A capa simples de The Wall: um dos discos mais vendidos da história do rock.

Neste domingo, 25 de março de 2012, o cantor e compositor Roger Waters iniciará mais uma turnê no Brasil – ele esteve aqui em 2007 – com um show histórico que toca na íntegra o aclamadíssimo álbum The Wall escrito por ele e gravado originalmente com a banda britânica de rock progressivo Pink Floyd, em 1979.

É, então, uma ótima oportunidade de lembrarmos este disco tão importante e de tanto sucesso. Além de um pico na carreira do Pink Floyd, banda fundada por Waters lá no distante 1965The Wall também representa o fim de uma era, sendo um dos marcos finais da era do rock clássico, quando a geração dos anos 1960, que dominou a produção do rock durante quase 20 anos, cede lugar a uma geração mais jovem e com novos valores musicais, liderada pelo Movimento Punk e suas reminiscências.

Além disso, The Wall é um dos discos de maior sucesso na história do rock como um todo. Embora todos lembrem do grande sucesso comercial de Darkside of the Moon, o disco que lançou o Pink Floyd ao estrelato, em 1973, após seis anos no circuito underground de Londres; na verdade, The Wall vendeu mais do que aquele. Segundo dados da RIAA, organização que controla a venda de discos nos Estados Unidos, The Wall está tecnicamente empatado com Led Zeppelin IV como o disco de rock mais vendido da história, em torno de 40 milhões, cada. Porém, o disco do Floyd ganha certa vantagem por ser um álbum duplo, que geralmente é um pouco mais caro do que os demais.

Vamos analisar a produção e o impacto dessa obra seminal da banda e do rock como um todo.

Contexto

O Pink Floyd nos anos 1970: música e mistério.

The Wall surge num momento difícil para o Pink Floyd e seu processo de criação e gravação só piorou tudo.

O Pink Floyd surgiu em Londres, em 1965, e se tornou um dos maiores exponentes do Movimento Psicodélico com seu primeiro disco, em 1967. Era formado por Syd Barrett(vocais e guitarra), Roger Waters (baixo e vocais), Richard Wright (teclados e vocais) e Nick Mason (bateria), mas o primeiro foi substituído por David Gilmour em 1968. Depois, a banda se tornou uma das fundadoras do chamado rock progressivo e após anos na cena underground, alçou à categoria de uma das bandas mais populares do planeta pelo sucesso do disco Darkside of the Moon, de 1973.

Aparentemente, a banda funcionou muito bem enquanto era uma atração underground, mas se tornar uma das bandas de maior sucesso do mundo literalmente da noite para o dia não foi fácil. A banda, que vivia “à margem do sistema“, gravando discos estranhos, fazendo shows caóticos e aleatórios, com um contrato de tempo ilimitado no estúdio Abbey Road, da gravadora EMI, sem ter que lidar como o lado “sujo” da fama; de repente, teve que lidar com convites para tocar na TV, lançar compactos (algo que não faziam há muito tempo) e, nas turnês, encarrar um público novo, que não conhecia a carreira da banda, nem seu espírito. De repente, passar 20 minutos no palco fazendo barulho aleatório sob o nome de Careful with that axe, Eugene se tornou algo incômodo e mal-visto pelo novo público que ia vê-los.

Capa de Animals, de 1977: tempos difíceis.

Na turnê do álbum seguinte, Wish You Were Here, em 1975, as coisas ficaram piores. Em 1977, o Pink Floyd lançou o álbum Animals, seu último libelo propriamente progressivo, mas o contexto já era outro: a revolução punk estava em curso e bandas como o Floyd começaram a ser vistas como “coisas do passado“.

As mudanças também estavam dentro do grupo. O fim do contrato com a EMI se aproximava e a banda tratou de comprar uma igreja em Britannia Row, em Islington, próximo a Londres, transformando-a em um estúdio particular. Para a In The Flesh Tour, de 1977, a banda usou, pela primeira vez, um músico contratado para dar suporte: o guitarrista Snowy White, que anos mais tarde faria parte da banda Thin Lizzy. Outra mudança significativa da turnê foi que, pela primeira vez, o Pink Floyd tocou em estádios, aderindo finalmente à lógica das grandes turnês dos anos 1970, que abandonavam as casas de espetáculo – que raramente passavam dos 30 mil lugares – para os estádios que comportavam 50 ou até 70 mil pessoas!

