Um rumor impressionante corta a internet. Na verdade, parece tão improvável que normalmente o HQRock nem noticiaria, porém, vários veículos um pouco mais respeitáveis começaram a comentar, também, então, por via das dúvidas, iremos comentar: segundo o FandomWire, Homem-Aranha 3 irá reunir Tom Holland, Tobey Maguire e Andrew Garfield. Será?

Honestamente, não acreditamos nisso. O FW não é a mais confiável das fontes e nenhum dos sites totalmente confiáveis, como The Hollywood Reporter, Variety ou Deadline noticiou o “furo”.

Homem-Aranha e Electro em imagem oficial do filme de 2014.

A “notícia” chega no escaldo da confirmação que Jamie Foxx irá reprisar o papel de Electro que já viveu em outra franquia do Homem-Aranha (nos filmes de Andrew Garfield). A notícia de dias atrás de que o Doutor Estranho de Benecdict Cumberbatch irá aparecer logo acendeu a chama dos imaginativos de que veremos um Homem-Aranha no Aranhaverso transposto ao live action contrapondo as três versões cinematográficas do cabeça de teia.

Mas isso parece muito pouco provável. Apesar do título do filme de Stephen Strange ser Doutor Estranho no Multiverso da Loucura e a ideia de realidades paralelas ter sido introduzida no MCU por causa da trama de Vingadores – Ultimato, parece estranho que a Marvel irá trilhar esse caminho que sempre foi mais afeito à Distinta Concorrência da DC Comics.

E fica mais bizarro ainda quando já sabemos por notícias sólidas e confirmadas que é exatamente esse tipo de caminho que o DCU irá seguir agora, com The Flash trazendo duas versões diferentes do Batman tiradas de duas franquias, com Michael Keaton (do filme de 1989) e Ben Affleck (a versão mais recente e anterior ao novíssimo de Robert Pattinson), numa trama de realidade paralelas.

A DC, por uma série de motivos, criou a tradição de promover reboots constantes em sua cronologia e explorar os efeitos de várias versões diferentes de seus heróis como linha narrativa, como na trama de Crise nas Infinitas Terras, que inclusive, foi adaptada à TV no Arrowverso, trazendo três versões diferentes do Superman, com Tyler Hoechlin, Brandon Routh e Tom Welling.

Mas embora existam realidades paralelas na Marvel nos quadrinhos, esta não é uma tradição majoritária da Casa das Ideias, que mantém a distinção de nunca ter realizado um reboot maciço em sua cronologia. E ver isso acontecer nos cinemas seria muito estranho. Quase bizarro.

A notícia do FandomWire soa quase como o titulo do site sugere, um desejo de fãs, que embalados na experiência recente da DC querem ver o mesmo com a Marvel. Mas não indicadores sólidos de que isso irá ocorrer.

A despeito da trama com viagens no tempo (que geram, portanto, realidades alternativas e versões diferentes de personagens conhecidos – com pelo menos um caso de uma dessas outras versões permanecendo na nossa realidade, como é o caso da Gamora dos Guardiões da Galáxia), seria esperando pela Marvel que isso fosse apenas um efeito colateral no MCU.

Se há o indicativo de “outras realidades” em WandaVision, a série de TV focada em Wanda Maximoff (a Feiticeira Escarlate) e o Visão, parece que a trama lidará muito mais com o que é um tipo de ilusão (portanto, artificial) da protagonista, tentando trazer de volta à vida o androide que amou e foi morto por Thanos, quase uma fantasia. Não quer dizer que o Visão não volte à vida na série – afinal, ele é essencialmente um robô com uma mente computadorizada turbinada pela Joia da Mente. Mas os trailers sugerem – e ganha apoio às HQs nas quais se baseia – que WandaVision será muito mais sobre ilusões e magia do que sobre realidades paralelas.

Doutor Estranho no Multiverso da Loucura tem o título apontando para realidades paralelas, usando a terminologia tão cara à DC (Multiverso), mas isso não significa que trará versões diferentes de personagens conhecidos. Afinal, outras dimensões já foram expostas em Doutor Estranho (de 2016), com realidades bem diferentes da nossa.

Claro, Homem-Aranha 3 é uma produção da Sony Pictures, que divide o aracnídeo com o Marvel Studios, e a primeira pode querer ir em um caminho diferente, explorando cantos da consequência dos eventos de Vingadores – Guerra Infinita ou Ultimato. Mas a notícia do FW, repetimos, soa muito mais como um desejo de fãs do que realidade.

A Marvel e a Sony podem muito bem reprisar Jamie Foxx e J.K. Simmons nos papeis que já ocuparam em outras franquias sem que isso signifique, necessariamente, ter que lidar com universos paralelos. Parece muito mais mirar no certo (caso de Simmons, cuja versão de J.J. Jameson é amada por todos) e fazer uma reparação histórica (no caso de Foxx, cuja versão de Electro foi um desastre completo).

E ainda, não poderíamos deixar de dizer, realmente não é o caminho que gostaríamos de ver o Homem-Aranha e o MCU seguir. Várias versões do mesmo personagem, à despeito da espetacularidade imediata que gera, em médio prazo apenas enfraquece o personagem, cria confusões narrativas e dilui algo que, numa mídia concentrada como o cinema, só iria se beneficiar de abordagens mais focada.

Os fãs já podem ver várias versões do escalador de paredes em Homem-Aranha no Aranhaverso e reunir Tobey Maguire, Andrew Gardfield e Tom Holland no mesmo filme não seria nada mais do que espetaculoso. Como dissemos em um post anterior, o Homem-Aranha sempre se beneficia de histórias mais realistas e centradas, com foco em seus dramas pessoais e humanos. Foi isso que tornou os dois primeiros filmes do personagem, aqueles dirigidos por Sam Raimi, grandes.

O Peter Parker do MCU ainda não teve exatamente essa chance, pois mesmo Homem-Aranha – De Volta ao Lar, que tem uma trama mais enxuta e contida, ainda está ligado diretamente à grandeza dos Vingadores e seu universo. No mais, vimos Parker indo ao espaço e lidando com ameaças globais, mas muito pouco daquela humanidade única que só seu personagem permite.