Versão nacional do livro de Greenfield: tortuante processo de gravação gera um clássico.

Uma boa notícia junta às comemorações dos 50 anos da banda britânica The Rolling Stones: as gravações do mítico álbum Exile on Main Street, lançado em 1972 e considerado por muitos como o melhor da banda, serão transformadas em um filme.

O site Deadline informa que o executivo Richard Branson, da Virgin Produced, comprou os direitos de adaptação cinematográfica do livro Uma Temporada no Inferno com os Rolling Stones: Exile on Main Street, de Robert Greenfield, já lançado no Brasil no ano passado.

Branson já trabalhou com os Rolling Stones no passado, por meio da Virgin Records, gravadora que distribuiu alguns dos álbuns da banda.

O diferencial do novo filme é que não será um documentário, mas um drama ficcionado a ser escrito pelo próprio Branson juntamente a Phil Murphy. Segundo a notícia, o foco do filme será a relação entre Mick Jagger e Keith Richards, a dupla de compositores que lidera a banda até hoje.

A capa de Exile on Main Street, de 1972: para muitos, o melhor dos Rolling Stones.

Exile on Main Street é um álbum mitológico gravado pelos Rolling Stones no sul da França em uma situação de caos completo, por causa do abuso de drogas de todos os envolvidos. O livro de Greenfield é um relato preciso e fabuloso sobre tudo o que ocorreu lá: a ciranda de sexo, drogas e rock and roll em meio à casa que abrigou não apenas a banda, mas todo um staff de assistentes, produtores, engenheiros de som, músicos de apoio, amigos, bajuladores, oportunistas, traficantes e muitas outras estrelas do rock que passaram por lá para se divertir um pouco, como o cultuado compositor norteamericano Gram Parsons (das bandas The Byrds e Flying Burrito Brothers) e o ex-beatle John Lennon.

A banda havia tido problemas com impostos na Inglaterra e decidiu se exilar para não pagá-los. Assim, montaram base no sul da França, alugaram um casarão (que serviu de QG para os Nazistas no país durante a II Guerra Mundial) e usaram o porão como estúdio de gravação. As sessões foram regadas a muitas drogas e o resultado é uma qualidade sonora oscilante, com ruido e sons embaralhados. Conduto, isso serve positivamente ao som sujo da banda e forma uma sonoridade única. O time dos Stones com Mick Taylor na guitarra solo e a quadrilha de apoio como produtor Jimmy Miller, o pianista Nick Hopkins, o saxofonista Bobby Keys complementam a musicalidade e o resultado é um disco memorável. Exile on Main Street traz uma sucessão de clássicos: Rock off, Rip this joint, Tumbling dice, Sweet Virginia, Let it loose, All down the line, Shine a light e mais um solo vocal de Keith Richards (o seu melhor), HappyInfelizmente, é o fim do ciclo clássico do apogeu fonográfico dos Stones.

Enfim, o filme tem muito material para explorar.

Os Rolling Stones na época do disco: Watts, Taylor, Jagger, Richards e Wyman - apogeu musical da banda.

No ano passado, Exile… foi relançado com gravações remasterizada e material extra de bônus, além de dois DVDs, um com um documentário sobre as gravações e outro com um show da turnê de lançamento do disco em 1972, no Madison Square Garden, em Nova York, ambos muito bons.

A banda também vai ganhar outro filme: um documentário que narrará, pela primeira vez, toda a longa trajetória da banda com declarações de seus próprios membros. No ano que vem, o grupo comemora o aniversário de 50 anos com mais uma turnê mundial.

Os Rolling Stones se formaram em Londres em 1962, dentro do circuito de R&B da cidade. Lançaram seus primeiros discos no ano seguinte e em 1964 alçaram o sucesso nacional. Em seguida, em 1965, veio o superhit (I can’t get no) Satisfaction e a aclamação mundial. Ainda se mantêm na ativa hoje, com os remanescentes da formação original, Mick Jagger (vocais), Keith Richards (guitarras) e Charlie Watts (bateria). O guitarrista Ron Wood, que entrou em 1976, complementa o time. Antes dele, a banda teve o guitarrista Brian Jones, que foi demitido e morreu em 1969 e o guitarrista Mick Taylor, que ficou entre 1969 e 1975. O outro membro original era o baixista Bill Wyman, que saiu do grupo em 1993.

Veja detalhes da discografia da banda e de sua carreira aqui.