Jimi Hendrix foi um dos maiores guitarristas da história da música. Com uma abordagem não ortodoxa sobre o instrumento, o músico de Seattle revolucionou a maneira de tocar guitarra, incorporando efeitos sonoros e ruídos como parte de sua construção musical e fazendo o rock mais pesado e mais psicodélico. Hendrix imprimiu uma marca indelével na música do século XX, mesmo tendo deixado apenas três álbuns de estúdio e uma carreira que meramente durou três anos.

Sua discografia “oficial” tem uma força incrível, inclusive, por ser tão breve, mas a morte precoce de Hendrix resultou em uma exploração inacreditável do extenso material de arquivo deixado por ele, sejam gravações em estúdio ou de concertos ao vivo, que se materializaram em duas dúzias de álbuns póstumos, alguns dos quais já ganharam várias versões distintas.

Em linhas brevíssimas, após iniciar sua carreira em seu país natal, Hendrix circulou como músico acompanhante (sideman) por alguns anos, tocando com outros artistas como Little Richard e King Curtis, até decidir tocar a própria carreira e montando a banda Jimmy James and the Flames no verão de 1965, em Nova York, e receber um convite, cerca de um ano depois, do ex-baixista dos The Animals, Chad Chandler, para ir a Londres e lançar sua carreira por lá, o que ele fez e foi muito bem sucedido.

The Jimi Hendrix Experience: uma das maiores bandas da história do rock em apenas três discos.

Em Londres, com o auxílio de Chandler, Hendrix se reuniu com Noel Redding (baixo) e Mitch Mitchell (bateria) e formou a banda The Jimi Hendrix Experience com a qual causou uma enorme sensação nos clubes e o contrato com a gravadora Track Records, um selo da Polydor, intermediado pelo empresário Michael Jeffrey, que irá se tornar um nome importante nessa história.

Após lançar dois singles na virada de 1966 para 1967, Hey Joe e Purple Haze, que chegaram ao 6º e ao 3º lugar das paradas britânicas, respectivamente, e aumentaram a expectativa para o primeiro álbum: Are You Experienced?, que chegou em março de 1967 e é uma das obras mais importantes na história do rock. Após finalmente conseguir sucesso nos Estados Unidos após se apresentar no Monterey Pop Festival, em agosto daquele ano, o Experience lançou os álbuns Axis: Bold as Love (1967) e Electric Ladyland (1968) ao mesmo tempo em que faziam incessantes turnês pelos EUA e Europa.

Hendrix em Woodstock.

As discordâncias musicais levaram ao fim do Experience no início do ano de 1969, quando Redding deixou a banda, e o ex-companheiro de caserna de Hendrix, Billy Cox, assumiu o baixo, com Mitchell permanecendo na bateria. Hendrix abandonou o uso do Experience e passou a usar seu próprio nome até formar uma nova banda (ainda com Cox e Mitchell mais outros músicos) chamada Gypsies Sons com a qual tocou no lendário Woodstock Festival em agosto, na qual o guitarrista fechou o evento ao raiar do sol de uma segunda-feira, num momento lindo captado no filme sobre o festival.

Miles, Hendrix e Cox: Band of Gypsys.

Insatisfeito com essa formação, Hendrix formou outra banda, chamada Band of Gypsys, tendo apenas ele mesmo na guitarra, Billy Cox no baixo e Buddy Milles na bateria e backing vocals. O grupo realizou dois concertos no Filmore East de Nova York no ano novo de 1970, que acabaram resumidos como um disco ao vivo com o nome da banda, cumprindo uma exigência da gravadora.

Depois de ter iniciado o trabalho do que seria o seu quarto álbum de estúdio, Milles terminou saindo do grupo – o que praticamente encerra o Band of Gypsys – e Mitchell retornou e o trio intercalou gravações e shows ao longo do ano até que Hendrix morreu vítima de uma overdose de álcool com tranquilizantes no dia 18 de setembro de 1970.

Jimi Hendrix: o maior de todos.

E a história não terminou aí… O empresário Michael Jeffery se tornou o proprietário do catálogo do artista, juntamente à Track Records, e começou a organizar o material deixado por Hendrix. O plano inicial, que envolveu o engenheiro de som Eddie Kramer (de todos os discos do guitarrista) e Mitch Mitchell como produtores, era lançar o álbum que Hendrix tinha tentado finalizar, porém, ele queria fazer um disco duplo e apenas 6 faixas tinham sido finalizadas e mixadas. No fim das contas, lançaram 10 faixas no álbum Cry of Love, que foi um enorme sucesso em 1971.

Todavia, o gosto do sucesso mobilizou Jeffery e a Track a lançarem mais e mais desses discos, resultando em nada menos do que seis álbuns póstumos lançados apenas nos anos de 1971 e 1972!

O fluxo diminuiu, mas continuou, até que Jeffrey morreu em 1974, em um acidente de avião, e a gravadora Track/Polydor passou o controle do espólio de Hendrix às mãos do produtor americano Jack Douglas, em evidência pelo sucesso com nomes como Kiss, Aerosmith e Alice Cooper. Douglas tomou a decisão de manter os registros de voz e guitarra de Hendrix, mas refazer outros instrumentos, como baixo e bateria com novos músicos, o que gerou bastante polêmica.

Nada menos do que 20 álbuns póstumos (fora coletâneas) foram lançados até 1992, quando uma reestruturação corporativa colocou a antiga Polydor sob a tutela da MCA Records e houve uma tentativa de organização desse imenso espólio. A MCA lançou o álbum Blues (1994), a apresentação lendária de Woodstock (1995) e uma nova versão do que seria o “quarto” álbum, mas o arranjo durou pouco tempo.

Naquele ponto, em 1997, a família Hendrix conseguiu na Justiça o controle sobre a obra do músico, após um longo processo judicial, então, foi formada a empresa Experience Hendrix para reorganizar totalmente a obra, estabelecendo um pacote oficial com os três álbuns da banda Experience, o Band of Gypsys, a versão “verdadeira” do quarto álbum (agora chamado First Rays of the New Rising Sun) e mais um disco apenas de sobras avulsas (South Saturn Delta) mais uma coletânea.

Nos anos seguintes, mais itens de arquivos apareceram, como as gravações ao vivo na rádio BBC (BBC Sessions) e vários materiais ao vivo (novas versões de Woodstock, Isle of Wight etc.) e, na década de 2010, decidiram criar uma trilogia de álbuns de estúdio póstumos, com Valley of Neptune (2010), People, Hells and Angels (2013) e Both Sides of the Sky (2018), além de uma linha de discos “piratas” autorizados destinados aos fãs mais ardorosos, pois o material é curioso, mas de baixa qualidade para o grande público.

Portanto, a Discografia Completa de Hendrix tem que ser entendida dentro desses três eixos:

  1. O material lançado em vida pelo artista, entre 1967 e 1970;
  2. O material explorado comercialmente por terceiros após sua morte, entre 1971 e 1995;
  3. Os lançamentos sob a tutela da família Hendrix após 1997.

Isso assoma uma grande confusão para compreender a discografia do guitarrista, especialmente, se alguém se aventurar a catar LPs e CDs em sebos antigos.

Por outro lado, ao fim e ao cabo, o que vale aos dias de hoje é a discografia pós-1997 organizada pela Experience Hendrix e é ela a que iremos apresentar em maior profundidade. Porém, após experimentar colocá-las fora de ordem, vimos que a melhor maneira de organizar o Dossiê era seguir a ordem cronológico. Então, apresentaremos na ordem acima posta: a obra original, os lançamentos póstumos liderados pelos empresários (chamados por alguns de lançamentos “apócrifos” disponíveis entre 1971 e 1995) e, por fim, o relançamento da discografia a partir do controle da família Hendrix.