A principal consequência, sentida de imediato pela banda, foi a perda de contato com o público. Numa plateia tão grande, a banda toca alheia ao público e o público, de certo modo, também fica alheio à banda, massacrado pelo gigantesco sistema de som, luzes e efeitos. Isso irritou bastante o conjunto e, particularmente, Roger Waters que, segundo ele próprio, chegou ao cúmulo de cuspir na cara de um fã no último show da turnê, em Montreal, no Canadá, em julho de 1977. O motivo foi que o garotou ficava gritando o tempo todo para que a banda tocasse “Eugene” e Waters não aguentou.

Ao presenciar o fato, o guitarrista e vocalista David Gilmour se recusou a voltar para o bis e o próprio Roger Waters ficou depois atônito com o que fizera e o que julgava uma atitude fascista.

Construindo o Muro

Banda produz fotos para promover The Wall em 1979: relações abaladas.

A partir desse episódio, Waters começou a elaborar uma trama que envolvesse a alienação da banda perante o público e a ascensão de um comportamento fascista por parte dos artistas. O músico ficou meses elaborando esse trabalho, em uma pausa da banda.

Ao mesmo tempo, David Gilmour e o tecladista Richard Wright iam cada um produzir um disco solo. David Gilmour  e Wet Dreams saíram em 1978 e ambos não foram bem nas vendas. Mas o pior disso foi que, com os projetos, Gilmour e Wright ficaram sem materiais novos para um disco do Pink Floyd e, numa reunião para definir a agenda dos próximos anos, em julho daquele mesmo ano, Waters surgiu não apenas com um projeto, mas dois projetos de dois álbuns-duplos!!!

Um dos projetos era The Pros and Cons of Hichhiking, que Waters lançaria como um disco solo em 1984. O outro, escolhido como o melhor pela banda, foi The Wall. Ambos tinham, em seu estágio demo cerca de 45 minutos cada.

Syd Barrett (esq.), ex-líder da banda, serviu de inspiração para a biografia de Pink, o protagonista de The Wall.

Mais do que uma obra de rock progressivo, The Wall era uma Ópera rock, ao estilo de Tommy, do The Who, a pioneira do estilo, em 1969. O texto de Waters contava a história de Pink, um astro do rock que viva à beira do colapso, incapaz de expor suas emoções, construindo “um muro” entre ele e o resto da sociedade até o ponto de se tornar catatônico. No processo, relembra seu passado, a perda do pai na II Guerra Mundial, a mãe controladora, a escola castradora de professores insensíveis, e depois, as dificuldades da vida conjugal com a esposa.

Baseada em sua própria biografia, mas somando muitos elementos da vida de Syd Barrett – o primeiro líder do Pink Floyd, que sucumbiu à loucura causada pelo abuso de drogas em 1968 – a obra é visceral em letra. A sonoridade, contudo, lembra muito pouco o Pink Floyd de Darkside of the Moon: o álbum duplo de 1979 é muito mais simples, feito de canções dentro de uma estrutura mais convencional, embora se complementem de modo a formar uma história mais ou menos coerente.

Gravações tensas

Grande estrutura do show de The Wall, em 1981, em Londres.

Ao fim de 1978, a banda estava desunida e brigando por dinheiro. Àquela altura, o Pink Floyd era uma das bandas de maior sucesso no mundo – atrás apenas de, talvez, Beatles e Rolling Stones, disputando cabeça a cabeça com o Led Zeppelin – mas o alto custo das turnês megaproduzidas do grupo e do próprio estilo de vida dos membros traziam problemas. Por isso, era imperativo que a banda lançasse um disco novo em 1979 para se recuperar.

Nos últimos álbuns, a produção tinha ficado a cargo do quarteto, o que implicava em royalities. Mas Waters não estava disposto a fazer do novo trabalho algo coletivo, pois achava que Gilmour e Wright estavam distantes e desinteressados. Assim, Waters convidou o produtor norteamericano Bob Ezrin para dividir com ele o cargo de produtor. Ao mesmo tempo, Gilmour movimentou o empresário da banda, Steve O’Rourke, para contratar o produtor James Guthrie, que havia trabalhando com a banda de heavy metal Judas Priest. No fim das contas, Richard Wright e o baterista Nick Mason tiveram que abdicar de seus créditos na produção para que esta fosse assumida por Waters, Gilmour, Ezrin e Guthrie numa batalha de egos sem tamanho.

A banda anuncia a turnê em coletiva, em 1980.

