Faleceu hoje um dos maiores nomes criativos das histórias em quadrinhos em todos os tempos: Gerry Conway, famoso por sua histórica fase no Homem-Aranha – quando criou a lendária HQ com a morte de Gwen Stacy – e também foi o criador do Justiceiro, nos deixou, informou a própria Marvel Comics em suas mídias.

Gerry Conway nasceu em Nova York, em 1952 e se tornou um ávido fã de quadrinhos, em especial, da Marvel Comics. Inclusive, ele teve uma carta publicada na edição 50 de Fantastic Four, em 1966, quando tinha apenas 13 anos. Mas se tornou um escritor prolífico e muito precoce, como alguns de seus companheiros do fandoom (a comunidade organizada de fãs) e que emergiram como escritores-desenhistas primordiais da Era de Bronze. Ele estreou nos quadrinhos já aos 16 anos de idade, em 1969, nas revistas de terror da DC Comics, em especial, House of the Secrets. Mas seu objetivo era escrever super-heróis da Marvel, por isso, entrou em contato com o editor Roy Thomas e se submeteu a um “teste de roteiro” criado por Stan Lee, e foi aprovado.

Assim, enquanto ainda estava no ensino médio, Conway atuou como roteirista em uma sequência de revistas importantes da Marvel, começando com Ka-Zar em Astonishing Tales 03, de dezembro de 1970, e em seguida, entre os anos de 1971 e 1972, em Invencible Iron-Man 35-44 (a revista do Homem de Ferro); Incredible Hulk 146-147; Amazing Adventures (com histórias dos Inumanos e da Viúva Negra), Namor, the Submariner 41-49; Daredevil 72-98 (revista do Demolidor); cocriou personagens da linha de terror, como Homem-Coisa (Man-Thing) e o Lobisomen (Werewolf by the night); foi o responsável por lançar a revista The Thomb of Dracula, com a ousada proposta de apresentar aventuras do príncipe das trevas, em formato magazine, em preto e branco, para leitores adultos, e que seria um enorme sucesso nos anos 1970; e, por fim, chegou a alguns dos principais títulos da editora, como Captain America entre os números 149-152. Com isso, muito rapidamente, Conway se tornou um dos principais escritores da Marvel, ao lado de Stan Lee e Roy Thomas.


O escritor ganhou fama logo em seguida, quando, após um teste na revista secundária Marvel Team-Up com histórias do cabeça de teia, foi promovido para as duas principais revistas da editora: do Homem-Aranha e do Quarteto Fantástico, quando tinha apenas 19 anos de idade, em 1972. Especialmente no escalador de paredes, sua escrita causou grande sensação na época, colocando os vilões Doutor Octopus e Cabeça de Martelo em guerra pelo domínio do crime organizado, criando a dramática história em que Norman Osborn, o vilão Duende Verde, mata a namorada do Aranha, Gwen Stacy, jogando-a de cima da ponte do Brooklyn, apresentando o Justiceiro (que surgiu como coadjuvante-rival do aracnídeo antes do próprio Conway ajudar a torná-lo um popular personagem por si só), criou vilões como Homem-Lobo, Tarântula e o Chacal, que foi o responsável pela primeira Saga do Clone, quando o choque de ideias com o editor-chefe Roy Thomas e o publisher Stan Lee colocaram Conway fora da editora, em 1975.

Conway passou um tempo na DC Comics, onde começou a escrever histórias do Batman e do Superman, e por isso, quando Marvel e DC conseguiram se acertar para publicar uma história conjunta reunindo seus dois principais personagens, a escolha do roteiro coube a Conway, porque tinha sido um dos dois únicos roteiristas que, àquela altura, tinha escrito tanto o homem de aço quanto o escalador de paredes. (O outro era Len Wein, mas este ocupava o cargo de editor-chefe da Marvel e não podia “favorecer” sua empresa numa missão tão arriscada como unir as duas maiores editoras e seus maiores personagens em uma mesma revista pela primeira vez na história). Com desenhos de Ross Andru – que também tinha desenhado ambos personagens – Conway escreveu Superman vs. The Amazing Spider-Man, uma revista de tamanho gigante, formato magazine e que foi um estrondoso sucesso quando lançada no verão de 1976 – e que está sendo republicada numa versão fac-símile no Brasil pela Panini Comics este ano na celebração de seu aniversário de 50 anos.


Curiosamente, quando essa revista saiu nas bancas, Conway havia regressado à Marvel, convidado por Lee e Thomas para criar uma nova revista do Homem-Aranha focada em sua vida estudantil na faculdade, no que Conway lançou, com o desenhista Sal Buscema, a revista Peter Parker: The Spectacular Spider-Man. Ele também lançou a nova revista Ms. Marvel, transformando uma personagem coadjuvante já existente, Carol Danvers, e transformá-la em uma grande heroína, a mesma que hoje atende pelo nome Capitã Marvel e que já estrelou um filme com 1 bilhão de dólares de bilheteria.
Porém, uma grande confusão terminou por tirar o escritor de novo da editora: quando Wein deixou de ser o editor-chefe da Marvel, Stan Lee convidou Conway para o papel, mas o escritor não se adaptou à função administrativa e de liderança criativa (e lidar com os egos inflados de outros criadores) que o cargo exigia, então, ficou um único mês na função, pedindo demissão da Marvel de novo, ainda em 1976.

Conway se estabeleceu em uma longa temporada na DC Comics, de uma década, na qual voltou a escrever principalmente o Batman e a Liga da Justiça, mas criou personagens importantes, como Nuclear (Firestorm, no original) e a Poderosa. Foi Conway quem criou o personagem Jason Todd, um adolescente que Batman treina para se tornar o segundo Robin, criou o vilão Crocodilo, e na Liga promoveu a polêmica mudança na formação do time, excluindo os medalhões como Superman, Batman e Mulher-Maravilha e colocando uma série de jovens heróis, num experimento que não deu muito certo e ficou conhecido como a Liga de Detroit.


Após as grandes mudanças editoriais de Crise nas Infinitas Terras, na DC, Conway foi convidado para voltar à Marvel e assumir a revista Web of Spider-Man, mais uma do Homem-Aranha, em 1988, na esteira do casamento do herói com Mary Jane Watson. Pouco depois, a demissão do escritor da velha Peter Parker: The Spectacular Spider-Man, fez Conway assumir essa também, e por um tempo, ele acumulou ambas as revistas do aracnídeo, desenvolvendo a aclamada saga do vilão Lápide (que ele criou) em Spectacular (um personagem que os rumores dizem estar presente no vindouro filme do aracnídeo), e depois, ficando apenas em Web até 1992.

Depois disso, Conway gradativamente se afastou dos quadrinhos e se focou no trabalho de roteirista para a TV, trabalhando em programas como Law & Order e em desenhos animados, como Batman – The Animated Series e Spider-Man – The Animated Series, bem como produzindo uma tira de jornal de Star Trek (Jornada nas Estrelas).
Conway tinha apenas 75 anos e esteve no Brasil no fim de 2025, para participar da CCXP. Suas HQs e personagens marcaram época e ele foi um dos maiores escritores do ramo, deixando uma marca poderosa na indústria.


RIP Gerry Conway – além de ter co-criado Justiceiro, Ms. Marvel e Nuclear, possivelmente seja o maior escritor do Aranha.
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Sim, um cara de escrita sensacional. Boas ideias sem ser espetaculoso. Sabia desenvolver os personagens, entregar drama. Suas histórias do Aranha dos 70s e 80-90s estão entre as melhores de todos os tempos. E produziu coisa boa com os outros personagens, especialmente, o Batman.
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