X-Men: grandes mudanças na última década.
X-Men: grandes mudanças na última década.

Finalmente, chega a parte final do dossiê do HQRock sobre os X-Men e o post mais pedido pelos leitores!

Para lembrar: Leia aqui: Parte 01 (1963-1986), Parte 02 (1986-1991) e Parte 03 (1991-1997).

No capítulo anterior, vimos a Era dos Crossovers, quando a Marvel privilegiou “grandes” histórias nas quais todas as revistas dos heróis mutantes (mais de uma dúzia) se uniam para contar uma mesma trama. Houve algumas boas histórias, bons conceitos e muita besteira.

De qualquer modo, o exagero fez as vendas caírem drasticamente, afinal, os leitores cansaram de ter que comprar dúzias de revistas em um único mês para poder acompanhar uma história do Wolverine. E o efeito foi generalizado: após a bolha do mercado que o fez crescer aos mais altos níveis de venda (lembra que a nova revista X-Men 01, de 1991, foi a mais vendida de todos os tempos?), veio uma queda vertiginosa. Resultado: a Marvel Comics pediu concordata em 1997, o primeiro passo do processo de falência.

Enquanto no mundo dos negócios houve toda uma manobra para salvar a empresa, no campo editorial também ocorreram mudanças. O Editor-Chefe Bob Harras foi encarregado de uma meta simples: melhorar as histórias ou cair fora. Assim, houve um esforço consciente de trazer tramas melhores, o que ocasionou na criação do selo Marvel Knights, por exemplo, dedicado a histórias mais adultas e sérias, comandado pelo desenhista Joe Quesada, que havia desenhado os X-Men pouco antes.

Uma fase de transição

Capa de Uncanny X-Men 377: Os Doze.
Capa de Uncanny X-Men 377: Os Doze.

Os X-Men continuaram a ter crossovers, mas agora bem mais enxutos e com uma qualidade melhor. Mas o time editorial foi consideravelmente modificado: Alan Davis – que tinha desenhado algumas histórias dos X-Men na época do Massacre de Mutantes, lá trás no fim dos anos 1980 – chegou para desenhar e escrever. Davis fez dupla com Terry Kavanagh e os dois assumiram tanto Uncanny X-Men quanto X-Men, com Adam Kubert na arte da primeira e o próprio Davis na segunda. Edições ocasionais foram desenhadas por nomes como o brasileiro Roger Cruz e alguns outros.

Alan Davis e Terry Kavanagh criaram uma pequena saga na qual os X-Men enfrentavam inimigos novos e alguns Skrulls até chegar ao seu grande momento: o arco The Twelve ou Os Doze, no Brasil, que correu nas revistas Uncanny X-Men 375 a 377 e X-Men 95 a 97, de 1999.

A trama inteira se baseava em uma pequena ideia lançada por Louise Simonson muitos anos antes, nos primeiros tempos da velha revista X-Factor. Numa história desenhada por seu marido, Walt Simonson, Ciclope tentava se reconciliar com Madeline Pryor no Alasca e terminava por combater o Molde Mestre, um tipo mais avançado de Sentinela, daquela mais velha geração ainda, criada por Stephen Lang. Enquanto combatia o imenso robô, Scott Summers ouviu a frase de que ele era “um dos doze”.

Bem mais tarde, na época em que X-Men estava à cabo de Scott Lobdell e Andy Kubert, o mesmo Ciclope combateu um exército de comparsas do vilão Apocalipse – que veio do futuro, lembram? – e esses mutantes se referiam ao líder dos X-Men como um dos doze e que ele estaria “na linha de frente” quando o momento chegasse. Os vilões estavam extremamente orgulhosos de Ciclope e a batalha parecia apenas para testá-lo.

Então, Alan Davis, Terry Kavanagh e Adam Kubert trouxetam a história dos Doze à tona, mostrando-os como os libertadores da raça mutante. A batalha envolve novamente Apocalipse, que quer se apropriar de um novo corpo para tornar-se mais poderoso.

Os X-Men combatem o novo Morte, que é Wolverine. Capa de X-Men 96.
Os X-Men combatem o novo Morte, que é Wolverine. Capa de X-Men 96. Arte de Alan Davis.