Ezrin se tornou um mediador entre Waters e o resto da banda e, apesar de ter sido contratado por aquele, terminou também defendendo que David Gilmour tivesse algumas canções no disco. E Gilmour resgatou duas demos não utilizadas em seu álbum-solo que, com as letras de Waters, se tornaram Confortably numb e Run like hell, duas das faixas mais lembradas do futuro disco. Gilmour também trouxe uma composição nova, Young Lust, e ganhou créditos em parceria com Waters em Mother

Já Wright… O tecladista passava por uma grave crise pessoal, com problemas no casamento e abuso de drogas, o que resultou em apatia. Waters se irritava com a passividade de seu colega e com o fato dele não contribuir com nada no disco. Então, em determinado momento, já no perto do fim das gravações, Waters ordenou que Wright interrompesse suas férias na Grécia para ir para Los Angeles, nos EUA, gravar suas partes de teclado. Wright respondeu que iria depois e Waters contactou o empresário da banda, O’Rourke, dizendo que se Wright não saísse do grupo, ele mesmo iria embora e levaria o The Wall com ele. Wright foi demitido. Mas por algum motivo, seu nome permaneceu nos créditos quando o disco foi lançado.

Waters, Mason, Wright e Gilmour: nada de leveza.

As tensões entre Waters e Gilmour chegaram ao ponto máximo também. No início das gravações, em abril de 1979, o produtor Bob Ezrin decidiu que o estúdio em Britannia Row não era profissional o suficiente, então, a banda se moveu para o sul da França, para gravar no aconchegante Super Bear, nos alpes. Mas a alta altitude prejudicou demais os vocais de Waters, de modo que parte das vozes foram registradas em outro estúdio, Miraval, mais baixo da montanha.

Ainda assim, Ezrin teve que brigar muito para garantir que David Gilmour cantasse no disco. Tradicionalmente, Gilmour era “a voz” do Pink Floyd, desde que entrara para a banda, em 1968. Wright e, menos ainda, Waters, contribuíam de vez em quando, mas Gilmour e sua bela voz melódica sempre conduziram a banda. Mas, em Animals, Waters já tinha dado um jeito de cantar a maior parte do material e queria repetir a dose. Em The Wall, de fato, Waters fez a maior parte dos vocais, mas Gilmour aparece em duetos e na voz principal de algumas canções-chave, como The thin ice, Another brick in the wall (part 2), Mother, Goodbye blue sky, Hey you e Confortably numb.

Em setembro, a banda chegou em Los Angeles para a parte final das gravações e os problemas persistiram. Waters começou a pensar que Nick Mason também era dispensável e ele e Ezrin contrataram o baterista Jeff Porcaro para refazer partes de Mother e In the flesh. Outros guitarristas foram chamados para fazer bases ou frases auxiliares a David Gilmour, como Lee Ritenour e Ron di Blasi, que tocou o violão clássico de Is there anybody out there?. Com a demissão de Wright, Freddie Mandell, Peter Wood e o próprio Bob Ezrin tocaram algumas das partes de teclado.

Track list do álbum em sua versão CD.

The Wall também foi o primeiro disco totalmente orquestrado do Pink Floyd, trabalho que ficou ao cargo do maestro Michael Kamen, que ficaria famoso nos anos 1980 com sua participação em diversos projetos de rock. Inclusive, foi a orquestração em Confortably numb que causou a ruptura definitiva entre Waters e Gilmour, porque o segundo, autor da canção, discordava radicalmente de seu uso. embora ainda trabalhassem juntos por um tempo, nunca mais a dupla voltou a funcionar de fato.

Por fim, Waters convidou a banda norteamericana The Beach Boys para fazer os backing vocais de algumas faixas, mas as negociações não deram certo e somente Bruce Johnston participou.

As gravações terminaram de volta a Londres, no Britannia Row, onde Waters, Mason e o engenheiro Nick Griffiths gravaram e editaram a maior parte dos efeitos sonoros do disco, inclusive sons reais de prédios sendo demolidos. Também foi na ocasião em que gravaram o famosíssimo coro infantil para Another brick in the wall (part 2), com estudantes da Islington Green School.

Lançamento e recepção

O muro se monta nos shows de 1981.

O Pink Floyd tinha lançado o seu último single no distante 1968 e depois disso abandonaram o formato para se dedicar apenas a álbuns completos. Mas o grupo tinha mudando de gravadora em 1976, deixando a EMI – que continuou distribuindo os álbuns no Reino Unido – para o grupo Columbia dentro da CBS norteamericana. A demora na gravação e lançamento forçaram a gravadora a pressionar que o grupo lançasse um compacto para promover o vindouro disco. Assim, a contragosto, a banda lançou Another brick in the wall (part 2) como single duas semanas antes do lançamento do álbum. Em termos comerciais, o resultado não poderia ser melhor: a canção chegou ao primeiro lugar das paradas da Inglaterra e dos Estados Unidos e é a canção mais conhecida da banda até hoje.

