Joe Simon em uma foto recente, com o livro sobre seu trabalho com Jack Kirby.

O site Comics Beat afirma que faleceu Joe Simon, escritor e desenhista de quadrinhos, mais conhecido por ter criado o Capitão América junto ao também escritor e desenhista Jack Kirby.

Nascido Hymie Simon e filho de um alfaiate britânico judeu, em 1913, Joe Simon cresceu em Rochester, em Nova York e se encantou com as tiras de jornais e as revistas pulps (revistas de contos fantásticos, editadas em papel jornal e baratas) desde cedo, indo trabalhar com desenho. O artista conseguiu seu primeiro trabalho importante na Funnie Comics Inc., onde trabalhou em Blue Bolt e montou um estúdio profissional. Nessa mesma época, no fim dos anos 1930, conheceu Jack Kirby e ficou fascinado pela arte dele, tão enérgica e exuberante. Os dois decidiram montar uma dupla que foi a mais explosiva equipe criativa dos quadrinhos da Era de Ouro. A estreia da assinatura de Simon & Kirby se deu no número dois de Blue Bolt.

A dupla fez pequenos trabalhos para a Fox Feature Syndicate e Simon foi convidado pelo empresário Martin Goldman para assumir o comando de sua nova editora de quadrinhos. Goldman trabalhava com pulps, mas queria entrar no promissor mercado de comics. Assim, em 1939, Simon se tornou o primeiro Editor-Chefe da Timely Comics, poderosa editora que anos mais tarde seria conhecida como Marvel Comics. Em seguida, Kirby seria convidado para ser o Diretor de Arte.

Um dos primeiros trabalhos da dupla Simon e Kirby.

Joe Simon foi o responsável pela contratação de artistas como Carl Burgos e Bill Everett, que lançaram os personagens Tocha Humana e Namor, o Príncipe Submarino, respectivamente, ambos estreando na primeira revista da Timely, Marvel Comics 01 (veja só, que nome!). Os próprios Simon e Kirby também passaram a fornecer material secundário, como o Marvel Boy, um jovem herói que não fez sucesso.

A icônica capa de "Captain America Comics 01", de 1941: o herói soca Hitler um ano antes de os EUA entrarem em guerra.

Contudo, em meio à crescente onde de conflitos que assolava a Europa e, se sabia, logo chegaria até os Estados Unidos, Simon e Kirby criaram o Capitão América, que estreou em sua própria revista (fato raríssimo), Captain America Comics 01, de março de 1941. Os roteiros repletos de horror e a arte exuberante, cheia de fúria e saindo dos quadrinhos da revista a tornaram um dos maiores sucessos da indústria dos quadrinhos da época, batendo de frente com nomes como Superman (da National Comics, futura DC Comics) e do Capitão Marvel (da Fawcett Comics) e chegando ao 01 milhão de cópias mensais.

Contudo, Simon e Kirby achavam que Goldman não pagava a eles o que valiam, então, secretamente, começaram a se aproveitar de sua famosa velocidade, para produzir material para outras editoras. Entre outras, Simon e Kirby produziram a revista Captain Marvel Adventures 01, de 1941, título próprio do herói que grita “Shazam!”, revista essa que se tornou a mais vendida de todas, batendo o Superman e o próprio Capitão América. Mas, em 1942, Goldman descobriu a artimanha e demitiu os dois artistas, o que resulta que a dupla realizou apenas os dez primeiro números de Captain America Comics. O sucessor de Simon como Editor-Chefe seria o seu ajudante, um garoto chamado Stan Lee.

"Boys Commandos": sucesso também fora dos super-heróis.

Simon e Kirby passaram a ser artistas freelancers, produzindo para várias editoras, como DC Comics e Harvey Comics. Na primeira, relançaram o personagem Sandman como um super-herói uniformizado e repaginaram o Manhunter (Caçador, no Brasil). Além disso, em 1942, produziram Boys Commandos, sobre soldados adolescentes, que em pouco tempo se tornaria a terceira revista mais vendida da DC Comics, atrás apenas do Superman e do Batman. Aquela serie gerou ainda um subproduto: Newsboy Legion, sobre uma gangue de adolescentes que se une ao herói Guardião.

Coletânea de "Newsboy Legion" de Simon e Kirby.

Porém, eram tempos de guerra e Joe Simon e Jack Kirby foram convocados em 1943. Enquanto Kirby foi para a Europa, entrar em conflito direto; Simon terminou na Guarda-Costeira dos EUA, indo trabalhar no setor de comunicação. Lá, editou revistas que foram publicadas inclusive como tiras de jornais. Com o fim da II Guerra Mundial, em 1945, Simon voltou a trabalhar com Kirby nas revistas da DC, mas as vendas não eram mais as mesmas. Ainda assim, os dois continuaram fazendo sucesso, lançando a revista Young Romance, dedicada a contar histórias românticas para adolescentes e que fez bastante sucesso.

Página de "Captain America Comics 01" com a arte e textos da dupla.

No início dos anos 1950, Simon e Kirby tentaram voltar aos super-heróis com a criação do Fighting American, uma nova versão do Capitão América, mas o personagem não fez sucesso. A dupla criou a sua própria empresa, em 1953,  Mainline Publications, que não foi tão bem-sucedida. A parceria Simon e Kirby se encerrou em 1955, quando o primeiro desistiu do mundo dos quadrinhos e decidiu se dedicar à publicidade.

A autobiografia de Simon, em livro.

Jack Kirby continuou nos quadrinhos e passaria a trabalhar com Stan Lee na Marvel Comics. Na década seguinte, os dois criaram o Universo Marvel.

Poster do filme "Capitão América - O Primeiro Vingador" homenageia a capa da primeira revista.

Joe Simon proceguiu na publicidade, mas voltou esporadicamente aos quadrinhos, inclusive voltando a trabalhar com Kirby em algumas ocasiões, inclusive, retomando personagens como o Fightining American para a Harvey e o Sandman para a DC, nos anos 1960 e 70, respectivamente.

O artista voltou à mídia nos últimos anos por causa do sucesso do Capitão América nos quadrinhos e no cinema. Ele deu várias entrevistas na ocasião da morte do personagem, em 2007, bem como este ano com o lançamento do filme.

As causas da morte não foram reveladas, mas Simon tinha 98 anos.