Em uma batalha, Wolverine é aparentemente morto e na autópsia, Charles Xavier descobre horrorizado que aquele não era Logan, mas um Skrull que havia tomado o seu lugar. Então, na minissérie The Astonishing X-men, em três edições, escritas e desenhadas por Alan Davis, a equipe enfrenta o novo Morte, um dos Quatro Cavaleiros do Apocalipse. No meio da batalha, claro, os X-Men descobrem que Morte é ninguém menos do que Wolverine.

Mas com um detalhe importante: para transformá-lo em Morte, Apocalipse repôs o adamantium aos ossos de Wolverine. Assim, o mais popular membro da equipe voltou ao seu status normal. A desvantagem foi que o vilão testou o processo no Dentes de Sabre, e o arquiinimigo de Logan agora também tinha garras de adamantium.

No fim das contas, na acirrada batalha contra Apocalipse que se segue, Ciclope se sacrifica para matar o vilão e aparentemente morre também.

Seguem-se a saga Ages of Apocalypse (Eras de Apocalipse) , que trouxe Ciclope de volta, claro. Jean Grey – já usando o nome Fênix de novo – se une a Cable e vão ao Egito, onde encontram Ciclope, com a mente ocupada por Apocalipse. A dupla consegue reverter Scott Summers ao normal.

Neste ponto, ocorre uma grande mudança editorial na Marvel. Bob Harras sai do cargo de Editor-Chefe, que é ocupado por Joe Quesada, por causa de seu grande sucesso no comando do selo Marvel Knights. Quesada chegou causando barulho, mudando bastante todas as revistas. O discurso era de buscar histórias melhores (de novo).

Uncanny X-Men 381: Chris Claremont de volta.
Uncanny X-Men 381: Chris Claremont de volta.

E nada poderia fazer mais barulho em 2000 do que trazer o escritor Chris Claremont de volta às revistas dos X-Men. E foi isso que Quesada fez. Após uma década fazendo títulos menores na DC Comics, Claremont assumiu tanto Uncanny X-Men quanto X-Men, a partir das edições 381 e 100, respectivamente, criando um grande evento editorial chamado Revolution. Os desenhos ficaram a cargo de Adam Kubert e Leinil Francis Yu, respectivamente. Houve mudanças nas equipes mutantes e de uniformes, também.

Foi criado ainda um tipo de selo Counter-X, comandado pelo respeitadíssimo escritor Warren Ellis, que se encarregou dos títulos menores, como X-Man, X-Force e Generation X, junto a vários colaboradores.

Mas no fim das contas, Revolution foi um fracasso de vendas e crítica – a maior bola fora de Quesada em seus primeiros tempos – e durou apenas nove meses. Afinal, não eram mais os anos 1980 e Claremont não estava de acordo com os novos tempos.

Como maneira de remediar tudo, Claremont saiu das duas revistas e assumiu uma nova revista, chamada X-Treme X-Men, com uma equipe um pouco mais violenta liderada por sua queridinha Tempestade.

Enquanto isso,  o escritor Scott Lobdell voltou às revistas dos X-Men, comandando as edições 110 a 113 de X-Men e 392 e 393 de Uncanny, na saga Eve of Destruction (Noite de Destruição) que deu um fechamento à Era dos Crossovers dos X-Men, encerrando de certo modo uma longa fase que vinha se desenvolvendo desde 1991, dez anos antes.

As Origens de Wolverine

Origem: finalmente o passado de Wolverine revelado. Ou pelo menos parte dele.
Origem: finalmente o passado de Wolverine revelado. Ou pelo menos parte dele.

Antes de passarmos à nova fase dos X-Men, um interlúdio importante. Uma das primeiras medidas de Joe Quesada ao assumir a editoria-chefe da Marvel foi resolver de uma vez por todas a origem de Wolverine. Após as primeiras iniciativas de Barry Windsor-Smith (Arma X), seguidas por Scott Lobdell e John Byrne nas revistas mutantes e Larry Hama em Wolverine, a partir de 1991, o passado de Logan se tornava cada vez mais complicado – com histórias de implantes de memórias, lembranças falsas, personagens que ninguém sabia se estavam vivos ou mortos e laços sanguíneos mal-explicados (Wolverine e Dentes de Sabre eram filho e pai, irmãos, primos, só amigos?) – e podia logo, logo, chegar em um ponto de total ininteligibilidade.