Então, pegue sua guitarra Fender Stratocaster ou a Flying V e toque com os dentes antes de tacar fogo nela no meio do palco, preencha a música com efeitos e ruídos em um som inovador em solos complexos e sensíveis.

Álbuns Regulares/ Discografia Oficial/ Material original lançado por Hendrix em vida

Começamos com a obra a qual Hendrix pôde supervisionar em vida, o material, bastante enxuto, na verdade, que o guitarrista lançou em sua brevíssima carreira sob os holofotes, entre 1967 e 1970.

ARE YOU EXPERIENCED? – 1967

Lançado em maio de 1967, Are You Experienced? explodiu como uma bomba no meio musical, deixando público e críticos atordoados com seu conteúdo maravilhoso: foi imediatamente aclamado! O impacto só não foi ainda maior porque o Experience já havia lançado dois singles antes: Hey Joe/ Stone free e Purple haze/ 51th anniversary, que saíram em dezembro de 1966 e março de 1967, respectivamente, e por isso, já adiantaram um pouco o que seria o som de Hendrix. Produzido por Chad Chandler (ex-baixista dos Animals), o álbum foi um triunfo musical em todos os aspectos.

As gravações iniciaram em outubro de 1966, não muito tempo depois de Hendrix chegar na Inglaterra e montar o Experience. As gravações iniciaram no De Lane Lea Studios (o mesmo onde o Queen faria seus primeiros álbuns) onde foram gravadas faixas como Hey Joe, Stone free e provavelmente Killing floor (de Howling Wolf, que não foi lançada). Como a primeira foi escolhida para ser o primeiro single (e na Inglaterra havia a tradição de excluir os compactos do material do álbum), Chandler insistiu para que o Lado B fosse um número original de Hendrix, daí a gravação de Stone free. Mas querendo um estúdio com mais qualidade, Chandler mudou as sessões para o CBS Studios, em dezembro, onde foram gravadas Foxy Lady e outras 4 faixas que terminariam no álbum. Todas essas primeiras gravações eram feitas com a banda ao vivo e apenas os vocais principais em separado, sem overdubs.

Já em janeiro de 1967, como Chandler havia brigado com os proprietários do CBS, o grupo voltou ao De Lane Lea Studios para mais gravações gravando as duas faixas do segundo compacto, Purple haze (o primeiro a usar um pedal de efeitos, o Octavia, que dobrava as oitavas da guitarra e foi usado no solo), mais outras como Fire e The winds cries Mary, que terminaram sendo as primeiras a usar overdubs de guitarras. Ainda insatisfeito com o som do estúdio, o produtor os realocou no Olympic Sound Studio, o maior dos independentes de Londres, casa principal dos Rolling Stones, a partir de fevereiro, onde encontraram o engenheiro de som Eddie Kramer, que se tornaria parceiro de Hendrix na maior parte de suas gravações dali em diante. Kramer introduziu a técnica do de-mixing criada para os Beatles pelo produtor George Martin e o engenheiro Geoff Emerick, que consistia em gravar a base em quatro canais (dois para a bateria e um para baixo e guitarra) e, depois, mixar essa gravação para apenas dois canais, deixando mais dois para overdubs de guitarras e os vocais principais. Essa técnica permitia mais espaço para a instrumentação e liberdade para experimentação. Por causa disso, o Experience retomou algumas gravações anteriores, inclusive de Purple haze e gravou mais elementos usando a técnica. Apesar da banda ter fracassado em gravar uma versão de Like a rollin’ stone (de Bob Dylan), que já apresentavam ao vivo em seus shows, as gravações prosseguiram vitoriosas nos meses de março e abril, registrando I don’t live today e Maniac depression no De Lane Lea Studios e retornando ao Olympic para Highway chile, May be this love e Are you experienced? e finalizando os mixes das faixas.

Mesmo antecipado pelos singles de Hey Joe e Purple haze, Are You Experienced? era algo como nunca se vira antes: um disco pesado, barulhento, cheio de efeitos sonoros psicodélicos e canções sensacionais de autoria de Hendrix, alguém que apenas tinha começado a compor há pouquíssimo tempo! Desde as letras cheias de imagens surrealistas passando pela vocal elegante de Hendrix (apesar dele detestar a própria voz) e o som frenético de bateria, o suporte sólido do baixo e a guitarra inventiva e revolucionária de Hendrix, era algo único, sem par. Sensacional! O Cream de Eric Clapton podia ser pesado e psicodélico ao vivo, mas seu primeiro disco, Fresh Cream, de 1966, não soava como a banda ao vivo. O mesmo acontecia com o The Who. Com o Experience era o contrário: a banda soava em estúdio como era ao vivo, com sua experimentação, fluidez, improvisação e o incrível som! Revolucionário era a melhor palavra.

Hendrix já tinha causado um burburinho nos clubes londrinos com seus primeiros shows e os singles o tornaram um tema na imprensa e na TV, mas Are You Experienced? fez dele um astro do rock no Reino Unido e na Europa. Um sucesso imediato! O álbum chegou ao 2º lugar das paradas britânicas (o que era um grande feito, pois o primeiro lugar era a trilha sonora de The Sound of Music, famoso no Brasil como A Noviça Rebelde, que foi um sucesso colossal) e ficou 33 semanas nas paradas! O álbum só seria lançado nos EUA três meses depois, em agosto, já depois do Experience se apresentar no Monterey Pop Festival, e por lá chegou ao 5º lugar das paradas, ficando 76 semanas no Top40 e um total de 106 semanas nas paradas.

Capa britânica original do álbum.

Todavia, as versões britânicas e americanas do álbum são muito diferentes… O lançamento original do Reino Unido (pela gravadora Track Records, com distribuição pela Polydor) traz uma capa escura com o trio pousando e um letreiro estilizado com o nome da banda e do disco, um pacote que Hendrix detestou. A tracklist excluía as faixas dos compactos e trazia 11 faixas (todas de autoria de Hendrix), abrindo com Foxy Lady e vindo Manic depression, Love or confusion, Fire e fechava com a canção-título.

Hendrix pediu uma nova capa “mais psicodélica” para a versão americana do disco (lançado pela Reprise Records), e foi produzida a clássica imagem de uma fotografia da banda em uma lente “olho de peixe” (o mesmo efeito usado no primeiro álbum da banda The Byrds) um letreiro em roxo berrante e um fundo amarelo, que ficou o template para os relançamentos do futuro. A tracklist é bastante diferente, pois os EUA não tinham os pruridos de repetir os singles, portanto, o álbum abre com o compacto Purple haze, seguindo Manic depression, o single Hey Joe, Love or confusion, The winds cries Mary, Foxy Lady, Fire e fechando com a faixa-título, também em 11 faixas, o que excluiu do lançamento americano Can you see me, Remember e Red house.

Are You Experienced? permaneceu em catálogo ao longo das décadas, e em 1985, foi lançado em CD pela primeira vez pela Polydor, que optou por manter as versões originais britânicas e americanas com 11 faixas cada como coexistentes, e em 1993, a gravadora MCA relançou o álbum supervisionado por Alan Douglas, agora transformado em uma única versão com 17 faixas reunindo todas de ambas as originais (e os Lados Bs dos singles), e a capa americana. Contudo, em 1997, a Experience Hendrix assumiu o legado e lançou de novo duas versões diferentes (britânica e americana), com suas respectivas capas, porém, ambas com as 17 faixas totais, apenas mudando a ordem. Esta é a versão corrente em catálogo.

