Paul McCartney em show no Rio de Janeiro, em 2011.

Hoje, 18 de junho de 2012, o ex-beatle Paul McCartney completa 70 anos de vida e música. É momento importante para refletir sobre a vida e a obra desse compositor que, sem sombra de dúvidas, é um dos mais importantes da música popular do século XX.

Paul McCartney nasceu em Liverpool, Inglaterra, em 1942, e chegou à fama com os Beatles, onde era baixista, em 1962, banda pioneira do rock inglês e responsável pela Invasão Britânica, que tornou o rock o principal gênero musical do mundo. Além de McCartney nos vocais e baixo, a banda tinha John Lennon nos vocais e guitarra, George Harrison na guitarra e vocais ocasionais e Ringo Starr na bateria e vocais ocasionais.

Os Beatles são normalmente apontados como a mais importante banda do rock clássico e foram uma influência enorme para a música contemporânea. E maior força do grupo era justamente as composições da dupla John Lennon e Paul McCartney.

Paul McCartney e John Lennon formaram a maior dupla de compositores do século XX. Aqui, em show de 1966.

Lennon e McCartney estiveram na vanguarda dos movimentos culturais revolucionários dos anos 1960, dentre os quais a psicodelia e o desenvolvimento do experimentalismo na música popular. Além de trilharem caminhos não-ortodoxos dentro da musicalidade – como no álbum Sgt. Peppers Lonely Hearts Club Band (que fez aniversário de 45 anos há pouco, leia aqui) – os Beatles também se destacaram pelo enorme sucesso que alcançaram, sendo até hoje o grupo musical que mais vendeu discos da história.

Nos Beatles, McCartney é o compositor de algumas das mais famosas e apreciadas canções populares de todos os tempos, como Yesterday, Hey Jude, Let it be, Penny Lane, além de dividir crédito com Lennon em outros grandes sucessos, como All my loving, She loves you e I want to hold your hand. Ainda assim, aquele que se dispor a investigar a obra da banda encontrará os melhores trabalhos do compositor em canções menos populares, como Blackbird, Helter skelter, The long and winding road, Your never give me your money, For no one etc.

McCartney (esq.) com os Beatles em concerto de 1969: um dos grandes baixistas do rock.

A contribuição de McCartney nos Beatles nem se resume apenas como compositor. Além de ser um vocalista de bom alcance vocal, particularmente eficiente em vocais agudos, mas também capaz de fazer vozes roucas e gritadas, ele se destaca como um dos maiores baixistas do rock em todos os tempos e uma figura fundamental numa época em que o contrabaixo ainda era visto como um instrumento secundário. Na obra da banda, desde suas primeiras gravações, o baixo de McCartney se destaca da maneira “alta” como foi mixado – bem diferente de outros conjuntos da época – como da maneira melódica como se constrói, fazendo melodias e contrapontos fundamentais e não apenas servindo de complemento à percussão.

Assim, McCartney faz parte de um grupo seleto de musicistas – junto a Brian Wilson dos Beach Boys e James Jamerson (da gravadora Motown) – que inaugurou uma nova era no instrumento, que permitiu a ascensão de grandes baixistas posteriores, como John Entwistle do The Who, Jack Bruce do Cream, John Paul Jones do Led Zeppelin e Chris Squire do Yes, para citar apenas nomes dos anos 1960. Mas, particularmente nos Beatles (mais do que na carreira solo), o desempenho de McCartney no baixo é impressionante, vide canções como Come together (de John Lennon) e Something (de George Harrison), ambas no álbum Abbey Road, de 1969.

McCartney ao piano: bom uso intuitivo do instrumento.

McCartney também era um bom pianista. Embora sem técnica, sabia usar o instrumento ao seu favor e à favor da melodia da canção, aproveitando-se do fato de ser canhoto para usar mais as teclas graves do teclado, acrescentando muito de “grave profundo” às gravações, o que é o efeito inverso da maioria dos músicos, que é destro e termina sendo mais hábil nas teclas agudas. A imagem de McCartney ao piano tocando suas baladas é parte do imaginário popular do rock.

Paul McCartney nos anos 1970: altos e baixos, mas bons momentos.

Os Beatles se separaram em 1970 e McCartney saiu numa carreira solo de grande sucesso. Em 1973, formou a banda Wings com a qual se apresentou mundo afora pelos anos 1970 e se encerrou 1980. De volta à “carreira solo” continuou gravando discos de sucesso ao longo daquela década de da seguinte.

Sua carreira solo já é mais marcada por altos e baixos, mas tem grandes momentos ao longo do tempo, como nos álbuns Band on the Run (1973), Flowers in the Dirt (1989) e Flaming Pie (1998). Entre suas canções da carreira solo, algumas pérolas, como Maybe I’m amazed, Another day, Let me roll it, Band on the run, Live and let die, My love, Venus and mars/rockshow, No more lonely nights, My brave face, Young boy e muitas outras.

Paul McCartney na festa do Grammy 2012: músico segue produzindo.

Paul McCartney acabou de lançar um novo disco, Kisses on the Bottom, na qual homenageia a música de estilo crooner dos anos 1940 e 50; e se apresentou na festa de premiação do Grammy, além de encerrar a festa com outra curta apresentação em que tocou canções dos Beatles.

O músico também já se apresentou várias vezes nos Brasil, especialmente nos últimos anos: 1990, 1993, 2010, 2011 e 2012.

Aos 70 anos, Paul McCartney não vislumbra nenhum tipo de aposentadoria. Famoso workaholic, o músico sempre afirma em entrevistas que morreria de tédio se parasse de trabalhar e que faz aquilo que gosta. Portanto, mesmo com a qualidade em declínio de seu trabalho autoral nos últimos anos – sina que compositor nenhum pode escapar – ainda o veremos trabalhando, compondo, lançando discos e fazendo shows mundo à fora enquanto a providência permitir.

Dos membros dos Beatles, apenas McCartney e Ringo Starr (que fará 72 anos) estão vivos. John Lennon foi assassinado por um fã com problemas mentais em 1980 e George Harrison foi vítima de um câncer em 2001.