O site The Wrap divulgou uma notícia sobre um analista de Wall Street chamado Jason Bazinet, que comunica aos seus clientes que a The Walt Disney Company poderia assegurar para a Marvel os direitos de Hulk e Namor através da venda do canal de streaming Hulu.

A Disney é dona de todos os personagens da Marvel, mas os direitos de distribuição em cinema de Hulk e Namor (aparentemente) ainda pertencem à Universal Pictures, fruto de negociações realizadas ainda na década de 1990. Na época, a Marvel Entertainment passava por sua maior crise financeira e vendeu os direitos cinematográficos de suas principais criações a vários estúdios, incluindo, Columbia, Paramount, 20th Century Fox e Universal, ao mesmo tempo em que estruturava o Marvel Studios para administrar (e fiscalizar) as produções de seus personagens.

Mas a recuperação financeira do início dos anos 2000 ao lado do sucesso cinematográfico das primeiras adaptações daquela fase – como X-Men – O Filme, de 2000, e Homem-Aranha, de 2002 – possibilitaram que o Marvel Studios assumisse um papel mais ativo e produzisse seus próprios filmes, nascendo o MCU com obras como Homem de Ferro, O Incrível Hulk, Thor, Capitão América – O Primeiro Vingador e Os Vingadores. Naquela primeira fase, o controle da produção desses filmes do MCU cabia à Marvel, mas a distribuição aos parceiros, como a Paramount e a Universal.

O Hulk junto aos Vingadores em Era de Ultron.

Isso mudou a partir de 2009, quando a Disney comprou a Marvel e negociou os contratos de cinema, adquirindo os direitos que pertenciam à Paramount, por exemplo (a maior parte do MCU). Todavia, a Universal não cedeu os direitos dos dois personagens que possuía: Hulk e Namor. O acordo de distribuição continuou valendo, e uma brecha nos contratos permitia que a Marvel usasse o Hulk em um filme dos Vingadores, por exemplo, mas não poderia produzir outro filme solo ou esse iria ser distribuído pela Universal. O mesmo valia para Namor.

O outro lado do quinhão era a 20th Century Fox, que detinha o direito de muitos personagens da Marvel, incluindo as franquias de X-Men, Quarteto Fantástico, Demolidor e Motoqueiro Fantasma. Mas contratos diferenciados e fracassos em adaptações desses dois últimos personagens, por exemplo, levaram aos direitos regressarem à Marvel por volta de 2013, o que levou à produção das séries da Netflix com o Demolidor de Charlie Fox e seus amigos Defensores, por exemplo, e o Motoqueiro Fantasma ser utilizado na série Agents of SHIELD. O jogo virou totalmente quando, em 2019, a Disney comprou a Fox e passou a propriedade dos personagens da Marvel restantes de volta ao Marvel Studios, os X-Men e o Quarteto Fantástico, que agora podem ser adicionados ao MCU.

Mas sobrou a dupla da Universal: Hulk e Namor.

Muita discussão sobre essa propriedade veio à tona em tempos recentes, inclusive, rumores de que neste ano de 2023 a Universal perderia os direitos de distribuição dos dois heróis por já se completar 15 anos da última vez que o estúdio produziu efetivamente um material com um deles, justamente, O Incrível Hulk, única parceria Marvel-Universal dentro do MCU, que saiu em 2008.

Esse pensamento segue a lógica de mercado que fez com que o Demolidor saísse da Fox e voltasse à Marvel após um prazo de 10 anos sem produção de material sobre ele.

Mas não há clareza no mercado sobre quais são os termos do contrato Marvel-Universal e nem quem é o dono dos direitos de produção de ambos os personagens nos dias de hoje. Há quem advogue que eles já voltaram à Marvel e que um filme solo do Hulk é esperado para chegar, finalmente apenas nas mãos do Marvel Studios, nos próximos anos. A estreia de Namor no MCU, via Pantera Negra – Wakanda para Sempre, abriria a mesma possibilidade, caso o estúdio quisesse.

Mas ninguém tem certeza desse rumor.

A orientação do especialista Jason Bazinet vai no sentido de que a Universal ainda é proprietária dos direitos de distribuição de ambos.

Ele diz que o acordo de compra da 20th Century Fox previa que a Disney pode abrir mão de sua parcela de 67% das ações do canal de streaming Hulu a partir de janeiro de 2024. Com a Disney enfrentando uma pequena crise financeira e tomando medidas para retomar o crescimento, a venda do Hulu seria uma estratégia de injetar algo entre 20 e 30 bilhões de dólares. Outra alternativa é a Disney comprar os 33% restantes da Hulu, que pertencem justamente a Comcast, a proprietária da Universal.

De qualquer modo, o investidor aposta que a Disney irá usar a oportunidade para negociar os direitos de distribuição de Hulk e Namor com a Universal e finalmente ficar totalmente livre para produzir filmes de qualquer um dos personagens Marvel.

Namor, o Príncipe Submarino foi criado pelo cartunista Bill Everrett, em 1939, e estreou na revista Marvel Comics 01, sendo um grande sucesso na aurora dos super-heróis, com seu humor ranzinza e comportamento explosivo. Nas tramas, ele é filho de um marinheiro humano com uma princesa atlante (uma raça de seres humanos azuis que vivem nas profundezas do mar) e ao crescer se transforma no líder daquele povo. Após ter suas histórias canceladas no fim dos anos 1940, Namor regressou no início da Era Marvel dos Quadrinhos, reapresentado por Stan Lee e Jack Kirby como um oponente do Quarteto Fantástico e dos Vingadores, a partir de 1962, numa ação vingativa contra a humanidade. Depois de um tempo, o irascível personagem retomou o bom caminho e ganhou aventuras próprias, sendo também um dos fundadores do grupo de super-heróis Os Defensores (nos anos 1970), membro dos Vingadores (nos anos 1980) e um importante membro do panteão da Marvel Comics até hoje.

O Incrível Hulk foi criado por Stan Lee e Jack Kirby em 1962 e estreou em sua própria revista, antes de se tornar um dos mais queridos personagens da Marvel pelos leitores. Nas tramas, o cientista Dr. Bruce Banner sofre um acidente radioativo com raios gama e se transforma em uma besta de inteligência limitada e força descomunal, que fica mais forte na medida em que tem mais raiva. Apesar disso, o Hulk foi membro fundador dos Vingadores e dos Defensores, ainda que tenha se notabilizado como um personagem trágico e solitário na maior parte do tempo.