Ontem, no domingo, ocorreu a premiação do Grammy Awards, o “Oscar” da indústria fonográfica americana, cobrindo todos os gêneros musicais. No campo do rock, tivemos uma surpresa, com a veterana banda britânica The Cure vencendo o seu primeiro prêmio (duas vezes!) e uma curadoria que, ainda que tenha homenageado alguns nomes históricos, privilegiou novos nomes no cenário musical.

Robert Smith, do The Cure.

Formado em Crawley, ao sul de Londres, e liderado por Robert Smith, o The Cure foi uma sensação na cena pós-punk/ new wave do fim dos anos 1970, e embora tenha feito algum sucesso de massa no fim dos anos 1980 – em hits como Boys don’t cry, In between days e Friday I’m love – na maior parte do tempo foi um grupo alternativo e assim permanece. A banda ganhou um Grammy pela primeira vez na carreira, levando a estatueta por Melhor Performance de Canção Alternativa, pelo single Alone, e por Melhor Álbum de Música Alternativa, por Songs of a Lost World. Smith, contudo, não esteve presente à cerimônia e enviou uma mensagem gravada. O grupo venceu favoritos da noite, como o grupo feminino britânico Wet Leg e o queridinho da noite, Turnstile.

O Turnstile, formado em Baltimore, nos EUA, em 2010, venceu por Melhor Álbum de Rock, com Never Enough, deixando para trás nomes como Deftones, Linkin Park e Yungblud; e também levou para casa a estatueta por Melhor Performance de Metal, pelo single Birds, ganhando de nomes mais tradicionais como Dream Theater e Ghost.

Yungblud.

Melhor Performance de Rock foi para a versão de Changes (originalmente do Black Sabbath) executada pelo jovem cantor britânico Yungblud (acompanhado por Nuno Bettencourt, Frank Bello e Adam Wakeman, que também foram premiados), no contexto do Back to Beginning, o concerto tributo que acabou sendo a última aparição de Ozzy Osbourne no ano passado. Em seu discurso de agradecimento, o artista, cujo nome verdadeiro é Dominic Harrison, agradeceu a Osbourne e sua família, por terem sido ídolos e amigos em sua vida e carreira. Entre seus concorrentes estavam o Linkin Park e Turnstile.

O projeto de rock de Trent Reznor (mais conhecido por suas trilhas sonoras para cinema), Nine Inch Nails, venceu por Melhor Canção de Rock, por As alive as you need me to be, tendo Turnstile e Yungblud como concorrentes.

Maria Bethânia e Caetano Veloso.

O prêmio de Melhor Álbum Latino de Rock ou Alternativo foi para o grupo argentino Ca7riel & Paco Amoroso, com Papota. Vale mencionar, também, a vitória de Caetano Veloso e Maria Bethânia por Melhor Álbum de Música Global por Caetano & Bethânia Ao Vivo, que documenta a turnê conjunta do casal de irmãos pelo Brasil no ano passado. É uma premiação importante, com Bethânia sendo a primeira intérprete feminina brasileira a ganhar um Grammy na cerimônia principal (e não no spin-off Grammy Latino), assim como para Caetano, que venceu o seu terceiro prêmio (!), tendo levado anteriormente por Livro (1997) na mesma categoria (antes chamada Best World Music Album) e como produtor por João Voz e Violão (2001), de João Gilberto.

Superbanda no tributo a Ozzy Osbourne.

No campo do rock mais clássico, a cerimônia trouxe um tributo a Ozzy Osbourne, com um supergrupo formado por Post Malone (vocais), Slash (guitarra), Duff McKagan (baixo) [ambos do Guns’n’Roses], o aclamado produtor Andrew Watt (guitarra) e Chad Smith (bateria)[do Red Hot Chili Peppers]; e também houve o prêmio de Melhor Álbum Histórico por Archives Vol. 4: The Asylum Years (1976-1980) de Joni Mitchell. O veteraníssimo Buddy Guy venceu o Grammy de Melhor Álbum de Blues Tradicional, por Ain’t Done With the Blues, enquanto o Melhor Álbum de Blues Contemporâneo foi para Preacher Kids, de Robert Randolph, que deixou para trás Joe Bonamassa.

E já que somos Nerds, vale mencionar que Melhor Filme Musical foi para Music by John Williams, o célebre compositor erudito de trilhas sonoras como Tubarão, Star Wars, Superman – O Filme, Indiana Jones e muito mais.