Logo da Panini Comics, que no Brasil publica tanto a Marvel quanto a DC, editoras que são concorrentes nos EUA.
Logo da Panini Comics, que no Brasil publica tanto a Marvel quanto a DC, editoras que são concorrentes nos EUA.

Uma boa notícia para os fãs de quadrinhos! A editora Panini Comics, que edita o material original da Marvel Comics e da DC Comics no Brasil, anunciou recentemente que está rodando novas impressões de alguns de seus livros mais vendidos. Com isso, uma série de revistas especiais, aquelas mais clássicas entre todas as clássicas, estão voltando às livrarias.

Parece que finalmente o mercado de quadrinhos para livrarias no Brasil está adotando as regras do mercado editorial em geral: em vez de ficar lançando novas versões das mesmas histórias, porque não simplesmente lançar novas edições do mesmo, como nos livros? Afinal, as edições definem a tiragem: um livro destinado ao sucesso sai das gráficas com uma tiragem em torno de 20 mil unidades; uma vez vendidas, produz-se uma nova reimpressão ou uma nova edição. Com isso, livros de sucesso têm 22, 30 edições já lançadas.

Alguns dos lançamentos de maior sucesso da Panini no Brasil, normalmente, simplesmente “somem” das livrarias depois de algum tempo, por causa das tiragens limitadas. Se por um lado isso garante que o fã compre logo o seu volume; a médio prazo isso é uma estratégia idiota, pois seis meses depois, a editora inviabiliza que novos leitores adquiriam seu material.  Um leitor que quisesse hoje ler Os Supremos Vol. 01, da Marvel, não o encontraria em nenhuma livraria brasileira, simplesmente porque está esgotado há anos. Mas ao não disponibilizar novas edições, a editora impede esse novo leitor de comprar o material.

Todavia, isso parece estar mudando! A Panini anunciou que alguns de seus encadernados de maior sucesso estarão de volta às livrarias: Guerra Civil, Supremos, Ano Um, Piada Mortal e Batman e Filho. Vejamos alguns detalhes sobre eles:

Guerra Civil: marco moderno do Universo Marvel.
Guerra Civil: marco moderno do Universo Marvel.

Guerra Civil. Marvel. 2006-2007. Por Mark Millar e Steve McNiven. É a minissérie que mudou a história recente do Universo Marvel. Na trama, o grupo de heróis de segunda, Os Novos Guerreiros, causam sem querer uma grande tragédia e mais de 600 pessoas, a maioria crianças, morrem em uma explosão. Como resultado, o Governo dos EUA aprova a Lei de Registro de Super-Humanos, que obriga a todos aqueles que tenham poderes a se registrar: revelar seus nomes e endereços e receber um treinamento do Governo. Na época, Tony Stark, o Homem de Ferro, era o Secretário de Defesa dos EUA e o Diretor da SHIELD, de modo, que aprova a lei e torna-se o seu maior defensor público. Por outro lado, toda uma facção de super-heróis, liderada pelo Capitão América, se coloca contra a lei, por entendê-la que ofende aos Direitos Civis dos cidadãos. Mas lei é lei e o Homem de Ferro quer obrigar todos a segui-la, o que transforma o racha em uma guerra civil entre super-heróis. Logo, os Vingadores “legalistas“, com Homem de Ferro, Viúva Negra, Miss Marvel e outros passa a perseguir os Vingadores “fora da lei“, de Capitão América, Wolverine e Luke Cage. O Homem-Aranha desempenha um papel fundamental, assumindo um dos lados e depois mudando de ideia. O resultado não pode ser outro: uma grandiosa batalha entre Homem de Ferro e Capitão América que deixará sequelas para sempre.

Publicada como uma minissérie em sete edições, Guerra Civil é, talvez, a melhor história da Marvel nos últimos 20 anos e, ao contrário da maioria dos megaeventos, deixou realmente uma marca forte no universo ficcional da editora. Suas sequelas demoraram anos para se dissolverem. Leitura obrigatória.

Encadernado com outro lado da Guerra Civil: capa de Mike Deodato Jr.
Encadernado com outro lado da Guerra Civil: capa de Mike Deodato Jr.

Os Novos Vingadores: Guerra Civil. Marvel. 2006-2007. Por Brian Michael Bendis, Steve McNiven, Mike Deodato Jr. e David Finch. Essa série de aventuras dos Novos Vingadores (a encarnação da equipe pós-2004) reflete, na revista mensal deles, os antecedentes e as consequências da Guerra Civil, publicada paralelamente como minissérie. São aventuras em que a formosa equipe formada por Capitão América, Homem de Ferro, Homem-Aranha, Wolverine, Luke Cage e Mulher-Aranha se vê desmontada e divida pela Lei de Registro de Superseres.

Os Supremos: clássico contemporâneo.
Os Supremos: clássico contemporâneo.

Os Supremos, Vol. 1. Marvel. 2004-2006. Por Mark Millar e Bryan Hitch. Em 2000, a Marvel criou o Universo Ultimate, uma versão mais moderna e contemporânea de seus heróis clássicos. Em 2004, o Ultiverso ganhou sua versão dos Vingadores: nas mãos radicais de Mark Millar, a equipe se transforma em um grupo mais militarizado, comandado por Nick Fury e a SHIELD, ao mesmo tempo em que as personalidades de seus membros são levadas ao limite: Fury é um mentiroso e manipulador; o Homem de Ferro é ainda mais cínico; Capitão América é um homem “das antigas” e mais durão; Thor é visto como um ativista hippie que ninguém acredita ser mesmo o deus do trovão; Hulk é um monstro furioso e canibal; o Gigante (Hank Pym) é um cientista problemático, meio louco e que bate na mulher, a Vespa; Viúva Negra e Gavião Arqueiro são agentes matadores da SHIELD. Mais moderna e realista, a abordagem dos Vingadores por Millar é uma das grandes obras dos quadrinhos da atualidade, emoldurada pela arte fotográfica de Bryan Hitch, algo memorável mesmo. Leitura de alto nível para qualquer leitor. Sem dúvida, uma das grandes inspirações para o filme Os Vingadores, de 2012. Os Supremos tiveram outros volumes publicados – apenas o segundo novamente por Millar e Hitch – mas nenhum deles teve o mesmo brilho do primeiro.

