
Há algum tempo, o anúncio de que o ator Wagner Moura (Tropa de Elite 1 e 2, VIP) iria “substituir” Renato Russo na Legião Urbana causou uma grande comoção nas redes sociais do Brasil. Como assim, o maior ator brasileiro da atualidade substituindo o maior ídolo musical recente do país?
Coisa de quem não reflete sobre as notícias que lê. Wagner Moura não está substituindo Renato Russo. Trata-se de mais um dos shows que a dupla Dado Villa-Lobos e Marcelo Bonfá, respectivamente, guitarrista e bateria da Legião Urbana, estão fazendo há algum tempo para homenagear a antiga banda, liderada pelo carismático Renato Russo, que faleceu vítima de complicações do vírus HIV em 1996. Villa-Lobos e Bonfá até já fizeram uma pequena turnê com o projeto, que contava com a participação de vários vocalistas (homens e mulheres) famosos, a maioria companheiros da geração da banda, os anos 1980.

O diferencial desta vez é que Wagner Moura não é um cantor profissional. Muito embora, verdade seja dita, ele é cantor, sim, pois tem uma banda. E já apareceu cantando em dois filmes, em ambos, canções da Legião Urbana.
A primeira apresentação do novo projeto Dado-Marcelo-Wagner ocorreu ontem, no Espaço das Américas, na cidade de São Paulo. Haverá outro show hoje e ambos estão sendo gravados como um programa: MTV Ao Vivo – Tributo à Legião Urbana.
Segundo a Folha Ilustrada, do jornal Folha de São Paulo, os fãs reagiram positivamente à experiência do primeiro show, muito embora o alcance vocal de Moura não seja dos mais potentes.
No palco, o ator estava visivelmente emocionado e disse:
Essa é talvez a noite mais emocionante de toda minha vida. Essa banda mudou a minha vida.
A pretensão de Dado Villa-Lobos e Marcelo Bonfá é que esta seja a última ocasião em que se apresentem juntos tocando o repertório da Legião Urbana. Segundo o guitarrista, o motivo é a disputa pelo legado das canções de Russo, que é controlado pela família do compositor. Os músicos remanescentes e a família do falecido não concordam na maneira de explorar tal legado, o que já gerou muitos problemas.

A Legião Urbana se formou em Brasília no início dos anos 1980, advindos da forte cena punk local. O vocalista Renato Russo foi o principal catalisador daquela cena quando, em 1978, fundou a banda Aborto Elétrico, a primeira e principal banda punk da Capital Federal. Russo saiu do grupo em 1979, mas a banda continuou na ativa, mudando o nome para Capital Inicial e se tornando também uma das principais dos anos 1980.
Após passar um tempo se apresentando sozinho como O Trovador Solitário, num repertório mais folk, Renato Russo fundou a Legião Urbana junto ao baterista Marcelo Bonfá em 1982, num núcleo de baixo e bateria. Após alguns outros guitarristas passarem pelo grupo, Dado Villa-Lobos entrou em 1984, criando o núcleo duro do conjunto. No mesmo ano, uma crise pessoal fez Renato Russo cortar os pulsos e ficar impossibilitado de tocar o baixo, de modo que Renato Rocha entrou para a banda para ocupar tal função.
O disco de estreia, com o quarteto, foi lançado em 1985 e levou o nome da banda, já fazendo sucesso. No ano seguinte, Dois se tornou um fenômeno de vendas, sendo até hoje um dos mais vendidos da história fonográfica brasileira. O sucesso prosseguiu com Que País é Este? (1988), mas Renato Rocha saiu da banda depois deste, tornando-a novamente um trio. Vieram em seguida As Quatro Estações (1989), o maior sucesso da banda; e então uma guinada na carreira, rumo a uma sonoridade menos enérgica e mais melancólica, que refletia a descoberta, por parte de Russo, de que era portador do vírus HIV, rendendo os álbuns V (1991), O Descobrimento do Brasil (1993) e A Tempestade (1996), este lançado concomitante à morte do artista.