AXIS: BOLD AS LOVE – 1967

Lançado em dezembro de 1967 no Reino Unido (pela Track Records, nos EUA saiu só em janeiro de 1968, pela Reprise Records), Axis: Bold as Love foi um sucesso de público e crítica tal qual a estreia e, se não tinha mais o efeito surpresa do anterior, demonstrou explicitamente a maturidade das composições de Hendrix e o Experience ainda mais seguro de suas habilidades instrumentais.

As gravações, na verdade, foram uma mera sequência sem interrupções do disco anterior, continuando com Chad Chandler como produtor e Eddie Kramer como engenheiro, em maio de 1967 no Olympic Sound Studios, em Londres, começando com She’s so fine (de autoria do baixista Noel Redding) e seguindo por If 6 was 9, Burning of the midnight lamp (que não sairia no disco) e outras, antes de uma pausa de um mês para uma turnê em junho pela Europa, um punhado de sessões adicionais e outra pausa para o Experience ir pela primeira vez aos EUA, onde causaram uma grande sensação ao tocarem no Monterey Pop Festival (o primeiro dos grandes festivais dos anos 1960) e engatar uma série de concertos no Filmore West em San Francisco, Califórnia. As gravações foram retomadas em julho no Mayfair Studios e seguiram alternadas a concertos, aparições na TV e turnês até outubro. As sessões foram um pouco mais tensas dessa vez, com Hendrix começando a questionar a autoridade de Chandler e querer que suas próprias escolhas fossem adotadas, ao mesmo tempo em que seu perfeccionismo testava a paciência não apenas de Chandler, mas também de Mitchell e Redding, em particular deste último, que se sentia ofendido com o guitarrista tentando ditar o que ele tocaria em seu baixo.

O álbum foi lançado com uma capa colorida trazendo um desenho da banda num estilo típico imitando os painéis religiosos hindus tão em moda em 1967, o que desagradou demais Hendrix, que não teve força para mudá-la. Dessa vez, a mesma versão com 13 faixas foi lançada no Reino Unido e EUA, abrindo com a vinheta EXP, seguida por faixas como Spanish castle magic, Wait until tomorrow, Little wing, Castles made of sand, She’s so fine e Bold as love, com apenas She’s so fine sem ser de autoria de Hendrix. O disco ficou em 5º lugar das UK Official Charts do Reino Unido e em 3º lugar na Billboard dos EUA.

ELECTRIC LADYLAND – 1968

Os dois primeiros álbuns e Monterey transformaram o The Jimi Hendrix Experience em uma das bandas mais quentes do mundo e tudo virou de cabeça para baixo… A fama, o dinheiro, as drogas e as incessantes turnês tornaram a vida do guitarrista um caos e começou a atrapalhar até seu trabalho no estúdio, até então, um templo ao qual se dedicava com todo o furor. A tensão com a banda cresceu enormemente, com Noel Redding ficando tão insatisfeito que chegou a fundar uma banda paralela para atuar como guitarrista, o que o afastou de várias sessões de gravação, nas quais Hendrix ou outros tocavam o baixo. E a tensão também explodiu com Chad Chandler, enlouquecido pelo perfeccionismo de Hendrix que queria fazer 50 takes de cada canção, o que levou a uma ruptura entre os dois e, ao lançamento do álbum, Chandler não constar como produtor, e apenas Hendrix, apesar de Chandler ter efetivamente trabalhado em várias faixas.

Hendrix assumiu o controle da gravação, que transcorreu de modo errante… Sessões do segundo semestre de 1967 (no tempo de Bold as Love) foram utilizadas, assim como novas gravações entre janeiro e agosto de 1968, passando por vários estúdios diferentes, tanto na Inglaterra (Olympic, Mayfair) quanto nos Estados Unidos (Record Plant, de Nova York). Electric Ladyland foi lançado em outubro de 1968 (de novo por Track e Reprise em cada lado do Atlântico) como um álbum duplo, o único da carreira do Experience. O grande formato confundiu os críticos, e o disco recebeu críticas mistas, embora tenha sido revisionado na posterioridade como um grande trabalho. O conteúdo em ambas versões (britânica e americana) foi o mesmo, com 16 faixas como Crosstown traffic, Voodoo chile, Little miss strange (de autoria de Noel Redding), Burning of the midnight lamp (das sessões de 1967), All along the watchtower (de Bob Dylan) e Voodoo child (slight return). Os arranjos estão mais ousados, são usados mais truques de estúdio e overdubs, as letras são mais refinadas… a sonoridade de Hendrix continua explodindo nos alto falantes.

Os lançamentos britânicos e americanos, contudo, possuem capas distintas. Hendrix queria uma fotografia da banda tirada por Linda Easteman (futura McCartney) no Central Park, mas nenhuma das gravadoras lhe atendeu: no Reino Unido, a Track criou uma capa com uma dúzia de mulheres nuas, que foi acusada de pornográfica e passou a ser distribuída com uma embalagem de papelão por cima; enquanto nos EUA, a Reprise optou por uma bonita imagem da cabeça de Hendrix em meio às luzes de um concerto no Saville Theatre de Londres.

Refletindo o caos das sessões, o Experience em si convive no álbum com vários outros músicos, com Jack Cassaday (do Jefferson’s Airplane) e Steve Winwood (do Traffic) tocando baixo e órgão em Voodoo chile (um blues lento de 14 minutos!), Al Kooper tocando piano em Long hot summer night, e All along the watchtower trazendo Dave Mason (ex-Traffic) e Brian Jones (Rolling Stones) tocando violão de 12 cordas e percussão, respectivamente, além de Buddy Miles tocando bateria em duas faixas. Hendrix toca o baixo em 6 faixas, incluindo Voodoo child (slight return) e Crosstown traffic.

Electric Ladyland fez bastante sucesso, chegando ao 1º lugar das paradas dos EUA e ao 6º lugar no Reino Unido. Mas era o fim da linha para o Experience.

SMASH HITS – 1968/1969 (coletânea – duas versões)

Hendrix era alguém sempre insatisfeito com seu som e após o lançamento de Electric Ladyland, que se aproximou (mas não atingiu) os objetivos do guitarrista, ele evitou trabalhar em material novo, enquanto procurava novas oportunidades. O clima no Experience só piorava e na entrada do ano de 1969, as gravadoras Track e Reprise começaram a pressionar por um novo álbum. A pressão era tanta que, mesmo antes do lançamento de Electric Ladyland, a Track lançou uma coletânea, Smash Hits, em abril de 1968, copilando os sucessos de Are You Experienced? e Axis: Bold as Love, algo que enfureceu Hendrix. Para piorar, a Capitol Records, dos EUA, começou a processar Hendrix, acusando-o de ter um contrato pendente com eles, fruto de seus tempos de guitarrista de acompanhamento ao saxofonista King Curtis. O Experience fez uma série de concertos no Royal Albert Hall em Londres, em fevereiro de 1969, foi pensada para um lançamento ao vivo, mas a disputa legal inviabilizou.

Na falta de material, a Reprise Records decidiu lançar sua própria versão de Smash Hits (versão que ficou mais famosa do que a britânica e a substituiu no catálogo depois), em julho de 1969, reunindo as mais conhecidas faixas dos três álbuns do Experience e seus singles. O disco serviu para aplacar um pouco o mercado americano, pois trazia algumas faixas inéditas naquele mercado (porque tinham saído na versão britânica do primeiro álbum), como Can you see me, Stone free e Red house. A versão britânica de 1968 tinha chegado ao 4º lugar das paradas, e a versão americana, chegou ao 6º lugar da Billboard, um resultado muito bom.

