Lendária banda dos anos 1960, o The Doors irá ganhar uma biografia em quadrinhos escrita por Leah Moore, filha do também escritor de HQs Alan Moore. A graphic novel aproveita para celebrar os 50 anos de lançamento do álbum Morrison Hotel e usa esse mesmo título.

The Doors: banda icônica dos anos 1960.

Em entrevista à Rolling Stone, Leah Moore disse que usou o álbum como guia para contar a história da banda e sua relação com os anos revolucionários de 1960, além de perceber que o espírito do grupo casa muito bem com o universo das HQs.

Eu basei ligeiramente as histórias com as faixas do álbum, mas eu também as enchi com tudo o que eu pude colocar naquele tipo de mentalidade, naquele momento, em que o disco foi feito. Você poderia escrever um livro sobre cada uma das faixas, mas eu queria que as histórias fossem imersivas em um único lugar. O The Doors tinha muito teatro, uma arrogância e uma narrativa, que é totalmente adequado para uma história em quadrinhos. As letras que eles escreviam e a energia com que as tocavam… Acho que as canções não apenas casaram com a mídia, na verdade, elas estavam gritando para serem adaptadas em quadrinhos.

O release informa que os dois ex-membros da banda ainda vivos, Robby Krieger e John Densmore, contribuíram com a graphic novel.

Embora distante dos grandes hits do passado – como a explosiva e lisérgica Light my fire – ou de canções famosas – como The end – o álbum Morrison Hotel era o início de uma virada na carreira do The Doors rumo a uma sonoridade mais madura e à exploração ainda mais ousada das letras e narrativas xamânticas do vocalista Jim Morrison. Lançado em fevereiro de 1970, o álbum traz faixas emblemáticas como Roadhouse blues e Waiting for the sun e peças pouco conhecidas e pérolas escondidas como You make me real, Peace frog e Indian summer.

O disco veio após o fracasso do álbum anterior – The Soft Parade (1969) – na qual a banda experimentou um formato mais pop, usando instrumentos orquestrais; daí que o The Doors retomou sua linha mais jazzística e produziu uma fase menos enérgica que seus primeiros discos, mas com uma sonoridade bastante complexa, que infelizmente, ficou algo incompleta, porque somente houve outro disco com Morrison nos vocais, L.A. Woman (1971). Contudo, Morrison Hotel fez sucesso e chegou ao 4º lugar das paradas dos EUA e foi o melhor posicionado da carreira do grupo na Inglaterra, onde chegou ao 12º lugar.

The Doors: banda de sonoridade única até hoje.

O The Doors se formou em Los Angeles, na Califórnia, a partir da união de Jim Morrison (vocais), Ray Manzareck (teclados), Robby Krieger (guitarra) e John Densmore (bateria), promovendo uma sonoridade singular, na qual combinam o rock com blues, jazz e outros gêneros incomuns à música anglófona, como a bossa nova brasileira, o flamengo hispânico e os cânticos indígenas norteamericanos. Aliados à letras existencialistas, lisérgicas, carregadas de referências literárias de alto nível, promoveu uma combinação única. O grupo estreou em disco em 1967 e foi um grande sucesso desde o início nos EUA, ainda que tenham sido menos bem recebidos na Europa, embora, amados por um circuito mais alternativo e cult. O vocalista Morrison deixou a banda e morreu em circunstâncias não totalmente esclarecidas – mas provavelmente fruto de uma overdose de drogas – em 1971, e o grupo ainda tentou seguir em frente, mas sem sucesso.

Morrison Hotel, a HQ, já está em pré-venda e será lançada em outubro deste ano pela editora Z2.