A estreia do Capitão América em 1941, por Joe Simon e Jack Kirby.

Com a proximidade do lançamento de Capitão América – O Primeiro Vingador, longametragem que adaptará um dos mais antigos e famosos heróis da Marvel Comics, é chegado o momento de lançar um olhar mais atencioso ao personagem.

Criado por Joe Simon e Jack Kirby e lançado em março de 1941, o Capitão América foi um dos maiores sucessos dos quadrinhos do início dos anos1940, achamada Era de Ouro, e tinha suas histórias quase que exclusivamente relacionadas à II Guerra Mundial. O fim do conflito fez o herói perder popularidade e ele foi cancelado em 1949. Após uma tentativa frustrada de tentar trazê-lo de volta em 1953, o personagem foi agregado ao nascente Universo Marvel em 1964 por meio das aventuras do supergrupo Vingadores.

O HQRock já publicou um post sobre os 70 anos de histórias do Capitão América (https://hqrock.wordpress.com/2011/03/22/capitao-america-faz-70-anos/), bem como outro especial sobre seu principal criador, o desenhista e escritor Jack Kirby (https://hqrock.wordpress.com/2011/03/24/jack-kirby-o-rei-dos-quadrinhos/). Dê uma lida!

Agora, vamos explorar alguns detalhes de alguns dos melhores escritores do Capitão América!

Stan Lee

Stan Lee e Jack Kirby criaram a história em que os Vingadores encontram o Capitão América, desaparecido desde a II Guerra Mundial.

Apesar de não ter sido seu criador, foi Stan Lee quem definiu o Capitão América que conhecemos. Abandonado como personagem desde o fim dos anos 1940 (à exceção de uma tentativa mal-sucedida de trazê-lo de volta nos anos 1950), o Capitão ressurge na Era de Prata, quando Lee e o desenhista Jack Kirby o introduzem no Novo Universo Marvel que estavam criando. Assim, a dupla fez o Capitão ser resgatado do congelamento em que se encontrava pelos Vingadores.

A primeira grande batalha do Capitão nos tempos modernos, contra o Barão Zemo, seu velho inimigo. Por Lee e Kirby.

Os argumentos de Lee inovaram ao tratar o Capitão como um homem fora de seu tempo. Embora imbatível em um campo de batalha, se mostra um homem deprimido e inadequado na vida pessoal, pois saltou sem escalas dos anos 1940 para os dias atuais.

Lee firmou o Capitão nos dias de hoje e fez dele não apenas o líder máximo dos Vingadores, mas também o mais respeitado dos heróis do Universo Marvel: uma verdadeira lenda viva.

Steve Englehart

O Capitão América de Steve Englehart: embates políticos. Arte de Sal Buscema.

Escritor do Capitão durante a maior parte da primeira metade dos anos 1970, Englehart deu continuidade ao legado de Stan Lee, mas aprofundou bastante os aspectos sociais em suas histórias – em grande parte desenhadas por Sal Buscema. Foi Englehart quem se encarregou de mostrar que o Capitão era patriótico, mas não alienado. Um homem dedicado a uma causa de liberdade, em um ideal de América que ele sabia não existir realmente, mas a perseguia.

Steve Rogers adota a identidade de Nômade: crítica à era Nixon.

Por isso, nas histórias de Englehart, o Capitão combateu setores corruptos do Governo do EUA, inclusive, no famoso arco Império Secreto, o herói termina descobrindo que o líder de uma terrível conspiração é ninguém menos do que o próprio Presidente dos EUA. Esse fato lhe faz abandonar o uniforme do Capitão América e se transformar no Nômade, por um curto período. Desse modo, as histórias de Englehart refletiram muitas das turbulências políticas e sociais dos EUA no período, como a rejeição à Guerra do Vietnã e o Watergate que derrubou o presidente Richard Nixon.

Jack Kirby

O Capitão de Jack Kirby nos anos 1970: retrato estilizado de uma América em convulsão social.

Cocriador do Capitão América, Jack Kirby retomou o personagem junto com Stan Lee em 1964 e continuou desenhando suas aventuras até 1970 quando saiu da Marvel. Ao retornar, em 1975, Kirby assumiu a revista do Capitão inteiramente: escrevendo, desenhando e editando-a. Durante quase dois anos, o artista explorou o potencial sociopolítico do Capitão, embora reforçando o aspecto patriótico, colocando-o em meio a uma série de convulsões sociais típicas da segunda metade dos anos 1970.

Roger Stern

Roger Stern colocou o Capitão em um ambiente de classe média no Brooklyn, convivendo com minorias étnicas.

Após o Capitão América passar por um período de “baixa”, coube a dupla Roger Stern (textos) e John Byrne (corroteiros e desenhos) revitalizá-lo a partir de 1980. As histórias de Stern e Byrne devolveram uma vida pessoal ao Capitão, colocando Steve Rogers para morar no Brooklyn e desenvolvendo laços com o lugar e personagens típicos dele. O herói vai morar em um prédio tipicamente residencial de classe média, convivendo com um bombeiro conservador, uma advogada judia e um professor negro, desenvolvendo aspectos sociais discretamente. A dupla também consertou alguns equívocos cronológicos do personagem, recontou sua origem (adaptando-a à realidade do Universo Marvel moderno) e lançou questões para os leitores pensarem, como a possibilidade do Capitão América concorrer à presidência do país e o que isso significava.