Essa coletânea, contudo, por ser muito “precoce” seria substituída no catálogo por outras mais abrangentes nos anos futuros.

BAND OF GYPSYS – 1970

O lançamento americano de Smash Hits, em julho de 1969, terminou coincidindo com o fim do The Jimi Hendrix Experience. Insatisfeito com a dinâmica da banda, o guitarrista começou a falar publicamente sobre isso, o que somado à partida de Chandler, perdeu-se a mediação que tinham com o empresário Michael Jeffery, que assumiu uma postura mais agressiva de mercado. Hendrix foi preso por porte de entorpecentes em Toronto, em maio de 1969 – o que podia lhe render 20 anos de prisão! – e a pressão cresceu… então, após um show em Denver, no Colorado, em julho, o Experience acabou. Hendrix montou uma banda provisória, recrutando dois colegas americanos com quem tocara em seus anos de sideman: o guitarrista base Larry Lee e o baixista Billy Cox, mantendo Mitch Mitchell provisoriamente na bateria e adicionando os percussionistas Juma Sultan e Jerry Velez, grupo que ele chamou de Gypsy Sun and Rainbows, com o qual se apresentou apenas em alguns concertos, inclusive, no Festival de Woodstock, em agosto.

Porém, logo em seguida, Hendrix reestruturou a nova banda, mantendo apenas ele, o baixista Cox e adicionando o baterista Buddy Miles, que também cantava e compunha e tocara com a banda de blues e soul The Electric Flag (1967-1968) e montara o Buddy Miles Express, em 1968. O grupo se chamou Band of Gypsys e Hendrix e Jeffery decidiram gravar um álbum ao vivo para aplacar o processo da Capitol, agendando quatro shows no Filmore East, em Nova York, em pleno Ano Novo. O trio ensaiou exaustivamente um material novo, compondo novas canções. Os concertos ocorreram com duas apresentações (tarde e noite) nos dias 31 de dezembro de 1969 e 1º de janeiro de 1970 e trouxeram uma sonoridade nova para o guitarrista, com maior influência do R&B e Funky. O primeiro show foi basicamente um aquecimento e o segundo trouxe uma combinação do repertório novo com o material do Experience, mas houve problema com microfones e captadores, além do fato de que o uso constante da alavanca na sua Fender Stratocaster fazia com que a guitarra desafinasse com frequência. Hendrix parece ter percebido isso, e nos dois concertos da segunda noite, foi bem mais comedido em sua performance, provavelmente, num esforço consciente de gerar material de qualidade para o álbum.

O resultado é um álbum diferente, que foi bem recebido, mas não causou uma grande sensação. Trazendo material apenas do terceiro e quarto shows, Band of Gypsys foi lançado em março de 1970 com apenas 6 faixas, duas delas ocupando o Lado A, incluindo Machine gun (considerada por muitos como a melhor canção) com mais de 12 minutos, e tendo destaque também com Power of love e Message to love, com nenhuma faixa com menos de 5 minutos. Buddy Miles canta os vocais principais em Changes e We gotta live together, das quais também é o compositor. O álbum foi um grande sucesso de vendas, chegando ao 5º lugar das paradas dos EUA e 6º lugar no Reino Unido.

Band of Gypsys terminou sendo o último álbum lançado por Hendrix em vida.

O álbum ganhou uma “sequência” chamada Band of Gypsys 2 (1986) e foi lançado em CD em 1991 com três faixas bônus (Hear my train a-comin’, Foxy Lady e Stop) e foi relançado em 1997 apenas com as 6 faixas originais. Sob a batuta da Experience Hendrix, o material dos concertos ganhou novos lançamentos, como o álbum duplo Live at Filmore East (1999) com 16 faixas (incluindo Izabella, Wild thing, Stone free e Voodoo child (slight return)) e o box-set Songs for the Groovy Children: The Filmore East Concerts (2019), que reuniu 43 faixas dos quatro shows.

Póstumos Apócrifos/ Coleção de Póstumos dos empresários de Hendrix

Agora apresentaremos o material em ordem cronológica que foi lançado após a morte de Hendrix, sob o controle do empresário Michael Jeffery e a gravadora Polydor. Esse extenso material lançado à revelia do artista ou de sua família consistiu em literalmente dúzias de discos que, hoje em dia, estão fora de catálogo e não são mais encontrados nas lojas de discos ou nos streamings. (Isso é um aviso importante). Mas fica o registro histórico para entender como essa obra foi lançada ao longo do tempo e os usos (e a recepção) desse material de Hendrix em seu contexto original, entre os anos 1970 e 90, ou mais exatamente, entre 1971 e 1995.

WOODSTOCK- 1970

Este álbum é uma exceção nessa classificação, mas achamos por bem colocá-lo aqui para dar-lhe um melhor contexto. Lançado em maio de 1970, Hendrix ainda estava vivo e acompanhou o lançamento e o sucesso absurdo deste álbum triplo (!) de 21 faixas da gravadora Atlantic Records que trouxe um copilado do melhor do material apresentado no lendário Woodstock Festival de agosto de 1969, servindo como trilha sonora do documentário Woodstock de Michael Wadleigh, e no qual Hendrix, acompanhado da Gypsy Sun and Rainbows, encerrou com um show ao nascer do sol. O setlist traz John Sebastian, Canned Heat, Richie Havens, Country Joe and the Fish, Joan Baez, Crosby, Stills, Nash & Young, The Who, Joe Cocker, Santana, Jefferson Airplane e Jimi Hendrix para citar apenas os mais célebres. Janis Joplin tocou no festival, mas sua gravação teve problemas técnicos e ela não aparece no disco (mas sim no filme!).

Hendrix ocupa a maior parte do Lado 6 (!) com The Star-Spangled Banner (o hino dos EUA tocado com guitarra distorcida e barulho), Purple Haze e um solo de guitarra sem título, reunindo quase 13 minutos de música.

Mesmo como um álbum triplo com preço salgado, Woodstock: Music From the Original Soundtrack and More foi um sucesso enorme, chegando ao 1º lugar das paradas da Billboard, nos EUA, ainda que no Reino Unido só tenha chegado ao 35º lugar. Acompanhado do filme, Woodstock virou um fenômeno cultural e transformou todos os seus grandes artistas (Hendrix incluso) em celebridades internacionais. E sucesso!

Eddie Kramer foi o engenheiro de som das gravações e trabalhou na masterização do álbum também. Após seu lançamento original, Woodstock seria relançado como um box de 4 CDs em 1986 (trazendo material extra), e de novo, apenas com o material da primeira versão, em 1987 em CD duplo, que foi remasterizado em 1994. Em 2009, a Rhino Records relançou essa mesma versão em CD duplo, mas também um box com 6 CDs; e em 2019 lançou um super-box-set com nada menos do que 38 CDs trazendo a integridade do festival de 3 dias.

O set específico de Hendrix também seria lançado em separado (como de outros artistas também) em várias formas, como veremos à frente.

THE CRY OF LOVE – 1971

Montado por Eddie Kramer, Mitch Mitchell e Michael Jeffrey a partir de sessões entre dezembro de 1969 e o verão de 1970, com Billy Cox no baixo e Mitchell na bateria (na maior parte do material, mas não em tudo), é um extrato do que seria o álbum duplo First Rays of the New Rising Sun que Hendrix planejava. Apesar de Mitchell manter uma setlist provisória que Hendrix havia criado para o álbum, Jeffery preferiu lançar um disco simples, pois o sucesso das vendas era mais garantido. O empresário também não aceitou lançar todas as faixas “fortes” de uma vez, já planejando novos álbuns póstumos para o futuro, portanto, resumiu o material ao que saiu nesse pacote. Traz Freedom, Ezy Ryder e Angel. Como foi o primeiro álbum póstumo de Hendrix, fez um sucesso enorme: ficou em 3º lugar das paradas dos EUA e 2º lugar das britânicas.

