Está em cartaz no Catarse um projeto do lançamento de Marvel Made In Brazil, um livro de autoria de Guilhere Smee, Alexandre Morgado e VAM! sobre as histórias da Marvel Comics criadas exclusivamente no Brasil, entre as décadas de 1950 e 80. O livro traz uma importante contribuição à história das histórias em quadrinhos em nosso país, mostrando como a combinação entre demanda, criatividade, esperteza e senso de oportunidade fizeram com que várias editoras nacionais decidissem criar histórias próprias de uma das mais famosas empresas de entretenimento no mundo.

Mas nem sempre foi assim… na década de 1950, a Marvel – então, atendendo pelos nomes de Timely, primeiro, e Atlas, depois – era apenas uma das dezenas de editoras que povoavam o combalido mercado americano de HQs, em crise naqueles tempos. Editoras do mundo todo aderiram à prática de criar suas próprias histórias de personagens como Superman, Batman, Capitão Marvel, e no caso da nossa querida Marvel, Capitão América, Namor, Tocha Humana, e na década seguinte, Homem-Aranha, X-Men, Nick Fury, Motoqueiro Fantasma etc., como maneira de surfar na onda do sucesso deles e forma de gerar mais material para preencher revistas. Quase sempre, essa prática, aqui e em outros países, era realizada sem consentimento das editoras originais.

Na Inglaterra, as histórias do Capitão Marvel (hoje mais conhecido como Shazam) fizeram muito sucesso nos anos 1950, inclusive, com criações próprias, e quando o personagem foi impedido de ser publicado pela Justiça por causa de um processo de plágio contra o Superman, os britânicos o adaptaram como o Marvelman, depois, Miracleman, e continuaram a publicá-lo com bastante sucesso até os anos 1980, inclusive, empregando artistas que depois seriam célebres no meio, como Alan Moore e Neil Gaiman. Na Itália, os quadrinhos Disney fizeram muito sucesso e o país criou uma verdadeira indústria de criação de histórias próprias, que depois, abasteceram o mercado mundial, chegando inclusive no Brasil.

No Brasil dos anos 1950 e 60, a prática se disseminou também. Há não muitos dias atrás comentamos sobre como HQs do Fantasma de Lee Falk foram criadas no Brasil na esteira do sucesso do personagem por aqui, e com a Marvel não foi diferente. De maneira curiosa, a prática começou nos anos 1950 ainda antes da criação do Universo Marvel moderno (na década seguinte), quando histórias de Namor e Tocha Humana eram criadas por editoras nacionais, e a prática continuou nos anos seguintes, pois o Universo Marvel só chegou às bancas nacionais de modo oficial em 1967 como parte de um pacote promocional de divulgação dos desenhos animados recém-lançados pela editora.

Segundo o site Fora do Plástico, editoras como GEP, Gorrión e Tieste publicaram histórias como o crossover entre Tocha Humana e Capitão Marvel/ Shazam, uma sequência de histórias próprias dos X-Men e um confronto deles com o Thor, dentre outras, criadas por nomes como Gedeone Malagola e Miguel Penteado.

Os três autores têm experiência na criação de livros sobre HQs, com Guilherme Smee sendo autor de Olhares sobre os X-Men, Olhares sobre Wolverine e Supergays, Alexandre Morgado sendo autor de Marvel Comics: A Trajetória da Casa das Ideias no Brasil e Almanaque de Curiosidades Marvel no Brasil, ao passo que VAM! é um designer gráfico que trabalhou no jornal O Globo.

Marvel Made in Brazil tem lançamento previsto para agosto deste ano e terá 176 páginas com capa cartão. Quem apoiar o projeto no Catarse terá direito a recompensas, que incluem outras obras dos autores.