A cinebiografia de Elvis Presley comandada por Baz Luhrmann (de Moulin Rouge e O Grande Gatsby) encontrou seu protagonista: o ator Austin Butler irá viver o autoproclamado “rei do rock”. A escolha é fruto de um intenso processo seletivo que envolveu outros grandes nomes da atualidade, como Harry Stiles, Aaron Taylor-Johnson, Miles Teller e Ansel Elgort, e ainda trará Tom Hanks como o empresário “Coronel” Tom Parker.

Segundo o The Hollywood Reporter, o filme que ainda não tem título, irá focar na ascensão e apogeu de Presley, assim como na turbulenta relação entre o cantor e Parker, que controlava todos os aspectos de sua vida.

Luhrmann emitiu uma nota sobre a escolha, congratulando Austin Butler:

Eu sabia que não poderia fazer este filme se o elenco não fosse absolutamente certo, e procuramos intensamente por um ator com a habilidade de evocar a movimentação natural singular e as qualidades vocais deste astro imortal, mas também a vulnerabilidade interna do artista.

Luhrmann ainda diz que descobriu Butler contracenando com Denzel Washington em The Iceman Cometh na Broadway. O ator fez trabalhos na TV, como em The Carrie Diaries e interpretou Chase, o namorado de Tea Queen na primeira temporada de Arrow; e será visto novamente em Era Uma Vez em Hollywood, de Quentin Tarantino.

A cinebiografia de Elvis Presley será produzida pela Warner Bros. e deve ser filmada este ano para lançamento no próximo, mas não há uma data oficial ainda. É mais um capítulo numa nova era de biografias musicais, que encontrou sucesso inédito com Bohemian Rhapsody sobre o Freddie Mercury e o Queen, e prossegue com Rocketman sobre Elton John nos cinemas, e ganhará várias novas produções no futuro próximo.

Elvis Presley foi o artista de maior sucesso e influência na primeiríssima fase do rock, nos anos 1950, começando a chamar a atenção em 1954, na pequena e independente Sun Records, com sua voz forte, que combinava elementos dos vocais dos negros, mas por ser branco e bonito, conseguia acesso à população branca de classe média.

A postura de superstar garantiu sucesso muito rápido e já em 1955 assinou um contrato milionário com a gigante RCA Victor, estourando uma grande sequência de hits entre aquele ano e 1958 no mundo inteiro, gerando a primeira histeria coletiva juvenil relacionada à música, que se repetiria algumas vezes na história, com Beatles e Michael Jackson, por exemplo.

Embora o artista tenha cultivado uma imagem “rebelde” expressa nos movimentos sensuais de seu canto e rebolado, na verdade, Presley encarnou a figura do bom garoto, do genro que toda a mãe quer, e fugiu de polêmicas, buscando ao longo da carreira garantir a manutenção do status quo do American way of life, ingressando no Exército dos EUA em 1959, apoiando a Guerra do Vietnã, defendendo políticos conservadores, como Richard Nixon, ganhando um distintivo honorário do FBI e até denunciando ao seu público e ao Governo dos EUA o risco “anti-americano” de toda a movimentação roqueira dos anos 1960.

Porém, pior do que sua persona política, foi sua carreira artística controlada pelo empresário Coronel Tom Parker (que não era militar, mas um charlatão) na qual se afastou do repertório de rock, blues e R&B do início e investiu (já no fim da década de 1950) na mais ordinária e sem graça pop music, usada para vender filmes horrorosos (comédias românticas musicais) nas quais figurava como protagonista. O resultado foi uma decadência longa e melancólica, que embora tenha tido quase uma retomada por volta de 1968 (retomada que nunca se concretizou) e terminou na mais bizarra e estapafúrdia carreira musical de um (ex-)grande astro, que nunca fez um concerto fora dos Estados Unidos e se dedicou a uma música cafona, adornada com roupas bregas espalhafatosas, numa eterna residência de shows em Las Vegas.

Presley morreu de um ataque cardíaco em agosto de 1977, causado pelo abuso de medicamentos e anfetaminas.