The Wall foi lançado como LP-duplo em 30 de novembro de 1979 e foi um sucesso absoluto. Chegou imediatamente ao primeiro lugar da parada de álbuns dos Estados Unidos e ficou na posição por 15 semanas, um número muito alto. Na Inglaterra, com o movimento punk ainda forte, o disco foi um pouquinho menos bem-sucedido, atingindo o 3º lugar das paradas. O disco alcançou 23 milhões de cópias na época, já chegando hoje, como já dito, às 40 milhões de cópias. Seu relançamento este ano em versões remasterizadas e cheias de bônus devem aumentar um pouco mais essa conta.

A crítica da época recebeu o disco com algumas reservas, mas a importância da obra cresceria nos anos seguintes. Suas críticas ácidas ao sistema escolar e seu libelo pessimista temerário à loucura é uma marca do fim dos anos 1970.

Em turnê

David Gilmour toca Confortably numb em cima do muro no show de 1981 em Londres.

O sucesso do álbum (e as dívidas da banda) motivaram o grupo à ousada tarefar de adaptar a ópera rock de The Wall aos palcos. Na verdade, os concertos (e um filme derivado deles) estavam planejados desde o começo, mas houve quem duvidasse de sua ocorrência por causa dos ânimos. Mais bizarro ainda, o tecladista Richard Wright foi chamado de volta para tocar na turnê como “músico convidado” e não membro efetivo da banda. Curiosamente, não houve nenhum anúncio sobre sua saída e nas entrevistas coletivas de lançamento da excursão lá estava ele como se nada tivesse acontecido. Contudo, seu contrato era muito claro e ele recebia como um músico de apoio comum. Mas no velho estilo inglês, onde não se demonstra o que se sente nem se fala nada, a banda seguiu em frente para uma pequena turnê, de apenas 29 datas divididas entre a Inglaterra e os Estados Unidos.

A turnê tinha que ser pequena porque era caro demais montar a estrutura dos shows, que tinham como principal atração a construção de um gigantesco muro de tijolos de isopor de 12 metros de altura em cima do palco. Na “parede” eram projetadas animações assustadoras criadas por Gerard Scarface, que também criou a capa do álbum. Também eram manipulados bonecos gigantes de seis metros que representavam personagens como o professor e a mãe de Pink.

As máscaras da banda de apoio terminaram na capa da versão ao vivo do disco, em 2001.

Para ressaltar o distanciamento da banda, no início do show, com In the flesh, uma banda de apoio completa (com guitarra, baixo, bateria e teclado) entrava no palco usando máscaras com o rosto de cada integrante da banda (incluindo Wright, estranhamente) e iniciava a canção. Somente no meio a banda de verdade aparecia, o que confundia a platéia. Essa banda “substituta” tinha o já conhecido Snowy White na guitarra, Peter Woods nos teclados (que tocou no disco), Andy Bown no baixo e Willie Wilson na bateria.

Enquanto o muro ia crescendo, o Pink Floyd ia se espalhando pelo palco. Ao fim do Disco 1, o muro ficava completo e a banda simplesmente desaparecia para detrás do muro. Assim, o púbico assistia a um terço do show sem ver a banda! Em Nobody home, um tipo de alçapão se abria no muro e virava um cenário de um quarto de hotel na qual Pink, interpretado por Roger Waters, aparecia cantando e mudando canais de uma TV; em Confortably numb, Waters fazia o médico, enquanto David Gilmour aparecia acima do muro com um holofote apontado para ele projetando sua enorme sombra sobre o público.

Ilustração de Gerard Scarface para o filme The Wall.

Ao final de The trial, na qual as marionetes gigantes interpretavam os papeis dos personagens, o muro era implodido e caia por cima da banda (na verdade, uma rede de contenção o segurava). O show terminava com Outside the wall na qual todos os músicos se reuniam para cantá-la.

Os shows ocorreram entre 1980 e 1981 e o material foi gravado e filmado visando um filme. O projeto do filme tomaria outro caminho e o material gravado não seria lançado até 2001, quando foi lançado Is There  Anybody Out There? The Wall Live, o que pegou os fãs da época de surpresa, que não esperavam mais ver esse material.

