um líder real, confiável. Mas os planos do Coringa, como já dito, terminam por corromper Dent e transformá-lo em um tipo de terrorista social, o Duas Caras.

Em "O Cavaleiro das Trevas", o símbolo "real" termina pervetido em Duas Caras.

No fim, Batman e o Comissário Gordon terminam por optar manter a imagem de Dent imaculada e esconder seus crimes, mantendo sua imagem intocável e criando o mito do “cavaleiro branco” de Gotham, enquanto o homem-morcego assume a culpa pelos crimes e passa a ser perseguido pela polícia, agora de verdade e não de mentirinha como era no início do filme (em que a polícia acha ótimo que um vigilante esteja fazendo o trabalho dela).

Agora, em Ressurge, o tema da queda com certeza irá retornar, afinal, fall e rises são antônimos no inglês. Talvez Bruce Wayne seja forçado a usar a ideia do símbolo ao máximo dessa vez com todas as suas implicações e, com certeza, será relembrado da expressão “por que caímos? Para aprendermos a levantar!” (dita por seu pai) quando, de alguma maneira “sumir do mapa” por uns tempos – isso é oficial, afinal, no teaser trailer Gordon afirma que Batman sumiu.

O novo poster do filme: o fim da lenda.

O motivo desse sumiço é especulação, mas muito provavelmente se deve a uma surra que Batman sofre de Bane, algo que o novo cartaz parece sugerir muito bem. Bane não irá deixar Batman paralítico como nos quadrinhos, nem quebrar sua coluna, mas irar “quebrar” o morcego em um sentido literal, derrotá-lo de uma maneira física como nunca ocorrera antes. Nolan já anunciou em entrevistas recentes que Bane é um oponente físico que o Batman ainda não tivera no cinema. Debilitado – Christian Bale foi flagrado gravando cenas com uma bengala em Los Angeles – Bruce Wayne vai deixar de ser o Batman por um tempo, mas um grande ataque da Liga das Sombras irá forçá-lo a retomar o manto do morcego. Esse deve ser o componente “rises” do filme: ele irá ter que se reerguer (e não ressurgir como diz o título brasileiro).

Nolan promete um paralelo entre as vidas de Batman e Bane: dois lados da mesma moeda?

Essa deverá ser a tônica do filme. Agora, qual o final disso é um mistério. As entrevistas de Nolan e Bale sugerem que este filme é o fim da saga do Batman, algo que a chamada do novo cartaz reforça: “O Fim da Lenda”, ele diz. O HQRock já especulou a respeito (leia aqui): Bruce Wayne pode morrer, escolher um sucessor – que pode ser a Mulher-Gato (Anne Hathaway) ou o policial John Blake (Joseph Gordon-Levitt) – e sair de cena ou algo no meio dos dois, tal qual a história Batman: O Cavaleiro das Trevas, de Frank Miller, ser dado como morto, deixar de ser o Batman, mas continuar agindo nas sombras, como um tipo de guerrilheiro urbano com um grupo de ajudantes.

Como Ressurge se passa oito anos após o filme anterior, Bruce Wayne estará na casa dos 40 anos e, num mundo realístico como o destes filmes, deverá já estar muito debilitado fisicamente, de modo que não poderá mais ser o Batman por muito tempo.

Seria a Mulher-Gato um tipo de sucessora?

Quanto a Bane, o comentário do cineasta parece, estranhamente, reforçar a ambientação declarada por uma fonte anônima que, semanas atrás, “revelou” uma descrição falsa do Prólogo de seis minutos (leia a falsa aqui e a verdadeira aqui). A tônica daquela descrição falsa seria uma sequência de cenas que mostrariam a origem de Bane de modo espelhado à de Bruce Wayne: na infância, enquanto Bruce teria uma amiga em Rachel Dowes, Bane teria em Talia, a filha de Henri Ducard, o Ra’s al Ghul (vivido por Liam Neeson no primeiro filme; Talia não está confirmada no novo filme, mas todos pensam que este é o real papel de Marion Cotillard); Bruce perde os pais, Bane sofre um acidente em um incêndio e é quase morto; Bruce foge de Gotham em busca dos elementos para se tornar o que seria, Bane passa por experimentos científicos; Bruce e Bane são treinados na Liga das Sombras por Ra’s Al Ghul, e Bane seria “introduzido” como um dos mascarados anônimos que acompanharam o treinamento de Bruce no primeiro filme.

O policial John Blake também pode ser um sucessor? O Asa Noturna? Um novo Batman?

Embora, por motivos óbvios, este não seja o Prólogo revelado à imprensa dias atrás – e que passará nos cinemas IMAX antes das cópias de Missão Impossível – Protocolo Fantasma no dia 16 de dezembro nos EUA e no dia 21 no Reino Unido – esse espelho entre as biografias de Batman e Bane combinam bastante com as declarações de Nolan, quando diz que “a importância de Bane, em nossos olhos, é sua força como antagonista ao Batman. Tudo serve a isso, incluindo a natureza do seu passado e como isso aparecerá na história”.

Com a campanha viral dando seus primeiros passos, mais coisas devem acontecer. E pode esperar que essa Lei Harvey Dent – talvez uma regulamentação que proiba o vigilantismo (ou seria o contrário, já que ele se mostra a favor do Batman no filme?) – será, no futuro breve – um dos elementos da campanha.

Escrito por David S. Goyer e dirigido por Christopher Nolan, Batman – O Cavaleiro das Trevas Ressurge tem no elenco: Christian Bale (Batman/Bruce Wayne), Gary Oldman (Comissário Jim Gordon), Michael Caine (Alfred Pennyworth), Anne Hathaway (Selina Kyle/Mulher-Gato), Tom Hardy (Bane), Marion Cotillard (Miranda Tate), Joseph Gordon-Levitt (John Blake), Morgan Freeman (Lucius Fox), Josh Pence (o jovem Ra’s Al Ghul), Juno Temple (Holly Robinson), Nestor Carbonell (prefeito de Gotham, Anthony Garcia), Matthew Modine (Nixon),  Alon Abutbul (Dr. Leonid Pavel), Aiden Gillen (agente da CIA), Daniel Sunjata (policial), Diego Klattenhoff (policial), além de Adam Rodriguez, Rob Brown, Will Estes, Josh Stewart, Burn Gorman, Joey King e Tom Conti em papeis não anunciados. A data de estreia no Brasil será em 27 de julho de 2012, uma semana após a estreia nos EUA.