O jovem James Howlett vê suas garras pela primeira vez: numa cena levada aos cinemas mais tarde.
O jovem James Howlett vê suas garras pela primeira vez: numa cena levada aos cinemas mais tarde.

Assim, em 2000, chegou com estardalhaço às lojas a minissérie Wolverine: Origem, escrita por Paul Jenkins e Joe Quesada (mas também creditada no primeiro capítulo a Bill Jemas, o novo presidente da Marvel, na época) com desenhos de Andy Kubert, finalmente revelando a verdadeira origem de Logan. É uma boa história, que mostra que o jovem James Howlett nasceu no Canadá no fim do século XIX, herdeiro de família de grande fortuna de seu pai, John. Mas logo fica claro que ele é filho de sua mãe com o capataz da fazendo, um beberrão rústico chamado Thomas Logan. Para piorar, o melhor amigo do pequeno e frágil James (que vivia doente o tempo todo) era o filho de Logan, que era chamado apenas de Cão. E havia Rose, uma ruiva (ecos de Jean Grey) que era filha de outra criada, pela qual James e Logan – todos na pré-adolescência – eram apaixonados.

Mas o caso entre a mãe de James e Logan não estava resolvido e o capataz tenta invadir sua casa, terminando por matar acidentalmente John Howlett. Em desespero e vendo suas garras (de osso) pela primeira vez, o pequeno James termina matando Logan e é obrigado a fugir, juntamente com Rose, sendo caçados pelas autoridades e por Cão. Após viverem por algum tempo escodidos nas florestas do Canadá, James vai mudando na medida em que chega a adolescência, e vai assumindo uma aparência cada vez mais próxima de Logan e, na medida em que seus poderes mutantes vão aflorando, aparentemente, ele vai esquecendo de tudo o que se passou, até passar a chamar a si mesmo de Logan também e ir trabalhar em uma mina.

Mas Cão os encontra e Rose termina morrendo, fazendo com que Logan saia vagando por aí.

É uma história singela, com pouca ação, mas muito bem escrita e que – como o leitor pode notar – foi utilizada como base do início do filme X-Men Origens – Wolverine, de 2009.

Ainda assim, como Origem, a revista, só vai até a tenra juventude de Logan, muitos outros elementos permaneceram sem esclarecimentos, mas Quesada freou grandes esforços de explorá-lo.

Uma Nova Era para os X-Men

X-Men - O Filme: grande influência para os quadrinhos.
X-Men – O Filme: grande influência para os quadrinhos.

Após o afastamento de Claremont e a preparação de terreno de Lobdell, os X-Men embarcaram em uma era totalmente nova em 2001, quando o polêmico, louco e genial escritor Grant Morrison assumiu a revista X-Men, que por sinal, foi renomeada e ganhou novo número 01 com New X-Men. Os desenhos couberam a Frank Quitely e outros colaboradores.

Influenciado pelo primeiro filme dos X-Men, lançado no ano anterior pelo diretor Bryan Singer e estrelado por Hugh Jackman, Patrick Stewart e Ian McKellen, Morrison decidiu criar uma versão mais adulta, sombria e “fodona” dos X-Men. E a equipe principal passou a ser bem enxuta, com Ciclope, Jean Grey, Wolverine, Emma Frost e Fera.

Os Novos X-Men de Grant Morrison: polêmicas, muitas polêmicas.
Os Novos X-Men de Grant Morrison: polêmicas, muitas polêmicas.

O primeiro arco E de Extinção trouxe um número enorme de novos conceitos: os X-Men deixaram de usar uniformes para usar uma farda de couro, como nos filmes; a Escola para Jovens Superdotados do Professor Xavier começou a ser retratada como isso mesmo, enchendo-se de alunos e, portanto, novos personagens; o Fera sofreu uma mutação secundária que o deixou mais parecido ainda com um monstro; e Ciclope passa a ter um estilo de liderança ainda mais agressivo.