WOODSTOCK TWO – 1971

Sequência do álbum triplo de grande sucesso, criado para garantir mais moedas aos cofrinhos, este álbum duplo traz o Lado A com três faixas de Hendrix: Jam back at the house, Izabella e Get my heart back together. O álbum ainda ficou em 7º lugar das paradas dos EUA e seu material seria absorvido pelos relançamentos sobre o festival em 1986, 2009 e 2019.

EXPERIENCE – 1971

Assim como Woodstock, Experience é a trilha sonora de um filme documentário musical, que cobre, neste caso, a lendária apresentação do The Jimi Hendrix Experience no Royal Albert Hall, em Londres, em fevereiro de 1969, já na reta final de existência da banda. As faixas são tão longas que o álbum possui apenas 4 faixas: o cover de Sunshine of your love do Cream (de Eric Clapton), Room full of mirrors (com participação especial de dois membros do Traffic, Dave Mason na guitarra e Chris Wood na flauta), o cover de Bleeding heart (de Elmore James) e a quarta faixa sendo apenas uma improvisação para destruir os amplificadores no fim do show! Apesar da vinculação com o documentário, na verdade, o filme mostra a performance do dia 19 de fevereiro, enquanto as faixas deste álbum são do dia 24.

RAINBOW BRIDGE – 1971

Vendido como a trilha sonora do filme de mesmo nome, na verdade são sobras de estúdio do mesmo pacote de The Cry of Love e apenas uma versão ao vivo de Hear my train a-comin’ vinda do show no Berkeley Community Theatre. O filme é um pseudo-documentário para retratar o estilo de vida hippie na ilha de Mauí, no Havaí, e traz enxertos de um concerto de Hendrix na ilha para fechar o longa, que foi muito mal recebido. Contudo, o disco não traz nada do show e apenas alguns poucos trechos do material musical do disco é usado como trilha incidental no filme. O concerto em Mauí seria lançado como um álbum em 2020.

ISLE OF WIGHT – 1971

Este álbum, lançado apenas na Inglaterra e Europa pela Polydor, traz parte do último show de Hendrix na Inglaterra, no Festival da Ilha de Wight, em 31 de agosto de 1970. São apenas 6 faixas, como Foxy Lady, Freedom e All along the watchtower. Este disco era um spin-off do álbum The First Great Rock Festivals, lançado pela gravadora CBS como LP triplo para surfar na onda do sucesso colossal de Woodstock no ano anterior. Este disco aqui reunia material do Festival da Ilha de Wight e do Miami Pop Festival, dois eventos aos quais Hendrix tocou em 1970. O álbum triplo trazia três faixas do guitarrista. O concerto completo da Ilha de Wight seria lançado em 2002 como Blue Wild Angel: Live at Isle of Wight.

HENDRIX IN THE WEST – 1972

Vá fazendo as contas… este é o quinto álbum póstumo de Hendrix (fora os coletivos) lançado em menos de um ano! Este traz uma miscelânia de apresentações ao vivo do guitarrista, com dois concertos com o The Jimi Hendrix Experience (no Royal Albert Hall, em Londres, em 24 de fevereiro, e no San Diego Sports Arena, em 24 de maio de 1969) e dois “solo” (com Billy Cox e Mitch Mitchell) no Berkely Community Theatre, em 30 de maio, e no Festival da Ilha de Wight, em 30 de agosto de 1970, e faixas como Sgt. Peppers (dos Beatles), Little wing, Voodoo child (slight return) da primeira leva, e Johnny B. Goode (de Chuck Berry) e Blue suede shoes (de Carl Perkins) da segunda.

MORE EXPERIENCE – 1972

Sequência do álbum com a trilha sonora do documentário lançado no ano anterior, traz mais performances ao vivo do Royal Albert Hall do The Jimi Hendrix Experience, em 24 de fevereiro de 1969, a maior parte delas já lançadas em outros discos.

WAR HEROES – 1972

Miscelânia de faixas de estúdio inéditas, trazendo Stepping stone e Izabella. Chegou ao 23º e ao 48º lugar do Reino Unido e EUA, respectivamente.

SOUNDTRACK RECORDINGS FROM THE FILM JIMI HENDRIX – 1973

Trilha sonora do documentário Jimi Hendrix, com faixas de seus mais importantes shows.

LOOSE ENDS – 1974

Outra miscelânea de faixas de estúdio compiladas por Michael Jeffery antes de morrer em um acidente de avião. O material é tão irregular que a Reprise Records dos EUA se recusou a lançá-lo, saindo apenas no Reino Unido (via Polydor), Europa e Japão. Ninguém notou.

CRASH LANDING – 1975

Sem Jeffery, o produtor Alan Douglas assume o legado de Hendrix e este é o seu primeiro produto: faixas esparsas de estúdio no qual o produtor isolou os vocais e guitarras de Hendrix e pôs novas gravações de baixo e bateria (Bob Babbitt e Alan Schwartzberg, respectivamente) mais uma guitarra adicional (Jeff Mironov) para acompanhá-los, no que foi uma decisão muito polêmica na época. Mesmo assim, chegou ao impressionante 5º lugar das paradas dos EUA e ao respeitável 35º lugar no Reino Unido. Mas a capa é mesmo bonita.

MIDNIGHT LIGHTNING – 1975

Sequência de Crash Landing produzida por Alan Douglas no mesmo estilo e com os mesmos músicos “adicionais”. Ainda chegou ao 46º lugar das paradas no Reino Unido e ao 43º nos EUA.

THE ESSENCIAL JIMI HENDRIX – 1978 (coletânea)

Primeira coletânea desde Smash Hits (1969) inclui material de The Cry of Love, Rainbow Bridge e War Heroes em um álbum duplo com suas faixas mais famosas, ainda que não os maiores hits. Veio com um single bônus com uma versão de Gloria (de Van Morrison) pelo Experience.

THE ESSENCIAL JIMI HENDRIX VOLUME TWO – 1979 (coletânea)

Sequência do anterior, traz alguns dos principais hits e o Lado B apenas com faixas ao vivo.

NINE TO THE UNIVERSE – 1980

Terceiro álbum montado por Alan Douglas reúne uma coleção de faixas instrumentais criadas em jam sessions editadas de modo mais conciso. Chegou ao 128º lugar das paradas.

THE JIMI HENDRIX CONCERTS – 1982

Coleção criada por Alan Douglas de faixas ao vivo tocadas nos EUA entre 1968 e 1970.

JIMI PLAYS MONTEREY – 1986

Traz a performance completa do Experience no Festival de Monterey, em junho de 1967. Um documento histórico importante, mas no contexto de tantos lançamentos póstumos duvidosos, não causou impacto nenhum, chegando apenas ao 192º lugar das paradas dos EUA e sequer foi lançado no Reino Unido.

JOHNNY B. GOODE – 1986

Trilha sonora de um documentário em vídeo VHS com várias performances ao vivo de dois concertos célebres, no Berkeley Community Theatre e no Miami Pop Festival, ambos em 1970.

BAND OF GYPSY 2 – 1986

Apesar do título, esta coletânea de faixas ao vivo traz apenas 3 faixas no Lado A não usadas no Band of Gypsy original misturadas com outras performances de 1970 com outra banda (com Cox e Mitchell), em Berkeley e Miami, no Lado B.

