Capa especial com os X-Men originais dos anos 1960.
Capa especial com os X-Men originais dos anos 1960.

Antes tarde do que nunca. O HQRock estava devendo um post comemorativo em relação à comemoração dos 50 anos de publicação dos X-Men, os heróis mutantes da editora Marvel Comics.

Direto dos conflitos étnicos dos EUA dos anos 1960, passando por uma revista que não emplacava nunca, os X-Men ressurgiram das cinzas e se transformaram em um dos maiores fenômenos editoriais da história das HQs, permanecendo como uma grande referência até os dias de hoje. E fazendo sucesso também nos cinemas!

A Marvel comemorou os 50 anos com a publicação de uma série de capas especiais, que ilustram este post.

Capa comemorativa mostra a renovação dos X-Men nos anos 1970.
Capa comemorativa mostra a renovação dos X-Men nos anos 1970.

Os X-Men foram criados por Stan Lee e Jack Kirby em 1963, sendo o terceiro grupo de heróis da Marvel, depois do Quarteto Fantástico e dos Vingadores. A ideia era fazer um grupo mais estranho de heróis e, por isso, a dupla criou o conceito dos mutantes: seres humanos especiais que já nasciam com superpoderes. Assim, não teriam que criar origens mirabolantes com acidentes científicos para explicar como alguém poderia escalar uma parede como uma aranha, por exemplo. Ciclope já nasceu com suas rajadas ópticas superpoderosas!

The X-Men 01, de setembro de 1963, já trazia a equipe formada: Ciclope, Garota Marvel (Jean Grey), Fera, Anjo e Homem de Gelo, liderados pelo Professor X (Charles Xavier) e combatendo o vilão Magneto. O mais interessante é a temática do preconceito e da perseguição dos mutantes criada por Lee e Kirby, que servia de metáfora das grandes disputas étnicas e da luta pelos direitos civis dos anos 1960. Assim, desde a primeira edição já fica clara a vinculação de Charles Xavier (e seu sonho de convivência pacífica entre humanos e mutantes) com Martin Luther King e a de Magneto (e seu desejo de que os mutantes subjuguem a raça humana) com Malcoln X, dois líderes reais da causa dos afrodescendentes da época.

Capa com os X-Men do fim dos anos 1980, fase de grande sucesso de Claremont.
Capa com os X-Men do fim dos anos 1980, fase de grande sucesso de Claremont.

Porém, os X-Men não fizeram sucesso. Suas histórias eram estranhas demais. Além disso, a vinculação e dependência dos heróis à liderança e figura paterna de Xavier tornavam as histórias irritantes a uma juventude em busca de emancipação. Lee e Kirby insistiram por 15 edições – onde criaram a Irmandade dos Mutantes (grupo liderado por Magneto e que continha Mercúrio e Feiticeira Escarlate, futuros heróis e membros dos Vingadores), o Fanático e os Sentinelas, além de colocarem a equipe mutante para lutar contra os Vingadores e o Quarteto Fantástico – e depois passaram o bastão para outros criadores.

O então iniciante Roy Thomas (com apenas 25 anos) assumiu a revista dos X-Men em 1965, trabalhando com uma série de grandes desenhistas, como Werner Roth (imitando Kirby), Jim Steranko e Barry Windsor-Smith; mas a revista ainda não ia para frente. Thomas e Steranko até criaram novos uniformes para a equipe, de modo a dar mais identidade a cada um deles, mas ainda assim não funcionou.

Capa com os X-Men típicos dos anos 1990, época de Jim Lee e apogeu do sucesso.
Capa com os X-Men típicos dos anos 1990, época de Jim Lee e apogeu do sucesso.

Em 1968, Thomas trouxe para a revista o aclamado desenhista Neal Adams, que com seu traço detalhista e fotográfico abrilhantou a revista e produziu uma grande fase, de ótima qualidade. Mas ainda assim, as vendas não corresponderam. Os X-Men, então, tiveram suas aventuras canceladas em 1970. Passaram a fazer participações especiais esporádicas nas revistas dos outros heróis da Marvel.

Em 1974, Roy Thomas – então Editor-Chefe da Marvel, substituindo Stan Lee – decidiu reformular os X-Men, fazendo deles uma equipe mais adulta e com membros de vários países diferentes. Quem ficou responsável pela empreitada foi o escritor Len Wein. Wein e o Editor de Arte da Marvel, o desenhista John Romita, criaram o canadense Wolverine como um teste e o colocaram para lutar contra o Hulk em The Incredible Hulk 180 a 182, de 1974. Deu certo.

