Um dos mais antigos super-heróis dos quadrinhos, O Fantasma ganhará uma nova adaptação por meio de uma série de TV em live action com direção e produção de Reginald Hudlin (de House Party e Candy Cane Lane), um diretor que também escreveu uma notável HQ do Pantera Negra da Marvel. A notícia sobre a adaptação da obra lendária de Lee Falk que foi criada para as tiras de jornais na década de 1930 foi dada pela Variety.

O Fantasma foi criado por Lee Falk em 1936, tomando de empréstimo algo da fantasia do herói da selva estabelecida anteriormente pelo Tarzan, contudo, através de um aventureiro mascarado que, apesar de não ter nenhum tipo de superpoder (um conceito ainda inexistente naqueles tempos), já usava um típico uniforme de super-herói, com máscara e identidade secreta. Por causa disso, o Fantasma é amplamente considerado como o primeiro super-herói dos quadrinhos, antecedendo em dois anos o surgimento do Superman, mas dentro do contexto em que vários aventureiros estavam sendo criados, como o já citado Tarzan, e outros, como Zorro, Cavaleiro Solitário, Besouro Verde, o tipo de personagem que daria origem aos super-heróis propriamente ditos. Como parte desse desenvolvimento anterior, o Fantasma era publicado em tiras diárias e dominicais em jornais, e não em revistas mensais, como ficou mais comum ao formato anos depois.

Falk imprimiu um ar de mistério ao seu herói, estabelecendo que o Fantasma era conhecido como “o espírito que anda”, com os habitantes da selva de Bengala – um fictício país do continente africano – pensando que ele é um imortal ou um tipo de espírito mesmo, fruto do fato de que a família do herói passa o manto do Fantasma de geração para geração por centenas de anos, de modo que todos pensam que ele é sempre o mesmo!

O Fantasma foi um personagem muito popular nos anos 1930 e 40, ganhando adaptações para seriados do cinema e tendo suas tiras de jornal publicadas em todo o mundo. Publicado diariamente a partir de fevereiro de 1936, ganhou uma tira dominical colorida em 1939, contando inicialmente com roteiros de Lee Falk e arte de Ray Moore. Embora ocasionalmente trabalhasse com outros escritores, de um modo geral, Falk continuou escrevendo a tira até sua morte, em 1999, ao passo que grandes desenhistas trabalharam com o personagem ao longo das décadas, como Sy Barry, Fred Fredericks, Graham Nolan, Alex Saviuk e Eduardo Barreto. As tiras foram republicadas como revistas em diversas ocasiões e editoras diferentes, como a McCay nos anos 1940, a Harvey Comics nos anos 1950, a Gold Key e a Charlton Comics nos anos 1960 e 70, com a DC Comics assumindo no fim dos anos 1980 e a Marvel publicando o personagem nos anos 1990. No século XXI, Moonstone e Dynamite publicaram o personagem.

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O Fantasma fez muito sucesso no Brasil, publicado como tiras na Gazeta e depois no Gibi, até passar a ser publicado como revista pela editora RGE, que adaptava as tiras de jornal como histórias sequenciadas. A demanda por histórias do personagem era tanta que (sem autorização ou créditos) a RGE encomendou dezenas de histórias produzidas por artistas nacionais, como Walmir Amaral ou Júlio Shinamoto. Mais tarde, outras editoras continuaram, como Globo, Ebal, Saber, L&PM, Opera Graphica, Sampa e Mythos.

Ao longo das décadas, a franquia que pertenceu ao Kings Feature Syndicate hoje pertence ao grupo Hearst, e segundo a Variety, ainda mantém uma base de 29 milhões de fãs pelo globo, hoje não mais publicado em tiras diárias, mas através de copilados em revistas ou álbuns, alguns inclusive, com versões mais recentes que continuam sendo criadas. A revista ainda informa que dentre os mercados fortes para o personagem está o Brasil, onde realmente, o personagem é bastante popular, além dos países nórdicos, Austrália, Nova Zelândia, Reino Unido e Europa em geral. Uma nova linha de HQs do personagem foi lançada em 2025 pela Mad Cave Comics.

Criado num contexto de colonialismo, quando as selvas africanas emergiam como locações exóticas e místicas ao público estadunidense e europeu, adaptar o Fantasma em 2026 é um desafio enorme, para não repetir teses colonialistas, imperialistas, racistas e mais… Porém, a obra parece estar em boas mãos, pois Reginald Hudlin é um escritor afroamericano excelente, que hoje é um dos sócios da Milestone Media, um selo de quadrinhos especializado em personagens afroamericanos, como o Super-Choque, e que tem laços estreitos com a DC Comics, e também escreveu o Pantera Negra, um personagem que foi diretamente influenciado pelo Fantasma de Lee Falk.

O comunicado da Variety diz que a série de TV será “uma experiência significativa de imersão em locações”. A revista diz que um comunicado oficial será divulgado mais à frente neste ano.

O Fantasma teve uma adaptação aos cinemas em 1997, com direção de Simon Wincer e estrelado por Billy Zane, mas não conseguiu cativar o público nem a crítica e foi um fracasso de bilheteria.