LIVE AT WINTERLAND – 1987

Copila dois shows no Winterland de San Francisco em outubro de 1968 pelo The Jimi Hendrix Experience. Por trazer um material mais consistente, foi o álbum de maior sucesso de Hendrix em muitos anos e elogiado pela crítica (ainda que não o suficiente para colocá-lo sequer dentro das paradas). Seria relançado cinco anos depois com mais três faixas.

RADIO ONE – 1988

Primeira coleção de faixas gravadas ao vivo para a rádio BBC, tem o mérito de lançar esse tipo de material antes dele virar modinha com o estrondoso sucesso do Live at BBC dos Beatles, em 1994. Apresentando apenas faixas do The Jimi Hendrix Experience tocadas ao vivo nos estúdios da rádio (a BBC por ser uma rádio estatal limitava a radiodifusão de discos “comerciais”, portanto, os artistas tinham que executar performances exclusivas na própria rádio para aumentar a radiodifusão de suas canções) em 1967 e 1969, o álbum passou meio desapercebido nos Estados Unidos, onde ficou apenas no 119º lugar (ainda que seja preciso salientar que, àquela altura, o rock saía do mainstream e deixava de aparecer com facilidade no topo do ranking e ocupando as listas específicas de rock, como Top Rock Albuns), embora tenha chamado a atenção no Reino Unido, lar da BBC (então, causou mais apelo), onde ficou no ótimo 30º lugar.

STAGES – 1991

Box de 4 CDs com concertos de cada ano da carreira de Hendrix: 1967 (Estocolmo), 1968 (Paris), 1969 (San Diego/EUA) e 1970 (Atlanta/EUA). Na época, todo esse material era inédito.

LIVE ISLE OF WIGHT ’70 – 1991

Outro disco com o show do Festival da Ilha de Wight e, de novo, ainda não completo.

Fase MCA: Gravadora MCA assume o controle do espólio de Hendrix e tenta “profissionalizar” a obra do artista

Em 1992, a Polydor repassou o “passe” de Jimi Hendrix à MCA Records, uma gravadora dos Estados Unidos que era herdeira da Decca Records da Inglaterra, cujo selo americano era a London Records, mas foi reestruturada como uma empresa separada com o nome MCA em 1972, abrigando alguns nomes mais alternativos do mercado, porém, ao longo dos anos foi adquirindo repertório de outras gravadoras como a Motown, e no fim dos anos 1980, o catálogo da Geffen Records. A MCA manteve a liderança do produtor Alan Douglas, porém, sob um prisma mais organizado e profissional. De imediato, a MCA reconstituiu o catálogo de Hendrix no mercado, relançando uma nova versão de sua discografia, com os quatro álbuns canônicos, uma coletânea (todos ainda em 1992) e abrigou o trio de discos do Experience em um box-set (em 1993). Todos os álbuns e versões anteriores, lançados até aqui, saíram de catálogo e esta nova versão da discografia ficou assim:

  • Are You Experienced?
  • Axis: Bold as Love
  • Electric Ladyland
  • Band of Gypsys (com três faixas extras)
  • The Ultimate Experience (coletânea)
  • The Experience Collection (box-set com os três álbuns do Experience)

Em seguida, a MCA começou a reorganizar o material de arquivo do guitarrista e lançar novas versões de álbuns póstumos:

BLUES – 1994

Após o relançamento do material canônico de catálogo de Hendrix, a MCA trouxe Blues com seis (de 11) faixas inéditas focando no lado blues do guitarrista. A produção continua com Alan Douglas, mas o tratamento do material é de melhor qualidade, e a masterização digital em CD e a bela capa fizeram o disco ser um grande sucesso: chegou ao 10º lugar das paradas do Reino Unido e 45º lugar na Billboard dos EUA, embora no 4º lugar na específica Top Blues Albuns.

WOODSTOCK – 1994

Primeiro disco inteiramente dedicado à performance no Festival de Woodstock em 1969. Mas apesar da bela capa, não traz o show na íntegra e o material (que originalmente durou 120 minutos) foi encurtado para 60 minutos, o que rendeu algumas edições polêmicas das faixas.

VOODOO SOUP – 1995

Ainda na MCA, Alan Douglas monta sua versão do que seria The First Rays of the New Rising Sun, o quarto álbum de Hendrix jamais finalizado, combinando matrizes que haviam sido espalhadas nos lançamentos antigos por The Cry of Love e Crash Landing. Ficou mais consistente e a capa não é nada mal para um lançamento póstumo. Ao fim e ao cabo, este foi o último lançamento apócrifo antes da família Hendrix conseguir na Justiça os direitos e o controle sobre a obra do guitarrista. Chegou ao 83º lugar das paradas do Reino Unido e 66º das americanas.

Pacote Oficial da Experience Hendrix, quando sua família assumiu o controle da obra

Em 1997, a família Hendrix (especificamente, seu pai, Al Hendrix, e sua irmã, Janie Hendrix) venceu um longevo processo judicial para recuperar o controle sobre o espólio do guitarrista, e com a vitória, foi fundada a empresa Experience Hendrix, que passou a relançar todo o material (agora) oficial sobre o guitarrista. Esse é o material corrente, ou seja é este que o leitor encontrará em lojas e streamings, pois os demais saíram todos de catálogo. Assim, a nova empresa relançou os três álbuns do Experience e o Band of Gypsys, descartando todo o resto (todos os discos listados até aqui!) e fazendo um reboot completo, com novas remasterizações e mixagens, comandadas por Eddie Kramer, o engenheiro de som original de Hendrix. Os discos do Experience (veja os comentários lá em cima), foram mantidos em sua originalidade, com a especificidade do primeiro, que ganhou um lançamento duplo, mantendo novas versões dos lançamentos britânicos e americanos, ambos com as mesmas 17 faixas, apenas alterando a ordem e as capas (a fotografia escura e a psicodélica, respectivamente). O Band of Gypsys abandonou a versão anterior com 3 faixas a mais e voltou ao seu formato original – comissionado por Hendrix – com somente 6 faixas. Assim, em 1997 chegaram às lojas novas versões da discografia canônica:

  • Are You Experienced? – 1967
  • Axis: Bold as Love – 1967
  • Electric Ladyland – 1968
  • Band of Gypsys – 1970

Além do quarteto de discos, seguiram os novos lançamentos que reestabeleceram o que é a Discografia Oficial para sua família. De início, como gesto inaugural, a Experience Hendrix lançou um pacote com seis discos, com os quatro álbuns canônicos, uma coletânea e a nova versão do não finalizado quarto álbum de estúdio do guitarrista. Depois disso, sairiam vários outros discos…

FIRST RAYS OF THE NEW RISING SUN – 1970/ 1997

Sob a coordenação de Al Hendrix, o pai do guitarrista, a empresa Experience Hendrix assume o controle da obra e, com curadoria de Eddie Kramer e Mitch Mitchell, reúnem o que seria o álbum planejado por Hendrix antes de sua morte, trazendo 17 faixas, a maioria delas, as mais famosas dentre o material póstumo do guitarrista, como Freedom, Izabella, Room full of mirrors, Ezy ryder, Hey Baby (New rising sun). A maior parte desse material foi gravado entre junho, julho e agosto de 1970 no Electric Lady Studios, em Nova York, o estúdio que o próprio Hendrix construiu na cidade, acompanhado apenas de Billy Cox no baixo e Mitch Mitchell de volta à bateria, mas também há faixas gravadas anteriormente, especialmente entre novembro de 1969 e janeiro de 1970 no Record Plant, de Nova York, com Buddy Miles na bateria, e uma ou outra coisa mais dispersa de outras fontes.

