80 anos atrás, no dia 09 de outubro de 1940, nascia em Liverpool, na Inglaterra, John Lennon, um dos mais importantes e influentes compositores do século XX. Fundador dos Beatles, Lennon se tornou um dos homens mais famosos do mundo e fez sucesso tanto com sua banda quanto após o fim dela, em sua carreira individual, até ser morto assassinado aos 40 anos de idade.

Compositor afiado, que sabia usar boas construções harmônicas e uma incrível habilidade para manejar melodias, Lennon ganhou destaque também por suas letras. Escritas quase sempre em linguagem simples, embora por vezes, abstratas, podia falar sobre o amor de modo lírico e sobre a realidade social de modo duro e ácido. A crítica social e o engajamento político marcaram sua vida e suas composições, trazendo também uma relevância artística e social à sua obra.

Um músico do calibre de Lennon faz muita falta nos dias de hoje. Não que não existam músicos engajados e com vozes críticas na música atual, mas de fato, eles ainda ficam um pouco atrás do músico de Liverpool, e também, é preciso dizer que Lennon vinha de um contexto em que “não estava só”, mas rodeado de outros grandes artistas com discurso crítico e músicas importantes, como Bob Dylan, Neil Young ou a banda Pink Floyd; e nesse ponto, a música atual perde feio mesmo. Especialmente o rock, já que alguns gêneros musicais – como RAP – ainda mantêm a verve crítica como eixo fundamental.

Muitas comemorações sobre Lennon estão sendo realizados neste mês e muitas declarações estão sendo feitas, como a entrevista que Elton John, que foi amigo e parceiro musical de Lennon nos anos 1970, deu à rádio BBC 2 no fim de semana passado e disse que o líder dos Beatles teria sido agraciado com o Prêmio Nobel da Paz, caso ainda estivesse vivo nos dias de hoje – apenas para ilustrar a densidade que o compositor teve no cenário musical e social de sua época.

De personalidade ferrenha, Lennon sempre foi crítico em suas declarações, mas especialmente após se unir à artista plástica de vanguarda Yoko Ono, em 1968, Lennon percebeu que poderia usar sua fama extraordinária – os Beatles foram o maior fenômeno de sucesso de meados do século XX – para passar uma imagem e uma mensagem mais positiva em um mundo marcado pela violência e uma série de conflitos: eram tempos de Guerra Fria, Guerra do Vietnã, ditaduras militares se espalhando pelo mundo ao mesmo tempo em que se organizavam resistências, como a ascensão da nova esquerda, do Maio de 68, do movimento hippie, do movimento feminista, do movimento dos direitos civis aos negros, e muitos outros.

Lennon foi vocal – como dizem os ingleses – sobre todos esses temas e se posicionou usando a arte, a vanguarda e a música para expor suas ideias e lançando uma grande campanha pela paz, expressa em atos, protestos e, de novo música.

Esse diferencial é preciso atentar: muitos artistas são engajados em causas e são batalhadores de suas ideias e procuram divulgá-las; porém, nem todos conseguem integrar essa militância à produção artística de modo fluído e com qualidade. Lennon fez isso.

Daí que muitas de suas músicas mais conhecidas são justamente canções carregadas de suas ideias defendendo a paz, a igualdade entre as pessoas e a construção de um mundo melhor, como Imagine ou Give peace a chance. E também a política, desde os tempos com os Beatles (como em Revolution), como em sua carreira individual, com Power to the people.

Ao lado da paz, sua grande causa foi o amor. Muitas de suas canções foram sobre o amor carnal (Don’t let me down, com os Beatles); mas ele construiu toda uma obra sobre o amor como algo mais do que isso, como uma causa, como um sentimento que engrandece o ser humano e a vida social, como All you need is love, com os Beatles, e Mind games em sua carreira solo.

Por fim, não menos importante, era capaz de criar canções de profundo impacto emocional em temas mais existencialistas e filosóficos, atrelados, por vezes, em certa nostalgia sobre o passado, como In my life, Nowhere man e Strawberry Fields forever, com os Beatles.

John Lennon deixou uma grande obra e uma grande importância ao cenário artístico e social mundial e mais artistas como ele fazem falta nos dias de hoje.

John Lennon performing Instant Karma on Top Of The Pops, with publicist BP Fallon holding tambourine on far left, Yoko Ono wearing blindfold and bassist Klaus Voorman back centre, 11th February 1970. (Photo by Ron Howard/Redferns)

Conheça a Discografia Completa de John Lennon neste post especial do HQRock.

Conheça a Discografia Completa dos Beatles neste post especial do HQRock.

John Lennon foi assassinado em 08 de dezembro de 1980, na entrada do edifício em que morava Nova York, nos Estados Unidos, por um fã com distúrbios mentais.