Na trama, uma nova vilã chamada Cassandra Nova começa a produção de uma nova geração de Sentinelas e os utiliza para exterminar a população de Genosha. No embate que se segue, os X-Men descobrem que ela é uma irmã gêmea do professor Xavier que foi expurgada do útero por ele após uma batalha psiquica dos fois fetos (!), mas mesmo lançada nos esgotos como mero embrião, ela conseguiu se desenvolver e chegar à idade adulta. É, Morrison não dosou em suas ideias radicais e malucas.

Mas como tudo que Morrison faz – mesmo que loucamente – as histórias tinham muita qualidade e fizeram um grande sucesso, trazendo pedigree às histórias mutantes que tinham se perdido há muito tempo.

Morrison cuidou da revista durante três anos de sucesso, até voltar à DC em 2004.

A temporada explorou bastante a relação entre Ciclope e Fênix, vivendo uma crise conjugal por causa da ascensão dos poderes da Força Fênix, ao lado das consequências do primeiro em ter sua mente invadida por Apocalipse. Há uma aproximação entre Ciclope e Wolverine, com os dois se tornando amigos.

Para tentar se tratar, Scott Summers se submete a sessões de terapia com Emma Frost, que não custa lembrar era uma ex-vilã, também telepata. Apaixonada por Ciclope, ela mantém um tipo de relação psiquica com ele, o que enfurece a Fênix. Para piorar tudo, o professor Xavier se afasta da escola, que passa a ser administrada por Jean Grey, abrindo ainda mais o abismo entre ela e Ciclope.

New X-Men 150: o fim do arco.
New X-Men 150: o fim do arco.

Dentre os inúmeros personagens novos criados por Grant Morrison, destaque para Kuan-Yin Xorn, um misterioso mutante extremamente poderoso, que inicialmente atuou como aliado dos X-Men, mas em seguida, voltou-se contra eles, inclusive, se passando por Magneto. Foi numa batalha contra Xorn que New X-Men se encerra na edição 150, com um arco na qual na iminência da volta da Fênix, Jean Grey morre (mais uma vez).

Enquanto isso, Claremont continuou escrevendo histórias estranhas em X-Treme X-Men e Joe Casey cuidou de Uncanny X-Men, num período em que praticamente não houve grande interações entre as revistas mutantes.

Astonishing X-Men: obra-prima de Joss Whedon e John Cassaday.
Astonishing X-Men: obra-prima de Joss Whedon e John Cassaday.

Com a saída de Morrison, em 2004, a Marvel estava disposta a não deixar a peteca cair. Assim, foi criada uma nova revista chamada Astonishing X-Men (o mesmo daquela minissérie), com roteiros de Joss Whedon e desenhos de John Cassaday. Vindo da TV, Whedon é mais famoso hoje como o diretor do filme Os Vingadores e criou aquela que talvez seja a melhor série dos mutantes no novo século.

Astonishing X-Men, com Whedon e Cassaday foi uma das melhores revistas mensais de seu tempo, tendo como diferencial pouquíssima interação com os outros títulos mutantes ou da Marvel. O foco era uma equipe com Ciclope, Wolverine, Emma Frost, Fera, Lince Negra e Colossos, que voltou da morte. No primeiro capítulo, Ciclope reúne a equipe, dizendo que esta é a melhor formação possível e deixando claro que apesar das diferenças entre ele e Logan, os dois precisavam trabalhar juntos.

Ciclope se ressentia de Logan por causa da paixão deste pela recém-falecida Jean Grey; e Wolverine estava puto com o fato de Scott Summers, pouco tempo depois, já ter engatado um romance com Emma Frost.

Uma curiosidade é que o texto de Whedon justificou a volta do uso de uniformes – em vez das roupas de couro de Morrison – apelando ao aspecto simbólico da coisa. Ciclope também estava decidido a fazer dos X-Men um grupo de heróis mais tradicional, como os Vingadores, deixando de se envolver apenas nas coisas ao seu redor e tendo uma ação mais ampla.

