Nesses dias foi oficializada a mudança da liderança da LucasFilm, estúdio de cinema e TV pertencente a The Walt Disney Company, e que é responsável pela franquia Star Wars em todas as suas instâncias. A veterana executiva Kathleen Kennedy deixa a presidência da companhia e assume a dupla Dave Filoni e Lynwen Brennan, como novos co-CEOs. Ambos se reportarão diretamente a Alan Bergman, que é o presidente da Disney Entertainment.

Kathleen Kennedy deixa a liderança da LucasFilm.

Kennedy foi escolhida pelo próprio George Lucas, criador de Star Wars e fundador da LucasFilm, quando ele decidiu se aposentar em 2013 e vender sua empresa para a Disney, por 4 bilhões de dólares. Ela era seu braço direito no estúdio e a produtora que realmente botava a mão na massa na execução de seus projetos.

A Trilogia Sequência trouxe potencial… mas desperdiçou.

Sua gestão na liderança da LucasFilm, contudo, foi marcada por polêmicas e fracassos. Ela lançou a chamada Trilogia Sequência, iniciada com O Despertar da Força (2015), que apresentou uma nova leva de personagens – Rey, Finn, Ben Solo etc. – e fez muito sucesso de bilheteria, mas ao mesmo tempo em que preocupou fãs e críticos com algumas escolhas criativas críticas. Os dois seguintes (Os Últimos Jedi, 2017; A Ascensão Skywalker, 2019) seguiram com sucesso, com bilheterias acima de 1 bilhão, mas em médio prazo deixaram um gosto amargo, por fracassarem em contar um história interessante, em dar espaço ou desenvolvimento aos personagens novos ao mesmo tempo em que desperdiçavam o potencial dos personagens velhos, vividos por seus atores originais, cada qual com escolhas criativas difíceis que deixaram os fãs antigos frustrados.

Rogue One foi um grande sucesso.

Para piorar, Kennedy, apoiada pelo CEO da empresa-mãe Disney, Bob Iger, decidiu investir em spin-offs da saga principal, mas enquanto Rogue One (2016) foi aclamado e um grande sucesso (ainda que tenha tido uma produção complicada), Han Solo (2018) foi um fiasco em todos os aspectos, desagradando todo mundo, inclusive, os envolvidos. E mais: a gestão teve como marca principal o anúncio de projetos bombásticos não realizados: filmes ou trilogias de diretores como James Mangold (Logan), Patty Jenkins (Mulher-Maravilha), Rian Johnson (Os Últimos Jedi), Taika Waititi (Thor – Ragnarok)… foram anunciados oficialmente e nunca realizados, além de filmes sobre Obi-Wan Kenobi e Boba Fett e outros.

Han Solo foi um fiasco.

Ou seja, em um punhado de poucos anos, a saga Star Wars saiu de um frenesi de relançamento para um gosto de frustração e fracasso, ainda antes do fim da década.

O Mandaloriano e Grogu.

Com a crise da pandemia de Covid-19, em 2020, e os fracassos no cinema, a LucasFilm decidiu investir na TV via streaming do Disney+ e lançou seu maior sucesso num sentido criativo, a série The Mandalorian, baseada em um personagem novo surfando na tradição dos mais antigos Boba Fett e Jango Fett, que apresentou também o fofíssimo Grogu, mais conhecido como Baby Yoda. O sucesso gerou várias derivadas, como Boba Fett, Ashoka, Kenobi, que foram recebidos de modo mais misto, e outros projetos anunciados e não realizados.

A volta de Bob Iger ao comando da Disney (após uma breve aposentadoria) e a estratégia da companhia em recuperar as perdas pós-pandemia (inclusive, nas bilheterias), trouxe a ordem de diminuir o volume de produção e investir mais em cinema e menos em TV, o que gerou os dois produtos próximos da LucasFilm: os filmes The Mandalorian and Grogu e Starfighters. Porém, em vista do passado recente, a saída de Kennedy da presidência do estúdio já era esperada.

Filoni nas gravações da série de TV, Ashoka.

Também era esperado o seu substituto: Dave Filoni é um veterano de Star Wars… ele foi um dos criadores, produtores e showrunner de A Guerra dos Clones, o desenho animado que preencheu as lacunas desse importante evento na cronologia da saga e que foi lançado com sucesso em 2008 e que teve 5 temporadas (até 2013) ganhando ainda uma sexta (2014, pela Netflix) e uma sétima (em 2020, no Disney+), sendo Filoni creditado como o grande criador de Ashoka Tano, a protagonista da série que, depois, ganhou uma versão live action em The Mandalorian e sua própria série.

Ele também foi um dos produtores de The Mandalorian, ao lado do criador desta, Jon Fraveau, o que coloca Filoni à frente de alguns dos principais produtos de sucesso da companhia em anos recentes.

Ao lado dele, que será responsável pela parte criativa, haverá a produtora Lynwen Brannan, mais ligada à parte de negócios e administração. Esse modelo em duplas vem sendo adotado por vários estúdios – inclusive no DC Studios – como uma maneira de equilibrar criatividade e contabilidade para projetos mais viáveis.

Não está claro ainda qual é o plano de Filoni para os próximos anos da LucasFilm (ele deve anunciar um nos próximos meses), mas ele é alguém capacitado para criar boas histórias e colocar Star Wars de volta a um bom prumo no hiper-espaço.

Kathleen Kennedy, por seu turno, continua em ação na LucasFilm, pois permanece como produtora executiva dos filmes The Mandalorian and Grogu (cuja estreia está agendada para 21 de maio próximo) e também de Star Wars – Starfighter (previsto para 2027). Ela também poderá desenvolver outros produtos para a companhia no futuro.