X-Men - Primeira Classe: prelúdio aos mutantes no cinema.

Há uma expectativa dissimulada por X-Men – Primeira Classe prelúdio à saga dos X-Men nos cinemas. Há 11 anos atrás foi justamente esta franquia que deu o início à atual onda de adaptações de quadrinhos para longametragens multimilionários dos grandes estúdios de Hollywood, com X-Men – O Filme de Bryan Singer.

Os anos 1960 são o pano de fundo da história da origem dos mutantes.

A marca dessa nova onda de adaptações lideradas pelos heróis mutantes da Marvel Comics era um tratamento respeitoso ao material original, produzido em consonância direta com aqueles que fazem as histórias em quadrinhos e mantendo um tênue equilibrio entre fidelidade ao original e concessões necessárias para levar as personagens das tintas para as telas. O que esses 11 anos ensinaram é que quanto mais fiel aos quadrinhos, melhor sucedido o empreendimento, tanto artística, quanto comercialmente.

E a produção de Bryan Singer que mostrava o arredio Wolverine (Hugh Jackman) sendo envolvido em uma batalha entre os X-Men liderados pelo Professor Charles Xavier (Patrick Stewart) e a Irmandade de Mutantes liderada por Magneto (Ian McKellen) deu realmente o tom do novo cenário: nada de uniformes coloridos, mas uma roupa mais prática, negra, de couro, para não ofender o telespectador. Os conceitos de mutação e superpoderes são apresentados aos poucos e de maneira semirealística.

O estilo fez sucesso e se confirmou com o Homem-Aranha de Sam Raimi dois anos depois, em 2002.

Personagens que apareceram na primeira trilogia, como a Mística...
... e o Fera aparecem rejuvenescidos.

Isso dá certa importância à franquia dos X-Men nos cinemas, devido ao aspecto pioneiro. Entretanto, após chegar ao seu melhor nível em X-Men 2, em 2003, também de Singer, a cinessérie sofreu um grande revés. A 20th Century Fox não conseguiu chegar em um consenso com Singer sobre o terceiro capítulo, que resultou em sua saída – ele foi fazer Superman – O Retorno para Warner – e, sem ele, X-Men – O Confronto Final encerrou a trilogia de maneira sem graça, sem brilho, com personagens demais, roteiro fraco, apesar de uma ótima premissa.

Os jovens Xavier e Lehnsherr são aliados no início do filme.

Além disso, o filme tomou uma série de decisões tão erradas, mas tão erradas, que praticamente inviabilizou um quarto filme. Personagens fundamentais como Xavier, Mística, Magneto, Ciclope e Jean Grey morrem, perdem os poderes ou são colocados em situações embaraçosas (mente que troca de corpo? argh!).

Buscando saídas, a Fox iniciou o que deveria ser uma nova série X-Men Origens dedicada a explorar o passado das personagens principais. O primeiro, claro, foi Wolverine, e o resultado foi assustador. E não no bom sentido!

Agora, vem X-Men – Primeira Classe, o quinto filme da franquia dos mutantes da Marvel, e com o objetivo de mostrar o surgimento da equipe, por meio da exploração entre a aliança que tende a se transformar em rivalidade entre Charles Xavier (James McAvoy) e Erik Lehnsherr, o futuro Magneto (Michael Fassbender).

Erik Lehnsherr ainda não é o vilão que conhecemos, mas seu passado de torturas pelos Nazistas contribui para a formação de sua visão radical.

O longa se passa nos anos 1960 e promete uma mistura do clima de James Bond com filmes de super-heróis. Ele também aposta em um visual ligeiramente mais colorido do que a série original, tanto em referência à época da trama, quanto à própria era dos quadrinhos correspondente, a Era de Prata, quando os X-Men surgiram (em 1963, pelas mãos de Stan Lee e Jack Kirby), uma era marcada por histórias repletas de ficção científica, clima mais inocente e visual totalmente colorido. Bem diferente da Era Moderna atual, mais marcada por histórias “pesadas”, temas difíceis e visual sombrio, correspondente à trilogia original do cinema.

X-Men – Primeira Classe estreia em 03 de junho, na próxima sexta-feira, e o Brasil vai poder conferir que rumos a Fox pretende dar à sua franquia mais rentável. Até lá, os fãs guardam a expectativa de voltar aos velhos tempos, quando mutantes e cinema eram a certeza de um bom filme.