Um membro dos Ords enfrenta os X-Men na história escrita por Joss Whedon e com a bala arte de John Cassaday.
Um membro dos Ords enfrenta os X-Men na história escrita por Joss Whedon e com a bala arte de John Cassaday.

O primeiro arco envolveu uma luta contra a raça alienígena Ord e o segundo a transformação da Sala do Perigo em uma inteligência artifical autônoma. A temporada de Whedon e Cassaday durou 24 edições, entre 2004 e 2007.

Infelizmente, apesar da qualidade de Astonishing, a maioria das demais revistas mutantes não trouxeram grandes histórias nem acontecimentos.

Após a partida de Whedon, a importância de Astonishing X-Men diminuiu bastante, mas ainda houve algumas boas histórias, como aquelas escritas por Warren Ellis, entre as edições 25 e 35, entre 2007 e 2008.

O Fim da População Mutante

A capa de Disnatia M: população reduzida.
A capa de Disnatia M: população reduzida.

Enquanto Astonishing X-Men começava a ser publicada, em 2004, ocorreu um grande evento que trouxe graves consequências para o Universo Mutante da Marvel: House of M ou A Dinastia M. A trama começou no arco Vingadores: A Queda, na qual a mutante (e filha de Magneto) Feiticeira Escarlate enlouquece e faz um feroz ataque aos Vingadores, matando alguns membros e resultando no fim (temporário) da equipe.

Após os Vingadores vencê-la em combate, Magneto aparece e leva Wanda Maximoff para Genosha. Depois, quando os Vingadores e os X-Men vão a Genosha atrás dela, a realidade se distorce e o mundo muda. Com seus poderes de alterar a realidade, Wanda cria um mundo no qual um ainda jovem Magneto consegue comprovar uma conspiração anti-mutante do presidente Richard Nixon e o resultado são leis de proteção aos mutantes no mundo todo. Em longo prazo, Magneto se torna o chefe de Estado em Genosha e os mutantes se tornam a raça dominante do mundo, repremindo as nações e os humanos em geral, que são chamados de Sapiens.

Dinastia M foi publicada como uma minissérie em oito edições, escrita por Brian Michael Bendis e desenhada pelo francês Olivier Coipel. O mundo volta ao normal depois, claro, mas há graves consequências: a mais importante de todas é que a população de mutantes da Terra é reduzida de milhões de pessoas para apenas algumas centenas, por causa dos poderes de Wanda. Com isso, personagens como Charles Xavier, Magneto e Polaris perdem os seus poderes.

Capa de Origins 01, por Joe Quesada.
Capa de Origins 01, por Joe Quesada.

Outra importante consequência é que, pela primeira vez, Wolverine tem acesso a todas as suas memórias. Com isso, o passado deixa de ser algo nebuloso para Logan, que parte em uma cruzada para se reconciliar com seus fantasmas dos passado. Este é o mote para o surgimento de um segundo título solo do personagem, paralelo ao seu principal, chamado Wolverine: Origins, lançado em 2006, com roteiros de Daniel Way e arte de Steve Dillon. Para representar a busca por seu passado, o herói volta a usar seu uniforme dos anos 1980, com as cores marrom claro e escuro.

Contudo, ao contrário do esperado, Origens não trouxe grandíssimas revelações do passado do herói, apenas uma trama por vezes confusa. A maior herança da publicação, que durou 50 edições até 2010, foi a introdução de um filho adulto de Wolverine, com seus mesmos poderes, chamado Daken, que é um vilão, portanto, uma versão maligna de si mesmo.

Procurando um caminho

Complexo de Messias.
Complexo de Messias.

Após Dinastia M, a franquia dos X-Men nos quadrinhos procurou algumas mudanças e firmar espaço, contudo, a segunda metade da década de 2000, em grande medida, marcou um momento em que os mutantes perderam sua importância fundamental dentro da Marvel Comics. Depois de ter sido a franquia dominante da editora desde o fim dos anos 1980; agora, suas histórias em grande parte desinteressantes não tinham mais impacto para o restante do universo Marvel. Seu espaço foi tomado pela franquia dos Vingadores, que sob o comando de Brian Michael Bendis se tornou na mais lucrativa e de maior sucesso da casa.