Ano Um: origem definitiva do Batman.
Ano Um: origem definitiva do Batman.

Batman: Ano Um. DC Comics. 1987. Por Frank Miller e David Mazzucchelli. Em 1985, a DC Comics publicou a megassaga Crise nas Infinitas Terras, que mudou totalmente a cronologia da editora, qualificando e resumindo 50 anos de revistas publicadas. Assim, foram criadas novas origens para seus personagens, que os modernizassem para os dias atuais. O Superman ganhou a clássica O Homem de Aço de John Byrne. O Batman a ainda mais espetacular Ano Um de Frank Miller. É a origem definitiva do homem-morcego: uma história carregada de tensão e suspense; uma abordagem realista, sem menção aos outros heróis da DC; uma Gotham City destruída pela corrupção, impunidade, poluição, drogas e prostituição. E um Batman jovem, inexperiente, errando e acertando, mas ainda assim, implacável, sombrio e violento. Na trama, aos 25 anos de idade, Bruce Wayne volta a Gotham City depois de anos rodando o mundo e treinando para combater o crime. Mas uma vez de volta, precisa encontrar um método para combatê-lo. Ao mesmo tempo, o tenente Jim Gordon (o futuro Comissário) é transferido de Chicago para Gotham e, logo, temos um policial incorruptível em uma polícia totalmente corrupta. Enquanto tenta se infiltrar no submundo do crime, Bruce Wayne precisa encontrar uma maneira de combater a máfia liderada pela família Falconi para limpar a sujeira das ruas da cidade e decide radicalizar, transformando-se no Batman, um vigilante perseguido pela polícia, que precisa escapar da lei ao mesmo tempo em que combate a máfia. Um clássico atemporal abrilhantado pela narrativa ágil de Miller e os desenhos espetaculares de Mazzucchelli. Ano Um foi a principal inspiração (mais de ambientação do que de trama) para o filme Batman Begins, de 2005, bem como de toda a Trilogia Cavaleiro das Trevas, de Christopher Nolan. A minissérie também foi adaptada como um desenho animado em longametragem espetacular, lançado pela DC Animated.

Detalhe da capa de "A Piada Mortal": por dentro da mente do Coringa.
Detalhe da capa de “A Piada Mortal”: por dentro da mente do Coringa.

Batman: A Piada Mortal. DC Comics. 1988. Por Alan Moore e Brian Bolland. Alan Moore se tornou um dos maiores nomes da história das HQs com suas histórias adultas e magníficas, como Watchmen e V de Vingança. O britânico fez várias obras para a DC Comics e um dos destaques é este confronto definitivo entre o Batman e o Coringa. Escapando mais uma vez do Asilo de Arkham, o Coringa decide provar de uma vez por todas o seu ponto de vista: o de que qualquer um pode enlouquecer ao ser confrontado com situações extremas. E para provar sua teoria, escolhe como cobaia o Comissário Gordon. Num ato de insanidade calculada, dá um tiro em Barbara Gordon (a filha do policial – e que secretamente era a Batgirl), que o deixará paralítica. Mas não é só isso: o Coringa sequestra a moça e a estupra, obrigando Gordon a assistir tudo. Enquanto isso, fazemos um mergulho na psiquê do vilão e o vemos rememorando suas origens, mas como saber o que é verdade e o que é ficção na mente de um louco? Uma história genial que influenciou definitivamente a visão do Coringa na magistral interpretação de Heath Ledger em Batman – O Cavaleiro das Trevas, de 2008.

Batman e Filho: introduzindo Damian Wayne.
Batman e Filho: introduzindo Damian Wayne.

Batman e Filho. DC Comics. 2006-2007. Por Grant Morrison e Andy Kubert. Grant Morrison é um dos maiores escritores de HQs da atualidade, com suas histórias complexas, cheias de detalhes e carregadas de metalinguagem. Aqui o escritor assume a revista mensal do Batman pela primeira vez (numa temporada que duraria cerca de sete anos!) e desenvolve a trama que explora o legado do Batman no mundo. O homem-morcego sofre um ataque da ex-amante Talia Al Ghul, a filha do vilão Ra’s Al Ghul, e descobre que teve um filho com ela, nascido oito anos antes! O menino se chama Damian Wayne e foi treinado pela mãe para ser um assassino. Batman precisa tanto impedir o nefasto plano de Talia quanto se esforçar para salvar o menino que agora é seu herdeiro legítimo. A história não se encerra aqui, pois é apenas o início do longuíssimo arco de Morrison, mas é uma boa aventura do Batman.

Batman foi criado pelo cartunista Bob Kane em 1939 e desde então é publicado pela DC Comics.

Os Vingadores surgiram em 1963, criados por Stan Lee e Jack Kirby, publicados em The Avengers 01, reunindo personagens já criados previamente. Mais importante supergrupo da Marvel Comics, fazer parte da equipe significa ter um status diferenciado de importância no Universo da editora.