Além dessa passagem marcante no título do personagem, Stern se destacou ainda por ter escrito a revista dos Vingadores durante a maior parte dos anos 1980, onde também desenvolvia a personalidade do Capitão como referência maior do grupo, líder e inspiração. Essa longa passagem, entre 1982 e 1989, foi quase inteiramente desenhada pelo lendário John Buscema.

J.M. DeMatteis

J.M. DeMatteis escreveu sobre temas difíceis e causou polêmica. Arte de Mike Zeck.

Embora provavelmente seja mais famoso por sua passagem cômica e sensacional na Liga da Justiça Internacional, no fim dos anos 1980 na DC Comics, DeMatteis produziu muito para a Marvel e suas histórias sérias são marcadas pelo excelente desenvolvimento da personalidade dos personagens, aprofundamentos psicológicos cheios de tensões e o levantamento de questões para reflexão. Desse modo, ao lado do desenhista Mike Zeck, DeMatteis produziu uma ótima fase do Capitão América após a saída de Stern. DeMatteis tratou de muitos assuntos polêmicos, como as minorias étnicas (aprofundando o que Stern havia iniciado) e temas polêmicos como a homossexualidade e a velhice. Aliás, as idéias de DeMatteis para o Capitão eram tão ousadas que ele foi demitido da revista.

Mark Gruenwald

O Capitão de Gruenwald enfreta (por meio físico e de ideias) o Apátrida (Flag Smasher, no original): discutindo política.

Durante 10 anos, Gruenwald foi o escritor da revista do Capitão América, entre 1984 e 1994, além de ter sido o editor da revista antes disso. O escritor se destacou por explorar o aspecto político do Capitão, retomando as idéias de Engleart de que Steve Rogers é um idealista e não um alienado. Por isso, pôs o Capitão para combater vilões com ideais diferentes do seu, como anarquistas e extremistas. Também, colocou o herói novamente contra o Governo dos EUA, que o obrigou a abandonar o uniforme, no qual ele passou a usar uma roupa preta e apenas o nome de “Capitão”, enquanto o Governo colocava um outro herói, John Walker, o Superpatriota, como um novo Capitão América, que termina sendo violento demais e é destituído do cargo.

O Capitão de Gruenwald abandona seu uniforme para não trabalhar com o corrupto governo dos EUA. Arte de Kieron Dywer.

Gruenwald ainda se destacou por ter renascido o Caveira Vermelha (que havia morrido na fase de DeMatteis) e criado seu braço-direito, Ossos Cruzados, o principal oponente físico do Capitão nos últimos anos. Infelizmente, os últimos dois anos de Gruenwald à frente do Capitão foram muito ruins e ele não pôde dar um fechamento ao seu longuíssimo arco, pois faleceu subitamente.

Mark Waid

O Capitão de Mark Waid foi muito elogiado. Arte de Ron Garney.

Após o desgaste da fase final de Gruenwald, coube a Mark Waid proporcionar uma excelente fase do Capitão em dois períodos: entre 1994 e 1995 e depois, entre 1996 e1997, aprimeira com o desenhista Ron Garney e a segunda com Joe Kubert. Waid destacou, na primeira fase, o aspecto heróico e a importância do Capitão América para o Universo Marvel; e na segunda, tentou universalizar os ideais do Capitão, colocando-o mais como um defensor da liberdade em geral do que de um país específico.

Ed Brubaker

A fase de Ed Brubaker é, com certeza, uma das melhores em toda a carreira do Capitão América.

Na primeira metade dos anos 2000, as histórias do Capitão América foram muito prejudicadas pelo clima político pós-atentados de 11 de setembro de 2001. Mas isso mudou em 2005 quando o aclamado escritor e romancista Ed Brubaker assumiu a revista do personagem. Brubaker desenvolveu uma extensa, complexa e magnífica trama que envolvia novos e velhos inimigos; resgatava os melhores aspectos da personalidade de Steve Rogers; e aprofundava os personagens secundários, como Sharon Carter e Sam Wilson (o Falcão). Também tomou a polêmica decisão de ressuscitar Bucky Barnes, o parceiro do Capitão nos anos 1940 e definido como “morto” por Stan Lee desde a retomada do Capitão, em 1964.

Entretanto, a saga do Soldado Invernal se desenvolveu belamente e conquistou os leitores. Além disso, a trama de Brubaker culminou no aparente assassinato de Steve Rogers em 2007, criando um interessante fenômeno em que a revista do Capitão América seguiu normalmente por um ano inteiro sem a presença de seu protagonista, desenvolvida exclusivamente por seus coadjuvantes e oponentes. Depois desse ano, Bucky Barnes se tornou o novo Capitão América e assim permaneceu até 2010, quando Steve Rogers retornou. Brubaker ainda segue escrevendo a revista, que mantém ainda sua qualidade, sendo uma das melhores da Marvel nesta década.