Os editores, então, passaram a experimentar algumas coisas novas, a fim de dar mais fôlego à franquia mutante, porém, sem grandes feitos.

O primeiro grande arco dessa nova fase foi Messiah Complex ou Complexo de Messias, na qual o nascimento do primeiro bebê mutante pós-Dinastia M causa um grande reboliço no Universo Marvel. Muitos acreditavam que esse bebê seria o messias que salvaria a raça mutante depois de seu quase extermínio. Não à toa, o bebê, uma menina ruiva, é chamada de Hope (esperança).

Second Coming: novas ideias.
Second Coming: novas ideias.

A linha principal do arco correu em Uncanny X-Men 492-494, em 2007, sob o comando do escritor Ed Brubaker, que vinha de sucessos na revista do Capitão América e do Demolidor. Contudo, apesar da premissa excelente, a história não empolgou muito. No fim, Cable consegue pegar Hope e levá-la para o futuro, onde pode ser treinada em paz com seus poderes.

Como consequência dos eventos de Complexo de Messias, o time principal dos X-Men se muda de Nova York para São Francisco, na Califórnia, onde ocupam uma ilha batizada de Utopia, formada pelos destroços do Asteróide M de Magneto. Ciclope convidou toda a popualção mutante para habitá-la e muitos se mudaram. Era uma tentativa de proteger os mutantes da perseguição especialmente agora – dentro da cronologia do Universo de então – quando o vilão Norman Osborn era o homem mais poderoso do país, comandando o MARTELO, agência que substituiu a SHIELD após os eventos de Invasão Secreta.

O arco seguinte, Second Coming ou Segundo Advento, mostra Cable e Hope (agora uma adolescente adotando o sobrenome Summers) retornando ao presente, fugindo do ex-x-men (e também viajante do tempo) Bishop, que quer matá-la por achá-la uma ameaça. Ao mesmo tempo, sofrem um ataque de Bastion, a versão evoluída do Sentinela Nimrod. Essa saga transcorreu em Uncanny X-Men 523 a 525 (com roteiro de Matt Frraction e desenhos de Terry Dodson) e em X-Men: Legacy (sucessora de New X-Men) 235 a 237 (com texto de Mike Carey e arte de Greg Land).

Mutantes Divididos

Cisma: mutantes divididos.
Cisma: mutantes divididos.

Tendo em vista que os eventos e mudanças tentadas não conseguiam ascender o “calor” que a franquia mutante tinha com os leitores do passado, a Marvel decidiu sacudir mais ainda as coisas.

Antes um parêntese: a estratégia de pensar o universo mutante como algo quase à parte do Universo Marvel, que funcionara durante as décadas anteriores, agora, se voltava contra eles. Enquanto a Marvel conseguia sucessos incríveis com sagas como Guerra Civil e Invasão Secreta – nas quais eram os Vingadores quem tinham destaque – relegaram os X-Men e seus aliados a meras notas de rodapé dentro do panorama geral da editora. Embora os mutantes sofressem as consequências desses eventos – como visto acima – seus personagens (à exceção de Wolverine, que era membro dos Novos Vingadores desde 2005) não tinham grande importância naquelas histórias.

Curiosamente, a primeira estratégia da Marvel não foi integrar os X-Men, mas imitar o restante do Universo Marvel. Para isso criou-se uma versão da Guerra Civil exclusiva para os mutantes.

Outro parêntese: Guerra Civil foi a saga de 2007 na qual o surgimento de uma Lei de Registro de Superseres divide as opiniões entre a comunidade de super-heróis da Marvel, de modo que surgem duas facções rivais que combatem entre si: uma a favor da lei, liderada pelo Homem de Ferro; e outra contrária à lei, liderada pelo Capitão América. Após uma intensa batalha, os segundos perdem e o Capitão América é preso, sendo em seguida assassinado à caminho do tribunal. Em consequência, os opositores à lei se tornam perseguidos pelas autoridades, representadas pelo próprio Tony Stark, agora o líder da SHIELD.

