Faleceu ontem (sábado, dia 29 de outubro), no Rio de Janeiro, o compositor Cláudio Roberto, que apesar de desconhecido do grande público, tem um papel importante na história do rock brasileiro como parceiro de composições de Raul Seixas. A dupla criou canções clássicas como Maluco beleza, Cowboy fora da lei, Aluga-se, Novo Aeon, O dia em que a Terra parou, Rock das aranhas, Sapato 36 e muitas outras.

Nascido no Rio de Janeiro, Cláudio Roberto Andrade de Azeredo era um típico “bicho grilo” nos anos 1970, e sua primeira parceria com Raul Seixas foi na canção Novo Aeon, que batizou o álbum do cantor em 1975. Com o esfriamento da relação de Raul com seu principal parceiro, o letrista Paulo Coelho, Cláudio Roberto meio que ocupou o seu lugar, de modo que ele e Raul assinam todas as faixas do álbum O Dia em Que a Terra Parou (1977), que trouxe também a clássica Maluco beleza, provavelmente, a canção mais conhecida do repertório do roqueiro baiano.
Cláudio Roberto foi o único dos parceiros de Raul que contribuiu também com a parte musical – afinal, ele também era músico e não somente letrista – e Maluco beleza nasceu de uma canção pré-existente de Roberto e, de início, a dupla criou uma letra em inglês para a faixa, mas no estúdio, durante as gravações, decidiram traduzi-la para o português.

Cláudio Roberto morava em um sítio em Miguel Pereira, a 120 km da cidade do Rio de Janeiro e Raul Seixas passava bastante tempo por lá, tocando com o amigo, batendo altos papos e curtindo a natureza, ambientação que inspirou o tom do disco Mata Virgem (1978), com canções sobre a natureza e timbres acústicos.. O círculo próximo ao compositor achava que os dois eram “almas gêmeas”. Mas a dupla se afastou por um período, quando Seixas sucumbiu ao alcoolismo e viveu um período conturbado no fim da década de 1970, de modo que não participou do álbum Por Quem os Sinos Dobram (1979), na qual Raul compôs em parceria com Oscar Rasmussen, um argentino.
Mas Raul e Cláudio se reaproximaram nos anos 1980 e continuaram a escrever canções juntos na etapa tardia da carreira do cantor em faixas como Cowboy fora da lei, do álbum Uah Bap Lu Bap Lab Béin Bum (1987).

Recentemente, quando o cantor Ed Motta ofendeu Raul Seixas como pessoa e artista, Cláudio Roberto foi uma das vozes que se ergueu para defender o amigo.
Raul Seixas faleceu vítima de uma parada cardíaca, em 21 de agosto de 1989, fruto de uma combinação letal de alcoolismo e diabetes, resultando em uma pancreatite aguda.
Cláudio Roberto tinha 70 anos e seu corpo será velado e enterrado na cidade de Miguel Pereira, onde ficava sua xácara.
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