Mick Taylor nos Stones em 1969.
Mick Taylor nos Stones em 1969.

Em uma entrevista ao programa de TV Late Night with Jimmy Fallon, o guitarrista britânico e membro dos Rolling Stones, Keith Richards, deu uma grande boa notícia: a nova turnê da banda pelos EUA, entre maio e junho, terá a participação especial do também guitarrista Mick Taylor, que foi membro da banda entre 1969 e 1974.

No programa, o lendário Richards comentou:

Teremos a beleza da guitarra de Mick Taylor dessa vez. Ter uma terceira guitarra agregada significa que vamos ter uma interessante turnê.

Taylor já havia tocado de novo com a banda, no ano passado, nos concertos que o grupo fez no O2 Arena, em Londres, durante as comemorações dos 50 anos de atividades dos Rolling Stones, executando com a banda a canção Midnight rambler, que era um dos grandes momentos de palco do período em que esteve como ativo.

Mick Taylor é considerado um dos maiores guitarristas britânicos de blues do período do fim dos anos 1960 e o início dos anos 1970. Nascido na cidade de Welwyn Garden, em 1949, aprendeu a tocar a guitarra aos nove anos de idade e, depois que a família migrou para Londres, tornou-se um assíduo frequentador da quente cena de R&B da cidade, que envolvia várias bandas e artistas. Seu primeiro grupo foi The Juniors and the Strangers, que até lançou um single, em 1964.

Mick Taylor (esq.) toca com Ron Wood e Keith Richards no concerto de aniversário da banda, em 2012.
Mick Taylor (esq.) toca com Ron Wood e Keith Richards no concerto de aniversário da banda, em 2012.

Um fato curioso também ocorreu em 1965, quando assistia a um concerto da banda John Mayall’s Bluesbreakers em um clube e notou que o (então já lendário) guitarrista Eric Clapton faltara à apresentação. No intervalo, Taylor, então com 16 anos (!), foi aos bastidores tentar convencer o líder Mayall de que poderia tocar com eles no resto do show, já que conhecia as canções. Após uma rápida audição, Mayall concordou e o rapaz teve sua grande oportunidade, o que foi decisivo para o seu futuro.

Ainda em 1965, o The Juniors and the Strangers acabou, mas parte de seus membros formou a banda The Gods, que continha também o tecladista Ken Hensley, mais tarde, famoso na banda Uriah Heep. Esta banda, inclusive, abriu um concerto do grupo Cream – a nova banda de Eric Clapton – em 1966 em Wembley.

Para muitos a formação com Mick Taylor (segundo esq.) é a melhor da banda.
Para muitos a formação com Mick Taylor (segundo esq.) é a melhor da banda.

Falando nele, após sair dos Bluesbreakers, Clapton fora substituído por Peter Green, um jovem mais ou menos da mesma idade de Mick Taylor. Contudo, uma série de desentendimentos entre Green e Mayall motivaram a saída do novo guitarrista pouco tempo depois, levando os outros companheiros de banda consigo para formar a banda Fleetwood Mac, em 1967.

Com isso, Mayall chamou Mick Taylor para ingressar uma nova versão dos Bluesbreakers. Mayall era um dos músicos mais populares do circuito alternativo de Londres e foi uma grande vitrine para Taylor, que tocou no álbum Crusade, um dos mais célebre daquela banda, lançado em 1968.

Taylor (em primeiro plano), com os Rolling Stones no Hyde Park em 1969: show histórico.
Taylor (em primeiro plano), com os Rolling Stones no Hyde Park em 1969: show histórico.

Enquanto isso, os Rolling Stones enfrentavam sérios problemas com o guitarrista e fundador da banda Brian Jones, atolado em drogas. Cada vez mais ausente, Jones terminou demitido do grupo no início de 1969. Na busca por um substituto, o nome de Mick Taylor se destacou e ele ingressou nos Stones com meros 20 anos de idade.

Sua entrada foi meio traumática porque o show da banda que deveria apresentá-lo ao mundo, no Hyde Park, em julho de 1969, terminou virando um réquiem para Brian Jones, que morreu três dias antes.

O período em que Taylor ficou com a banda, entre 1969 e 1974, consiste para muito no apogeu dos Rolling Stones, envolvendo álbuns como Let it Bleed (1969), Stinky Fingers (1971) e Exile on Main Street (1972), além de faixas como Honky tonky women, Gimme shelter, brown sugar, Wild horses, Trumbling dice, Rock off e muitas outras.

Para a maioria dos críticos, a grande contribuição de Taylor à banda foi o acréscimo do elemento melódico à guitarra de natureza rústica e dura de Keith Richards. Enquanto este cuidava de riffs e aberturas, Taylor criava fraseados de fundos ou slides que davam maior beleza à sonoridade dos Stones. Esse elemento não está presente nos outros dois guitarristas que a banda teve – Brian Jones antes e Ron Wood depois.

Taylor saiu dos Stones em 1974, após as gravações do álbum It’s Only Rock and Roll, em circunstâncias nunca totalmente esclarecidas e se manteve longe do holofotes desde então. Seu lugar foi ocupado por Ron Wood, que continua na banda até hoje.

Os Rolling Stones se formaram em Londres em 1962, dentro do circuito de R&B da cidade. Lançaram seus primeiros discos no ano seguinte e em 1964 alçaram o sucesso nacional. Em seguida, em 1965, veio o superhit (I can’t get no) Satisfaction e a aclamação mundial. Desde então, é uma das principais e mais influentes bandas de rock ainda em atividade.

Para comemorar seus 50 anos de atividades, a banda lançou recentemente a coletânea Grrr!, um álbum triplo com seus maiores sucessos e duas faixas inéditas; um documentário autobiográfico chamado Crossfire Huricane; e um livro de fotografias.