Finalmente, Batman – O Cavaleiro das Trevas Ressurge, o último capítulo da trilogia comandada por Christopher Nolan sobre o homem-morcego publicado pela DC Comics e levado ao cinema pela Warner Bros., estreou no Brasil.

O que dizer desse filme? Talvez possamos começar dizendo que Christopher Nolan encerra sua bathistória de uma maneira impressionante. O filme tem uma dimensão gigantesca; uma trama envolvente e cheia de reviravoltas; personagens cativantes e convincentes; vilões poderosos; uma ameaça catastrófica; e o fim da trilogia.
Neste ponto, um parêntese: Assim, como X-Men e Homem-Aranha, o Batman encerra sua trilogia recente; mas diferente daquelas, o cavaleiro das trevas encerra de verdade sua história, de maneira mais convincente e melhor do que as outras. Sim, Homem-Aranha 3 sofreu muita intervenção do estúdio e isso prejudicou a qualidade do filme; enquanto X-Men 3 mudou de diretor e equipe criativa, o que quebra o direcionamento da trama.
Batman, ainda bem, não sofre desse mal. Nolan e sua equipe terminam sua história como queriam, sem interferências do estúdio. Se por um lado, Ressurge funciona menos como um filme isolado do que Begins e O Cavaleiro das Trevas – já que recorre a muitos elementos dos filmes anteriores, inclusive, com reprises de cenas que ajudam a explicar algumas subtramas – por outro, o novo filme é, dito assim de imediato após assisti-lo, o melhor da trilogia.

A trama é, surpreendentemente, mais simples do que a de O Cavaleiro das Trevas, que tinha uma miríade de subtramas que iam se complementando. Ressurge não é linear, mas suas subtramas estão mais interligadas, o que facilita seu acompanhamento. Os personagens são muito bem apresentados e são eles quem movem o filme e a trama.
Como é de se esperar de Nolan, os personagens são muitos – Bruce Wayne, Alfred Pennyworth (seu sobrenome, salvo engano, é citado pela primeira vez na trilogia), Comissário Gordon, Selina Kyle, Bane, John Blake, Miranda Tate, Vice-Comissário Foley, Lucius Fox, John Daggett – mas nenhum é gratuito e cada um tem uma função muito específica na trama e acrescentam camadas.

Ressurge começa oito anos após o fim do anterior: Harvey Dent (Aaron Eckhart, o Duas Caras) é adorado como um herói porque Batman e o Comissário Gordon armaram um plano no qual o próprio homem-morcego foi culpabilizado pelos crimes do Duas Caras e é perseguido pela polícia; o prefeito sancionou a Lei Harvey Dent que deu mais poderes à polícia e transferiu os criminosos do Asilo Arkham para a Prisão Blackgate; Gotham City tem índices baixíssimos de criminalidade; Bruce Wayne vive como um ermitão, afastado de sua vida social e correm boatos de que sofreu um acidente e está deformado; mas nem tudo são flores.
Nos subterrâneos, literalmente, ameaças são forjadas, o passado do Batman virá para bater à sua porta e, sem querer, as ações de Selina Kyle levarão a um grande caos. Talvez seja o momento de Batman voltar…

Não se pode ir além disso sem começar a revelar segredos, mas o espectador irá perceber que a trama se desenvolve bem (às vezes rápido) amarrando pontas-soltas e trazendo algumas surpresas. Os fãs dos filmes anteriores adoraram ver as referências ao passado, enquanto os fãs dos quadrinhos são premiados com inúmeras referências, inclusive, com o personagem John Daggett, advindo diretamente de Batman – A Série Animada e também com algumas aparições nos quadrinhos do fim dos anos 1990.
Esse fã também perceberá que toda a trama do filme é, na verdade, toda baseada nos quadrinhos, usando arcos como A Queda do Morcego e Terra de Ninguém.

O fã pode perguntar: há a cena em que Bane “quebra” Batman? O que você acha?
Ressurge traz um retrato impressionante do Batman como personagem. Como ele seria na vida real? O que alguém como ele faria após tantos anos de combate ao crime? Que decisões tomaria? Christian Bale está em seu melhor momento na série. Seu trabalho é impressionante.

Os atores em sua maioria estão excelentes. Michael Caine poderia ganhar um Oscar por sua participação como Alfred. Tom Hardy está assustador como Bane, com seus olhos fazendo todo o trabalho (e sim, a voz foi corrigida para ficar audível). Anne Hathaway surpreende como a Mulher-Gato. E preste atenção no John Blake de Joseph Gordon-Levitt, que traz o grande elemento humano do filme e é fundamental à trama.

O aspecto visual do filme é impressionante. As filmagens em IMAX deixam as imagens lindas, vivas e em altíssima resolução. Ao contrário dos anteriores, a maior parte de Ressurge se passa durante o dia, o que permite vermos detalhes dos cenários, dos figurinos e do Batman. Pela primeira vez, vemos a armadura, o rosto, os olhos e a expressão do Batman de perto às claras, o que é uma grata surpresa.