Na minissérie Schism ou Cisma, surge uma discordância crucial entre Ciclope e Wolverine pelo direcionamento a ser dado à população mutante. Os dois principais x-men saem em uma feroz batalha cuja principal consequência é a divisão da raça mutante em duas facções. A minissérie teve cinco capítulos, publicados em 2011, escritas por Jason Aaron (que se tornaria o principal escritor dos títulos mutantes nos próximos anos) e com um desenhista para cada edição: Carlos Pacheco, Frank Cho, Daniel Acuña, Alan Davis e Adam Kubert.

O time de Ciclope...
O time de Ciclope…

Ao fim da saga, o principal título mutante é dividido em dois: Uncanny X-Men vol 02 traz um time liderado por Ciclope, com base em Utopia e membros como Emma Frost, Tempestade, Magneto (!), Colossus, Magia, Namor e Hope Summers, com textos de Kieron Gillen e arte de Carlos Pacheco; e a nova Wolverine and the X-Men, com um time liderado por Logan, com base na velha escola, agora rebatizade de Escola Jean Grey, tendo como membros Kitty Pryde, Homem de Gelo, Fera, Rachel Grey e Groxo, com textos de Jason Aaron e arte de Chris Bachalo.

... e o de Wolverine.
… e o de Wolverine.

O acirramento entre os dois times persistiu durante algum tempo e culminou em uma outra grande saga.

Agora, a Marvel estava decidida a integrar os mutantes ao restante do Universo Marvel e surfar na carona dos Vingadores. Por isso, foi criada a megassaga Vingadores versus X-Men, na qual a volta da Força Fênix coloca novamente as facções de Ciclope e Wolverine em confronto, mas agora, com a intromissão dos Vingadores. Divididos entre se devem ou não matar Hope Summers, pretensamente a nova hospedeira da Força Fênix, os heróis saem em uma grande batalha.

Capitão América vs. Ciclope: guerra entre heróis.
Capitão América vs. Ciclope: guerra entre heróis.

No fim das contas, o grupo de Ciclope é dominado pela Força Fênix e precisam ser detidos pelos Vingadores. Como saldo da batalha, o professor Xavier é morto por Ciclope-Fênix.

.A morte de Xavier.
.A morte de Xavier.

Publicada em várias edições e especiais, a maxissérie principal de Avengers vs. X-Men foi escrita por Brian Michael Bendis e desenhada por John Romita Jr.

Em consequência, a Marvel promoveu uma grande transformação editorial chamada Marvel Now, criando novos títulos e estabelecendo um novo status pós-ataque da Fênix, na qual Ciclope é preso e (depois de fugir com a ajuda de Magneto) passa a ser perseguido como um terrorista (mesmo com todos sabendo que sua mente havia sido dominada pela Fênix); e os X-Men passam a agir de maneira mais integrada com os outros heróis da editora.

All-New X-Men 01 traz a equipe original do passado...
All-New X-Men 01 traz a equipe original do passado…

Assim, vários dos membros dos X-Men ingressam nos Vingadores, formando uma superequipe publicada em Avenging X-Men.

Por outro lado, outra consequência inusitada foi que a equipe original dos X-Men, com as versões adolescentes de Ciclope, Garota Marvel, Fera, Homem de Gelo e Anjo, é transportada do passado para o presente e precisam lidar com as sequências de atos que sequer cometeram ainda. Suas aventuras são publicadas na nova revista All-New X-Men, escrita por Brian Michael Bendis e desenhada por Stuart Immonen, que se torna a principal revista do universo mutante.

... enquanto Ciclope é tratado como um vilão.
… enquanto Ciclope é tratado como um vilão.

É neste ponto em que se encontram as revistas dos X-Men e é preciso esperar para ver onde esse novo status irá levar em um futuro breve.

Será que os X-Men irão conseguir recuperar o prestígio que tinham anos atrás entre os leitores?

Ciclope será um vilão?

O que farão os X-Men originais no presente?

Respostas para o futuro…

Os X-Men foram criados em 1963 por Stan Lee e Jack Kirby, mas só foram bem-sucedidos comercialmente nos anos 1970, a partir da reformulação idealizada pelo escritor Len Wein e tocada à frente por Chris Claremont, Dave Cockrum e John Byrne. Daí em diante, se tornaram uma das revistas de maior sucesso da Marvel Comics.