O compositor britânico Paul McCartney, ex-membro dos Beatles, fez um pedido expresso ao Governo Britânico que não reduza o financiamento das universidades em seu país, algo que atingiria, inclusive, o Liverpool Institute for Performing Arts, da qual é patrono. É o que noticia a Rolling Stone Brasil.

O Governo do Reino Unido baixou recentemente uma norma que reduz os investimentos em pequenas universidades, preservando apenas grandes instituições ou centros de excelência específicos. A redução se dá especialmente pelo corte de auxílio aos estudantes de renda mais baixa e de fundos de investimento às próprias universidades.

Paul McCartney One On One tour 2016

Na Inglaterra, assim como em boa parte da Europa, as universidades são instituições privadas, não públicas, porém, são de natureza filantrópica e não têm como finalidade obter lucros, mas proporcionar o desenvolvimento científico, tecnológico e artístico. Assim, essas instituições se financiam pela cobrança de mensalidades, mas precisam de aportes do governo para funcionar.

Com os cortes anunciados, instituições pequenas, mas vitais, como o Liverpool Institute for Perfoming Arts (LIPA) perigam fechar as portas, já que neste caso, por ser especializado em arte, e mais especificamente, em música, teatro e dança, tem uma característica mais focada que vai contra a nova regra do governo, que privilegia apenas grandes centros de formação diversificada.

O LIPA foi fundado em 1996, tendo Paul McCartney como patrônomo, e por bons motivos. A instituição deriva de uma anterior, o Liverpool Institute, que tinha duas estruturas distintas: o Ensino Médio e uma Faculdade de Belas Artes. O instituto teve uma importância seminal para a carreira dos Beatles: Paul McCartney e George Harrison (bem como Neil Aspinal, futuro roadie, empresário de turnê e, por fim, CEO da Apple Corps., empresa da banda) estudaram na escola de Ensino Médio; enquanto John Lennon estudou Artes Gráficas e Propaganda na Liverpool College of Arts, faculdade vizinha e mais tarde adquirida pela primeira.

Financiar parte da reconstrução da LIPA, que se especializou em música e teatro, foi uma forma de Paul McCartney devolver à instituição e à cidade de Liverpool, a formação educacional, a fama e a fortuna que conquistou com os Beatles a partir de 1962. O LIPA virou uma faculdade de excelência e referência na formação artística na Europa, desde então. Inclusive, McCartney já deu espaço a vários egressos da instituição entre os membros da banda que lhe acompanha em turnês.

A nova regra de financiamento do Governo Britânico vem se desenvolvendo desde 2016 e, como resultado, a LIPA deixou de receber 16 milhões de libras em financiamento, e tendo em vista ser uma instituição pequena e especializada, corre o risco de fechar as portas, encerrando a oportunidade de jovens de baixa renda de Liverpool, cidades vizinhas ou mesmo outros países da Europa, de estudar artes como Ensino Superior.

Embora investir em grandes centros de pesquisa, como quer o governo, seja algo acertado, tal prática não deve vir em oposição ao financiamento de instituições pequenas, ainda mais, daquelas que assistem à população de baixa renda que, via de regra, não teria oportunidades nas grandes faculdades.

Segundo a Rolling Stone Brasil, McCartney anunciou:

Eu ajudei a trazer a LIPA à vida durante uma época muito complicada para [a educação] em Liverpool. Agora, é uma instituição respeitada no mundo inteiro. Nosso fundo foi recentemente afetado pelo o que parece, para mim e para os diretores das principais universidades de Liverpool, um processo errôneo. A LIPA é a minha paixão e parte do meu legado. Não seria justo permitir que uma injustiça afete seu futuro. Sinceramente, espero que o governo corrija este erro e nos ajude a continuar trabalhando com muito sucesso no futuro.

Prédio do LIPA, em Liverpool.

Fundado em 1825, com o nome de Liverpool Mechanics School of Arts (depois, mudado para Liverpool Mechanics Institution, e por fim, Liverpool Institute), se tornou uma escola de Ensino Médio em 1885, embora tenha continuado a oferecer cursos noturnos voltados às artes e ofícios. A escola fechou as portas em 1985 e seu imponente prédio ficou abandonado por alguns anos, até que a iniciativa de Paul McCartney e do investidor Mark Featherstone- Witty foi comprado e reaberto em 1996, como o Liverpool Institute for Perfoming Arts (LIPA).

O Liverpool College of Arts, agora, parte do LIPA.

Em 2012, o LIPA comprou o prédio do Liverpool College of Arts (que ficava no outro lado do quarteirão), e que foi a faculdade de Belas Artes em que John Lennon estudou. Este havia sido fundado em 1883, porém, desde então, havia sido comprado pela Liverpool John Moores University, que ali abrigou os cursos de Ciências Humanas e Ciências Sociais. Com a compra, a antiga escola de artes se transformou em espaço de salas de aulas da LIPA, que precisou de ampliação devido ao sucesso.

Os Beatles se formaram em Liverpool, a partir de uma banda de garagem fundada por John Lennon em 1956, quando ainda era um adolescente do Ensino Médio, e que com o tempo, adquiriu Paul McCartney (1957), George Harrison (1958) e Ringo Starr (1962), tendo assumido o nome The Beatles em 1960. Contratados pela EMI, o primeiro single já fez sucesso moderado em 1962, e no ano seguinte, a banda virou um fenômeno de popularidade na Europa, calcada na sua habilidade musical, no carisma e na força das composições de John Lennon e Paul McCartney; com o sucesso se espalhando para os EUA, em 1964, e dali para o mundo. Foi a banda de maior sucesso e maior influência da história do rock, encerrando as atividades em 1970, quando seus membros seguiram em carreiras solo de sucesso.

Paul McCartney nasceu em 1942 e continua ativo, sendo um dos mais respeitados compositores do rock e um dos artistas mais celebrados da atualidade.