Gotham City é mostrada o tempo todo, com filmagens aéreas mostrando seus prédios, pontes, a ilha e o continente. Ela é formada pela junção de Londres, Pittsburgh, Los Angeles, Nova York e Nova Jersey, e todas parecem mesmo ser uma só no filme. A grande quantidade de cenas externas faz parecer uma cidade de verdade. Mas uma Gotham de verdade, não apenas uma Nova York com outro nome.
Como nos outros, Nolan carregou o filme de humor e ironia, nunca de maneira excessiva. Principalmente no início, é ótimo observar tais qualidades nos diálogos com Alfred, Lucius Fox e, especialmente, entre Bruce Wayne e Selina Kyle. O humor desaparece no segundo ato e daí para frente é só adrenalina crescente até um clímax final que deixa as pessoas sem saber o que pensar.
E a penúltima cena do filme – aquela que o roteirista David S. Goyer disse em entrevista que foi a primeira que ele e Christopher Nolan escreveram há quatro anos e que permaneceu intocável – arrancou aplausos do cinema lotado em que assisti.

A última cena é o fim. E o começo.
Com história de David S. Goyer e Christopher Nolan; roteiro de Christopher Nolan e Jonathan Nolan; dirigido por Christopher Nolan, Batman – O Cavaleiro das Trevas Ressurge tem no elenco: Christian Bale (Batman/Bruce Wayne), Gary Oldman (Comissário Jim Gordon), Michael Caine (Alfred Pennyworth), Anne Hathaway (Selina Kyle/Mulher-Gato), Tom Hardy (Bane), Marion Cotillard (Miranda Tate), Joseph Gordon-Levitt (John Blake), Morgan Freeman (Lucius Fox), Liam Neeson (Ra’s Al Ghul), Josh Pence (o jovem Ra’s Al Ghul), Juno Temple (Holly Robinson), Nestor Carbonell (prefeito de Gotham, Anthony Garcia), Matthew Modine (vice-comissário Foley), Ben Mendelsohn (John Daggett), Burn Gorman (Stryver), Alon Abutbul (Dr. Leonid Pavel), Tom Conti (velho da prisão), Cyllan Murphy (Dr. Jonathan Crane), Joey King (jovem Talia Al Ghul), Aiden Gillen (agente da CIA), Daniel Sunjata (Capitão Jones), Diego Klattenhoff (policial), além de Adam Rodriguez, Rob Brown, Will Estes, Josh Stewartem papeis menores. A data de estreia no Brasil foi em 27 de julho de 2012.
Batman foi criado pelo cartunista Bob Kane em 1939 e desde então é publicado pela DC Comics.


A melhor critica que vi do filme ate agora,conseguiu resumir tudo sem dar spoilers,vou conferir o filme amanha,mas estou meio triste que seja o ultimo da triologia.Agora so nos resta reassistir quando tivermos saudades.
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Valeu, Guilherme.
Vá sem medo: the fire rises!
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Assim esta diiícil! Estou sem grana e ansiedade estar de matar para ver o filme! Acho que vou vender o visa vale….
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Vale a pena, Alrimar!
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Expectativas altas com o filme , ele não decepciona , nos entrega mais uma vez uma obra de arte feita com um personagem de quadrinhos,um tapa na cara dos “cinéfalos” preconceituosos!Dos filmes de 2012 ate agora,esse merecia um indicação ao Oscar!Mas que infelizmente não deve acontecer.
Como estudante de cinema , deixe me dizer que Nolan me ensinou a acreditar que um filme que a primeira vista é comercial(por causa do personagem ter uma popularidade extrema) pode ser uma obra de arte , e sobre Michael Cane, um ator extremamente subestimado merecia muito mais do que os dois oscars que já venceu (mas Al pacino ate hoje só ganhou um… então né). Encerrou a trilogia sem decair como Superman,Homem Aranha, X-Men ,se manteve em alto nível, aliás até ao contrario foi ficando melhor em cada filme. Não achei superior ao The Dark Knight (pois considero esse o climax da trilogia) mas encerra com chave de ouro sem dúvida.
E como dito perfeita resenha, enalteceu as qualidades sem spoilers! Parabéns Irapuan.
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Obrigado, Guilherme.
Quem sabe Batman repita a história de O Senhor dos Aneis e termine indicado nas categorias principais? Podia rolar até uma indicação para Michael Caine…
Um abração!
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Excelente crítica, gostei quando falou que é o melhor da trilogia, eu também penso assim, e talvez a maioria não tenha coragem de falar isso, porque ao comparar, a primeira coisa que vem a mente é o Coringa, e isso gera a confusão mental. Mas como um filme completo, digno de HQ’s, esse é melhor.
Bane é assustador, e ao mesmo tempo altamente carismático.
Parabéns pela qualidade dos posts, incrível.
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Puxa, Felipe, valeu mesmo pelos elogios. Concordo totalmente com você quanto ao filme.
Um grande abraço!
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