Em 1975, chegava às bancas Giant-Size X-Men 01, uma revista especial (maior e com mais páginas) trazendo uma nova equipe para substituir a primeira, numa aventura produzida por Len Wein e o desenhista Dave Crockum, que criou os novos personagens. O líder Ciclope permanecia, agora para comandar Wolverine, Tempestade, Noturno, Colossus, Banshee, Solaris e Pássaro Trovejante. Foi um grande sucesso.

A revista X-Men voltou a ser publicada, mantendo a velha numeração, e contando as aventuras da nova equipe, agora nas mãos do escritor Chris Claremont, já que Wein se tornou o novo Editor-Chefe da Marvel e ficou sem tempo de tocar a revista.

Capa representa os X-Men dos anos 2000, especialmente na fase de Grant Morrison.
Capa representa os X-Men dos anos 2000, especialmente na fase de Grant Morrison.

Claremont e Crockum tornaram os X-Men uma grande sensação dentro da Marvel e os personagens gozaram de um sucesso nunca antes visto. E tudo melhorou mais ainda quando, em 1977, o desenhista John Byrne entrou na revista, com seu traço dinâmica, clássico e bonito. Byrne também era escritor e logo passou a coordenar as tramas em parceria com Claremont, de modo que os dois produziram a melhor de todas as fases da equipe, entre 1977 e 1981, com destaque para A Saga da Fênix Negra e Dias de Um Futuro Esquecido.

Após a saída de Byrne, Claremont permaneceu no comando dos X-Men, tornando-os a revista de maior sucesso da Marvel, batendo até o invencível Homem-Aranha. O escritor só deixaria a revista em 1991, após 16 anos à frente dos mutantes, quando estes passaram ao bastão do desenhista Jim Lee, que comandou a equipe juntamente a uma série de escritores. Foi o momento de ápice de sucesso da equipe.

Depois, uma série de decisões editoriais questionáveis minou o sucesso e a importância dos X-Men. Nos anos 2000, alguns escritores deram duro para manter a equipe em evidência, deixando alguns bons resultados, como Grant Morrison e Joss Whedon (ele mesmo, o diretor do filme Os Vingadores).

Atualmente, os X-Men foram subjugados pelos Vingadores em termos de importância dentro da Marvel, mas ainda gozam de popularidade, vivendo uma série de reviravoltas em suas aventuras.

Também não se pode deixar de falar que, desde 2000, os X-Men são uma das franquias de maior sucesso nos cinemas, adaptados pelo estúdio 20th Century Fox. O 50º ano da equipe foi representado este ano nos cinemas com o filme Wolverine – Imortal, o segundo solo do membro mais popular da equipe. E ano que vem chega X-Men – Dias de Um Futuro Esquecido, com a adaptação do clássico arco de 1981.

Poster comemorativo dos 50 anos dos X-Men, por David Finch.
Poster comemorativo dos 50 anos dos X-Men, por David Finch.

Comemore você também os 50 anos dos X-Men lendo os posts especiais do HQRock sobre a equipe:

A Trajetória dos X-Men: uma série de posts especiais contando a história editorial e cronológica dos pupilos do prof. Xavier. Leia aqui: Parte 01 (1963-1986), Parte 02 (1986-1991), Parte 03 (1991-1997) e a novíssima Parte 04 (1998-2013).

Compare as versões dos quadrinhos com as do cinema dos X-Men.

Wolverine: A Trajetória. Dossiê sobre a história cronológica e editorial do mais popular dos X-Men nos quadrinhos.

Veja também: Wolverine: As Melhores Histórias, com as maiores aventuras de Logan nas HQs.

Saiba mais aqui sobre alguns personagens como Fênix (aqui e aqui), Ciclope (e aqui) e Deadpool, em posts avulsos doHQRock.

X-Force: Conheça um pouco sobre a equipe militar e violenta derivada dos X-Men.

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Os X-Men foram criados em 1963 por Stan Lee e Jack Kirby, mas só foram bem-sucedidos comercialmente nos anos 1970, a partir da reformulação idealizada pelo escritor Len Wein e tocada à frente por Chris Claremont, Dave Cockrum e John Byrne. Daí em diante, se tornaram uma das revistas de maior sucesso da Marvel Comics.