É um resultado melhor e mais consistente do que as versões antigas (veja acima), porém, nunca saberemos qual seria realmente o álbum final de Hendrix, porque ele mesmo não havia decidido ainda quais faixas iria usar. Lançado em maio de 1997 junto ao pacote inicial da Experience Hendrix, este álbum ainda chegou à 37ª e à 49ª posições das paradas do Reino Unido e EUA, respectivamente.

EXPERIENCE HENDRIX: THE BEST OF JIMI HENDRIX – 1997 (coletânea)

Coletânea oficial da Experience Hendrix com (quase) todas as fases do músico resumidas em 20 faixas, a maior parte tirada do repertório do The Jimi Hendrix Experience, um pequeno extrato de Woodstock e faixas dos álbuns póstumos, omitindo qualquer faixa do Band of Gypsys. É a coletânea destinada à introdução da obra do artista para novos ouvintes. Todos os sucessos e faixas principais estão aqui. Também foi lançada uma versão com um disco bônus com oito faixas raras, tiradas de ensaios ou apresentações ao vivo.

SOUTH SATURN DELTA – 1997

Reúne faixas trabalhadas por Hendrix entre 1968 e 1970 que não foram selecionadas para o álbum anterior (First Rays of New Rising Sun) mais algumas demos e até mixagens distintas de faixas já conhecidas, como Little wing e All along the watchtower. O resultado é uma confusão.

LIVE AT THE OAKLAND COLISEUM – 1998

O selo Dagger Records da Experience Hendrix passou a lançar bootlegs oficiais, ou seja, discos de qualidade (de áudio ou de forma) menor, que não teria apelo ao grande público, mas é do interesse dos fãs mais ardorosos. Este é ao vivo em Oakland na California em abril de 1969, ainda com o The Jimi Hendrix Experience.

BBC SESSIONS – 1998

Reúne as apresentações ao vivo na rádio BBC, expandindo o que já havia sido lançado em Radio One dez anos antes. São 38 faixas, todas com o The Jimi Hendrix Experience, gravadas entre fevereiro e dezembro de 1967, nenhuma em 1968, e as últimas em janeiro de 1969. O tracklist privilegia material inédito, ou seja, apesar de haver versões de alguns hits, como Hey Joe, Purple haze, Foxy Lady, Spanish castle magic e até Voodoo child (slight return), há uma profusão de covers, como Killing floor (que a banda fazia no início de sua carreira), (I’m your) Hoochie coochie man, Hound dog, Sunshine of your love, e até Day tripper, dos Beatles. Lançado no meio do frisson da nova empresa, BBC Sessions fez sucesso, chegando ao 50º lugar das paradas dos EUA e 42º das britânicas.

LIVE AT THE FILMORE EAST – 1999

Uma expansão do material de Band of Gypsy, com Billy Cox (baixo) e Buddy Miles (bateria e vocais), com shows no Filmore de Nova York, e neste caso, focadas no primeiro e segundo concertos do dia 31 de dezembro de 1969, ao contrário do material daquela versão original, que trouxe gravações do dia seguinte. A tracklist traz 16 faixas: além do material original daquele grupo (Izabella, Machine gun) e das faixas de Miles (We gotta get together e Changes), há alguma coisa com repertório do Experience, com Stone free e Voodoo child (slight return), além de Wild thing. Como já explicado lá em cima, mais álbuns iriam explorar esse evento.

LIVE AT WOODSTOCK – 1999

Agora pela Experience Hendrix, o show do Festival de Woodstock ganha seu lançamento, mas ainda não na íntegra. Este álbum substituiu a versão de 1994 criada pela gravadora MCA e o produtor Alan Douglas. Neste concerto, Hendrix é acompanhado pela Gypsy Sun and Rainbows (Hendrix, guitarra e vocais; Larry Lee, guitarra; Billy Cox, baixo; Mitch Mitchell, bateria, Juma Sultan e Jerry Velez, percussão). O repertório traz Spanish castle magic, Foxy Lady, Red house, Izabella, Fire, Star-Spangled Banner (o hino dos EUA com guitarra distorcida), Purple haze, Hey Joe, dentre outras, mas também não traz ainda o concerto na íntegra, pois exclui os covers dos Impressions (Gypsy woman e Aware of love) e a canção de autoria de Larry Lee, Mastermind. Esta versão do concerto, com 16 faixas, é menos editada do que a de 1994, dando um perfil mais fiel aos shows, além de ter um som bem melhor.

THE JIMI HENDRIX EXPERIENCE – 2000

Box set de 4 CDs com 60 faixas de estúdio ou ao vivo, praticamente todas inéditas ou pelo menos não mais disponíveis em catálogo àquela época, reunindo out-takes de estúdio e trechos de concertos.

LIVE AT BERKELEY – 2003

Álbum com a performance de Hendrix no Berkeley Community Theatre, em 30 de maio de 1970, com 12 faixas. Mas convenhamos: que capa feia!

LIVE AT MONTEREY – 2007

Traz o histórico concerto no Festival de Monterey, em 18 de junho de 1967, que ganha sua versão pela Experience Hendrix. São 10 faixas – incluindo a apresentação por Brian Jones (dos Rolling Stones) – em um concerto matador com o repertório inicial do The Jimi Hendrix Experience. Este álbum substitui o antigo Jimi Plays Monterey e tem uma qualidade muito melhor. E uma belíssima capa.

VALLEYS OF NEPTUNE – 2010

Este disco abre uma trilogia de sobras de estúdio reorganizando o material “excedente” de Hendrix, como maneira de aproveitar essas faixas que foram dispersas naqueles materiais dos anos 1970, mesmo que em takes ou mixagens diferentes. Valley of Neptune traz uma bonita capa misturando uma pintura a óleo feita pelo próprio guitarrista mais uma fotografia de Linda McCartney, e reúne faixas perdidas de estúdio, no que poderia ter sido o quarto álbum do The Jimi Hendrix Experience, que jamais foi lançado. São as últimas gravações dessa banda, realizadas entre fevereiro e abril de 1969, tanto no Olympic Sound Studios, em Londres, quanto no Record Plant, em Nova York: há algumas releituras de seu próprio material (Stone free, Fire, Red house), faixas que Hendrix desenvolveria depois (Hear my train a-coming), alguns covers (Sunshine of your love, do Cream) e algumas faixas novas, com destaque à faixa título, a única gravada posteriormente àquelas sessões, com Billy Cox tocando baixo no lugar de Noel Redding. O álbum é o início da parceria da Experience Hendrix com a Legacy Records e o resultado é bem melhor do que South Saturn Delta e até se parece mais com um álbum (póstumo) propriamente.

WINTERLAND – 2011

Continuando a parceria da Experience Hendrix com a Legacy Records, saiu Winterland, um box-set de 4 CDs resumindo os seis shows do The Jimi Hendrix Experience no Winterland Ballroom de San Francisco, entre os dias 10 e 12 de outubro de 1968 (quando apresentaram dois concertos a cada noite), expandindo muito mais aquela velha versão sobre os mesmos shows lançadas nos anos 1980. Os três primeiros discos trazem as melhores performances de cada dia e o quarto é um bônus, com outras performances de destaque que sobraram, mais um entrevista. A gravadora também lançou ao mesmo tempo uma versão em CD simples com um resumo da caixa, apelidado de Highlights. Dentre os destaques, versões de Fire, Foxy Lady, Like a rolling stone (de Bob Dylan – que foi lançada como single), Hear my train a-comin’, Sunshine of your love (cover do Cream), Little wing, Manic depression, Voodoo child (slight return) e Purple haze. A caixa se saiu bem, chegando ao 49º lugar das paradas americanas e ao 92º das britânicas.

