A armadura de Christian Bale ganhou uma eleição de melhor uniforme do Batman em um site dos EUA.

Há alguns meses, o site Comic Book Movie fez uma enquete com a seguinte pergunta: “qual dos visuais do Batman no cinema (ou na TV) representava melhor o personagem dos quadrinhos?”. A resposta, como esperado, só podia ser uma: a detalhada armadura usada por Christian Bale em Batman – O Cavaleiro das Trevas, de 2008, aparentemente (pelo o que se vê nas fotos), a mesma que ele usará no próximo (e último) filme da cinessérie, Batman – O Cavaleiro das Trevas Ressurge, que sairá em julho de 2012.

Mas o mais interessante é que a divulgação do resultado, pelo mesmo site, gerou uma grande onda de comentários, alguns concordando, outros discordando. O HQRock já fez um post sobre o visual do Superman que fez bastante sucesso no número de acessos, então, fica agora a questão: qual é o melhor visual do Batman? Os dos quadrinhos? O do cinema? Ou o da TV?

A primeira imagem do Batman, na capa de “Detective Comics 27”, de 1939.

A resposta é difícil, então, vamos por partes. O visual do Batman já se modificou bastante em cada uma dessas mídias. Mesmo nos quadrinhos, o homem-morcego já usou algumas variações de sua roupa. Quando estreou em Detective Comics 27, em maio de 1939, desenhado por Bob Kane, o Batman tinha uma roupa já bem parecida com seu visual clássico, mas com algumas diferenças: a capa era mais rígida; as luvas não tinham aquelas pontas; o desenho das “orelhas” da máscara eram distintos; e o símbolo do morcego não tinha a famosa elipse amarela que ganharia depois.

Contudo, os desenhistas que trabalhavam para Bob Kane foram acrescentando alguns detalhes até se consolidar um visual “clássico” do homem-morcego. Entretanto, a única diferença significativa que se impôs depois foi justamente o acréscimo da elipse amarela em torno do símbolo do morcego, algo que só ocorreu em 1964, quando o estúdio de Kane deixou de produzir as aventuras e o personagem sofreu um “redisign” pelo artista Carmine Infantino – mais voltado à figura do desenhos (mais magro e esguio) do que com modificações na roupa.

Um ano após seu surgimento, Batman já tinha um visual praticamente idêntico ao de hoje.
A introdução da elipse amarela em 1964.

Obviamente, a partir de então, cada desenhista dava seu “toque pessoal” ao personagem, mas a figura do Batman não sofreu nenhuma modificação significativa até os anos 1990. Sem contar o homem-morcego de armadura da saga A Queda do Morcego – que não conta, porque não era Bruce Wayne, mas seu substituto temporário, Jean-Paul Valley – o Batman mudou ligeiramente em 1995, quando adotou uma roupa totalmente preta – como nos filmes. A sunga por cima da calça desapareceu, mas a elipse amarela se manteve. Esse visual do uniforme negro ficou legal, mas a coloração não ajudava, já que por vezes os pintores insistiam em manter tons de cinza diferenciados às luvas e capas e ao resto da roupa.

O uniforme “totalmente preto” na arte de Graham Nolan.
O uniforme dos fins de 1990 e 2000: sem elipse e com cartucheiras.

Na saga Terra de Ninguém, de 1998, o Batman voltou a usar o que seria seu “uniforme original“, ou seja, novamente com sunga por cima da calça e sem a elipse amarela. Outra questão “importante” é que o cinto de utilidades deixou de ser desenhado com tubos (como fora desde sempre) para trazer cartucheiras e bolsos num aspecto mais realista.

O uniforme da fase final de Morrison: com elipse e sem a sunga.

O personagem manteve esse aspecto até a passagem de Grant Morrison pós-2006. Quando “voltou dos mortos” (fase que começa a ser publicada no Brasil agora, pela editora Panini, leia no HQRock, aqui), Bruce Wayne modificou sua roupa, trazendo a elipse amarela de volta e abolindo a sunga por cima da calça. O novo visual durou pouco, menos de um ano, e agora em 2011, Batman teve sua roupa (ligeiramente) modificada de novo por causa do reboot cronológico e editorial da DC Comics, passando a adotar uma mistura deste último uniforme com aquele anterior. Confeccionado pelo artista Jim Lee, essa nova roupa também tenta passar a ideia de uma armadura tal qual nos filmes.

O uniforme do reboot: sem elipse, sem sunga e meio armadura.

Falando nisso, as primeiras produções live action do Batman – produzidas em 1943 e 1949 – falharam amargamente em criar uma roupa crível ou bacana. Não muito longe foi a infame série de TV dos anos 1960, mas temos que admitir: era uma transposição literal do visual Carmine Infantino ao mundo real.

O primeiro Batman live action: cruzes!
O Batman dos anos 1960: cruzes de novo!

Talvez por isso, quando o cineasta Tim Burton decidiu produzir o primeiro filme sério do Batman, em 1989, optou por uma armadura preta. Isso causou uma pequena polêmica na época – afinal era significativamente diferente do personagem nos quadrinhos – mas terminou se mostrando uma ótima opção para tentar imaginar como seria um homem-morcego na vida real. Infelizmente, nos filmes de Joel Schumacher (de 1995 e 1997) as roupas do Batman foram se tornando cada vez mais medonhas (eram duas em cada filme! Por quê? Para vender mais bonequinhos, claro).

O Batman de Tim Burton, vivido por Michael Keaton.
A versão de Joel Schumacher, Val Kilmer 1. A versão 2 era prateada. Um luxo!
A versão de Joel Schumacher, George Clooney 1. A versão 2 tinha tons de branco e prata!

Quando a franquia do Batman foi reiniciada no cinema pelo cineasta Christopher Nolan, muito se perguntou se ele iria adotar um visual mais próximo dos quadrinhos (aproveitando-se da tecnologia que tornou possível – e bonita – a roupa do Homem-Aranha no cinema), mas o diretor optou por seguir os passos de Tim Burton e da armadura preta. A de Batman Begins era mais clean e estilizada, enquanto a de O Cavaleiro das Trevas mais complexa e articulada.

A versão de Christopher Nolan e Christian Bale em “Batman Begins”.
O Batman “amador” da Bat in the Sun.

Contudo, há um debate radical entre os fãs dos quadrinhos se não seria legal ver o Batman com uma roupa próxima ao dos quadrinhos nos cinemas. Por isso, a maioria dos fan films (produções realizadas de modo não-oficial pelos fãs – veja aqui) procura esse efeito, como por exemplo Batman – City of Scars, da produtora Bat in the Sun.

O visual de ARkham City.

O lançamento do game Batman – Arkham City, que está fazendo muito sucesso, trouxe uma síntese de um uniforme entre a roupa e a armadura, combinando elementos dos quadrinhos e dos filmes. Foi pensando nisso que um grupo de artistas plásticos decidiu transpor a roupa do jogo para a vida real. E não é que o resultado impressiona? Talvez, se fosse um pouco menos colorido…

A roupa confeccionada a partir do game. Que tal?
Detalhes.
Seu uso.

Christopher Nolan encerra sua passagem com o Batman no ano que vem e, em seguida, sua franquia no cinema irá continuar em dois rumos: uma nova trilogia (que poderá zerar sua história como foi feita com a do Homem-Aranha) e uma cinessérie dedicada à Liga da Justiça, superequipe ao qual o homem-morcego faz parte.

Como será o visual do herói nessa nova empreitada? A Warner Bros. manterá a armadura preta ou seguirá um novo padrão?