
Depois de três filmes para o cinema – em 1989, 2004 e 2008 – o personagem da Marvel Comics, o Justiceiro, ganhará uma série de TV. O programa será produzido pela Fox por meio da disponibilização dos direitos, que pertencem à ABC, emissora do Conglomerado Disney, que também é dono da editora.
A ideia da Fox é produzir um telefilme de 60 minutos na qual Frank Castle é um detetive da polícia de Nova York que, à noite, cuida para punir definitivamente aqueles que escapam do sistema como o Justiceiro. Caso o piloto fosse um sucesso, seriam produzidos novos capítulos.
Os leitores e críticos de quadrinhos, no entanto, já reclamam da informação, porque Frank Castle não tem uma vida dupla: ele era um policial que tem sua família morta em meio a uma guerra entre a máfia e resolve se tornar um vigilante assassino para punir todos os criminosos, sem se importar com a lei. O que a sinopse dá a entender é que Frank Castle vai ter uma espécie de “identidade secreta” e isso não é o Justiceiro.

Sem esquecer que a sinopse fica muito semelhante a uma outra série de TV, dos anos 1990, na qual um juíz agia à noite para punir os criminosos que escapavam do sistema judicial e ficava repetindo em todo episódio: “a Justiça é cega, mas ela enxerga no escuro”. Aliás, o que essa série de TV fez foi copiar descaradamente um personagem dos quadrinhos, mas não da Marvel e sim da concorrente DC Comics: o Vigilante. Criado por Marv Wolfman e George Pérez nas histórias dos Novos Titãs, em 1982, o Vigilante era o juiz Adrian Chase que decide fazer justiça por conta própria à noite. O personagem teve uma curta duração nos quadrinhos, mas ganhou uma revista própria que teve 50 edições, escritas por Wolfman, Alan Moore e Paul Kupperberg e se suicidou na última história, de 1988, escrita por Kupperberg e desenhada por Steve Erwin. Evidentemente, o Vigilante foi baseado no Justiceiro da Marvel, que é muito mais antigo.

O Justiceiro, por sua vez, é apontado como um marco dos quadrinhos porque foi o primeiro personagem mainstream dos quadrinhos que não era exatamente um vilão e matava seus oponentes, sendo sugerido como mais um dos elementos que demarcam o fim da Era de Prata e o início da Era de Bronze dos Quadrinhos. O personagem foi criado por Gerry Conway e John Romita, aparecendo pela primeira vez em Amazing Spider-Man 129, de 1974, numa aventura do Homem-Aranha. Ao longo dos anos 1970 e início dos 1980, o Justiceiro continuou aparecendo como personagem coadjuvante nas histórias da Marvel, especialmente do aracnídeo, até que sua popularidade aumentou tanto que ganhou uma revista própria.

A Marvel primeiro publicou uma minissérie de teste, em cinco capítulos, de 1986, escrita por Steven Grant e desenhada por Mike Zeck, que foi tão bem sucedida que levou ao lançamento da revista The Punisher, em 1987, com histórias de Mike Baron e Klaus Janson. Inesperadamente, o Justiceiro se tornou um dos personagens mais populares da editora, chegando a ter nada menos do que quatro revistas mensais ao mesmo tempo, no início dos anos 1990: The Punisher: War Journal, The Punisher Magazine (com histórias em preto e branco e formato magazine) e The Punisher: War Zone, algumas mais bem sucedidas do que outras, com numerações variáveis, com 80, 41 e 16 edições, respectivamente. A revista “principal”, The Punisher, teve 107 edições publicadas até 1995. Essas revistas foram produzidas por diversos artistas e contaram com desenhistas como, além de Zeck e Janson, John Romita Jr. e serviram para lançar Jim Lee como o maior superstar dos quadrinhos da época. O sucesso de seu traço no Justiceiro o levou aos X-Men e à glória.

O final dos anos 1990 foi marcado pelo declínio do personagem, mas houve uma volta por cima em seguida, embora sem o mesmo sucesso comercial de outrora, mas grande aclamação da crítica: as histórias publicadas no selo Marvel Knights, dedicada a leitores adultos, escritas por Garth Ennis e desenhadas por Steve Dillon, em 2000. Após 12 edições, o personagem ganhou outra revista chamada The Punisher, novamente com Ennis e Dilllon, dentro de outro selo, o Marvel Max, também dedicado a leitores adultos. Esta durou 37 edições, entre 2001 e 2004. Entre os destaques, a belíssima arte de Tim Bradstreet nas capas.
Desde então, o personagem continua ganhando histórias que variam entre o aclamável e o desprezível, mas mantém certa aurea cult. E seu símbolo – uma caveira branca – virou ícone que aparece em camisetas e adesivos de carros.

As versões para o cinema ainda não conseguiram acertar a mão, mas será que uma série de TV irá garantir uma nova onda de popularidade ao Justiceiro?
A Marvel e a Disney já anunciaram que pretendem adaptar outros de seus personagens à TV, já estando em desenvolvimento séries para Hulk, Jessica Jones, Manto & Adaga e Harpia. Veja mais detalhes em outro post do HQRock, clicando aqui.


Eu gostaria de ver o Thomas Jane de volta ao papel… Foi o que eu mais gostei e sempre que passa na tv eu assisto… O único defeito dele é que ele tem cara de idiota e isso o Justiceiro não tem… Enfim meu caro, não sei se viu um curta dele que saiu no youtube
GostarGostar
Já vi, sim, Thel. Obrigado por enviá-lo.
Acho o caso do Justiceiro muito intrigante. De todos os personagens da Marvel, ele é o que mais se encaixa na lógica de filmes da ação de Hollywood.
Contudo, por algum motivo, seus três filmes não agradaram nem público nem crítica em geral. Isso é muito curioso.
Por que funciona para Duro de Matar, Desejo de Matar, Comando para Matar, Rambo etc. e não para o Justiceiro?
Um abração!
GostarGostar