Greg Ham: sax e sucesso com o Men at Work.

O multiinstrumentista australiano Greg Ham, ex-membro da banda Men at Work, uma das de maior sucesso nos anos 1980, foi encontrado morto hoje em sua casa, em Melbourne, na Austrália. Segundo informes, amigos do músico encontraram seu corpo após vários dias sem notícias dele. A polícia local investiga o caso e já afirmou que há elementos “inexplicáveis” no caso.

Greg Ham nasceu em 1953 em Melbourne e ingressou no Men at Work em 1979, substituindo o tecladista Greg Sneddon. A banda tinha sido fundada no ano anterior pelo vocalista, guitarrista e compositor Colin Hay, juntamente a outros músicos, Ron Stryker na guitarra solo, Jerry Speiser na bateria e John Rees no baixo. A entrada de Ham não apenas “fechou” o quinteto como definiu o som da banda liderada por Hay. Apesar de ser famoso pelo saxofone, Ham também contribuía com outros instrumentos, como flautas, gaita, teclados e guitarra, de acordo com a necessidade da canção.

A formação original do Men at Work, com Greg Ham (esq.).

Daí para frente, a história foi rápida. Em 1981, a banda conseguiu um contrato com a Columbia Records e já seu segundo compacto, Who can it be now?, foi um grande sucesso na Austrália, chegando ao primeiro lugar das paradas locais. O terceiro single, Down under, seguiu a mesma carreira e fez bastante sucesso, o que tornou o primeiro álbum, Business as Usual, um dos maiores sucessos do país em muitos anos.

Logo, a banda conseguiu uma turnê internacional para tocar no Canadá e nos Estados Unidos, apesar da resistência da matriz norteamericana em lançar por lá seu álbum. Contudo, o sucesso da turnê motivou os executivos e o resultado não poderia ser outro: em 1982, Who can it be now chegou ao primeiro lugar das paradas da Billboard, nos EUA. O sucesso foi esmagador: o álbum Business as Usual ficou 15 semanas em primeiro lugar das paradas e o single Downunder também chegou ao n.º 01.

O primeiro disco: um dos maiores sucessos dos anos 1980.

Com isso, em janeiro de 1983, o Men at Work tinha o primeiro lugar das paradas de compactos e de álbuns ao mesmo tempo nos Estados Unidos e na Inglaterra, fato inédito para um artista australiano e raríssimo na música em geral. Não foi surpresa a banda ganhar o Grammy de Melhor Artista Revelação em 1983, deixando para trás bandas como Asia, Human League e Stray Cats.

Ainda em 1983, o Men at Work lançou o seu segundo álbum, o que pode ter sido um erro comercial, tendo em vista que o primeiro ainda vendia demais. Por isso, o sucesso desse foi um pouco menor: Cargo chegou ao 3º lugar das paradas, mas trouxe grandes sucessos, como Overkill e It’s a mistake.

O mundo inteiro ouviu o solo de flauta em "Down Under".

A aclamação mundial, contudo, pagou um preço alto para os membros e a banda tirou um longo período de férias em 1984. Na volta, a banda demitiu Speiser e Rees, permanecendo como um trio com Hay, Ham e Stryker, mas parece que isso teve um custo, tendo em vista que o terceiro álbum, Two Hearts, mudou um pouco a sonoridade do grupo e não fez o mesmo sucesso dos anteriores. Apenas o primeiro single, Everything I need fez algum sucesso, mas o público e a crítica não gostaram das baterias eletrônicas e das programações que supriam a ausência de uma “cozinha” de verdade.

Stryker saiu da banda e apenas Colin Hay e Greg Ham permaneceram como membros oficiais, tocando com outros músicos convidados e encerrando as atividades em 1986.

Colin Hay (o líder) e Greg Ham tentaram seguir com o legado do Men at Work.

A dupla se reuniu novamente dez anos depois e passou a fazer shows mundo à fora. Foi incluída uma seção na América do Sul que rendeu o álbum ao vivo Brazil, gravado aqui e lançado em 1998. O grupo ainda voltaria ao Brasil pouco depois, em 2000, mas encerrou as atividades em seguida.

Hay e Ham ainda se reuniram ocasionalmente, a última delas em 2009.

Nos últimos tempos, Greg Ham vinha se apresentando outras bandas e dava aula de violão em uma escola primária em Melbourne.