Em uma noite carregada de diversidade, exaltada em discursos e pelos apresentadores, os Golden Globe Awards foram entregues ontem à noite em Hollywood, premiando os “melhores” na perspectiva da Associação de Imprensa Estrangeira de Hollywood (HFPA, na sigla em inglês). Embora houvesse esperança de que Pantera Negra levasse o maior prêmio da noite, foi Bohemian Rhapsody quem ganhou o prêmio de Melhor Filme de Drama, levando para casa ainda o de Melhor Ator para Rami Malek e sua versão de Freddie Mercury, o cantor da banda Queen. Homem-Aranha no Aranhaverso levou Melhor Animação e surpreendeu.

O grande vencedor da noite foi Green Book – O Guia, que levou três prêmios, mas produções como Bohemian Rhapsody e Roma também tiveram bastante destaque, com dois prêmios cada uma, este último por Melhor Filme Estrangeiro (México) e Melhor Diretor (Alfonso Cuarón).

Com muitos atores negros e asiáticos indicados e também filmes de temática sobre diversidade nas principais categorias, o Globo de Ouro 2019 foi pautado pela política, embora os discursos só tenham sido explícitos em umas três ocasiões. Esse clima era favorável a Pantera Negra levar o prêmio de Melhor Filme – Drama, o mais disputado da noite, mas não aconteceu. HFPA deu o prêmio a Bohemian Rhapsody, a cinebiografia de Freddie Mercury e do Queen, que é o maior sucesso do gênero na história.

Embora diluído por seu clima “família”, o longa não deixa de ter uma conotação política sobre diversidade e inclusão, dada à homossexualidade de Mercury.

As duas premiações-chave ao filme também exibiram uma coisa estranha em relação à produção: a ausência do diretor Bryan Singer, que sequer foi citado em ambos os discursos de agradecimento. Singer iniciou o comando das gravações, mas foi demitido no meio do processo, em dezembro de 2017, por causa de acusações de estupro que sofre na justiça dos EUA. Foi substituído por Dexter Flesher, mas as confusas regras de Hollywood fizeram com que o longa saísse ainda com os créditos a Singer e Flesher apenas como “produtor”.

Por fim, Homem-Aranha no Aranhaverso era um favoritos a Melhor Animação, mas ganhar de nomes como Os Incríveis 2, foi realmente espetacular. O desenho – que mostra uma aventura na qual Homens-Aranhas de diversos universos alternativos são reunidos para lutar contra um inimigo comum e é protagonizado por Miles Morales, um adolescente afrodescendente e latino – irá estrear no Brasil daqui há três dias, na quinta-feira, 10 de janeiro e vem sendo um sucesso pelo mundo.

Quanto a Pantera Negra, seu grande prêmio foi ser indicado, claro. É o primeiro filme de super-heróis a ser indicado à categoria, algo que poderia ter sido dado a Batman – O Cavaleiro das Trevas, há dez anos atrás.

Sua próxima corrida é o Oscar. A favor tem o hype que foi ainda maior nos EUA do que em outros países – lembrando que o Globo de Ouro é da imprensa estrangeira – e contra o fato da Academia de Artes e Ciências de Hollywood ser ainda mais fechada e preconceituosa do que a HFPA.

Então, as chances de Pantera Negra levar o Oscar de Melhor Filme são praticamente nulas. Em termos de Oscar é de duvidar até que Homem-Aranha no Aranhaverso ganhe como Melhor Animação.