Ciclope e Wolverine vão romper relações "definitivamente" em "Schism", a nova saga dos X-Men.

Há alguns anos atrás, o universo ficcional da Marvel Comics foi abalado (de verdade) pela saga Guerra Civil, na qual a votação do Congresso dos EUA por uma Lei de Registro de Superhumanos que os obrigaria a revelar nomes e endereços e trabalhar para o governo gerou uma cisão entre os super-heróis da editora: metade aderiu à política, numa facção liderada por Tony Stark, o Homem de Ferro, que na época era o Secretário de Segurança dos EUA; a outra metade se virou contra o Registro, por entender que ele coagia os direitos civis, liderados pelo Capitão América. Foi uma história de impacto, escrita por Mark Millar e desenhada por Steve McNiven.

(Veja um post sobre a Guerra Civil aqui no HQRock em https://hqrock.wordpress.com/2011/01/29/serie-historia-recente-da-marvel-comics-parte-5-guerra-civil/)

As relações do Universo Marvel mudaram bastante após essa saga e somente agora, quatro anos depois, é que há uma reaproximação entre os líderes das duas facções.

Poster mostrará como ficarão os X-Men divididos após "Schism". Ciclope e Wolverine em lados opostos e Charles Xavier em ambos?

Pois agora, a Marvel fará algo semelhante com os X-Men. A saga Schism (Cisão) irá dividir os mutantes em duas facções. Os editores prometem que será uma ruptura verdadeira e que alguns dos envolvidos poderão “nunca mais olhar na cara um do outro”. A sinopse oficial foi liberada pela Marvel da seguinte maneira:

Nunca houve um tempo mais perigoso para ser mutante. Mesmo estando eles mais reduzidos do que nunca, o mundo recusa-se a confiar nos mutantes… e, depois de um incidente internacional causado por um mutante, o ódio a eles atingiu novos picos. É claro que é neste momento, quando os mutantes mais precisam estar juntos, que começa uma divisão que vai abalar as fundações dos X-Men.

O editor dos títulos mutantes da editora, Alex Alonso, afirmou que o objetivo da saga é reaproximar os mutantes do restante do Universo Marvel. De fato, desde que a editora passou a centralizar seu universo nas aventuras dos Vingadores de Brian Michael Bendis (o grande arquiteto da Marvel na última década), os X-Men estiveram em segundo plano e, à excessão de Wolverine fazendo parte dos mesmos Vingadores, não têm quase nenhum envolvimento nas sagas dos outros personagens, permanecendo isolados num canto mutante da editora.

A trama principal de Schism envolve a cisão entre Ciclope e Wolverine, porque o primeiro, o líder da equipe, estabeleceu uma aliança com Magneto.

Ciclope e Wolverine trocam sopapos desde que se conhecem. Aqui, um caso clássico na fase dos X-Men produzida por Chris Claremont e John Byrne.

Quem já leu alguma história dos X-Men, sabe que sempre existiu algum tipo de rivalidade entre Ciclope e Wolverine, porque o segundo se sente de algum modo atingido pela liderança do primeiro e porque Logan sempre foi apaixonado por Jean Grey, a mulher de Scott Summers. Mas como Jean Grey morreu há alguns anos, os dois até que vinham brigando menos.

Do ponto de vista editorial, os dois são os x-men mais populares e sempre trabalham juntos. Quando o grupo foi dividido em duas equipes pela primeira vez (não por briga, mas por estratégia tática), em 1991, Ciclope e Wolverine ficaram juntos na Equipe Azul; e nos últimos anos, as duas fases mais memoráveis dos mutantes – aquela por Grant Morrison e Frank Quitely em New X-Men e a de Joss Whedon (isso mesmo, o diretor do filme Avengers) e John Cassaday em Astonish X-Men – também tinham os dois agindo juntos em uma espécie de “time de elite” dos X-Men.

Capa de "Uncanny X-Men 01", de 1963, por Stan Lee e Jack Kirby.

Também no campo editorial, uma das consequências de Schism será o cancelamento da revista Uncanny X-Men em seu número 554. Hoje em dia, a política de zerar a numeração de uma revista é corrente no mercado de quadrinhos (veja os post sobre o reboot da DC), mas o caso de Uncanny X-Men é um pouco à parte porque essa era a única revista da Marvel até hoje que nunca tinha mudado sua numeração.

Uncanny X-Men estreou em setembro de 1963 com a estreia dos X-Men, numa história de Stan Lee e Jack Kirby. Nos anos 1960, ela nunca foi um grande sucesso, embora tenha sido escrita por muitas estrelas do ramo, como o escritor Roy Thomas e os desenhistas Barry Windsor-Smith, Jim Steranko e Neal Adams. Por causa das vendas baixas, Uncanny X-Men 66, de 1970, foi a última edição a trazer uma história inédita. Nos anos seguintes, ela virou uma revista trimestral que trazia apenas republicações das principais histórias da equipe.

A capa da última edição de "Uncanny X-Men", número 554, de 2011. A numeração será zerada pela primeira vez.

Mas em 1975, a Marvel lançou a edição especial Giant-Size X-Men com a estreia dos Novos X-Men (Ciclope da equipe original mais Tempestade, Wolverine, Colossus, Noturno, Banshee e outros). Logo em seguida, Uncanny X-Men 94 trouxe a volta das histórias inéditas dos mutantes por Len Wein e Chris Claremont nos roteiros e Dave Crockum na arte.

Desde então, Uncanny X-Men vem sendo publicada ininterruptamente com histórias inéditas dos mutantes, sem modificações na numeração. Isso inclui os 18 anos de Chris Claremont à frente do título, além de outros escritores, como Scott Campbell, Joe Casey e os citados; e desenhistas marcantes, como John Byrne, Paul Smith, John Romita Jr., Alan Davies, Arthur Adams, Marc Silvestri, Jim Lee e muitos outros.

Schism será produzido por Jason Aaron nos roteiros e Carlos Pacheco e Frank Cho nos desenhos.