
O cineasta Guillermo Del Toro é fascinado por monstros. E enquanto planeja desde o ano passado uma série de TV sobre o incrível Hulk da Marvel Comics, o diretor pode assumir outro projeto no campo dos super-heróis. Segundo o site Latino Review, Del Toro tem conversado com a Warner Bros., empresa que é dona da DC Comics, para realizar um filme que envolva o Monstro do Pântano e John Constantine.
Segundo um depoimento do próprio cineasta à MTV, até agora são apenas conversas iniciais, analisando possibilidades. Contudo, o envolvimento desses personagens poderia indicar até uma adaptação da Liga da Justiça Sombria ou Liga da Justiça Dark, uma nova equipe de “heróis” que envolve apenas os personagens místicos da DC, como os dois citados e Etrigan, o demônio, Desafiador, Zatanna, Vingador Fantasma, Espectro e outros.
Todavia, tendo em vista que John Constantine surgiu nos quadrinhos em uma história do próprio Monstro do Pântano, seria uma ótima ideia Del Toro simplesmente adaptar um dos arcos de histórias que Alan Moore criou envolvendo a dupla. Seria de arrepiar.

O Monstro do Pântano é uma criatura elemental, um tipo de planta consciente, que habita os pântanos da Lousiana, nos EUA, e que talvez tenha sido o cientista Alec Holland no passado. Ele foi criado pelo escritor Len Wein e o desenhista Bernie Wrightson em 1971, aparecendo pela primeira vez em uma história que se passava no início do século XX em House of Secrets 92, uma das revistas da linha de terror da DC Comics. A recepção foi tão boa que, pouco depois, em 1972, ganhou um título próprio, The Swamp Thing, com a mesma dupla criativa e histórias passadas nos tempos atuais. Após as 10 primeiras edições, os roteiros passaram para David Michelinie e depois para Gerry Conway, enquanto os desenhos foram para Nestor Redondo. A revista foi cancelada em 1976.
Em 1982, com o lançamento nos cinemas do filme Swamp Thing, dirigido por Wes Craven, adaptando o personagem aos cinemas, a DC lançou uma nova revista, The Saga of Swamp Thing, comandada por Martin Pasko, enquanto Len Wein era o editor. Quando a edição passou para Karen Berger, ela colocou o britânico Alan Moore no comando da revista, dando-lhe carta branca para fazer o que quiser. Trabalhando com os desenhistas Steve Bissette e Rick Veitch, Moore estreou no número 20, em 1984, e transformou a revista não somente num dos maiores sucessos da DC na época, como a mais elogiada revista do período. Suas histórias adultas e sombrias fizeram a crítica se render aos quadrinhos e tornaram o nome de Alan Moore famoso, o que permitiu a publicação de V de Vingança nos EUA (pois já tinha saído na Inglaterra) e a produção de Watchmen em seguida.
Moore permaneceu na revista até o número 64, em 1987, sendo substituído por Rick Veitch que também assumiu os roteiros. A revista continuou sendo publicada até 1994, com roteiros de grandes nomes, como Grant Morrison e Mark Millar. Depois, outras tentativas de trazer o personagem de volta foram realizadas, mas sem o mesmo brilho de outrora.

Já John Constantine é um mago britânico que, numa brincadeira adolescente de tentar usar as artes místicas, terminou por condenar a alma de uma criança inocente ao Inferno, o que lhe perturbou mentalmente. A partir de então, decidiu tentar usar suas habilidades para fazer coisas boas, numa trilha que o levou a rivalizar com o próprio Diabo. Constantine foi criado por Alan Moore e os artistas Steve Bissette e John Totleben em uma história do Monstro do Pântano em The Swamp Thing 37, de 1985.
Suas aparições fizeram tanto sucesso que o personagem ganharia um título próprio em 1988, Hellblazer, que seria uma das revistas mais respeitadas e de sucesso da DC Comics, embora praticamente apartada da continuidade tradicional de seus super-heróis. A revista teve grandes roteiristas como Jaime Delano, Garth Ennis, Paul Jenkins, Warren Ellis etc., sendo uma das melhores criações dos quadrinhos recentes. Hellblazer durou mais de 300 números até que seu personagem retornou à continuidade tradicional da DC em meio à iniciativa dos Novos 52, o reboot cronológico da editora.
Constantine foi adaptado aos cinemas recentemente, num filme estrelado por Keanu Reeves, mas o resultado não agradou público ou crítica.