O curioso é que os concertos foram bem-sucedidos, com ingressos esgotados em todas as noites, mas a banda ainda assim saiu no prejuízo por causa do altíssimo custo. Assim, tiveram que lançar a coletânea A Collection of Great Dance Songs, em 1981, para cobrir os custos.

O Filme

Bob Geldof interpreta Pink em The Wall, de Alan Parker: clássico cult.

Inicialmente, os planos de Roger Waters eram gerar um disco, um show e um filme a partir do material de The Wall. Os shows foram filmados, mas o material não agradou ao grupo e essas imagens jamais foram lançadas oficialmente. Assim, os planos mudaram para uma adaptação mais “literal” do álbum em um musical para cinema dirigido por Alan Parker. O filme foi feito tendo o cantor Bob Geldof (da banda punk Boomtown Rats) no papel de Pink e foi lançado em 1982 com algum sucesso. Waters não gostou da versão final, mas o longametragem ganhou ares de cult com o passar do tempo e suas cenas fortes, como Pink raspando as sobrancelhas e o cabelo; virando um conjunto de vermes ao som de Confortably numb e as crianças virando carne moída na escola antes de a destruírem e jogarem o professor em uma fogueira ao som de Another brick in the wall. 

O Fim e o Depois

The Final Cut funciona como uma sequência de The Wall.

Os shows de The Wall foram os últimos da banda com Roger Waters. Aos pedaços, sem Wright definitivamente e com Gilmour e Mason tratados como meros “músicos de estúdio”, Waters ainda usou o nome Pink Floyd para gravar o álbum The Final Cut, em 1983, que era formado por sobras do álbum anterior e servia como um tipo de sequência. Odiado por uns e amado por outros, o disco não foi bem-recebido e a banda não fez nenhum esforço em promovê-lo.

Ao contrário, em 1985, Roger Waters entrou na Corte de Londres para dissolver o Pink Floyd, mas Gilmour e Mason contraatacaram e entraram com um processo para expulsar Waters e continuar a usar o nome da banda. Após um processo ruidoso que se arrastou nos tribunais e fez a alegria dos tablóides britânicos por mais de um ano, a dupla ganhou e seguiu em frente. Trazendo Wright de volta, o trio permaneceu os nove anos seguintes na ativa, lançando dois álbuns de estúdio (A Momentary Lapse of Reason e The Division Bell) e fazendo algumas das turnês mais lucrativas da história até encerrarem as atividades em 1996.

Capa do box com o relançamento de The Wall em 2012: muitos bônus.

Roger Waters seguiu em carreira solo e lançou alguns discos que não fizeram sucesso. Em 1990, para comemorar a queda do Muro de Berlim, o músico até reencenou o show completo de The Wall, tendo como parceiros algumas das estrelas da música do momento, como The Scorpions, Brian Adams, Cindi Lauper, Sinea O’Connor, dentre outros. Gravado na Alemanha, o show virou vídeo e um disco ao vivo.

Os caminhos do quarteto se uniram apenas uma vez em 2005 quando o mesmo Bob Geldof – que havia organizado o Live Aid (o maior concerto beneficente da história até então) em 1985 – organizou outro megaevento, o Live 8, contra a Reunião do G8 e pelo fim da dívida externa dos países da África. O cantor-ativista conseguiu convencer Waters, Gilmour, Wright e Mason a se reunirem pela primeira vez e tocarem quatro canções. Foi um momento histórico, mas único, pois não houve outros encontros e Richard Wright faleceu de câncer em 2008, impossibilitando outro encontro.

Agora, The Wall chega ao Brasil, com Roger Waters.

Ainda assim, antes de Wright morrer, ele excursionou ao lado de David Gilmour, que lançou um disco solo em 2007. Depois, Gilmour e Waters tocaram juntos em um concerto beneficente, em 2010.

Em maio de 2011, Roger Waters iniciou sua The Wall Tour reproduzindo exatamente o mesmo show de 1980 e, para comemorar o evento, o Pink Floyd (Waters, Gilmour e Mason) se reuniu uma vez mais no primeiro show da turnê, no O2 Arena, em Londres, tocando duas faixas: Confortably numb e Outside of the wall.

Ficou nisso por enquanto, mas é exatamente este concerto que Roger Waters traz para o Brasil para felicitar as plateias de Porto Alegre, São Paulo e Rio de Janeiro com um dos maiores espetáculos da Terra e um dos discos mais marcantes da história da música e do rock.

Veja a discografia completa do Pink Floyd aqui.