A Ian Fleming Publishing, empresa que detém os direitos literários de James Bond, o agente secreto 007, lançará um novo livro sobre o espião a serviço de vossa majestade, antecipando um pouco o hype que deve vir em breve com a produção de uma nova aventura cinematográfica do popular personagem. King Zero tem autoria de Charles Higson, autor que escreveu uma série de livros juvenis com a versão adolescente de Bond, e agora estreia em seu primeiro livro adulto do personagem, também o primeiro lançado na coleção em muitos anos. Noticiado pelo MI-6 HQ e pelo The James Bond Dossier, o anúncio do livro foi realizado com um pequeno evento que projetou a novidade em uma série de slides no Marble Arc, em Londres, próximo ao Hyde Park, semana passada, no dia 31 de março.

Segundo o TJBD, o livro está situado nos tempos atuais com um James Bond de 35 anos de idade, mais ou menos dentro da representação original do personagem criado pelo escritor Ian Fleming nos anos 1950 para uma série de livros de espionagem. A sinopse, contudo, dá a entender que Higson estabelece um tipo de cronologia na qual os eventos famosos de 007 fazem parte de sua história, adaptando a cronologia de modo vago aos nossos dias. O site diz:
A história começa com o assassinato de um agente britânico no Deserto Saudita, morto por uma arma desconhecida ao Serviço Secreto. As circunstâncias apontam traição. Na medida em que Bond segue os rastros através de vários países, ele é levado a uma grande conspiração moldada pela mudança do poder global, com a sugestão de que o mundo que o produziu está começando a dar lugar a algo menos familiar.

A estratégia de um “mundo em mudança” é algo que cai bem a Bond, personagem criado no quente da Guerra Fria nos anos 1950 e 60 e que encontrou os desenvolvimentos desse conflito global por mais 20 anos no cinema, até que a mudança geopolítica dos anos 1990 trouxeram esse mesmo sentimento de “um espião criado para um mundo que não existe mais” usado na fase final da velha franquia cinematográfica, nos filmes estrelados por Pierce Brosnan. A nova fase da franquia, no século XXI, estrelada por Daniel Craig e já encerrada, trazia um pouco disso, com 007 descobrindo as novas regras do mundo pós-11 de setembro. A franquia cinematográfica terá um início totalmente novo agora, sob o domínio da Amazon, que comprou os direitos do personagem da Eon Productions e irá lançar o 26º filme de Bond provavelmente em 2027, sob a direção de Dennis Villeneuve (de Duna), sem um protagonista ainda revelado e, aparentemente, mostrando a história de Bond do início, a partir do momento em que se torna um agente secreto e ganha a “permissão para matar”.

Na literatura, por sua vez, mesmo após a precoce morte de Fleming em 1964, 007 continuou a receber sequências, a maior parte delas dando continuidade vaga às histórias originais, mas mantendo um senso de continuidade. Mais recentemente, a partir de 2008, a franquia literária arriscou novos formatos, com histórias baseadas em novas ambientações de Bond nos dias atuais sem o passado canônico, ou mostrando suas origens, e até mesmo um tipo de sequência direta das aventuras dos anos 1960 baseadas naquela época, além da série juvenil do jovem Bond escrita pelo próprio Higson. O último livro com o personagem adulto foi publicado no já distante 2018, com Forever and a Day de Anthony Horowitz.
Agora, com a nova organização empresarial em torno de 007, é bem provável que o Bond literário volte às livrarias com mais frequência, embora se com novas experimentações ou seguindo uma nova cronologia a partir de Higson, ainda não sabemos.

James Bond foi criado por Ian Fleming e estreou no livro Cassino Royale, de 1953, ganhando 14 obras por seu autor (duas das quais póstumas após sua morte em 1964), e chegou aos cinemas em 1962, com 007 Contra o Satânico Dr. No, dando início a uma franquia de 25 filmes lançados até 2021. Nos livros, a Eon Production publicou uma série de 14 livros, escritos por John Gardner entre 1981 até 1996, misturando adaptações dos filmes (2) e histórias originais (14), seguida outra série liderada por Raymond Benson, entre 1996 e 2002, misturando adaptações de filmes (3) e histórias originais (6). No século XXI, com o reinício da franquia cinematográfica (que sofreu um reboot), a Eon decidiu realizar algumas experimentações, como o renomado escritor Sebastian Faulks com Devil May Care (2008), que ignora a cronologia de Gardner e Benson e situa seu livro como uma sequência direta da obra de Fleming, situada nos anos 1960; Carte Blanche (2011) de Jeffery Deaver situa Bond nos dias atuais, numa aventura contra terroristas pós-11 de setembro; Solo (2013) de William Boyd, retorna aos anos 1960; enquanto Anthony Horrowitz também situou seus dois livros nos anos 1960, mas desenvolvendo tramas deixadas inacabadas por Fleming, com Trigger Mortis (2015) sendo uma sequência do famoso Goldfinger e Forever and a Day (2018) sendo um prequel (prelúdio) a Cassino Royale, mostrando como Bond conseguiu sua licença para matar. Houve ainda a série de livros Young Bond, que retrata a adolescência de 007 nos anos 1930, baseando-se apenas no retrato deixado por Ian Fleming, escrito por Charlie Higson, com 10 livros entre 2005 e 2017.