PEOPLE, HELL AND ANGELS – 2013

Tal qual South Saturn Delta, People, Hell and Angels mistura gravações de tempos distintos, apenas apresentando takes ou mixagens que não haviam sido lançadas ainda. Há duas faixas de 1968 das sessões de Electric Ladyland com o The Jimi Hendrix Experience (embora o baixo não seja tocado por Noel Redding, mas por Billy Cox em uma e o próprio Hendrix em outra) e o grosso do material é posterior, com aquelas sessões “iniciais” do que seria seu álbum de estúdio seguinte (nunca finalizado). Enquanto o material mais lapidado fora lançado em First Rays of The New Rising Sun, aqui encontramos esboços mais brutos gravados entre março e dezembro de 1969 e janeiro de 1970, a maior parte com o Band of Gypsys (Buddy Miles na bateria) e alguma coisa com Mitch Mitchell na bateria, também. A qualidade é melhor do que South Saturn Delta, mas é mais bruto do que no álbum póstumo de 1997.

MIAMI POP FESTIVAL – 2013

Nova versão do concerto do The Jimi Hendrix Experience no Miami Pop Festival, de 18 de maio de 1968, com um repertório não tão distinto daquele highlight de Winterland, com Hey Joe, Hear my train a-comin’, Purple haze, Fire e Foxy Lady (estas últimas lançadas como single). Chegou ao 39º lugar das paradas americanas.

FREEDOM: ATLANTA POP FESTIVAL – 2015

A Experience Hendrix faz um remake do material deste importante concerto que o guitarrista apresentou em 04 de julho de 1970 no Atlanta Pop Festival para um público estimado entre 200 e 400 mil pessoas – a maior audiência de sua carreira. Este importante show já havia sido lançado nos discos Johnny B. Goode (1988) e Stages (1991), mas agora, ganha os benefícios da masterização digital e do trabalho de Eddie Kramer. Acompanhado por Billy Cox (baixo) e Mitch Mitchell (bateria), o álbum trouxe 16 faixas do show da noite, misturando o repertório do Experience (Fire, Spanish castle magic, All along the watchtower, Purple haze, Voodoo child (slight return)) com algumas faixas (então) inéditas, como Message to love e Freedom, embora Hey baby (new rising sun), que fechou o concerto não apareça no disco, porque a guitarra de Hendrix ficou desafinada demais. Com uma bela capa, Freedom ficou em 63º lugar das paradas americanas, mas apenas no 87º das britânicas.

MACHINE GUN: THE FILMORE EAST FIRST SHOW – 2016

Mais um lançamento derivado do Band of Gypsys (1970), (ou seja, com Billy Cox no baixo e Buddy Miles na bateria) com material do primeiro show (da tarde) no Filmore East, em Nova York, em 31 de dezembro de 1969. São 11 faixas trazendo um material que, à exceção de duas canções, é inteiramente feito de músicas então inéditas, como Power of soul, Izabella, Machine gun e Ezy ryder. A masterização e a mixagem de Eddie Kramer foram bastante elogiados pela crítica. Ficou em 66º e 80º lugares das paradas dos EUA e Reino Unido, respectivamente.

BOTH SIDES OF THE SKY – 2018

Com uma capa belíssima, Both Sides of the Sky é o fim da trilogia de lançamentos de material de estúdio inédito iniciada com Valley of Neptune e continuada em People, Hell and Angels, trazendo três faixas de sessões de 1968 nos tempos do The Jimi Hendrix Experience (mas com Noel Redding tocando em apenas uma) e material de abril de 1969 a janeiro de 1970, com Billy Cox e Mitch Mitchell e também com o Band of Gypsys (Cox e Buddy Miles) trazendo quase sempre material anteriormente não disponível aos fãs. Há versões de Hear my train a-comin’ e Sweet angel com o Experience e surpreendentes interpretações de $20 fine de Stephen Stills e Woodstock de Joni Mitchel (sucesso com o Crosby, Stills, Nash & Young), tiradas de sessões para o álbum de Stills.

SONGS OF GROOVY CHINDREN: THE FILMORE EAST CONCERTS – 2019

Mais um lançamento explorando o material de Band of Gyspys, porém, desta vez, em um box-set de 5 CDs (e 8 LPs) com todo o material gravado nos quatro concertos dos dias 31 de dezembro de 1969 e 01 de janeiro de 1970, no Filmore East, em Nova York, com Billy Cox (baixo) e Buddy Miles (bateria e vocais), com o quarto concerto ocupando dois discos. A qualidade do áudio foi muito elogiada, mas em vista do alto custo do material, não apareceu nas paradas.

LIVE IN MAUI – 2020

Este álbum, lançado no contexto da pandemia de Covid-19, traz o material originalmente gravado (e lançado) para o filme Rainbow Bridge, de 1971, com dois concertos em Mauí, em 30 de julho de 1970, seu penúltimo show nos EUA. As gravações sofreram com problemas técnicos, especialmente pelo vento forte, porém, a masterização digital conseguiu melhor bastante (ainda que não totalmente) os defeitos. Este material foi lançado em CD duplo com 20 faixas, combinando, como era comum nos shows daquela época, repertório do Experience com canções então inéditas. Uma curiosidade deste lançamento em particular é que ele foi creditado – inclusive na capa – como The Jimi Hendrix Experience, mesmo com a formação com Billy Cox e Mitch Mitchell, ao contrário do que se convencionou desde o início dos anos 1970, com o Experience referente ao período de 1966-69 com Noel Redding no baixo, mantendo as nomenclaturas das bandas efêmeras – Gypsy Sun and Rainbow e Band of Gypsys – e os concertos e gravações de 1970 (com Cox e Mitchell) sendo creditados apenas a Jimi Hendrix. Este álbum não entrou nas paradas britânicas e nos EUA ficou apenas em 155º lugar da Billboard, com um melhor 21º lugar na Top Rock Albuns da Billboard.

LOS ANGELES FORUM – 2022

Oficialmente chamado Los Angeles Forum: April 26, 1969, este álbum traz a performance do The Jimi Hendrix Experience (verdadeiro) em uma grande arena em LA, já na reta final de existência do grupo (que se encerraria em junho com a saída de Noel Redding (baixo), enquanto Mitch Mitchell (bateria) continuaria a tocar com o guitarrista. Uma série de concertos do Experience foram profissionalmente gravados na turnê de 1969, porque o empresário Michael Jeffery pensava em lançar um álbum ao vivo da banda como forma de aplacar o processo judicial da Capitol Records, mas apesar de algumas gravações excelentes – captadas pelo engenheiro Wally Heider do Hollywood Studios – e de Hendrix, Heider e Eddie Kramer terem selecionado e mixado as faixas para o disco, ele jamais foi lançado. Este disco de 2022 traz 11 faixas, incluindo a introdução da banda do repertório tardio do Experience. Ficou em 164º lugar das paradas da Billboard e no Reino Unido apareceu em 65º lugar da UK Album Downloads e no surpreendente 3º lugar da estratificada UK Rock & Metal Albuns.

LIVE AT THE HOLLYWOOD BOWL – 2023

Outro álbum ao vivo do Experience, agora no Hollywood Bowl, em Los Angeles, em 18 de agosto de 1967, pouco tempo após a aparição da banda no Monterey Festival e antes do lançamento de seu segundo álbum. Apesar da bela capa, alguns críticos acham que a performance do disco não é tão boa. Traz o repertório inicial do Experience, com seus hits do primeiro disco somados a covers de Sgt. Peppers (dos Beatles), Killing floor (de Howlin’ Wolf) e Like a rolling stone (de Bob Dylan). Não apareceu nas paradas.